Voltámos sem pretensões. Com mais criações. E opiniões. O verdadeiro blogue sem borbulhas.
15 fevereiro 2006
CUIDADO...MESMO SEM GRIPE!
- Para onde é que vais?
- Vou a casa dum casal que há 10 anos está a tentar ter um filho.
- Que bom!
- E tu?
- Eu vou a casa duma senhora que nunca teve filhos. Levo-lhe aqui um lindo rapaz.
- Que bom! Vais deixá-la muito feliz.
- E tu? - Perguntam as duas à terceira cegonha.
- Eu? Eu vou ao Convento das Freiras. Nunca levo nada, mas sempre lhes prego cada susto do caraças!!!
OS SUPER-HERÓIS NO DIVÃ
Tivemos acesso a algumas gravações, que iremos passando se, entretanto, não houver buscas ao blogue.
Iniciamos a reprodução com a sessão de Greenlight, que ultimamente tem andado um pouco apagado.
GREENLIGHT - Doutor, sou o último exemplar de uma espécie em vias de extinção. E como não me ando a sentir lá muito bem, será que já principiei mesmo a extinguir-me?
DOUTOR (paciente, monocórdico) - Quem, ou o que é exactamente o senhor?
GREENLIGTH - Um super-herói, evidentemente!
DOUTOR (paciente, monocórdico) - Ah, sim senhor, muito bem. (Primeira lição: nunca contrariá-los). E o que lhe deu essa ideia?
GREENLIGHT - Antes de mais, este uniforme.
DOUTOR (paciente, monocórdico e curioso) - Bem, bem, bem. Isso é um uniforme? Pensei que fosse a sua roupa interior. Muito bonito, muito bonito. Então, e que mais?
GREENLIGHT - Além de tudo, tenho superpoderes. Superaudição, por exemplo. Não me escapa nada. Mesmo quando estão a falar em surdina.
DOUTOR (paciente, monocórdico, com alguns sinais, ainda leves, de enfado) - Já experimentou usar tampões?
GREENLIGHT (ofendido) - Tampões? Ó senhor doutor, eu uso esta roupa mas não sou uma mulher.
DOUTOR (monocórdico) - Não é isso, digo tampões nos ouvidos. Adiante. Enfim, tem mais poderes? Supervisão, não?
GREENLIGHT (orgulhoso) - Não, mas sou dotado de um outro: supermiopia.
DOUTOR (monocódico mas ligeiramente impaciente) - Então, de que se queixa, afinal? Um super-herói deve andar a super-heroicar por aí...
GREENLIGHT - Mas eu principio a questionar-me, sabe? Isto já não é tão divertido como antes. Salvar o mundo é uma tarefa que me pesa. Lutar contra os maus torna-se aborrecido. Por exemplo, no outro dia tive de intervir e atirar com um potente olho contra o punho de um dos meus inimigos, o Barrete Verde. Depois, fico com pena dessa gente, mesmo dos maus. Mais: escrevia coisas para o blogue da escola, e comecei a perceber que havia quem se sentisse ofendido... custa-me!... pesa-me tudo! E não é só isso. Já que falo do blogue...
DOUTOR (farto, embora monocórdico)- Sim?
GREENLIGHT - No outro dia, o planetazul postou lá um texto magnífico. As pessoas dizem muito bem daquilo, que o homem é muito sensível, e tal... e depois eu tenho logo de tentar fazer melhor se não, morro de inveja. Um texto sobre o relógio e o tempo...
DOUTOR (com uma ponta de curiosidade na voz monocórdica) - Ai é?
GREENLIGHT - Pensei num assim, que acha? - «O tempo pergunta ao tempo quanto tempo o tempo tem. O tempo responde ao tempo que o tempo tem tanto tempo quanto tempo o tempo tem...»
DOUTOR (monocordicamente irritado) - Isso é velho...
GREENLIGHT (pensativo) - Pois é. Além disso não tem relógio. E se fosse assim: «O tempo pergunta ao relógio quanto tempo o relógio tem. O relógio responde ao tempo que o relógio tem tanto tempo quanto...»
DOUTOR - Estou a ver o seu problema. Deixe-me só fazer um telefonema...
GREENLIGHT - Ou então... veja lá: «Certo dia o tempo e o relógio encontraram-se (embora estejam todo o tempo juntos). O tempo, revoltado há muito tempo, disse ao relógio tudo aquilo que, há tempos, vinha juntando...»; mas não, ia haver logo quem dissesse que se tratava de um plágio meu, embora o planetazul tenha escrito «vinha guardando», e não «vinha juntando»: «vinha juntando» é inteiramente da minha autoria, mas as pessoas não são capazes de notar essas subtilezas.
DOUTOR (ao telefone) - Está? É do HOSPITAL VOANDO SOBRE UM NINHO DE CUCOS? Sou eu... sim, o doutor. Olhe, precisava que me mandasse aqui uma ambulância. Estou? E uma camisa de forças. Sim, de preferência verde, muito brilhante. Não demoram? Óptimo. Ah, já oiço as sirenes. Muito bem, obrigado e até já. (Segunda lição: atalhar rapidamente o mal pela raiz). Pronto, caro amigo, o seu problema vai ser resolvido.
GREENLIGHT - A parte sobre fazer amor, lá no poema, é gira. O tempo já não dá tempo para se ver a lua, nem para fazer amor... que acha? Eu podia dizer assim: «O tempo já não tinha tempo para fazer amor com o relógio...» É interessante, não é? Surrealista.
DOUTOR (para uns senhores de bata branca, que vêm entrando ruidosamente) - É este. Um caso de dupla personalidade histérica com invejinite agravada. Chamem-lhe sempre Greenlight, está bem? Nunca se lhe refiram como «maluco» (terceira lição).
UM DOS ENFERMEIROS - Bora, pessoal! O maluco é o gajo de collants!!!
SIMPLESMENTE BELÍSSIMA: 20º EPISÓDIO
- Todos embora! A escola está contaminada! Para casa, enquanto a brigada procede a uma limpeza. Marche!
