05 janeiro 2006

O GRANDE CONGRESSO - 1 - A viagem

1. ANA PENTECOSTES, em pleno cento do seu gabinete, questiona LURDES ORVALHADA..." Lurditas, já compraste os bilhetes?? sempre sacasta 10% de desconto através da neT??" - " Pró Ballet Nacional de Espanha no CCB...??" - responde LURDES ORVALHADA com ar um pouco confuso e ausente... " Não, sua cabeçuda...pró combóio...irra...Para a nossa ida ao Porto..."- " Ah...ao Porto...mas é claro , ao Porto...ao nosso Congresso...que cabeça a minha...Mas sim já fui ao Multibanco e comprei para todos; dia 10 arrancamos de manhã e voltamos a 14" - "Óptimo! temos que avisar os outros e combinar as horas de nos encontrarmos na estação...é no Oriente ou Sta. Apolónia?" - "É Sta Apolónia, ANA", confirma LURDES.
2. Dia 10, pelas 9,30h da manhã, no cais de embarque nº4 de Sta. Apolónia, encontra-se um grupo de curiosos personagens, a saber: ANA PENTECOSTES, LURDES ORVALHADAS, TERESA PRANTOS, ANABOLA MAOÍSTA e PAXÊKU...-Diz este último para o grupo.."Tou ansioso por chegar ao Porto e participar no nosso Congresso de Druídas PsicoFilosóficos...Este ano vai ser grandioso..." "Sim. grandioso como o apêndice que te nasce de entre os olhos..." pensou, sem dizer, TERESA PRANTOS..."Vamos meninos, entremos na nossa carruagem antes que venha a maralha toda...isto não é o refeitório lá da escola..." - ordenou ANA PENTECOSTES. Todos subiram, calmamente, ocupando os seus lugares e instalando-se confortavelmente em 1ª classe. Após o sinal, o alfa pendular arranca em velocidade moderada, para logo depois, qual cavalo de crina ao vento, galopar vertiginosamente, galgando léguas atrás de léguas...
3. São 10.30 h; a lezíria vai passando, aos olhos dos nossos personagens, como um filme...ANABOLA MAOÍSTA pergunta tímidamente..."Trouxe aqui umas coxinhas de frango e uns salgaditos pra entreter...alguém quer? "Sim, passa aí uma coxa, que já mando uma certa larica" - estendeu a mão, gulosa, TERESA PRANTOS; Ninguém mais tinha fome. LURDITAS ORVALHADA lia, concentrada, um infólio de 840 páginas chamado "Crítica da Razão Impura"...ia na página 10....ANA PENTECOSTES, com óculos postos, alinhavava umas notas num pequeno bloco, extraídas da sua leitura atenta de "A Idiosincrasia das Abetardas nos Primeiros Anos de Vida"...TERESA PRANTOS, folheava, nervosamente e com os dedos engordurados da coxa já deglutida, o último nº da revista "PsikeFilos", e comenta: "Diz aqui, no artigo do Dr. AlmaLimpa Penaguião uma coisa muito interessante...ora oiçam: os fundamentos do pensamento filosófico são como as fundações dum prédio de 12 andares: são só betão...isto , numa perspectiva psicofilogenéto-desenvolvimentista, conduz-nos, por certo ao âmago da ARGAMASSA...é espantoso, não acham???"Tretas..." atalha, convicta, ANA PENTECOSTES... " Eu cá acho que o gajo tem uma certa razão...não te parece??" intervém ANABOLA questionando PAXÊKU...mas este, embalado pelo suave ronco das rodas nos carris, já dormitava, com a cabeça bamboleando de um lado para o outro, enquanto no seu colo jazia, aberto na página 764, um magnífico exemplar de " Eu, Zaratustra, Miguel de Vasconcelos e Pedro Homem de Mello - Cartas"
4. Nisto entra no compartimento o revisor - pica bilhetes - para executar o seu controlo; PAXÊKU olha fixamente a personagem e é acometido de um súbito tremor...nas mãos, nos joelhos e nos dentes...a vista tolda-se....a atmosfera adensa-se insuportavelmente...ele vislumbra uma face morena, adornada com um lustroso bigode um pouco grisalho que remata uma boca que sorri para ele, mostrando dois apelativos e sexy dentinhos afastados...."Não... não acredito... é ele...também aqui...larga-me, assombração fantasmagórica...VAI-TE...VAI-TE...SOCORRO...SOCORRO.....AI..AI..AI...."- "Acorda,PAXÊKU...GAITA...tavas a sonhar e a fazer um escarcéu dos diabos..." diz TERESA PRANTOS abanando vigorosamente o sonhador... "Além disso, tens uma poça de urina junto aos pés...bolas...que vergonha...eu nem te conheço..." confirma ANA PENTECOSTES... "E babaste o livro todo...até está amarelo....que nojo..." - acrescenta ANABOLA ..." Caramba, pá...o teu suor pingou pra cima de mim.. e tou toda molhada na cabeça e nos ombros...é demais...devias tomar qualquer coisa...livra!!" remata LURDITAS ORVALHADA. PAXÊKU estava incrédulo...sonhara...tinha sido uma visão..."enfim, felizmente não era real...." - Começava a ficar mais calmo, limpando-se como podia...fechou o livro, arrumou-o na prateleira por cima da sua cabeça, junto à andrajosa pasta preta e encostou a ovalóide forma que se apoia no pescoço, no encosto do assento...o combóio estava a chegar a Coimbra B.
(CONTINUA)

SIMPLESMENTE BELÍSSIMA - 2º Episódio (em 16:9)

Atrapalhado, lívido, sentiu um arrepio daqueles que dão poucas vezes na vida. E não era do tempo - ameaçava chuva mas ele estava quentinho. Com o coração aconchegado com a visão da sua princesa, olhou para o camelo da chávena de café e de algum modo, achou que era parecido consigo.
Engoliu a bica, rodou o pé para apagar a beata e apressou-se em direcção à escola. "Talx a veja +1x", pensou graficamente, enquanto procurava num dos dez bolsos das calças que orgulhosamente deixavam ver o cós das cuecas Kelvin Kleine and Hobes que a avó lhe ofereceu no Natal, o papelinho que o fantasmadaopera lhe tinha passado.
"Ah! Axei!" Denegrido e tingido de azul denim, o papelinho tinha dois lados. Usara apenas um e tinha corrido mal. Agora, finalmente iria ser-lhe útil; a mãe ofereceu-lhe no natal o livro das previsões para 2006 do Paulo Cardoso, mas precisava confirmar os sentimentos que via crescer. Releu a mensagem novamente:
Professor URBANOC - Especialista em todos os trabalhos ocultos. Consultas individuais. Envie um sms com o texto: "pi-alfa-miu" para receber a senha de acesso ao serviço. Custo por sms: 0,60cent.
Achou barato para o tamanho da ajuda de que precisava.
Teclou a mensagem e enviou. Nos breves instantes que provam a eficiência do serviço, o telemóvel vibrou silenciosamente; tinha tirado o som, não fosse acontecer como daquela vez em que o BossAC o ia desbroncando no copianço no teste de história...
Na resposta recebeu uma mensagem evasiva que o deixou ainda mais baralhado do que o episódio de ontem dos Morangos com Açúcar.
A mensagem dizia: "Representa pelos seus traços nos planos de projecção, um plano de perfil que contém o ponto A (2ae; -3; +4)".
Dj Cara Danjo tremeu. Que mensagem enigmática! Logo ele que detesta enigma, aquela música dava-lhe arrepios.
Precisava de ajuda, que lhe indicassem um caminho e via assim correr-se mais uma cortina...

(CONTINUA)

