08 junho 2011

QUE TEM A DIZER ACERCA DA MAIS RECENTE MEDALHADA DO CONCELHO, MANA PÁSCOA?

MIGACHA RUTO, reformada - Ó menina acha que eu tenho idade para me preocupar com isso? Deixe-me cá fumar o meu charuto em paz. Bendito Isaltino que me pegaste o vício! Deus vai-te recompensar por tudo o que tens feito...
Ainda hás-de ser ministro! Salvé!




UGLY KID JOE, frequentador de um centro de estudos - Acho muito mal. Ando há anos a esforçar-me por me comportar bem sempre naquela de alguém reparar em mim mas tenho tido sempre azar. Da última vez que ajudei uma velhinha a atravessar a estrada fui derrubado por uma mota e parti os óculos. Ficámos os dois ali no meio até vir um ceguinho que nos tirou dali. Acho que eu também merecia uma medalha, meu.


DESATINOS IMORAIS, Presidente de uma Edilidade - Isto é a confirmação daquilo que sempre desejei, ser o concelho com mais medalhados por perímetro quadrado, a par do mais moderno parque tecnológico. Hoje foi uma reputada professora contracorrente, a prova de como eu sou um mãos largas de coração generoso que adora a populaça e meter-se no meio das fotos de grupo, mas amanhã poderá ser o dono da barraca dos churros. Sou um ser imprevisível.


PICACHU RASCO, dona de uma banca na praça - Aiaaaaaa! Vou receber uma medalha? Eu?! Belisque-me para eu acreditar! E porquié? Alguém deve ter ido contar que tenho as mai lindas rosas vermelhas aveludadas da praça! Passo a manhã a borrifá-las mas nunca pensei que isto acontecesse! Aiiiiii se eu adivinhasse tinha-lhe dado algumas quando ele cá veio comprar nabos...

16 abril 2011

O FUNCIONÁRIO ZELOSO


25 março 2011

ólhamêste!


Ele há gente q n s toca! Imaginem q apanhei este shôr numa de cusquice totaaaal...vejam o interesse em espreitar, quiçás 1 moçoila ou umas jóias da coroa, anéis e assim :))

23 março 2011

REFORMEM-ME, JÁ!

Se vocês soubessem o que eu, Costa-Rica, Costa de Prata, o homem das costas largas, tenho passado, não me maçavam tanto.
Os cabelos brancos que tenho ganhei-os todos nesta escola. No ano passado não tinha nem um, até parecia o Burt Reynolds, um verdadeiro galã do cinema. Nesta escola ninguém me leva a sério. Se chego atrasado, já tenho alguém a morder-me os calcanhares. Quando falto é apenas por um motivo maior. Ou porque estou doente ou porque a minha sogra passa a vida a morrer. Mesmo assim, ainda queriam que eu cá viesse entregar a justificação. Ora, uma pessoa dente não tem que justificar nada; perder uma sogra põe um homem doente mas não provoca cabelos brancos, por isso é que digo que é a escola que mos faz.
Pedem-me planeamentos, planificações, aqueles documentos em que se escrevem as previsões. Eu, quando quero previsões consulto a Maia. Sei lá se quando chegar dia de dar certa matéria me apetece! Sei lá se nesse dia estarei cá. Ora, mudem de disco.
Há dias perdi o meu telemóvel. Foi o dia mais triste da minha vida. Pois na escola atazanaram-me o juízo por causa disso. Ninguém mostrou respeito pelos 170 euros que me custou nem pelas 2500 fotografias que lá tenho. A minha mulher coitadita, o que sofreu por me ver aflito. Quando, desesperado, voltei à escola e a senhora dona Irrita me acenou com ele, até lhe espetei dois grandes beijos, eu que não sou nada dado a manifestações públicas de qualquer tipo de afecto. Tenho uma excepção - o meu amigo Arsénico. Grande compincha. Dou-lhe largos abraços.
Querem-me impingir algumas funções e fazer com que eu apresente uns documentos que me aborrecem. Um dia destes vou reformar-me e depois quero ver quem me chateia. A minha chefe fez horas extraordinárias porque compreendeu o deu dilema e explicou-me tudinho. Os outros, entre os quais três moças de pés repousados em cima das cadeiras (coisa estranha, esta que não me explicaram, será um ritual?) faziam esgares de enfado como quem estivesse a ouvir aquilo pela terceira vez. A dita chefe não conseguiu dizer-me em que diário da república está escrito o que me pedem para fazer, qual é a lei que diz que eu tenho que ser júri de um exame e entregar uma matriz dentro dum certo prazo. Alguém me pode dizer? É que se está na lei, eu faço, senão, deixem-me em paz.