Enquanto os participantes desta história se retiravam, a ministra-cujo-nome-é-irrepresentável-mas-vocês-sabem-a-quem-me-refiro colocou uma máscara, não fossem os vapores amorosos que se soltavam das setas fazer algum efeito.
Sob a máscara, ainda se ouviu a sua voz abafada:
- Desconto-vos este dia no ordenado...
Nessa noite, Madame adormeceu com o cigarro aceso.
Bruscamente, acordou, ao ouvir um ruído assustador. Alguém tentando sabotar a sua prodigiosa máquina? Ou tentando salvar os seus prisioneiros?
Disse para o cigarro:
- TU OUVISTE?
- Sim - fumegou ele.
- Estás com medo?
- Estou sempre com medo. Tenho medo sobretudo de cancro do pulmão.
- Deixa-te de lamúrias. Vai ver o que é.
- Eu???
- Sim.
- Não posso.
- Essa agora. Estou-te a mandar. Não podes porquê?
- Porque estou a dormir.
- A dormir? Parvo. Como é que estás a dormir se estás a falar?
- Ó, Madame! A Madame sabe perfeitamente que eu falo no sono...
(CONTINUA)
14 fevereiro 2006
O RELÓGIO E O TEMPO

Certo dia o tempo e o relógio encontraram-se (embora estejam todo o tempo juntos).
O tempo, revoltado há muito tempo, disse ao relógio tudo aquilo que, há tempos, vinha guardando. Que ele, tempo, tinha saudades daqueles tempos em que não existiam relógios e toda a gente tinha tempo. Mas, quando o homem, ingrato, fabricou o relógio que começou a marcar o tempo, ninguém mais conseguiu ter tempo. "Antes, naqueles bons tempos" - disse o tempo - "todo homem tinha tempo de gozar a natureza. Viviam com o Sol de dia, dormiam com a Lua à noite". "Quando a Lua caprichosa não queria aparecer, era um bando de estrelas que piscavam brincalhonas, dando tempo ao Sol nascer". "Mas agora, nestes tempos, ninguém mais tem tempo de ver se a Lua nasce a sorrir para a direita ou para a esquerda, se está de cara cheia ou de mau humor, sem querer aparecer".
O tempo prosseguiu com um sorriso de tristeza:"Antigamente - que tempos! - os homens nasciam no tempo certo em que tinham de nascer. Não havia incubadoras para os fora de tempo nem cesariana para os que passam do tempo. A natureza sabia, em tempo, quando era tempo. Hoje, o homem já obedece ao relógio, mesmo antes de nascer. Os médicos estão apressados e sem tempo para perder". O relógio só ouvia, prosseguindo no seu tic-tac sem tempo de se defender e com medo de se atrasar. "Noutros tempos" - disse o tempo - "o homem crescia sem pressa, com tempo de envelhecer. Comia sem ter horário, dormia quando tinha sono. Fazia amor ao relento, como flores que se beijam, como aves que se aninham. Envelhecia de vagar, como um calmo entardecer. Depois, dormia o sono profundo e, no outro despertar, abraçava-me com carinho, no infinito...no infinito...". O tempo enxugou uma lágrima, talvez de orvalho. A voz que estava embargada, tomou uma conotação de revolta: "Hoje, vai logo para a escola e traz para casa um horário. Quando aprende a ler as horas ganha do pai um relógio e, assim, ensinam-lhe bem cedo a maneira mais correcta de nunca ter tempo na vida".
Continuou a sofismar com voz mais branda:"Come apressado, sem tempo. Dorme ainda sem ter sono, pois, de manhã bem cedinho, começas a gritar arrancando-o da cama, quando ainda queria dormir". "Amor? Nem sei se ainda faz... há gente que nem tem tempo.
Quando vê, já envelheceu, sem ver o tempo passar". "Na hora do sono profundo, enterram-no apressados, para a vida continuar. E no outro despertar, chega tão atrapalhado que não me consegue achar".
O relógio, sem poder nunca parar, não conseguiu ripostar.
Além do sentimento de culpa que passou a carregar, a partir desse tempo, quando bate as doze badaladas no silêncio da meia-noite, o canto é tão melancólico que até parece chorar.
O XIQUE E O XOQUE
O Zezé Totó anda cabisbaixo. Já deram por isso? Com a experiência que tenho de homens (ai, queridas, o que vos podia contar...), o rapaz está mas é carente. O que ele anda a pedir é mimo feminino. Consolem-no, queriduchas, não deixem o Sindroma cair em sin-dramas, digam-lhe que é óptimo, que sentiram muito a falta dele, que as suas graçolas no blogue são o máximo, e rebéu-béu rebéu-béu...
(Os homens são tão elementares, queridas Watson-ladies).*
*Querido, deixe-me dizer-lhe off-record: o menino bandeou-se para o outro lado?
Rendeu-se à bombazina?! Todos sabemos que o veludo cotelé está in mas já reparou
que é o preferido pelas altas esferas da governação da escolinha da Linda?
Agora o xoque: já vos aconteceu chegarem a um baile com um vestido lindérrimo, originalíssimo, e darem de carinha laroca com uma desclassificada que vem igual, igual, igual, igual? Pois bem. Na escolinha da Linda, parece ter sido o que sucedeu com as meninas das artes. Notaram que a Anoca Titinha e a Leni Mattos estavam superfulas uma com a outra, por descobrirem que vinham as duas de casaquinho igual-igual, igualmente cintadinho, a mesma lã, os mesmos quadrados...? Isso faz-se, Augustus?
Mas o choque não fica por aqui! Queriduchas, as meninas repararam como estava vaporosa a Su Monteyro? Aquele casaco 3/4 príncipe de gales fica-lhe a matar! Eu, simplesmente, ADOREI ver a menina de saia! Repita, se faz favor!
Fazendo juz ao dia (dos namorados, of course) e elegantérrima, estava hoje Ciel Casta, toda de vermelho, estimulante, apaixonada, coração dos pés à cabeça. Fui eu que vi mal ou até os óculos escuros tinham aro em forma de coração?!
Oh, que bem lhe fica a paixão! Já sinto uma arrebatadora vontade de comemorar este dia 14!