BLOGONOVELA: O PRÓXIMO ESCREVENTE (EU NÃO DISSE ESCRAVO) QUE PONHA O TÍTULO

Os professores mais antigos (quase todos, segundo o novo plano de reformas) lembram-se da invenção da roda, dos Descobrimentos e do papel de Portugal nos mesmos, de Alcácer-Quibir e das primeiras rádionovelas, como por exemplo «Simplesmente Maria». Depois, lembram-se das telenovelas, que interrompiam a vida, o comércio, o Parlamento (embora me pergunte como é que se pode interromper o trabalho - a palavra não é aqui usada para ofender os senhores parlamentares - no Parlamento...). Mas o blogue, sempre um passo à frente (leia-se, sempre já mais próximo do precipício) inaugura hoje a primeira blogonovela - pelo menos, que eu saiba.
I
Não tinha havido qualquer equívoco: aquilo fora maldade pura. Dj Cara Danjo convencera-se (ou melhor, fora malevolamente convencido) de que o queriam num party, na sua qualidade de dj de fim-de-semana; passara a tarde anterior ensaiando diante do espelho, cheio de estilo, com um boné de pala voltada para trás, uns auscultadores, óculos escuros para o protegerem do brilho da «night»; treinara os dedos ágeis sobre os discos, provocando ruídos - a avó sempre o elogiara nesse capítulo. Sempre o quisera exibir aos mais conceituados da sociedade: «Este menino faz demasiado barulho! Têm de o levar ao médico!» -, silvos, distorções de som, etc. À noite, pusera-se a caminho. Bem. Há que dizer que achara a discoteca muito estranha. O nome - que tomou por ironia: «Deus nos Acuda» -, no entanto, pareceu-lhe interessante. E o porteiro correspondia a um conceito muito inovador: também o não queria deixar entrar, como todos os porteiros de todas as discotecas, mas, contrariamente ao habitual, era uma mulher e estava de bata branca. Ah, e tal, não pode entrar, e tal, não senhor, quem é você, e tal...? Explicou: Venho animar isto, pá! Entrou. O ambiente era completamente diferente. As pessoas não moviam cadenciadamente a cabeça, tirando uma ou duas que se veio a descobrir que era por causa de doenças. Aliás, não havia música. Gritara, então: «Ôi! Curtindo a night? Preparados para arrombar? Vamos abanar?»
Perante uma série de equívocos, ao ouvir uma voz feminina que gritava permanentemente, e outra que insistia em fazer um presépio vivo, insistindo em enfiar fios de ráfia nas cabeças das pessoas, mais uma voz máscula que repetia «Podem prender-me, que eu é que sou o presidente do Conselho! Serei sempre; nem pondo-me aqui se livram de mim...», quando percebeu por fim que fora enganado, que o «Deus nos Acuda» não era uma discoteca diferente, mas um Lar de Professores Reformados em Estado de Stress, era muito tarde. (Eram três da manhã...) O fantasmadaopera, que lhe dera o endereço com um sorriso sinistro, enganara-o bem. Terrível personagem!
Agora, sozinho numa mesa do Gema D'Ovo, fumando muito, embora já tivesse prometido a si mesmo que só fumaria na escola, Cara Danjo entregava-se à depressão.
Foi então que a viu entrar. Primeiro, pensou, pelo ar garrido, que fosse demasiado miúda para si. («Sou algum portfólio, ou quê?»). Depois, reparou melhor: era uma mulher lindíssima, irrequieta, pequenina, como ele gostava... Bem. Aí, o seu coração principiou a acelerar. Era uma paixão. A verdadeira. A única, tinha a certeza - todas as paixões verdadeiras e únicas por que já passara haviam começado exactamente assim. Claro, ele não podia adivinhar que Dolores (na altura, ainda nem lhe sabia o nome) era, como em todas as novelas, a menina rica, mimada, inacessível. Ele não podia adivinhar, coitado, em que problemas se ia meter...
(CONTINUA)

04 janeiro 2006

GREENLIGHT ATACA DE NOVO. (INFELIZMENTE...!)

Um traço de luz verde risca a negra noite. Será um pirilampo? Um pirómano? Um pirolito? Um piri-piri? Não! Ééééé Greenligth!
Greenligth vela sozinho na noite. (Pelo menos, é o que ele pensa).
Sente-se uma vítima, um perseguido, um triste, um traste, um infeliz. Ou seja, está em forma.
Ouve um ruído alguns passos adiante. Não muitos. Talvez três. Ou quatro. Ou cinco passos, não mais. Menos do que a oito passos de si, isso é certo.
Poderá ser acaso Lex Luthor? O Duende Vermelho? Um inimigo a soldo do Ministério?
Felizmente, Greenlight está preparado: trouxe consigo a arma secreta, o «laser» das queixinhas que, como o nome tão bem expressa, atordoa o mais feroz inimigo sob um rol de lamentos.
Eis que, de repente, o esperado inimigo se torna visível em todo o seu ventre etéreo e volátil.
Os dentes do monstro, muito afastados uns dos outros por efeito da maldade, brilham na noite. É o fantasmadaopera. Não se lamenta. Pelos vistos, a este, corre-lhe bem a vida. É só fazer bonecos! O mais custoso, claro, é aquele esgotante e trabalhoso tempo de convívio e descanso no gabinete do triunvirato, para completar horário, mas que fazer? Não se pode ter tudo...
A sua gargalhada sinistra ecoa na noite. Hã? Está alguém a seu lado. A dois passos dele, ou três, certamente não mais do que a quatro, quando muito seis. Greenlight percebe tudo: o fantasmadaopera não tenciona sequer sujar as mãos com ele, pelo que contratou o primo do dirigente benfiquista, o que deu um estalo naquele senhor bem nutrido, no aeroporto. É esse energúmeno que prega um par de estalos no Greenlight. Fantasmadaopera só tem, depois, que terminar o trabalho arreando-lhe com uma «blogada» (ver em baixo) que o deixa a ver estrelas.
«Deve ter espiões», pensa Greenlight, mal se refazendo do choque. «Como é que ele conhece tão bem o doce despertar da minha doce gazela? E como consegue reproduzir tão fielmente as minhas reuniões com os pais? E como descobriu o meu método secreto de correcção dos testes? Aqui há gato!»
Ainda traumatizado pelas chapadas e pela «blogada», agora também com um olho verde, já sem dentes na boca, ainda tem forças para berrar:
- Ifto não fica afim, Fantafmadaopera. Não perdef pela demora. A vinganfa ferve-se fria! Ferve-se fria!? É boa! Em fuma, vaif ver fó, vaif ver fó...!

03 janeiro 2006

MENSAGEM DE ANO NOVO (Versão da D.Lurdes)

Caros professores:
Venho deste modo desejar-vos um ano repleto das maiores alegrias e a(bes)pinhado de sucessos profissionais. Espero que as minhas circulares vos tenham chegado em bom estrado; eu e os meus colegas temo-nos esforçado muito por vos manter felizes e contentes enquanto estão na vossas escolas, que é o sítio onde devem passar as melhores horas dos vossos dias.
Quero que todos vós tenham a noção de quão caros nos saem. É por isso que temos que rentabilizar ao máximo as vossas (in)competências; sei que alguns de vocês têm andado tristes e deprimidos porque não vos demos tudo o que vos prometemos, mas isso deve-se apenas ao facto de considerarmos que os vossos pedidos têm que ser satisfeitos quando todos, mas mesmo todos, tiverem provado que são realmente capazes.
Abençoo aqueles que fizeram greve a mando do sindicato e espero que haja mais ao longo deste ano. Juntos, já conseguimos equilibrar o orçamento do nosso ministério para gastos de telemóvel. Se cada um de vocês descontar 40 euros por cada dia de greve podemos continuar a mandar circulares em papel de melhor qualidade e talvez até possa vir a mandar um postal nas próximas férias; o Zé prometeu que me levava ao próximo Safari. Conto com a ajuda dos sindicatos; graças a Deus eles existem.
Oh! Um dia, quando me reformar, hei-de ter saudades das tropelias que fizemos juntos neste ano que findou!
Prometo que não vos vou esquecer por um segundo em 2006. Aqueles que começaram a trabalhar no dia 2, dia par para afastar o azar, já viram como vos brindei com novidades para o novo ano!
Já percebi que nem todos têm capacidade para entender o que escrevo. Aos mais iluminados deixo os meus votos de continuação de bom ano! ML

02 janeiro 2006

UM DIA NA VIDA DO SUPER HERÓI...