04 março 2011

OS ALPIARÇAS

28 fevereiro 2011

O CONCURSO

Está aberto o concurso para um lugar de assistente à acção educativa.
Os candidatos ficarão deste modo a saber quais as funções implicadas no contrato.
A função principal do assistente será a de assistir aos registos efectuados pelas câmaras de vigilância da escola nuns ecrãs que estarão situados no posto de saúde, pelo que deverão estar familiarizados com os professores do departamento que mais usa esse espaço.
O candidato não pode sofrer de doença ortopédica ao nível da cervical e não pode sofrer de daltonismo. Deve identificar alguns objectos que podem circular pela escola e quais os procedimentos a tomar nesse caso, a saber: uma faca, uma naifa, um x-acto, um balão com água, uma vassoura, um cadeado de cacifo, uma marreta, um pé de cabra - tudo o resto é insignificante uma vez que deve estar exclusivamente atento às eventuais agressões às câmaras de vigilância. Poderá também estar atento a toda a investida contra os computadores situados nas salas, embora para isso vá ser contratado um outro assistente.
Deverá desprezar qualquer ataque a pessoas, uma vez que elas deixaram de ser a prioridade do nosso ministério, embora os objectos enumerados lhes possam causar algum tipo de dano físico.
Nesse caso, não deverá largar o seu posto mas poderá fazer uma chamada para o director da escola assegurando-se de que a chamada é grátis.
O prazo de candidaturas termina hoje às 17horas.

Isabel Calçada e João Pé-de-Chinelo.

26 fevereiro 2011

25 fevereiro 2011

Poesia do Quotidiano Escolar

Chaves na mão, melena desgrenhada,
Batendo o pé na casa, a sub ordena
Que as furtadas carteiras e telemóveis,
O bando dos quatro os ponham ali,(ou seriam cinco?)

Zézinho, moço imberbe e caga-tacos,
Lhe diz coa aflautada voz que o ar arrepia:
- «Perderam carteiras ? É forte pena;
Olhe não fiquem todos arruinados...»

- «Tu respondes assim? Tu zombas disto?
Tu cuidas que, por ter pai embarcado,
Já a sub não tem mãos?» E, dizendo isto,

Arremete-lhe um chapadão.
Eis senão quando (caso nunca visto!)
Saiem-lhe as carteiras de dentro das algibeiras!...

09 fevereiro 2011

O QUE FOI E JÁ NÃO VOLTA A SER

Longe vão os dias em que dona Aninhas perdia as estribeiras quando era acusada de exagero na limpeza. Ela, que sempre tratou do seu pavilhão com o esmero de quem trata da própria salinha de televisão; que crochetava naperons e metros de franjas nas horas vagas, que plantava flores em vasinhos que dispunha ao longo dos corredores e em cima dos quadros eléctricos; que punha Alelex fora de si quando a água que escorria dos vasos fazia disparar o quadro e dilatar os tacos do chão; os tacos soltavam-se e as professoras tropeçavam. Os professores reclamavam e dona Aninhas era quem pagava as favas. As favas eram abundantes na sua horta mas que só alguns tinham o direito a provar. Os quadros de giz eram esfregados com tanto aprumo que ganhavam o brilho do verniz. Ninguém mais conseguiu ler neles e os professores perderam a cabeça. Dona Aninhas era quem pagava as favas. Dona Aninhas oferecia malaguetas e couves da sua lavra aos professores com quem simpatizava. Hoje seriam chamados de produtos biológicos mas naquela altura, parece já muito tempo que o que dista cerca de dois anos, eram meras couves. Quando a semana não chegava, disponibilizava orgulhosamente uns sábados para tratar do canteiro.
Mariazinha colaborava com ela na rega mas não na discussão acerca dos grossos livros que lia. Tinha tempo para ler nos intervalos das limpezas que fazia no mesmo ritmo morno.
Hoje não existem nem dona Aninhas nem Mariazinha nem nada que se lhes pareça.
Do tempo delas nada resta, nem sequer o pó. O pó é outro. Os caixotes são os mesmos mas o lixo é outro. Os caixotes ganham novas dimensões, rebentam com a escala, criam baratas e maus cheiros. Na horta há ervas daninhas que começam a ser retiradas por uma brigada. Debaixo das mesas há cotão e teias de aranha.
Dona Coluna não gostava que o Sindroma falasse dela na internet. Durante meses pediu-lhe o endereço, enquanto cortava uns tomates e queijo fresco às rodelas para fazer sandes na sala de professores; queria ver onde é que ele tinha escrito sobre as suas sabrinas de bolinhas pretas. Hoje, onde outrora havias sandes, sumos e iogurtes, jazem os restos mortais de um balcão frigorífico.
O Senhor-Com-Nome-de-Galeria cansou-se de varrer tacos e passar tardes a saltitar entre três letras - CFE, EFC, FCE, conforme. Decidiu-se recentemente pelo E, de Escondido, de forma permanente até desaparecer.
Ganhámos um solícito, simpático e educado limpador de polivalente.
Mas mantemos um antipático boneco-de-cera que sofre de sensibilidade dentária...
(talvez continue)