Até para a semana, meus queridos! Kiss Kiss Kiss
13 fevereiro 2006
Dar de beber à alma
DE BOCA EM BOA
Becas Murro (conservador das línguas mortas no arquivo da escola, em estado de conserva)-Eu cá acho que vocês deviam acabar com isso. Se querem escrever, escrevam em papel e eu copio em stencil e até distribuo, mas antes tem que passar tudo por um organismo de verificação, por causa dos erros. Ortográficos, claro.
Josefa Rusca (responsável chamuscada pelo churrasco da esplanada/buffet da escola)–Já ouvi um sururu, parece que andam a pisar os calos de alguém. Quanto a isso, comprem o número acima.
Alberto Luchi (editor de conteúdos multimédia do departamento de publicações da eslav)-Aprecio em particular o uso das tecnologias mas reconheço que não está acessível a todos, uma vez que a energia eléctrica não chega a todas as casas.
Olga Tinha (aluna que frequentou a escola na década de 80)-Cada um deve fazer o que muito bem entende desde que não me metam ao barulho.
Ana Ninanão (criativa no atelier de alto corte e costura da eslav)-Bló quê? O que é isso? Ah! Escrita Criativa! Acho muito bem, há que trazer a criatividade para fora das quatro paredes dos gabinetes dos professores. Isso de os professores escreverem só quando têm preenchem fichas, escrever actas e fazer relatórios tem que acabar.
12 fevereiro 2006
OFENDIDOS, MOVAMOS GUERRA AO DESRESPEITO
PRIMEIRO - Ora pergunte lá isso ao Freitas...
FREITAS - É simbólico. Pedi-vos que nos sentássemos hoje no chão, assim de cócoras, para que se entenda bem lá fora, principalmente nos Países Árabes, que a posição de Portugal é não-beligerante, é pacífica. Que se veja que não estamos aqui para ofender, nem ameaçar, nem cartunizar ninguém. Repudiamos tudo, todos os cartoons: eu próprio também nunca gostei que fizessem cartoons sobre mim, sempre com uma grande queixo e uma papada enorme...
DONA LURDES - Mas estar assim de cócoras simbólicas também se torna ofensivo. Pelo menos para os meus ossos...
PRIMEIRO - Bom. Deixe-se de queixas, ó Lurdes, que até já parece lá os seus professores, que nunca mais consegue fazer calar; passemos a coisas sérias. Esta reunião é, aliás, a seu pedido, não é? Ora diga, diga lá.
DONA LURDES - Bom. É o seguinte. A história dos cartoons do Profeta tem-se repetido, a seu modo, em pequena escala, numa pequena escola do nosso país.
TODOS - Ai sim?
DONA LURDES - Sim. Na eslav, há uma caterva de fulanos, todos eles com a mania que são muito engraçados, que criaram um blogue, e o blogue insiste, insiste, insiste. Nem as duas horas acrescentadas aos horários os demove, não sei onde é que vão buscar tempo. Em rigor, não deviam ter tempo para mais nada. Nem para corrigir testes. E no entanto...! Ai, e o que eles têm malhado em mim!
FREITAS - Incrível!
DONA LURDES - Só não tomei uma atitude drástica, porque já sei que me caíam logo em cima o Carmo e a Trindade, a berrar ó da guarda ó da guarda, que eu queria restringir as liberdades dos professores e tal. Aí é que os sindicatos vinham logo com a sua obsessão das greves. Só que, agora, os bloguistas exageraram. Tomaram-lhe o gosto. Aquilo é veneno. Vão por aí fora. Têm satirizado os próprios colegas. Alguns destes já pedem a cabeça deles...
FREITAS - É aproveitar, é aproveitar.
DONA LURDES - Os tais do blogue vão realmente longe de mais, têm-se tornado ofensivos. Enquanto gozavam lá com a pochete e com os casacos de bombazina, ainda era como o outro. Agora,a entrar assim no campo da pura fantasia, imaginando escolas cheias de bruxas, fantasmas, monstros e mauzões...! Só eu é que posso dizer mal das escolas e dos professores, não são os próprios professores. É uma questão de hierarquia. Assim já não brinco, não é? Nada é sagrado. Até aparecem uns artigos a gozar com o Benfica!
TODOS - Nããão!
DONA LURDES - Sim!
PRIMEIRO - Isso é comos cuspir na bandeira. É como entornar coca-cola no casaco do Presidente da República. É como...
FREITAS - Não tenho palavras.
DONA LURDES - Ah, mas olhe que eu precisava, precisamente, de umas quantas palavras suas. Precisava de um documento de repúdio. Do género daquele que escreveu contra os caroons dinamarqueses.
PRIMEIRO - Pois é. Ó homem, tem de fazer um esforço Isto não pode passar em branco, é grave!
TODOS - É muito grave!
Eis, portanto, o documento que, na sequência desta reunião, chegou à nossa escola, onde foi lido, pelo próprio autor, a um grupo de professores:
«Portugal é um país com uma antiga e bela tradição de liberdade. Algumas liberdades afirmam-se, até, apesar de estarem proibidas. Senão, vejamos: é proibido fumar em lugares públicos, sim, contudo, os únicos lugares públicos em que se não fuma são aqueles onde tenha acabado de entrar a dona Escura Anunciação. Todos sabemos que é proibido escapar ao fisco, mas que, no entanto, só os mais pobrezinhos não escapam. E alguém se lembraria de impedir um jovem de expor a sua opinião, ainda que fosse através de um murro livremente expresso sobre o olho de um passante de quem ele não gostara? São somente alguns exemplos. É, pois, evidente que vivemos em liberdade. Mas...
Toda a liberdade deverá ter um travão, um limite, uma fronteira, uma alfândega. Se não, já não é liberdade: é libertinagem, rebaldaria, licensiosidade.
Venho, pois, lamentar o sucedido e pedir desculpas às vítimas do blogue, o qual, em nome de uma liberdade sem escrúpulos, ultrapassou todas as medidas da etiqueta e do bom gosto. A quantos foram achincalhados nas mãos de uns quantos libertinos, uns rebaldões, uns licensiosos, peço perdão, reperdão, re-reperdão. O sentido de humor não pode ir além dos Malucos do Riso e do Menino Tonecas. Querer ter graça é, a mais das vezes, cair na irreverência e no desrespeito. Uma vez mais, mil perdões. Mil e um. Mil e dois, até, uma vez que pedir perdão não custa nada. Não tornará a acontecer. Obrigado pela compreensão. Mantenham a calma toda.»