1....Toca o despertador às 6.30 horas em ponto...a noite ainda cobre com o seu negro manto, as colinas da cidade; nesta cidade, no bairro tal e na rua de tal, nº tal andar tal e tal, o SUPERHERÓI abre, a custo, um olho e pensa nas múltiplas oportunidades que o novo dia que , lhe trará...mas, de súbito, uma voz meio rouca atira-lhe ao ouvido esquerdo "...Levanta-te, madraço, que já são horas de dar o biberão à tua filha!!!"e não te esqueças de por a mesa, de acordar o dorminhoco do teu filho e de me encheres a banheira...vamos lá a despachar, podengo!!!" O nosso SUPERHERÓI, ABRINDO O OUTRO OLHO, logo se ergue do ainda quente leito e, pressuroso, inicia o cumprimento das tarefas ordenadas....pensa ele " raios, e dizer que esta gaja me adora, vou ali e já venho..."
2. Após cumprir com zelo as matinais missões ordenadas, o nosso SUPERHERÓI veste, apressadamente, a sua toillette habitual da qual se destacam os famosos collants verde vómito....pega na andrajosa pasta preta cheia de metáforas pitagóricas e silogismos ilógicos e, é vê-lo, em demanda da sua escola para enfrentar mais um dia em que, de certo, vomitará as habituais queixinhas de quem se sente um pobre desprotegido da sorte...
3. Chega à escola; vai leccionar uma turma do 10º ano e, no caminho para a sala de aula, pensando alto murmura baixinho ..."Que má sorte a minha!!! podia ser um mineiro e estar Há 16 horas debaixo de terra a cavar, ou um motorista da carris, ter pegado às 5.30 da manhã e após 8 horas seguidas a conduzir dentro de Lisboa, regressar à minha rica casinha em Cruz de Pau ou, quem sabe, ser um arvorado de construção civil e já estar com 2 horas de obra a fazer massa e a dobrar ferro até às 6 da tarde....logo tenho que vir dar dois blocos de aulas a estes alunos insolentes...tudo por causa daquela gaja do M.E. que me obrigou a aceitar esta miserável profissão..."
4. Após os dois blocos purgatóricos, o nosso SUPERHERÓI apressa-se para, com outros desprotegidos da sorte, encher a a mula no refeitório...sim hoje é um dia horrivel porque tem que comer a enjoativa e oleosa comida do refeitório...demora cerca de 1 hora nesta espinhosa missão, mais 30 minutos para saborear a sempre irritante bica que o M.E. lhe impõe...Mas porque tem o nosso SUPERHERÓI que comer hoje no refeitório quando, geralmente, até sai sempre a horas de ir comer a casa e passar umas belas horas em processos reflectivo-cognitivo-especulativo-afirmativo-negativo, problematizando a essência do ser e a subsância do não-ser....
Porque à tarde, SIM ESTA TARDE!!! ele tem que receber pais (ou E.Educação) POIS ABOCANHOU, PARA COMPLEMENTO DE HORÁRIO, NÃO 5, NÃO 4, NÃO 3,...MAS 2 DIRECÇÕES DE TURMA....Que horror...que maldade...Não se faz....
5. Após registar por meios informáticos, algumas faltas das suas D.Turma, eis chegada a hora fatal..." Vêm aí os pais, prepara-te, acalma-te..." pensa ele enquanto se dirige à casa de banho, para lavar a cara com água fria e, meter dois calmantes no bucho, antes de se injectar com uma dose na veia de produto ANTI-PAIS... Está finalmente preparado; chega uma mãe que, tímidamente, se introduz na sala apresentando-se..."SoTor, desculpe incomodar...sou a Mokamba Catumbela...máe do Béleza Cátumbela...só keria perguntar si ele si porta bem, si non falta, si fás trabalho di casa..." O SUPER tremeu convulsivamente, arrepanhou alguns dos míseros cabelos que lhe restam e acariciando o prodigioso apêndice nasal, responde..."DESAPAREÇA, VA EMBORA...NÃO SEI NADA....EU NÃO O CONHEÇO ...NEM A SI...." A desditosa mãe dá corda à sandália e logo se retira pensando , saudosa, nas margens do Cuanza...O nosso SUPER, respira ofegante quando, um novo pai se atreve a transpor a porta da sala..." Boa tarde, dr....desculpe vir a esta hora...mas o patrão não me deixa saír mais cedo para vir à escola, sabe.???... Sou o pai do Filipe Canelão, ...tá a ver, não tá??? Como vai ele na matemática? e no português?" O SUPER, transpirando abundantemente e roendo as unhas até aos cotovelos, cospe irritado e fora de si " PRA TRÁS Ó VIL CREATURA...PRA TRÁS DEMÓNIO....DEIXA-ME EM PAZ, ASOMBRAÇÃO...NÃO TE CONHEÇO NEM AO TEU FILHO....SAI! SAI!!!" - logo o pobre sr.Canelão deu asas às botinas e zarpou veloz em direcçao à saída, pensando..." Queres ver que me enganei e vim parar ao Miguel Bombarda?...mas o autocarro dizia Linda-a-Velha..."
5. Eram já 5.30 da tarde e o negrume da noite galopava, célere, para os braços do dia....O nosso SUPERHERÓI parecia, por fim, um pouco mais calmo...o que meteu para a veia estava a fazer efeito....e tinha acabo a malfadada hora de receber pais....Saiu da sala, penetrou no espaço contíguo e levantou duma mesa baixa duas revistas..."Posso, enfim, ler um pouco a revista do Sindicato e instruír-me mais..." pensou, confortado com a idéia...mas logo um traiçoeiro e imiscuído raio luminoso tornou claro um texto de 1ª página que dizi: "A Bola - jornal de todos os desportos - notícia em 1ª mão - SAD do SCP declara falência; presidente leonino põe termo à vida, enforcando-se no intestino do seu treinador principal (disfarçado de adjunto); debandada dos principais jogadores para o estrangeiro, para o Sarilhense, para o Arrentela e para o Costa da Caparica" - era de mais para o coração deste SUPERHERÓI; cambaleante, percorreu o caminho do polivalente em direcção à saída, apoiando-se nos pilares da vasta sala com a ridícula e andrajosa pasta preta na mão esquerda...pensava na mulher que o adora, no filhinho de 10 anos que o venera e na bebezinha recém nascida que chora de dia e de noite a reclamar a sua atenção de feliz progenitor...baba-se um pouco e respira fundo..." Bolas...ele há dias em que um SUPERHERÓI de manhã não deve sair à tarde porque se faz noite...Bom ainda tenho aqui uma turma de testes para corrigir..."
6. Regessado, por fim, ao remanso do lar o nosso SUPER enfrenta com olhar decidido, a pilha de 12 testes do 10º ano que tinha para corrigir, amontoados sobre a secretária de mogno em cujo tampo conviviam "O Elogio da Loucura", o maquiavélico "O Principe", "As dez anedotas mais famosas de Bertrand Russel", "O barco, sulcando as searas alentejanas - uma interpretação de E. Kant" e um jornal, amarfanhado, rasgado e com uma 1º página ilegível... "Bem, vamos lá a isto...amanhã tenho que entregar os testes...já ando com eles na pasta há 2 semanas..."- dirige-se, então , com os braços esticados e as mãos abertas, como um lutador de Sumo e, agarrando na pilha de testes lança-os, na vertical, para a atmosfera...dos 12 testes, 4 caíram sobre a cadeira " Estes têm positiva..." murmurou, cínico... os restantes 8 estatelaram-se no chão..." estes ignorantes...têm todos negativa" concluíu, com um brilho metálico nos olhinhos de raposa matreira....
7. Concluído o cansativo processo de correcção dos testes o nosso SUPER procurou a caderneta respectiva para registar as classificações..." mas onde está o raio da caderneta??? ainda agora aqui a tinha..."
Sem se aperceber, no êxtase do seu lançamento dos testes ao ar e no clímax das classificações atribuídas, o nosso SUPER tinha, inadvertidamente, tocado com o cotovelo direito na dita caderneta que, ao caír do tampo da secretária pousou suavemente no tapete que revestia o tabuado, deixando antever, na sua capa, em letra manuscrita,.... PROFESSOR PAXÊKU....

A ÚLTIMA RONDA NEGOCIAL EM DIFERIDO

O blogue, sempre em cima do acontecimento (embora, tratando-se de um blogue de professores, talvez conviesse dizer «sempre por baixo do acontecimento», quer dizer, apanhando com o dito em cima) não poupou esforços para trazer aos seus leitores a reprodução fiel da última ronda (ou deverei dizer: o último «round»?) negocial entre a senhora dona ministra e os senhores sindicatos. Passa a fita, sim?

Dona Lurdes - Tenho muito gosto em receber-vos. Como vêem, preparei uma mesa redonda. Desejo que ela seja um símbolo de uma negociação que deve decorrer em clima de mútuo. Ainda não pensei de mútuo quê, mas o que importa é que seja mútuo. Talvez respeito? Ah! Ah! Ah!
Palhaço Pepito (em representação da incontornável Pré-Ordem) - Ah! Ah! Ah! Xim xenhora, xim xenhora. Tem muita graxa, muita graxa...
Dona Lurdes - Obrigadíssima, senhor Pepito. E ainda há quem diga que eu estou contra os sindicatos. Que disparate! O senhor Pepito, por exemplo, que eu adoro, tem uma visão muito coincidente com a minha do que deve ser um professor: basicamente para fazer umas graças, entreter meninos, mantê-los na sala... Mas vamos então sentar. Sit! Não, não, não! Aquele senhor é no canto. Voltado para a parede. Sozinho.
João Fenprófe - Não pode ser. Só tenho uma palavra: Aulas de substituição, não! É já uma greve. Dou-lhe já com uma greve.
Dona Lurdes - Ora sente-se aí quietinho. Também poderá falar, mas na sua vez. Mas calado, hã? Falar, sim, mas caladinho...
João Fenprófe - Não às aulas de substituição! Não às aulas de substituição!
Dona Lurdes - Ora bem. Os meus meninos... snif, snif... coitadinhos dos alunos... de quem tenho tanta pena... andam... snif... a ser maltratados pelos professores. Vejamos: os professores passam-lhes trabalhos de casa mas depois não fazem os trabalhos aos seus próprios alunos. Põem-lhes testes à frente, mas depois não fazem os testes aos próprios alunos. Parece que os querem castigar. Os professores não dão o almocinho à boca às crianças. Não as levam à escola. Que é que fazem, afinal? E, por fim, ainda lhes dão negativa. Os meninos não podem ter negativas.
José Fné - Mas ó senhora doutora, os professores portugueses...
Pepito - Não senhor. A senhora tem toda a razão. Os professores devem ser a alegria da petizada. A escola deveria ser um maravilhoso circo. No circo não há negativas, só alegria, tralará-tralará! Ó senhor Fenprófe, o senhor não quer cheirar esta flor que trago na botoeira? Aaaaaah... Ah! Ah! Ah!... uma esguichadela de água em cheio no nariz. Que cómico! Isto é que é pedagogia!
João Fenprófe (limpando-se, ofendido) - Aulas de substituição, não! Sai já uma greve. É já uma greve! E geral, hein? Não é, colegas?
Pepito assobia para o lado. O senhor Fné ergue-se, firme, hirto:
José Fné - É geral. Absolutamente. Isto assim não pode continuar, senhora ministra.
Dona Lurdes - Isto, o quê?
José Fné - Isto, ora esta! Não estamos de acordo com nada. Queremos que nos prometa o céu.
Dona Lurdes - Fica prometido. Se continuarem a suportar o que suportam, ganham o céu.
José Fné - Ah! Bem. Nesse caso... pois, pois, pois... sendo assim... desvin... desvilu... lu... vin... hã?... des-vin-cu-la-mo-nos... dessa tal de greve. Estamos abertos à, à, à...
João Fenprófe - Aulas de substituição não. Vamos já para a greve geral. É já uma. Quando é o próximo feriado? Sai uma greve logo no dia a seguir...
Dona Lurdes - Tratemos mas é da questão do insucesso. Não pode ser. Não pode ser assim. Tenho um plano.
Pepito - Os planos da senhora ministra são muito bons. Parecem os meus planos para alegria da petizada. Vou, por exemplo, pelas costas do meu comparsa, e zás... Seja o que for o plano da senhora ministra, é muito bom. Para a frente é que é o caminho: todos ao circo!!!
Dona Lurdes - Então, ficamos entendidos. Os pormenores chegarão em breve às escolas em circulares.
Pepito- Tudo muito bem, minha rica xenhora. Muita graxa, muita graxa.
José Fné - Sendo assim... fico satisfeito por termos chegado a um acordo tão bom para todas as partes.
João Fenprófe - Não às aulas de substituição. Vamos para a greve. E é já. Uma greve geral mesmo geral: todos os sindicatos unidos menos todos os outros. É já! É já!