02 fevereiro 2011

A FOLHINHA QUE CHEGOU ÀS ESCOLAS

Para aquele que fugiu...

NAQUELA TARDE FUGI

Gosto daqueles momentos em que o dia se despede de nós e a noite começa a chegar. Adoro as cores vermelhas do sol quando se despede do dia. Adoro o frio na cara. Adoro a projecção dos corpos nas cores do pôr do sol. Gosto de andar na rua a essas horas de fim de tarde. Pensar enquanto ando. Ou finjo andar. Ou finjo pensar. Adoro o cheiro da terra molhada. Adoro o som de uma boa música que nos invade os pensamentos e vindo de longe. Cruzando o frio do inicio noite. No escuro da noite admiro a luz da cidade. Senti o poema desenhado no sentimento de quem procura alguém por encontrar. Entendi o poeta e o seu grito. Entendi que o amor é uma busca sem rumo. Então decidi fugir da tarde e invadir os sentimentos da noite. Não vou querer regressar para continuar a navegar no vazio de um amor em fuga

Koristupor,Jr.

29 janeiro 2011

QUERIAM O QUÊ? UMA CONTA DA PANDORA?

Luci-Lima estava a perder as estribeiras. Tinha um duplo pai sentado à mesa redonda ia para duas horas e não sabia como ver-se livre dele. O pai, que era ao mesmo tempo pai de um filho e pai de santo voltava sempre a um assunto que ela sabia de cor porque repetia tudo o que de véspera lhe tinha dito ao telefone. O pai era insistentemente chato mas tinha uma voz maviosa; apenas por isso ela ainda não tinha dado um murro na mesa.
À beira de um ataque de nervos estava o gato Zorbas que, curioso como qualquer gato vivo, corria a cada cinco minutos por cima de tudo o que era cadeira, mesa e instrumento musical para a portaria, vulgo pbx, para ser o primeiro a receber o presente. Não estava ninguém, havia sido alarme falso. De cauda descaída e bigodes murchos, retornou ao seu recanto, repetindo "Ai valha-me um burro!"...
Indiferente a tudo isto, O Presidente adicionava uns pontitos ao regimento da CCAD; hesitava entre o ponto final e o ponto de exclamação, agora em desuso, meneando a cabeça ora para a esquerda ora para a direita a ver qual ficava melhor. Madame queixava-se à Pascoela da dor da cabeça que o voltear de Luci-Lima e de Zorbas lhe provocava, muito pior que qualquer arrombar de cacifo.
O sonho começou a desabar quando dona Frita entrou com a informação: estava o desejado senhor com uma pasta, no pbx, para fazer a entrega de um presente.
Na escola bebia-se muita gasosa, iria haver uma recompensa pelos extraordinários lucros; havia uma oferta para cada membro da direcção. Os nervos estavam à flor da pele, Zorbas rasgava as caixas com os dentes, Luci-Lima tomava um calmante...