ABELHA MAIA - O que foi aquilo? Que é que ele disse? O que é que ele queria? Quem era ele? Para onde foi? Quem sou eu? Onde estou? Para onde vou? É um puzzle? É outro puzzle, não? Alguém me explica alguma coisa...?
11 fevereiro 2006
SIGNOS
Touro – não vá descalço para a casa de banho, sobretudo se estiver de chinelos; lave os dentes com a mão esquerda e não use escova. Evite tomar o pequeno-almoço em jejum.
Gémeos – evite o álcool e não abuse da água oxigenada. No que respeita ao amor, antes pelo contrário. Suba as escadas dois degraus de cada vez e, quando chegar ao 3º andar, verifique que está nas lonas. Aproveite para fazer campismo.
Caranguejo – influências benéficas do Estreito de Gibraltar sobre Sírius e de Vénus sobre o Nilo. Ria-se muito, cante com a boca cheia e coma carne da vazia. Para a azia, bicarbonato; para a Ásia, uma viagem de avião a jacto.
Leão – possibilidades de receber uma carta, atravessar uma rua, almoçar, comprar um jornal ou dizer bom dia. Influência negativa de Plutão e da Corporação de Sapadores Bombeiros. Evite as zebras – não seja peão.
Virgem – é natural que fique com fome se não almoçar e esfomeada se também não jantar. Pelo contrário, se almoçar duas vezes, ficará empanturrada. Evite beber dois copos de água simultaneamente, sobretudo se forem diferentes.
Balança – os astros estão-se nas tintas para os nativos deste signo. Tudo o que lhe acontecer estava previsto, embora seja imprevisível. Cuidado: veja bem onde põe os pés... nunca no lugar das mãos.
Escorpião – péssimo dia para usar fardo e gravata, saia e cossaco ou calças de canga. Atenção à influência de Alfa do Centauro sobre a Praça dos Restauradores: não dobre esquinas nem endireite travessas. Siga em frente, mas sempre de costas.
Capricórnio – vai encontrar um anel de bijuteria. Assim que isso acontecer, apanhe um táxi, saia na papelaria mais próxima, compre um envelope, enderece-o a si próprio e coloque o anel lá dentro. Depois, compre um selo, cole-o no envelope e enfie-o num marco de correio. Não fazemos ideia do que vai acontecer a seguir.
Sagitário – óptimo dia para contrair matrimónio, mas apenas uma vez e sempre antes do almoço. Contraia também outras coisas: doenças insecto-contagiosas, esfíncteres e tudo o que seja suficientemente. Gargareje que isso passa.
Aquário – quando regressar a casa, depois do emprego, pinte-a de verde, incluindo os móveis. Sobretudo, cante. Sempre nu. Assoe-se de costas e a propósito.
Peixes – se viajar num transporte público de pé, não vale a pena segurar-se bem, cairá na mesma. Se encontrar alguém com cara de poucos amigos, dê-lhe a sua morada e vá viver para outro sítio.
10 fevereiro 2006
SIMPLESMENTE BELÍSSIMA - 19º EPISÓDIO
-Vou apresentar uma OPA, agora que está na berra. Oferta Pública Amorosa, parece-me bem.
Esconde-se por minutos atrás do biombo e aparece vestido de cupido. Saca uma das suas inúmeras setas e começa a disparar em várias direcções, conforme lhe tinha explicado Lara Croft. Extenuado, voltou a sentar-se e descansou, aguardando o efeito.
Ferida por uma seta e ainda a sangrar, Madame pede socorro.
-É que não me dá jeito nenhum, não tenho tempo para isso. Tu não estás a ver os montes de legislação que tenho para analisar! Tira-me isto!!!
Viola veio em seu socorro com jeitinho e um cigarrito no canto da boca, tirou a seta, e tratou a ferida que teimava em não fechar.
O tom a conversa baixou ao verem aproximar-se o temível TripleX. Desde Outubro, que toda a escola temia estes três, principalmente quando estavam juntos. Alguns tremiam outros escondiam-se nas casas de banho mas a maior parte calava-se, temendo ver as suas conversas comentadas no blogue da escola. O respeito aumentava em todo o reino.
Porém, no castelo da Madame, e aproveitando a confusão provocada pelo Correcto, uma patrulha de professores decide investigar por conta própria. Procuravam qualquer coisa que revelasse o segredo de tanta sapiência.
O ambiente provocava alergias a algumas pessoas. Quem espirrava mais era Kiki Fininha, muito dada a alergias e Sky Snake começava a apresentar alguns sinais de urticária.
-Vamos embora deste lugar sinistro. Só vejo papéis com cruzinhas e pilhas de fotocópias. Não há nem uma lareira ou um sofázinho onde se possa passar pelas brasas com um livrinho na mão...
-Já tenho saudades da nossa távola redonda.- suspira Lailai Abade.- Vamos voltar para a escola, qualquer casebre é melhor que esta masmorra. Além do mais tenho que procurar um sapato onde me caiba o pezinho e isto não se parece nada com o palácio da Cinderela.
-Não é o palácio da Cinderela e muito menos da Manuela e vocês estão a pedir uma açoitadela. Tenho o direito de protejer todos estes documentos! Todas a girar daqui pra fora!
O Cavaleiro Negro empunhava a sua espada de luz verde tipo Darth Vader que tinha comprado no carnaval passado.
-E o TripleX que venha contrariar-me...!
(CONTINUA)
Professor da ESLAV (3)
09 fevereiro 2006
FIXADO NAS GORDAS
Sobre Rodrigo Guedes de Carvalho, diz que é muito inteligente, embora tenha o problema de não parecer. Sobre José Alberto Carvalho, opina que, pelo contrário, apesar de parecer muito inteligente, não tem uma única ideia.
Bem compreendemos o combate de Manuela Moura Guedes pela coerência. Com ela, nunca houve dúvidas: sempre se esforçou por parecer tão vazia como efectivamente é.