31 dezembro 2005

DOCUMENTO-CHOQUE: A IDENTIDADE SECRETA DE GREENLIGHT POSTA A NU

Há quem pense que vivo tranquilamente em minha casa, com uma mulher que me adora, um filho já de dez anos e uma bebé recém-nascida. É falso. Desde que me atribuiram mais horas de trabalho, a mim que já me via em dificuldades com duas direcções de turma, a escola passou a ser a minha verdadeira casa, todo o meu mundo, o meu universo inteiro. Se continuo a falar da mulher, de um filho que não tenho tempo para saber que caminhos trilha (o seu ídolo já não sou eu: é um arrumador de um parque de estacionamento do PINGO DOCE) ou de uma filha que não verei crescer, é para manter uma fachada: são elementos de uma vaga e pretensa identidade secreta. Na verdade, eu sou, na minha escola, neste mundo em que caí, um super-herói, e o ponto é que os super-heróis precisam de identidades secretas. Sim, amigos. Greenlight - sou eu!

Quando me vêem atravessar a passadeira em direcção ao portão da escola, com uns óculos muito espesos, uma nariganga que o colega-caricaturista-de-serviço não perdoa, os pés para o lado, à pato, os sapatos desatados, uma pasta velha, a abarrotar, não se deixem enganar. É o meu disfarce. Sob a roupa desta personagem, misto de Clark Kent e de Peter Parker, esconde-se um uniforme muito justo, com collants e slip - não, não é roupa interior suspeita, bolas!, é, repito, o meu uniforme - e uma capa que tenho alguma dificuldade em amarfanhar e enfiar por dentro da camisa. É um uniforme luminosamente verde. Não por causa do meu querido Sporting. Muito menos vejam nesta cor o verde-esperança: trata-se do verde-náusea, o verde-enjoo - porque a vida do português é dura e a de professor português é de se vomitar. Os super-heróis pós-modernos já não pensam mudar o mundo, só em não o deixar cair tão fundo. A heroicidade resume-se a espernear até que alguém dê por alguma coisa. Os professores heróis dos nossos dias combatem um sofisticadíssimo sindicato do crime - vulgo, ministério - embora sabendo que há inimigos coriáceos, que regressarão sempre, mesmo com outras personalidades e sob outros nomes, e que não serão definitivamente derrotados: Lex Luthor, Doctor Octopus, Ginger Ale, Lurdes Rodrigues...

Reivindico, ao menos, para a escola, uma cabina teleónica. Quero ser um herói à maneira antiga, um clássico e, portanto, é nas cabinas telefónicas que me mudo quando oiço gritar por socorro. Fazê-lo ali no átrio, ao lado do telefone público da escola, sem cabina, à vista de todos, é pôr em risco a minha identidade secreta. Se calhar é por isso que, quando me vêem passar, as pessoas sussurram: «Lá vai o tal exibicionista da lingerie verde...!» Eles sabem lá o que é isto: pertencer a um departamento em permanente reunião + arcar com duas direcções de turma + receber encarregados de educação literalmente à noite + ler a revista do sindicato dos professores + ver os anúncios da Pró-Ordem + planificar, leccionar, corrigir...! Eles sabem lá o que é ser um super-herói!

27 dezembro 2005

A KOLUNA DO D.J. CARA DANJO: A HISTÓRIA DE PORTUGAL A «VOL D'OISEAU»

ena ena ena. já paçou o natal paçou o findano paçou tudo e já tamos no çegundo príudo. ôje logo de manhã tive istória e a profe distória tava tipo bué de xatiada com as noças notas como çe não tiveçe çido tipo ela mesma a dálas. xatiado devia era tar eu. a profe diçe k com isto de tarsse çempre a xamar a atenssão para o insussexo do portuges e da matematica até paresse k os alunos vão bein nas ôtras dichiplinas. que sêna meu. como sisto fôçe 1 concurço pra ver kem tá pior e a profe distória não gostáçe de tar a perder com as ôtras. eu axo k a profe distória tá enganada e k por akaso os jóveins portugeses até perssebem distória. eu çei porfeitamente por izemplo k a istória de portugal comessou á bué de çékulos tipo como nakelas telenovelas em k çe páça tudo mto antigamente tipo chokolate com pimenta i açim i avia 1 tal çenhor enrikes k çe zangô ca mãi e le puchou da ispada i a mãi do bacano fugiu pra ispanha e atão o tal çenhor enrikes dice isto agora é portugal. mas como portugal era mto pikenino e dum lado tava a ispanha com a mãi do enrikes mto xatiada á espera pra le bater e do ôtro lado era só mar só mar só mar ké k acontesseu vão os portugeses e meteinsse nuns barcos feitos de casca de nos e vão fazer os descubrimentos. çó k nakela epoka a terra não era arredonda era plaina e por iço primâiro ouve 1 bacano k era o çenhor magalhãis k teve de dar uma volta à terra para ela ficar mais arredonda e ôtro tipo k era o çenhor colômbio tb tava pra ir co çenhor magalhãis mas paresse k se atrazô a comer 1 ôvo ó lá o k foi. çó depois disto tudo é k os portugeses fôrão pás descubertas pq antes dos portugeses xegarein ós çítios tava tudo por descubrir tipo os ôtros nein çabião k ezistião nein os brasilâiros nein os africanos nein nada e eu até imagino os filhos brasilâiros a preguntar c o çeu sutáke ué mamãi afinal kem çou eu e as mãis a dizerles ôi guri deicha os portugas xigarem prá genti çaber viu. mas os portugeses nunca mais xegávão pq aparsseu no meiu dos mares tipo 1 aissebergue orrível xamado adamastor k les dice acim ké k vossês pensão k veien fazer a sujar a minha água. ia num deçes barcos 1 poeta k via mto mal da vista direita mas mesmo açim andava çempre tão bein desposto k até le xamávão o manuel alegre. kuando o manuel alegre ôviu 1 aissebergue a falar apanhô 1 çusto tão grande k kaíu ás águas i depois teve dir a nádo a ver s inda çalváva 1 teisto bué da grande k ele tinha eskrito xamado os luzidios i keria vender ó rei pós alunos do déssimo çegundo ano terein k o estudar. mas intertanto os ôtros barcos lá xegárão ao brasil onde avia mto ôro. ia lá taméin 1 padre k dezia deixein lá o ôro i çalvein mas é as almas. çó k as almas não valião tanto dinhâiro como o ôro e portanto os ómeins çó kerião çaber do ôro i o padre fikou a falar com uns xernes k lá avia. mas kuando os portugeses vóltarão pa portugal com o ôro todo kem mandava em portugal érão os ispanhóis k é o k inda ôje acontesse subertudo na altura da páscua k se ôve cá falar mais ispanhol k portugês. os ispanhóis mandávão nisto mén e çó persseberão k não era çítio para eles kuando uma padâira deu uma pázada num gaijo k ele até caíu da janela abaicho. o k çei é k com esta confusão toda de ispanhóis e tudo o ôro gastousse izatamente como em minha caza onde o meu pai tb dis k ó fin de kinze dias já não á nada pa ningéin. kem çalvô a çituassão foi 1 rei xamado çalazar k comessou a ajuntar mto ôro ôtra vês. çó k depois veiu o 25 dabril i o ôro foice 1 vês mais i por iço portugal teve dir trabalhar para a cee k não nos deichava nein deicha pôr brindes nem favas no bolo rei pq já cá não avia nein á rei nenhun. e prontos. agora veijão lá. com k atão eu é k não çabia istória de portugal ein.

26 dezembro 2005

UMA IDEIA A NÃO DEIXAR MORRER

Portuguesas! Portugueses!

Gostaria de propor aqui o lançamento de uma nova candidatura à Presidência da República: a candidatura da pochete do nosso colega Abel. Pochete à presidência: eis um slogan que desejo ver invadir Portugal.
Das inúmeras vantagens que ela apresenta, sobretudo se comparada com os outros tristes candidadatos, ó Meu Deus, deixem-me destacar:
A pochete não fala de mais. (Sim, existe outrro candidato que fala pouco; mas a pochete, ao contrário desse, não é um economista que só sabe de economia).
Ela não é malcriada. Não é arrogante. Não promete em vão. Pode não ser transparente: mas que outro candidato o é?
Com a pochete, não teríamos de aturar a família dela atrás - quando muito, o Abel a sorrir-nos, em algumas fotografias...
A pochete não tenta convencer-nos que está fora da política. Mas, por outro lado, não está dentro da política. Sobretudo, não a vejo comprometida com quaisquer partidos.
É flexível, segura, fiável. Guarda chaves para tudo e muitos planos.
Caramba: se os poderes do Presidente se resumem mesmo àquilo que o Dr. Mário Soares está sempre a repetir que são e que não devem exceder-se, então penso que a pochete está perfeitamente à altura. Ela será capaz de nada fazer, melhor do que qualquer outro candidato. Pensem nisto. Mas não demorem muito tempo a pensar, que o tempo urge, e precisamos de juntar sete mil e tal assinaturas.