Cada elemento recebeu uma tampinha de plástico verde com um fido-dido em cima...

21 janeiro 2011

OS CORTES

Se ao menos nos deixassem escolher o tipo de corte... Eu optaria por uma franjinha para usar bandolete.

20 janeiro 2011

AI SE ELE CAI

Este tu cá tu lá de conversa fiada já me está a tirar do sério.
Já não basta escreverem pouco e ainda vêm para aqui com choraminguices e desgostos de amor, narizes, saldos e o diabo a quatro. Minhas senhoras, lamentem-se por causas justas.
Têm falta delas? Eu dou-vos um: consultem o vosso email e vejam uma certa mensagem que vem dum senhor que se chama Vencimentos.
Esse senhor que não usa nome próprio e que apenas revela o apelido anda a ir-nos aos bolsos. Para já, deve ser um gajo poderoso porque tem acesso aos dados das pessoas. Segundo porque nos gamou uma maquia considerável neste mês. O inacreditável é que ninguém reclama. Isto revolta-me.
Uma vez, estava eu na recruta, saiu uma ordem para reduzir a ração de combate. Eu, o Tira-linhas e o Teixeira armamos um pé-de-vento que ninguém conseguiu dormir naquele acampamento. Fomos à cozinha roubar umas panelas e batemos neles toda a noite com uns maços. No outro dia, o rancho foi melhorado. Isso eram outros tempos, quando as pessoas tinham sangue na guelra. Agora a carne é fraca. Fazem-nos trinta por uma linha e todos se calam. E depois vêm queixar-se que não podem ir aos saldos.
Penso que esta Doutora Ruth devia sugerir temas em vez de dar livre arbítrio às suas leitoras. Não me leve a mal. Vejo que continua inspirada e sedutoramente opinativa mas eu no seu lugar não alimentaria estes comentários algo desabridos ao nariz duma pessoa polida e discreta que até tem feito furor entre o mulherio da escola. Na escola sempre houve homens que tiveram as mulheres a seus pés. Ele não é o primeiro nem o último, lhe garanto, a fazê-las tombar. Admiro-o por isso.

19 janeiro 2011

CARA RUTH

Cara Dra. Ruth

Escrevo-lhe para, por um lado manifestar a minha concordância e admiração pelos seus conselhos, por outro lado acrescentar algo à visão sobre a actual conjuctura.
Considero que o seu conselho à anónima brasileira é magistral - não precisamos de concorrência desleal em tempo de crise - "desista!", disse. Não precisamos de brasileiras bronzeadas (com sol todo ano), com bens de primeira necessidade feminina (manicure, massagens, estética...) ao preço da chuva(reáis).
Por outro lado (e sujacente à 1ª razão)considero que a crise generalizada de homens disponíveis sente-se à escala nacional: no meu serviço passa-se o mesmo!...
Porém, permita-me discordar, perante uma procura maior do que a oferta defendo o princípio da rotatividade. Passo a explicar: em tempo de crise as dificuldades devem ser distribuídas por todos/todas. Se um cavalheiro, bem parecido e gentil, é solicitado por várias damas, não devemos alimentar a sua indecisão, mas levá-lo a desfrutar, à vez, as diferentes possibilidades. Todas/todos usufruirão das vantagens, sem daí colher inconvenientes.
Também não sou mulher de desistir. Aliás, gosto de chegar em primeiro. Não como essas mulheres que correm para chegarem primeiro na abertura dos saldos. Sou antes do tipo da cliente especial que é convidada para as promoções antes do fim de estação. Não há desespero aqui. Não levo a vida/o amor demasiado a sério. É antes uma insustentável leveza da existência que me anima.
No meu caso, que já passei os 40,reconheço no cavalheiro em questão os seus defeitos visíveis - tem um nariz demasiado adunco - e quanto aos ocultos, adivinhou: o tipo é mesmo poeta, com uma queda para a música (fruto de vidas anteriores)que manifesta com headphones ligados ao MP3 ouvindo a sua própria música, sem partilha. Porém, isto para mim não é defeito,antes me empolga neste clima de sedução. Para certo, e serial killer de emoções, já tenho um lá em casa que me entedia.
Matilde Beijaflor (juro que não sou brasileira)