8 por cento das mulheres portuguesas, garante o Correio da Manhã, fingem orgasmo.
Na verdade, o inquérito revela-se incompleto: cerca de 92 por cento das portuguesas ainda não foram entrevistadas
Mas inquérito entretanto promovido por blogue indica resultados surpreendentes: homens portugueses demasiado burros para conseguirem «fingir» um orgasmo.
Estátuas de Nossa Senhora escondem coca. Os traficantes, detidos na Alfândega, mostram-se revoltados: «Não sei onde vamos parar com esta intolerância religiosa. Primeiro, a história dos cartunes de Maomé. Agora, esta raiva toda contra as estatuetas de Nossa Senhora...»
Deputado Nuno Melo esclarece: «Se formos rigorosos, o Código Civil permite que os homossexuais se casem, desde que seja com uma pessoa de sexo diferente.»
Se levarmos o rigor a um tal extremo, somos obrigados a reconhecer, por absurdo que nos soe, que o Código Civil também permite a existência de deputados que não sejam idiotas!
CONCURSO DA LÍNGUA PORTUGUESA. APRESENTADO POR: BÁRBARA CAMARÕES
I - ACENTUAÇÃO:
Qual dos enunciados está correcto?
1. O cagado está na casa de banho
2. O cágado está na casa de banho
II- PONTUAÇÃO:
Qual dos enunciados respeita as regras de pontuação de forma a fazer sentido?
1a. A ministra diz: O professor é um ser com dificuldades de aprendizagem
2a. A ministra, diz o professor, é um ser com dificuldades de aprendizagem
1b. Não há só loiras. Burras as que pensam isso: nunca repararam que a apresentadora deste concurso é morena?
2b. Não há só loiras buras. As que pensam isso, nunca repararm que a apresentadora deste programa é morena.
Pronto, amiguinhos. Enviem depressa as vossas respostas, para saberem se estão aptos a passar à fase seguinte, siiiim?
SIMPLESMENTE BELÍSSIMA: 18º EPISÓDIO
Não se pode pôr tudo a nu, não tinha graça. Quem seria a professora Viola? Ora adeus! Esforcem-se.
A Juju, por outro lado, sabemos quem é: basta reler episódios antigos.
Finally, há quem pense: «Mas não se percebe nada! Afinal esta gente está no palácio de Madame, ou na escola, ou quê?» Não, isso não é um problema resultante da história estar a ser feita a quatro mãos. É que essas pessoas começam, realmente, a desvendar uma ponta do puzzle. O palácio de Madame É a escola. Por outras palavras, Madame fez da escola o seu palácio, em cuja cave apodrecem Cara Danjo e Das Dores, muito amarrados.
Entretanto, o da melena olhou para o cartão que lhe era apresentado por dona Cooperativa Borba, e exclamou:
- Mas esta a fotografia de Black Knight!
Atrás, ouviu-se uma voz:
- Alguém me chamou???
Era Black Knight em pessoa.
- O «Noite Negra»? - perguntou João Paulo, com a sua habitual dificuldade em tradução.
- «Knight» - esclareceu o Presidente Cavaco, versado em língua inglesa, que ainda por ali andava, sem saber muito bem o que fazer ou para onde se dirigir - «Knight», não «Night». Não é a Noite Negra mas...
- O CAVALEIRO NEGRO!!! - exclamou, em coro, um grupo já grande, formado pelos apoiantes de Cavaco, o da melena e a sua apaixonada, o apito de ouro, Escura Anunciação, dona Borba, João Paulo, Fatinha, Paulinha Varela, a octopeia, que saíra da sala de professores para se inteirar do que por ali acontecia.
Diante de todos eles, vestido de negro dos pés ao pescoço - não até à cabeça, essa, sexymente grisalha - encontrava-se Kiko Moraes, com um escudo onde reluziam as palavras «A CRÍTICA» e uma espada fulgurante.
- És tu que nos vais libertar, Cavaleiro Negro? - perguntou o apito.
- Não - respondeu alguém, secamente. - Sou eu. Eu é que vou libertar Portugal da depressão, da miséria, da corrupção, da desatenção, da crise, das crostas, das cordas, das costureiras, dos palhaços, dos aldrabões, das abelhas, dos blogues, das páscoas, dos natais, dos carnavais, das férias, dos feriados, dos mosquitos, dos lutos, dos lotos, das letras...
Era Cavaco...
(CONTINUA)
SIMPLESMENTE BELÍSSIMA: 17º EPISÓDIO
Quem assim contava, de cócoras, era Escura Anunciação, num esforço desesperado por reciclar. Mas não só: lá no fundo ansiava por detectar uma imagem residual no espelho reconstruído.
Queria ser ela a anunciar a descoberta - quem estava projectado no espelho! Ansiava por poder publicar na revista Crítica e era chegado o momento. Agora, que estava para saír o último número! Tinha que se despachar...
Das Dores enrolando a corda que a atara ao Cara Danjo, resmungava: - Nunca gostei de me sentir presa, hás-de pagar-mas!
Já não era a primeira vez que prometia pagá-las, só que desta vez o alvo era Madame.
Atarefada, Cooperativa de Borba procura ansiosamente o cartão da escola e dirige-se ao bar.
Neninenineni!
O ecrã estava vermelho, de raiva porque era um desassossego e porque o cartão acabado de passar não correspondia à pessoa que estava à usá-lo. Sim, o sistema tornara-se superinteligente depois da visita de Bill Gates a Portugal.
E com esa é ninguém contava! Muito menos ela, que só queria tomar um cafezinho e a máquina não dava açucar.
Desesperada por um café, cumprimenta Mimika que jogava pingpong no polivalente com o professor da melena, alvo da sua cobiça.
-Priiiiiiiiiiiiii!
-Oh, não, o que é que foi agora?
-A sua identidade por favor.
-Porquê? Toda a gente sabe quem eu sou! E tu és meu colega, não podes duvidar de mim!
-Já tive menos dúvidas! Esse cartão não é seu. Onde o arranjou?
-Bem... Emprestaram-mo para tomar um cafézito... Estava mesmo a precisar...