24 dezembro 2005

MENSAGEM SEM BONECO (NÃO SEI PÔR BONECOS)

A todos os bloguistas, fazedores e leitores (suspeito que são os mesmos), um feliz Natal e uma passagem de ano que lhes permita alienarem-se da dura realidade... a que terão de regressar em breve. (Quem sabe que mais nos espera. Cala-te boca!). A sério, fiquem bem. Amo-vos - a uns mais, a outros pouco, a alguns, nada! Mas, em suma: amo-vos, colegas! (Mais natalício do que isto, não sou capaz...)

BOAS FESTAS DE VIANA DO CASTELO A LAGOS, PASSANDO PELO FUNCHAL

A internet é um fenómeno engraçado. Muitas vezes mandamos e-mails, escrevemos em fóruns, publicamos em blogues ou comentamos artigos sem fazer a mais pequena ideia do alcance que vão ter as nossas palavras.
Ora bem. Bloguistas, atenção: FFB (Fontes Fidedignas do Blogue) confirmaram que já circulam por e-mail artigos aqui publicados, nomeadamente do nosso caro e sindromático colega... E mais: já andam a ser afixados pelas escolas deste país outros quantos textos.
Imaginem:
Nos placards duma escola aparece de repente uma certa acção de formação da pré-ordem.
Noutra escola, constitui-se o clube de fãs do DJ Cara Danjo.
Augusto Guerra é já um famoso detective.
O Fantasmadaopera já faz parte dos pesadelos nacionais!
Bem, posto isto a nú, vou-me embora que já estou com frio.
Boas Festas a todos os bloguistas e a todos os nossos leitores!

BOAS FESTAS


VOTOS DE UM ÓPTIMO NATAL A TODOS OS BLOGUISTAS

FELIZ NATAL PARA TODOS!

23 dezembro 2005

DIÁRIO DE BORDO DA ESLANAVE (A NAVE ESPACIAL DA ESLAV) - ANO 2348

1. A Eslanave prossegue no seu curso intergaláctico. Todos os membros da tripulação se encontram vestidos com aquela espécie de pijamas de maluquinhos do espaço. O nosso capitão, sentado na sua poltrona de comando, na ponte, está deprimido. Começa a perguntar-se a si mesmo se o planeta que visamos existirá, sequer - ou se se trata de uma mera utopia.
2. Entram bruscamente, na ponte, Lady Mavilde e Ju-dit-Si-mon. O capitão assusta-se.
- Assustei-te? - pergunta-lhe Lady Mavilde, sorrindo-lhe enigmaticamente.
- Não - responde gentilmente o capitão. - Não foste tu que me assustaste...
3. Uma das razões da depressão do nosso capitão está no facto de ter de lidar todos os dias com os extra-terrestres da nossa tripulação. Em filmes de ficção científica, há extra-terrestres extraordinários: Mr. Spock, por exemplo, é inesquecível. Ou ET, lembram-se? Mas os nossos, são extra-terrestres mais fracos. Sindroma, do planeta Blogue, com os cordões dos sapatos sempre desatados (não é estranho que, no ano 2348 persista esse método obsoleto?) e com sapatos rotos, ou Zegar Cya, do planeta Kossa, com o seu singular ritual (que alguns ignorantes pensam ser um tique), ou Ju-dit-Si-mon, do planeta Argh (de onde fugiram os demais habitantes) são seres demasiado peculiares.
4. Mas a pior das razões para a depressão do nosso capitão é outra: perdemos, há já algum tempo, qualquer contacto coerente com a Terra. Continuam a chegar-nos medidas e contramedidas, circulares e planos, é verdade. Mas desconfiamos de todas essas mensagens. Parecem-nos falsas. Terá ocorrido alguma catástrofe no planeta? Serão as ordens enviadas por um planeta hostil que se faz passar pelo controle terráquio? Uma coisa é certa: estas ordens e contra-ordens não nos parecem provenientes de pessoas com os pés bem assentes na terra...
5. Entretanto, enviámos Fátima Franco e Ofélia Mendes numa missão de reconhecimento a um planeta de que nos estamos a aproximar. Infelizmente, esquecemo-nos de que há um problema: a Fátima tem andado a fazer uma dieta drástica, e cismou em comparar-se, a cada dia que passa, com a magríssima Ofélia. Tememos que Fátima tenha principiado mesmo a tresloucar, porque já em vários momentos procurou destruir Ofélia, dizendo depois, quando chamada à pedra, que se tinha distraído um pouco. Mesmo quando tivemos de lhe desapertar as mãos do pescoço de Ofélia. «Ah! Eu fiz isso? Ai, que distracção...», comentou mais tarde. Teria sido boa ideia enviarmo-las juntas?
6. Os nossos piores receios confirmaram-se. Fátima regressou sozinha, com um ar hipocritamente pesaroso:
- A Ofélia foi apanhada. Nunca mais a veremos, feliz... aaah, infelizmente.
- Apanhada por quem?
- Por... [olhando para o fantasmadaopera]... um ser de bigode... [olhando para Mr. Pedro]... que aparece e desaparece quando menos se espera... [olhando para Abel]... com uma espécie de malinha de mão...
- Mas que ser é esse? Nunca vi um desses.
- Nem sei dizer, capitão. [Olhando, por fim, para Teresa Santos]. É um ser devorador. Comeu a Ofélia. Deve ter ficado cheio de fome, coitado do bicho. Que não é para dizer mal, agora que ela já não está entre nós, mas a Ofélia era uma carga de ossos. Os homens preferem assim as mais cheiínhas, como eu. Mas vou ter saudades dela, magricela e tudo!

22 dezembro 2005

DICAS ÚTEIS PARA ÚLTIMAS PRENDAS NATALÍCIAS

LIVROS:

AS PROFECIAS DE NOSTRADAMUS REINTERPRETADAS, Edição da Pré-Ordem, Lisboa, 2005:

Com a interpretação de uma profecia que nos faz pensar: Natal de 2035. O 23º sismo tornou a arrasar Linda-a-velha (a Saudade levara séculos a ralhar. Ninguém a levara a sério. Daquela vez, pela 23ª vez, o terceiro toque não fora a brincar... Ah! Mas onde estava agora a Saudade? Que saudades...) Não existe eslav. (A Amélia Rey Colaço, pelo contrário, sobreviveu. Falo da escola-bunker, claro, não da senhora propriamente dita). Sobre os escombros do que foi, outrora, a radiosa e feliz eslav, ergue-se a figura de um homem com a barba por fazer, experimentando casacos e procurando, ansiosamente, um certo casaco azul com capuz. Não haverá, em 2035, escola secundária de linda-a-velha, mas o conselho executivo da mesma sobreviverá. Com o mesmo presidente. Entretanto, ao longe, chega a professora Guilhermina, que vinha, como todos os anos, preparar o presépio vivo. Está quase a atingir a reforma, continua a garantir que é a última vez que se mete nisto. Há-de mostrar grande tristeza, ao descobrir que o presépio vivo está morto: aliá, há muitos anos, ela é que, de ano para ano, se torna a esquecer desse pormenor...

PARA QUANDO FALHA O PLANO «A», DEVE HAVER SEMPRE NA MANGA UM PLANO «B», por Senhora dona Maria de Lurdes Rodrigues, Editorial ContraProfessor, Lisboa, 2005 (Com patrocínio da Fábrica de Papel «Essógastar»)

9.350.222 planos alternativos para o caso de as estratégias não resultarem e de o insucesso não baixar.

E um clássico:

The Complete collection of «Elastigirl and Lara Croft Against Ministery, the Evil inside the House», reeditado pela Atelier de Escrita Criativa dos Professores da Eslav, com um prefácio de DJ Cara Danjo.

Se ainda me lembrar de outras dicas, irei anunciando. Que nem só de livros vive o professor! Um Bom Natal!

GRAMÁTICA(I)

(Depois da ODE MATEMÀTICA vamos hoje `a língua de Camões e nossa, também...)

Era a terceira vez que aquele substantivo e aquele artigo se encontravam no elevador. Um substantivo masculino, com aspecto plural e alguns anos bem vividos pelas preposições da vida. O artigo era bem defenido, feminino, singular. Era ainda novinha, mas com um maravilhoso predicado nominal. Era ingénua, ilábia, um pouco à tona, um pouco ao contrário dele, que era um sujeito oculto, com todos os vícios de linguagem, fanático por leituras e filmes ortográficos.
O substantivo até gostou daquela situação; os dois, sozinhos, naquele lugar, sem ninguém a ver nem ouvir. E sem perder a oportunidade, começou a insinuar-se, a perguntar, a conversar. O artigo feminino deixou as reticências de lado e permitiu-lhe esse pequeno índice.
De repente, o elevador pára, só com os dois ládentro. Óptimo pensou o substantivo; mais um bom motivo para provocar alguns sinónimos. Pouco tempo depois, já estavam bem entre parênteses, quando o elevador começou a movimentar-se. Só que em vez de descer, sobe e para no andar do substantivo.
Ele usou de toda a sua flexão verbal, e entrou com ela no seu apartamento. Ligou o fonema e ficaram alguns momentos em silêncio, ouvindo uma fonética clássica, suave e relaxante. Preparam uma sintaxe dupla para ele e um hiato com gelo para ela. Ficaram a conversar, sentados num vocativo, quando ele recomeçou a insinuar-se. Ela foi deixando, ele foi usando o seu forte adjunto adverbial, e rapidamente chegaram a um imperativo. Todos os vocábulos diziam que iriam terminar num transitivo directo.
(...continua...)

21 dezembro 2005

AS MEMÓRIAS DE CAESAR AUGUSTOS LUCAS (I)

I. Naquele dia, Ana Festas-Saturninas disse-me: «Temos de oferecer um banquete.»
Lembro-me de que ela andava à procura de um novo nome. Sugeri-lhe Ana Valha - a sonoridade de Ana Valha soava-me bem. Mas não era nada disso que lhe interessava. Procurava um nome com uma simbologia qualquer, vá-se lá entender uma mulher, qualquer coisa que remetesse para aquela religião emergente que tanto a fascinava, essa história do deus único (que me incomodava porque, afinal, parecia que o deus único não seria eu!) De modo que ela pensava em variantes como Ana Natal, Ana Pentecostes, Ana Dia-de-todos-os santos... Enfim, eu não percebia nada daquilo.
Bem, a idade baralha-me. Contava eu que ela me estava dizendo: «Temos de oferecer um banquete.»
E eu, sempre pronto para banquetes, bati as palminhas, e respondi: «Sim, uma orgia. Sim, oh, sim, uma orgia.»
Mas Ana olhou-me severamente e deixou cair estas palavras sobre a minha alegria: «Nada de orgias, Lucas! Nada de orgias!»

II. «A questão é que», explicou-me ela, «nós vamos comemorar o nascimento de um novo deus. E este novo deus não valoriza o prazer da carne, mas o sacrifício».
A ideia do sacrifício agradou-me. Pensei logo mandar chicotear um certo número de parvos que se andavam a meter com as minhas togas. Mas Ana advertiu-me de que se tratava do NOSSO sacrifício, não do de outros.
E devo dizer-vos, queridos amigos, que tivemos a nossa conta de sacrifícios nesse banquete. Para começar, puseram-me a representar o papel do pai terreno desse novo deus. Choca-vos? Ora oiçam o pior: eu ia com uma cabeleira verde, por Júpiter! VERDE!!!
Não contente com isto, os meus ouvidos iam sendo persistentemente martelados pela voz de uma matrona que subira a um banco, dizia longamente qualquer coisa que ninguém entendia, blá-blá-blá-blá, mas também não se calava. Eu gosto de sacrifícios, mas tudo deve ser com conta, peso e medida. O que há de mal em mandar chicotear os outros?

III. Andei deprimido durante todo o resto do dia. Mas havia uma razão mais: Carolus estreava uma toga nova, talvez mais bonita do que a minha. Durante anos, eu já me perdera e não conseguia perceber se era ele que me copiava, ou eu que o copiava a ele. Mas, naquele dia, a dele era fantástica. Muito azul. Com um fecho fenício, lindo. As pessoas bebiam, eu não tinha olhos senão para aquele pavão! Tinha um capuz e tudo. Cantava-se muito alto. Preocupei-me com o jovem Miguel, que partia dali para uma campanha, mas, entretanto, gritava, ziguezagueando pelos corredores: «Temos de... hips... de fazer... o quê? On... hips... ondé que vamos? Di... director de turma...!? Que é isso? Não é centurião???» Esqueci-me dele. A toga de Carolus não me deixava pensar em mais nada. Seria quentinha? Ao lado, Brutus atormentava uma jovem. Tive pena dela. E se lhe tirasse a toga? Não a ela, claro, aquilo não era nenhuma orgia, já tinha percebido, mas ao Carolus, ao Carolus. Onde a guardaria ele, por Júpiter?

CANTO ANÓNIMO (II)

Desta vez excedeste-te, fantasma de opereta. Ultrapassaste a última fronteira. The no-return point! Sinto-me mais ofendido do que o Abel, quando se insinuou que haveria na sua pessoa qualquer tipo de beleza. E portanto venho anunciar-te, ó fantasma, que raptei a pochete e a mantenho refém. Sim, sim, bem sei, bem sei, a pochete é do Abel, mas:
a) Raptar uma pessoa dava uma trabalheira.
b) Acontece que descobri que a pochete não te é indiferente. Que, secretamente, também tu a amas.
Se a queres recuperar com vida, vem ter comigo ao BO, hoje mesmo, à última badalada da meia-noite. Ah! MAS VEM SOZINHO. Se o meu portentoso apêndice nasal der pelo mais leve cheiro de polícia, já não encontrarás a tua amiga viva. Se não apareceres, nos próximos dias começarás a receber em tua casa partes soltas da pochete: um dia a correia, depois a fivela, depois a bolsinha exterior, e os post-its do Abel, um por um. Achas que não me atreveria? Pois não apareças, e verás. UM ANÓNIMO (E viva o Sporting!)

20 dezembro 2005

OS PESADELOS DE PAXÊKUS...


Eis uma rara imagem, extraída da obra atrás citada (Mao Zedong...) que confirma o estado terminal de PAXÊKUS, em pleno gozo dos seus pesadelos....

OS PESADELOS DE PAXEKUS

Aproveitei um pequeno intervalo, proporcionado pelo grandioso e alarve repasto natalício e por um conselho de turma, debrucei-me com fantasmagórica pacência sobre o tratado, magnífico infolio " Yes, Paxêkus was a piece of Trash", de Armstrong A. , Focas Books, 1975, portanto uma obra sequencial à anteriormente citada , apartir da qual se tentou atraír os incautos leitores a uma mistificação histórica...
Acontece que, o citado Paxêkus, antes de ser aprisionado e posto a ferros pelo imperador Caius Augustus Lucas e antes mesmo da sua passagem à vil condição de gladiador, já era famoso nas catacumbas pelas suas subterrâneas actividades...Destas, infelizmente a História não é muito pródiga em revelações; sabe-se, no entanto, que a sua prodigiosa protuberância nasal - com cheiro de longo alcance - ajudou muitos leões a escaparem da fúria castigadora dos cristãos o que, na época, se tornou um precioso auxílio naquele dédalo das catacumbas... daí a sua leonina simpatia futura que, de todo, não se compreende....
Confirma-se, ainda, que o famigerado Sanguinário Lucas não passava de um tigre de papel...( Conforme a insígne e insuspeita obra de Mao Zedong, "Esfola-os, Chiag Ching", edições Bafo de Leste - O Horizonte era Vermelho - 1986); de facto Lucas, apreciava as uvas, moscatéis, santa-maria, etc. e de tal modo que, chegou a ficar famoso, na época, um suco de uva por ele produzido...este suco, de milagrosas propriedades, transformava-se, em 24 horas, no mais fino acompanhante do azeite....o Sanguinário revelava, em várias ocasiões, um receio patológico de enfrentar senadores e outros, recusando-se, por vezes, a entrar na própria sala do senado (leia-se dos profs....); o pobre, refém do tal triunvirato, era mesmo um pobre de capa bege....ao que parece, o tenebroso ALEXIS GA GAGUS, esse sim, manipulava todo o poder, mantendo o triunvirato na palma da mão...nem a mana LUCIIA escapou...
É realmente verdade que PAXÊKUS terá enveredado pela carreira de gladiador quando, em opção, o ditador GA GAGUS lhe terá dito..."Ó tu, miserável defensor de leões, tens duas hipóteses; ou vais para gladiador ou ponho-te aqui no triunvirato a dar apoio ao Conselho, na estatística da, (mais tarde conhecida por ) Ana Páscoa...vá, escolhe malandro!!!"- Aqui PAXÊKUS não teve alternativa...
Já como gladiador os seus pesadelos atormentavam-no a toda a hora...eram os 6-3 de Alvalade em 1994, o 1-0 da Luz em 2004, a final da Taça Uefa - mais uns gloriosos 1-3, em Alvalade - e outras goleadas que coloriam várias décadas...era insuportável, para esta leonina creatura , tanta evidência da sua pequenez...Não, não podia mais...
Foi, finalmente e num piedoso gesto, largado às feras - excelentes e luzidias águias Victórias de plumagem sedosa - num anónimo coliseu de uma ignota província romana onde, após vários pedidos de clemência e promessas (vãs) de comprar o KIT NOVO SÓCIO, acabou despedaçado num acto de imerecida misericórdia...Alguns abutres convidados para o festim foram, inclusivé, transportados de urgência pelo 112, com evidentes sintomas de intoxicação alimentar...
Todas as referências a um suposto duelo com um hipotético fantasma, não passam de delirantes e aberrantes confissões do estado de profunda demência (falsas, portanto) em que PAXÊKUS se encontrava, antes de acertar contas com o divino, glorioso SLB CRIADOR...