-Pela fotografia parece ser.... Oh, não!
(CONTINUA)
O XIQUE E O XOQUE
Refiro-me aos artefactos de elevado nível artístico que muitas ostentam nas lapelas, nos decotes, nos dedos e nas orelhas!
De facto, desde que a querida Lailai Macieira se dedicou à alta joalharia, as professoras passaram a estar chiquérrimas.
É só reparar na elegantíssima Juju Lieta que há pouco tempo se mostrava indecisa entre uma e outra peça; minha querida, qual delas a mais bonita! Qualquer coisa que a menina escolha lhe fica bem! Qualquer coisa é, digamos, muito valorizada no seu corpo alto e magrérrimo, que inveja, que inveeeja!
Este trabalho apurado não fica por aqui. Um brinquinho by Lailai, uma pregadeira by Lailai (não estavam à espera que eu usasse outra palavra, não?), o que quer que lhe venha das mãos mais-que-perfeitas é um must de arrojo, dinâmica, elegância, sofisticação, leveza, graciosidade. (Será que, continuando nisto, depois tenho direito a uma percentagem? Está muito na moda, é chique).
Não ficamos indiferentes à colaboração que mestre Abel, o nosso Belito, tem demonstrado na pesquisa incansável de materiais e técnicas de execução. As finas pratas que Lailai usa são disso um bom exemplo.
Chique chique chique estava também Tininha Nunes que, trajada a rigor, se dedica semanalmente à aprendizagem dessa arte manual que em tanto contribui para aliviar o stress! Tenho para mim que ser professor é uma profissão desgastante, o querido Daniel Azarado concorda comigo, ele mesmo m'o confessou na elegante apresentação do livro da Bebé Pincesa, inspirado pela terras de além e aquém Mondego. Como sabem, eu não sou muito de leituras, penso que há coisas mais chiques para fazer na vida. Mas afianço-vos que o livro vale a pena: tem uma capa lindérrima e fica bem numas mãos recheadas de jóias-Lailai. Passemos ao lado masculino da escola. Xiquinho continua a dar nas vistas, trajado a rigor, representando da melhor maneira aquele ditado antigo: "com este fatinho preto, eu nunca me comprometo". (Embora o meu alvo seja outro. Quem? Ah, lindas, nem pensar, frio, frio, frio. Enfin, é o meu segredo. A minha gargalhada secreta para eu recordar em casa).
Bebé Moreia fazia hoje levantar as pedras da calçada! Com o chiquíssimo modelito que ostentava! concordo consigo, querida, há que proteger as ideias com um abafo quentinho! Há que não deixar voar as ideias, queriducha, nada de desperdícios!
Mas quem realmente nos inspirou como ninguém foi a perfeita Conchão Baptista: a um primeiro olhar, mais distraído, houve quem pensasse que um candeeiro de pé alto ganhara vida e se deslocava por ali, com o seu elegante abat-jour de riscas, como num filme de fantasmas. Não, queridas. Era mesmo a Conchão, com um chapéu im-per-dível (sim, aquele dificilmente se perderá...). E se parecia um candeeiro, era porque toda ela era luz derramada sobre a cinzenta sala de professores.
E por hoje vos abandono. Mais um pouquinho só. Não carpam, que eu voltarei. Beijinho-beijinho!
08 fevereiro 2006
SIMPLESMENTE BELÍSSIMA: 16º EPISÓDIO
- Deixem-me todos em paz! - gritava ela para a multidão, que a não largava. - Vão para a cama, que já é tarde...
E um:
- Fala da necessidade de paz no mundo. E diz que já vai sendo tarde para se fazer alguma coisa...
E outro:
- Mas falou de cama. Que quereria dizer com isso?
- Que não nos podemos deitar a dormir, enquanto o mundo se afunda?
- Que tem sono?
- Estúpido! Básico! Que raio de interpretação é essa?
A outra corrente, era formada por um grupo que se dirigia, precisamente, ao palácio de Madame: capitaneados pela professora Viola (vêem como agora me resguardo? quem terá já adivinhado que professora se esconde sob este nome, sob este anagrama, eh, eh, eh!?), Juju, o rapaz da melena de oiro e o apito inteligente, chegavam e batiam violentamente à porta.
- Com que então - atirou Viola à cara de Madame, que lhe viera abrir - parece que tu é que és a má?
- Não tenhas dúvidas - respondeu-lhe.
- Uma ova! Eu sou muito pior. Nem imaginas...
- Pior do que eu? Que fervi um professor numa panela de água a escaldar?
- Aposto que nunca ferveste um cão, que é muito pior do que ferver um professor...
Mediam-se, uma muito alta e magra, a outra mais baixa e roliça, ambas de cigarro nos lábios, neste estranho e pavoroso duelo.
- Eu mandei pôr o chefe num lar de professores em stress.
- Isso não foi um mal, foi um bem. Pois olha, eu mandei surrar o Sindroma.
- E isso foi um mal? Só se perderam as que cairam no chão...
Cara Danjo e Dolor, amarrados, seguiam, atentos, este viperino duelo de maldade. Juju não perdia uma palavra.
No silêncio, ouviu-se:
- Hã?
- Cala-te - pediu o apito ao jovem da melena.
- Temos de resolver isto de outro modo - sugeriu Madame. - Anda comigo. Vamos perguntar ao espelho mágico qual das duas é pior.
- Vamos lá.
- Está na casa de banho. Anda daí.
Com a retirada destas duas figuras, soltou-se, na sala, um suspiro colectivo.
- nunca perssebi - comentou Cara Danjo - purke diaxo as mulhéres teien de ir çempre juntas à casadebanho...
Nesse momento, lá do fundo, onde se situava a casa de banho, ouviu-se um crrrrrrrrac!, com o qual o espelho mágico, incapaz de suportar as duas mulheres que lhe gritavam aos ouvidos, se estilhaçava em centenas de milhar de fragmentos...
(CONTINUA)
«O SABICHÃO DAS DÚZIAS»: A COLUNA DO DR. DANIEL SEM-PAIO
Os professores, que são uns incorrigíveis chorões, queixam-se agora e, ao que parece, cada vez mais, das célebres aulas de substituição.