A PRÉ-ORDEM SEMPRE NA VANGUARDA DA IDIOTICE (LEIA-SE: TER MUITAS IDEIAS)

Não pretendemos ser mais idiotas (isto é, ter mais ideias) do que outras organizações. Apenas sermos idiotas melhores (isto é, ter melhores ideias). Assim, a Pré-Ordem dos Professores do Ensino Básico e Secundário apresenta hoje um plano maravilhoso - é modéstia, na verdade - para o combate ao insucesso. Sabemos como o Ministério recebe de braços abertos tudo o que sejam ideias maravilhosas, sendo que esta retoma o que a tradição nos tem para oferecer de melhor, como mostram as experiências de Espinosa e de Galileu.
Não percamos mais tempo:
Sugerimos o seguinte texto, a ser apenso à Acta, assinado por todo e qualquer professor que apresente qualquer insucesso:
ANÁTEMA
Eu (nome, número do BI, morada) reconheço que o único insucesso nesta história sou eu próprio. A minha estupidez não tem limites. Nenhum professor que se preze me pode olhar de frente, nem mesmo aproximar-se de mim a uma distância menor do que a de quatro côvados (leia-se, em medidas modernas: cerca de cinco pochetes e meia...). Deverei manter-me no círculo do inferno que me é destinado durante mais dez anos (leia-se, nunca mais mudarei de escalão). Todas as manhãs, diante de uma efígie de Maria de Lurdes Rodrigues, pronunciarei esta oração: Não há alunos que não consigam, só há professores que não conseguem que os alunos consigam conseguir. Eu sou um miserável, e não consegui que todos os meus alunos conseguissem o que conseguiriam se eu me tivesse esforçado mais em vez deles

SECÇÃO DO ANÓNIMO: APROVEITE PARA DIZER O QUE PENSA SEM QUE SE SAIBA QUEM É VOCÊ

Inauguramos aqui uma secção que terá, certamente, uma grande procura. A garantia é a de que ninguém poderá aceder à identidade do utente. Aproveite.
Eis o nosso primeiro incógnito:
Os pro-pro-pro-fe-fe-s-s-s-sores de-de-des-t-t-t-ta esco-co-co-la s-s-são par-par-par-vos. To-to-to-dos me-me-me-nos um!

CAMPANHA PRÓ-BLOGUE

Contactada uma empresa da especialidade para aumentar a quota de intervenientes no Blog, propos as seguintes possíveis soluções:
1ª - Campanha TGV.
À semelhança do TGV que atravessa o país de lés a lés propõem-se os seguintes slogans:
Bloguista amigo,
Já vamos de Faro a Vigo (persupuesto que sí)
ou
Este Blog já rí
Em muitos lares de Madrid
2ª - Campanha JUNTA-TE A ELES
Neste caso é necessário arrastar para a nossa causa dois elementos que podem fazer a diferença no êxito do Blog:
Clara Anunciação é um elemento que tem de estar no lado do Blog, caso contrário cola a campanha do Blog à do tabaco e começa a espalhar que "Blogar e fumar podem matar".
O segundo elemento é o Alex porque, se não está com o Blog, deixa os computadores tão lentos (ainda mais) que tiram a paciência a qualquer um e pode levar a algumas desistências.
3ª - Campanha TRAZ UM AMIGO TAMBÉM
Seguindo a técnica do Benfica que na "Campanha Coração" conseguiu mais três sócios (dois deles cardíacos que foram ao engano) e na "Campanha 300 000 novos sócios" conseguiu mais três (Filipe Vieira confrontado com o êxito da campanha afirmou: "Vocês, também, levam tudo à letra")
Colocamos como objectivo aumentar o efectivo em pelo menos mais seis elementos de modo a variar o leque e a conseguir um maior espectro político, literário, artístico e quiçá desportivo.

ALELUIA ALELUIA, APARECEU O PAIPAI NATAU!

A escola estava toda iluminada, muita gente estava à entrada...
Era o buffet de natal e a fila não tinha fim; todos queriam almoçar e todos tinham uma prendinha para trocar.
Dlim dlim dlim dlim dlim, ouvia-se com uma nitidez crescente.
Era o Pai Natal que estava a chegar! Montado no seu potente trenó, estaciona com grande estilo e não menos aparato mesmo ao lado do potente jipe da Tininha Nunes. Apressado, olham para um lado e para o outro para atravessar a passadeira e saca dum cartão que passa no sofisticado sistema de controle de entrada.
A comunidades escolar indignou-se. Alguns diziam: "Como é que ele tem cartão e nós não?", "Deve ser amiguinho dos do lobby, a ver pela cor do fato..."
Quem abriu a boca mal teve tempo de a fechar.
Num momento, as bocas abrem-se mais ainda e todos disseram Ohhhhh!
Subitamente: os castiçais de plástico tinham-se tornado de cristal;
os pratos encheram-se de lagostas;
as paredes branco/frigorífico da escola tornaram-se coloridas;
da sala de professores desapareceram os dossiers abandonados e todo o lixo das paredes à excepção dos desenhos do JP;
os computadores da sala 10 começaram todos a funcionar sem ninguém lhes mexer
e os da sala de directores de turma transformaram-se em muitos portáteis;
o interface do programa Alunos ficou lindo de morrer
e as casas de banho encheram-se de papel higiénico;
o casaco beje do chefe Lucas deu lugar a um fato de bombazina verde para regozijo do Sindroma;
os professores que o tinham abandonaram lentamente o ar distante e superior
e passaram a dar-se com os restantes mortais;
os planos de recuperação feitos com tanto esmero desapareceram para sempre;
a porta que dá para o pátio alargou-se para deixar entrar muitas pessoas ao mesmo tempo em dois sentidos;
uns querendo e outros sem querer, todos começaram a escrever no blogue;
as mudanças eram tamanhas que o próprio chefe Lukas
passou a ser o editor mais assíduo do blogue!

19 dezembro 2005

PRÉMIOS

Eu não sei como é que se vê isso, e pode ser que me tenham enganado para se divertirem à minha custa. Porque, basicamente, sou muito ingénuo. Mas disseram-me que andam milhares de pessoas a ler o blogue; que há leitores de quase todos os continentes. Fico preocupado. Se assim é, acabarei por ter de dar razão à Ministra. Onde é que essa gente arranja tempo para ler isto? Não têm testes para corrigir? Aulas para preparar? Eu sei onde arranjo tempo para escrever: roubo-o ao sono, às refeições, à família. Mas toda essa gente? Não percebo isto.
Venho, nesse espírito, distribuir prémios pelos professores sérios que ainda existem: os que não têm tempo nem para escrever aqui nem para ler isto porque, obviamente, têm muito mais que fazer.
Em primeiro lugar, para quem disse: «O blogue não tem piada nenhuma», o honroso prémio: E OLHEM QUE SEI DO QUE FALO, LÁ EM CASA SOU CONHECIDA COMO UMA PESSOA COM MUITA GRAÇA.
Para quem disse: «Era preciso que mudassem de tom», o prémio: JÁ ANDAM A MALHAR DE MAIS NA MINHA PESSOA E COMEÇO A NÃO ACHAR BEM.
Para quem perguntou: «Bló? Qual bló? O que é isso?», o prémio: ANDA O SÓCRATES A ENCORAJAR O CHOQUE TECNOLÓGICO PARA ISTO...!
Para todos os que não têm tempo, nem paciência, os meus sinceros parabéns. Um professor é feito para professar, não para blogar. No meu caso, é um vício. Mas não perdi a esperança de ainda me vir a curar. (Talvez fosse bom a Clara começar a afixar nas paredes cartazes com fotografias chocantes dos malefícios do blogue...) Sim, hei-de curar-me: a minha família não merece isto!!!


AFINAL HÁ FOTOGRAFIA!...


Para aqueles que fizeram o favor de começar a gozar antes do tempo para gáudio do próprio Paxeco, aquí vai a fotografia que não permite qualquer tipo de dúvidas...
Na parte superior assiste-se a uma tentativa de tréguas mas Paxeco mais teimoso que uma mula (teimosa), recusa qualquer tipo de negociação.
Na parte inferior já ambos os beligerantes em plena contenda...
Apesar da Polloroid não ser a última palavra no mercado, dá perfeitamente para reconhecer os envolvidos; só é pena a máquina da época não permitir utilizar as últimas técnicas do Plano Tecnológico do Sócrates, caso isso fosse possível ouvir-se-ia o Paxeco a chorar pela ...tia Paxeca.