A primeira coisa que há a dizer acerca desta questão é, naturalmente, que as aulas de substituição deviam tornar-se um instrumento indispensável para a aprendizagem dos alunos, mais importante até, se possível, do que as aulas originais: talvez uma ideia (Meu Deus!, de onde me jorram todas estas ideias...?)fosse obrigar os poucos professores que ainda não faltam a faltar - de modo a que não houvesse senão aulas de substituição; alternativamente, poderíamos chamar a qualquer aula uma «aula de substituição», de modo a desdramatizar, a esvaziá-la do seu carácter aterrorizador.
Uma segunda coisa que não posso deixar de lembrar é que eu próprio também sou professor. Não dou aulas de substituição, mas isso não vem ao caso. Sou um professor universitário, mas também não é esse o ponto da questão: o ponto da questão é que me deparo todos os anos com alunos extremamente motivados, atentos, com elevadas expectativas e auto-estima, intervenientes e estudiosos: ou seja, a minha tarefa é muito mais difícil e muito mais ingrata do que a dos professores do ensino secundário, porque me cabe pegar nesta massa inteligente de alunos e desmotivá-la, desiludi-la, estupidificá-la, que é com certeza o objectivo do sistema de ensino português - basta observar como as coisas (não) funcionam! E consigo-o: com esforço, nas minhas mãos, perante a monotonia das minhas aulas, em pouco tempo os transformo em pataratas.
Enquanto que, pelo contrário, os professores do ensino secundário têm já entre mãos alunos desmotivados e sem interesse. De que se queixam então?
Relativamente às aulas de substituição, basta ser-se psicólogo para saber como proceder para tranquilizar o ambiente.
Note-se, antes de mais, que o professor-substituto penetra num território que lhe não pertence e lhe é, à partida, hostil: não conhece a sala, não conhece os alunos, enfrenta, pois, as carrancas de quem o não convidou nem o quer receber. Como verificamos com os lobos, com os cães ou com os gatos, a solução é principiar por demarcar o território. Como? Que pergunta: com urina, obviamente. O professor deverá firme mas gentilmente, urinar a toda a volta da sala, para que se perceba que, a partir dali, aquele passará a ser o seu território. Posso prometer-vos que, perante este acto, os alunos acalmarão imediatamente e não voltarão a falar.
A seguir, interessa criar laços. O professor deve começar por apresentar-se, dizendo o seu nome completo, e dizendo-o muito lentamente, repetindo-o bem, de forma a que consiga demorar com isso a aula inteira. Não sendo isso possível (há nomes curtos: João Silva ou Maria Papoila não demora 90 minutos a ser enunciado), o professor deverá falar de si: quais são os seus gostos e preferências, quantos filhos tem, quando e onde foi baptizado, ou se não foi, quantos gatos alberga, que manias ou tiques cultiva, que ódios de estimação, que teria feito de mal noutra encarnação para reencarnar como professor, em quem votou, qual o seu clube de eleição. Verão como tudo muda. Verão como os alunos se aguentam, suspensos, extasiados, sem abrir a boca, como se estivessem a pensar: «Mas que raio tenho eu que ver com isto?» ou «Que quererá mesmo de mim este passarão? Desconfia, desconfia!»
07 fevereiro 2006
continuar a passar...
- não será melhor passar adiante e deixar de passar os olhos especiamente pelas gordas, pois agora já estão a falar em campanhas contra a obeeesidade e assim ainda obrigam algumas incautas a fazer uma dieta drástica!que horror!!!
- então vamos passar uma esponja sobre esta ideia infeliz (vais pagá-las miúda elástica magrérrima) e assim, se calhar é melhor ir passar a ferro ou ir buscar um livro do saramago à biblioteca, sei láa!
- quem não se quiser actualizar arrisca-se a passar à história ou então terá que passar a limpo todos os 5ooo planos de recuperação deste ano lectivo.
- para aqueles que estão sempre a passar pelas brasas, é bom relembrar que as aaa se podem passar a patacos(eh, eh, era bom não era?assim já todos as queriam...)
PASSANDO OS OLHOS POR ALGUMAS OUTRAS (7/02)
- Problemas de surdês estão a aumentar entre os jovens, graças ao fenómeno MP3. Se bem me lembro, já tinha avisado para este problema mas ninguém me ligou a mínima importância. Depois não digam que eu não avisei. O que este blogue não topa é porque não é digno de nota.
- Radicais islâmicos incendeiam protestos. Percebemos todos agora porque é que a lapiseira do fantasmasaopera silenciou? Nem a lapiseira nem o teclado. Depois ele diz que anda com um problema no dedo, e tal, mas lá no fundo, receia que o chefe lhe queime os rascunhos dos cartoons que já começou a fazer para o almoço do próximo natal.
- É lançada depois de amanhã uma Campanha contra a obesidade na população escolar. Percebem agora como é cada vez mais necessário passar os olhos pelas gordas?
- Tropeção do Olhanense no Marco. Ooopss, isto não era aqui.
06 fevereiro 2006
clube de fans do sintooooma
OS NEGOCIADORES
Primeiro, bateu-se delicadamente à porta.
- Dás licença?
Veio de lá um chorrilho de palavrões.
Com o tempo, começando alguns professores a encolher-se, outros a correr de gatas pelo polivalente, sem saberem onde se aliviar, enviou-se à porta da casa de banho uma voz grave, intimidatória, precisamente a do Augusto.
- Homem: sais a bem ou sais a mal? Olha que há aqui gente aflita. Isso não te pertence.
Novo chorrilho de palavrões.
E foi esta, no fundo, a verdadeira razão pela qual a escola teve de, inspirada pelo Expresso desta semana, improvisar um curso intensivo de negociadores - que se espera que valha, aos participantes, um ou dois créditos: está em negociação.
Pelas páginas do ilustre jornal que o planetazul não dispensa (o planeta azul, esse, dispensaria bem o drástico abate de árvores que custa produzir um único exemplar espesso do Expresso), fomos todos tomando nota das regras a cumprir. Negociar com um homem nervoso, possivelmente armado, é muito perigoso.