O CONSELHO DE TURMA

1. A Pauta, a Folha de Presenças e a Ficha Para os Pais estugavam o passo em direcção ao pavilhão X, para a calendarizada reunião matinal de avaliação trimestral. A Pauta sussurra, inquieta, para a Ficha ..." Aquela maluca da Acta não há meio de chegar...bolas, deve estar tudo pronto para a reunião e ela sem aparecer..." "...Que xatice, é mesmo uma doidivanas...Aposto que andou na galderice toda a noite com algum Livro de Ponto...enfim, aguardemos..."- respondeu a Ficha.
2. No interior da sala X, sentados com ar seráfico de quem espera e desespera, os professores da turma XLK, preparavam toda a documentação; a D.Turma - GILA PROSA- açoreana de gema radicada na metrópole vai para 40 anos, questiona a colega secretária MÁXIMA GORDIÇO..." MÁXIMA, tá tude em ordem, têns a papelade tode pronte?...MÁXIMA abana a cabeça num gesto afirmativo e diz..." Só falta a Acta..." - enquanto a Pauta , a Folha e a Ficha entravam na sala e davam os bons dias aos presentes; FÁKIMA TRANCO - conhecida como "La petitte Gazelle"- murmura para CONTEIPÃO ARTISTA: "..Outra vez a Acta, ...tinha que ser...". FILETE PONTEIRO solicita com média voz: "Colegas, podíamos começar com a reunião senão isto atrasa-se e nós ainda temos que acabar a nossa venda de Natal...Temos ainda a Torre de Belém e o Palácio da Ajuda pra vender..." De imediato, corroburou COMDORES ALICATE, geógrafa desempregada e vendedora nas horas vagas, reforçando entre duas furtivas lágrimas "..Exactamente, mas não te esqueças, FILETE, que vêm cá os homens dos viveiros de plantas ás 2 horas e trazem o Jardim da Estrela para nós vendermos..." "Mas...vocês já venderam a Tapada de Mafra??? Se não, eu fico com ela para dar no Natal ao meu marido..." questionou BALELA SAR HAIVA, astroquímica laureada, com um susurro de trovão...."Credo, diz a Gazelle...ó BALELA, não fales tão baixo, que me faz subir a tensão..." ..."Partis-te um tacão??" responde BALELA -" ó filha, agora é que tens que subir a uma cadeira para chegar ao chão..eh! eh! eh!..." - interrompe, então, GILA PROSA, a DT: " Bêm, vames começer com este..."
3. 35 minutos depois, chegou, olheirenta, a Acta; entrou surrateiramente, cumprimentou em surdina e desculpou-se: "...Peço desculpa pelo ligeiro atraso, mas torci um pé ao levantar-me da cama, peguei fogo à cozinha quando preparava uma torrada e os bombeiros...vocês sabem...nunca chegam a horas..., ao saír do prédio caiu-me um piano em cima e, se não me desvio a tempo, a esta hora parecia uma folha de papel e, quando cheguei ao carro tinha os cinco pneus furados...espero que comprendam...bem,... estou à vossa disposição!!". A Pauta, que vinha em branco, protestou "..Gaita, que esta escola é mesmo atrasada!! Podia já vir com as notas lançadas e os profs escusavam de estar aqui a cantar, como de fossem Carusos..." " Tem toda a razão" - completou a Folha de Presenças - " A mim escravinham-me cada qual com a sua cor de tinta, uns com letra de imprensa, outros com uns gatafunhos ilegíveis e eu que me aguente... isto é mesmo arcaico!!!" MÁXIMA GORDIÇO, a secretária, levantou-se, deu a mão à Acta e disse peremptória: "Anda cá, que agora tenho que escrever-te a apreciação global e individual da turma"; e leu em voz de timbre aclarinetado: " A apreciação global é positva pois não achámos motivos para ser negativa; globalmente, os alunos são todos mais ou menos, até mesmo porque enfim....; na generalidade, estão todos desintegrados porque não se quiseram integrar e a relação professor-aluno é igual à relação aluno- professor!!"; " na apreciação individual refere-se que o aluno Segismundo TrocaTintas deve ser encaminhado para aulas de apoio, já que trocou as tintas todas ao professor MÁ RYO, quando este pintava uns cenários do seu projecto; o citado professor, enlevado com a abrangência pedagógico-didáctica do aluno, logo ergueu uma trincha e, num certeiro golpe de estratégia alternativa, tentou acariciar as fuças do aluno..." " Ó GORDIÇO, mas amim contaram-me que a coisa não foi bem assim...." interpelou, um pouco a medo, FILETE PONTEIRO; "Pois não!!" retorquiu, peremptória CONTEIPÃO ARTISTA... "Quando a trincha voou para o aluno, este baixou-se e, naquele momento vinha a passar a CURTES MEADA, a colega de grupo do PAXÊKU... e levou com aquilo, em cheio, no trombil...ficou toda a pingar de tinta vermelha...digo-vos que foi cá uma bronca..." "Na me diges..." acrescentou, atónita, a DT GILA PROSA - " Ouve, GORDICE, tu na ponhes este na Acta, Hein??"- A Acta, já carregada de apreciações pensou : "Do que eu me livrei, apre!! Esta GORDIÇA julga que eu tenho o arcaboiço dela...e ainda faltam as estratégias de superação..."- continua MÁXIMA GORDIÇO: ".... as estratégias de superação tendentes a alcandorar estes alunos aos patamares do sucesso são: 5 chicotadas no lombo, cada vez que bocejarem num intervalo; tortuta do sono - 3 noites sem dormir - sempre que espirrem no corredor, no Inverno; tortura da estátua - com gota a pingar de 5 em 5 segundos na cabeça - se tossirem, após uma falhada experiência no laboratório de Química, com libertação de vapores tóxicos e, finalmente, extracção do fígado pelo ouvido se olharem, SEM PESTANEJAR, para o colega do lado, na sala de aula!! - concordam colegas, com o teor da Acta???" - Em uníssino, ouviu-de um SIM clamoroso, que aprovou com, aclamação e 100% de abstençõesa, ACTA; Esta, com orgulho indisfarçãvel, auto arquivou-se, feliz e com o sentimento do dever cumprido.
4. Da Folha de Presenças ninguém mais soube nada...consta que se perdeu , num qualquer molho de outras folhas, na secretária da LÚ CYA, do Executivo Conselho....da Ficha Para os Pais ouve-se que, vagueia pela noite, consumida pelo remorso, já que as informações que continha provocaram enormes castigos num certo aluno; este facto, interpretado de modo diferente pelo pai e pela mãe, acabou em divórcio litigioso ainda não resolvido....Finalmente a Pauta, ainda hoje protesta, veementemente com o LU KAAS, do tal Conselho, por continuar a ir em branco para as reuniões...ao que o referido presidente contrapõe dizendo que a culpa não é dele, ele só cá veio para ver a bola, não percebe nada disso e que o GA GA GO ALEX vai tratar disso nos próximos 3 anos lectivos....
5. O pavilhão ficou vazio; frio esombrio, esperando por novos Conselhos de Turma...Os professores, já tinham debandado para o aconchego dos seus lares, questionando-se permanentemente, entre duas mordiscadelas num cuscurão....."Mas...Onde raio pára o PAI NATAL???

18 dezembro 2005

A verdadeira história dos Gladiadores está documentada e fotografada conforme imagem junta onde se ve Paxekus em sérias dificuldades uma vez que o seu adversário Fantasmadaopera com sua voz de trovão consegue dominar o bicho do ouvido de Pachekus

CANTINHO «A REPOSIÇÃO DA VERDADE HISTÓRICA». POR DR. HERMAN JOSÉ SARAIVA

Porque muita imprecisão (quando não mesmo falsidade) tem sido propalada a propósito dessa fascinante e inesgotável figura histórica, Paxêku, há que iniciar-se de uma vez por todas a reposição da verdade. E propomos uma incursão à Antiguidade greco-romana, onde, pela primeira vez, deparamos com o nome em causa. Meus senhores, queiram por favor colocar os cintos de segurança: a verdade é chocante.

Pensa-se que o primeiro Paxêku fosse um Grego de estirpe divina. Podem comprová-lo observando o seu perfil que é, contrariamente ao que se tem por aí insinuado, um indiscutível perfil grego. Alguns historiadores, de má-fé, insistem em referir o tamanho do seu apêndice nasal. Temos, a bem do rigor, de o reconhecer: trata-se de um perfil grego, sim, mas para o grandito! Foi sempre, porém, esse um dos atributos que fizeram dele um eleito entre as mulheres. Por um lado, o nariz avantajado seria o sinal visível de outras vantagens. (Pode parecer um remoque machista: mas se há que se repor a verdade, que se a reponha sem tabus). Mas, mais do que isso, a própria penca era, já de si, um órgão activo, a que chamavam o «Apêndice Prodigioso» ou a «Nariganga das Delícias».
Adiante.
Sabe-se que Paxêku, grande sábio e incansável viajante, foi feito escravo e posto ao serviço de um grupo de matronas romanas que o não deixavam descansar. Passava-se isto num dos peíodos mais desconhecidos da História romana - período esse que, em geral, se oculta e de que poucos livros falam. (Cf., contudo, o genial Was Paxeku a Man or a God?, de L. Armstrong, Penguin Books, 1973). O Poder romano era, então, exercido por um triunvirato de que também pouco se sabe: o sanguinário César Lucas, que costumava passear pelas ruas, na sua elegante toga e com uma coroa de louro à cabeça, de mãos nas ancas, para assustar os cidadãos; Ana Festas-Saturninas (a qual, depois da sua conversão tardia, adoptaria o nome cristão de Ana Páscoa) e o famigerado Carolus, dito o Guerreiro.
Tanto quanto se sabe, Paxêku terá liderado várias revoltas de escravos.
Foi, aliás, por causa disso, chamado à presença de César Lucas, que, no seu antro, o recebeu semideitado, apanhando, no ar, com a boca, bagos de uvas que lhe lançavam mãos femininas. Entre dois bagos, manteve com Paxêku um diálogo impressionante, em que lhe perguntava: «Mas és tu o Nazareno? És ou não és? O que se intitula Filho de Deus? És tu?» «Não», respondia-lhe modestamente Paxêku. «Sou só um ser humano...»
Como persistisse firmemente nas suas ideias, como não tivesse cedido nem um milímetro relativamente à sua filosofia e às estranhas profecias, onde aparecia sempre um leão trucidando uma águia, César Lucas fez um gesto para que o levassem dali, enquanto dizia «Lavo aqui as minhas mãos», porque estava, efectivamente, com as mãos muito pegajosas das uvas. (Há quem queira ler na sua frase, hoje em dia, um qualquer enigmático sentido. Mas não me parece. Ele queria mesmo lavar as mãos em virtude da pegajice das uvas...).
Paxêku foi, pois, transformado em gladiador.
No célebre circo que se designava por Stadium Lucis, lançaram-no à mais temível fera que se arranjou: um tal de fantasmadaopera, monstro selvagem, intratável, considerado imbatível, que usava como armas um lápis de ponta muito aguçada e uma folha de papel. Paxêku, coitado, não tinha para combatê-lo mais do que o seu nariz. Mas esse nariz abriu na cabeça do fantasmadaopera um rombo, de que ainda hoje padecem os monstruosos descendentes do monstro. A massa associativa gritava «À morte, à morte, à morte». Pediam assim a Paxêku que o matasse. O que, tanto quanto se sabe, sucedeu nessa tarde soalheira.