Em primeiro lugar, ficámos a saber que o costume entre os negociadores formados em Portugal, é não se saber exactamente quem manda e quem faz o quê.
Estamos habituados.
- Pega no megafone - ordenava Pochato ao Augusto.
- Não senhor. Não recebo ordens tuas. Pega tu, se quiseres, é boa!
Finalmente, Pochato aproximou-se, o próprio, de megafone em punho.
- Não é assim - avisava Augusto. - Estás a falar para a pochete com o megafone debaixo do braço. Deves fazer o contrário.
Excelente oportunidade para Pochato se vingar:
- Desculpa lá! Não recebo ordens tuas, tá bem? - E continuava teimosamente a falar através da pochete.
Outra coisa que o grupo tinha aprendido, é que alguns erros são fatais:
«Dizem os entendidos [cito] que a pior coisa que se pode dizer a um indivíduo desesperado é "tenha calma!" Os níveis de ansiedade sobem logo, e o mais certo é a resposta ser "vai mas é pr' c..."».
Sobre o que significa aquele «c» seguido de aspas, num jornal tão selecto, podemos apenas especular: «Vá mas é pró carro»? «Vá mas é pra casa?»
Continuávamos a ler:
«Mais de metade da comunicação é corporal, desde os gestos às inflexões de voz»: por esse motivo, Pochato iniciou uma esplêndida dança espanhola, usando megafone e pochete como castanholas, enquanto inflectia a voz.
Augusto, entretanto, resolveu sair da escola para medir o vento.
- Para quê? - perguntaram-lhe.
- Ah, eu cá sigo a cartilha. Está aqui que os atiradores especiais medem o vento.
- Mas nós temos atiradores especiais?
- Não, não temos. Mais uma razão para medir o vento. Já que nos falta uma coisa, não queremos que nos falte outra...
- Ouve! - gritava Pochete para a porta trancada, citando cuidadosamente palavras do Expresso: - «Queremos obter» - lia ele - «uma solução sem vencedores nem vencidos...»
Ouviu-se um urro inumano do interior da casa de banho.
Era o fantasmadaopera:
- SEM VENCIDOS??? SEM VENCIDOS??? ESTÁS A FAZER TROÇA DO BENFICA??? ESTÃO TODOS A GOZAR??? ESTÃO TODOS A GOZAR???
- Tem calma!!! - distraiu-se Pochato.
Era um dos erros fatais.
Tinham sido as suas últimas palavras...
05 fevereiro 2006
PRIMEIRAS REACÇÕES À LISTA AUTÊNTICA
- O que mais desejo é que haja paz e amor no mundo. E também me preocupa muito a fome. Aliás, neste preciso momento sinto um ratinho no estômago. Mas o pior de tudo são as crianças. Não devia haver crianças com fome...
Kiko Moraes, por sua vez, revelou a sua dificuldade em acreditar que a lista definitiva fosse, precisamente, definitiva. Habituado, como está, a vencer todos os prémios-Eslav para o professor mais fixe (ante uma secreta mas indisfarçável ciumeira do Sindroma), confidenciou-nos:
- Eu até já tinha preparado um discurso de agradecimentos. E agora, que faço ao discurso de agradecimentos? Quer ouvir o meu discurso de agradecimentos?
- Bem...
- Ah, já que me pede tanto, cá vai: «Quero agradecer aos meus pais e restantes familiares, bem como a todos os que me apoiaram nos momentos difíceis e acompanharam na campanha. Uma palavra de agradecimento para as mulheres que votaram em mim. Uma outra, mais curtinha, para as estúpidas que, certamente por engano, não votaram em mim. Obrigado a todas!»
PASSANDO OS OLHOS POR ALGUMAS (4/02)
- Bill Gates esteve em Portugal conseguindo reunir praticamente o conselho de ministros com o PR incluido e prometeu ensinar informática a um milhão de portugueses (Lembrei-me daquele anúncio: Aspirina só da Bayer - Informática só da Microsoft...).
- Ines Pedrosa escreveu uma crónica sobre Mozart (aplausos) contudo revela não conhecer a realidade das escolas portuguesas quando afirma: "Portugal teria outra cadência se o ensino da música fosse tão natural como o da tabuada" (tão natural?... Cai na real rapariga!).
- Valentim foi acusado de corrupção; ele e mais não sei quantos... Começa a ser perigoso passar pelas Antas ou pelo Bessa, já não falando em ir almoçar a Gondomar, porque aquilo pega-se...
- Miguel Sousa Tavares continua a queixar-se que não o deixam fumar à vontade e agora também quer comer tordos de escabeche...(mau feitio!)
- Para a semana já não temos jackpot no euromilhões e o primeiro prémio tornará a ser uma miséria de meia dúzia de milhões de euros (não sei se valerá a pena jogar...). Dos três sortudos um deles é português o que me encheu de esperança pensando que os portugueses são mesmo bons para escolher números. Dois parágrafos abaixo, na mesma notíci vi desfeito o sonho, afinal os portugueses não são assim tão bons a escolher números...se 27% das apostas são portuguesas corremos o risco de um em cada quatro jackpots vir para Portugal (Probabilidade dixit...).
- Variadas (mas com juizo!):
Vão juntando as facturas e outros papelinhos porque é preciso preencher a declaração do IRS até 15 de Março (mais informações no maple do costume na sala de profs...)
Se a Helena e a Teresa querem casar, pois que se casem, mas não convidem a imprensa toda para o casamento (se os mirones queriam ver o vestido da noiva tiveram uma desilusão..., a propósito, qual era a noiva?)
Não apresento imagem nenhuma porque andam aí uns cartoons perigosos e muita gente zangada (et pour cause...)
Match Point - Woody Allen. Imperdível.
Nota Final: Passei os olhos por mais três ou quatro, mas essas vou guardá-las só para mim... (invejosos!)
Até para a semana ... no Expresso.
03 fevereiro 2006
OS SEX SYMBOL MASCULINOS: REPOSIÇÃO DA VERDADE
Que tenha recebido não sei que medalha em nome do Presidente da República, ainda passa: bem sabemos que, à velocidade com que Jorge Sampaio tem vindo a medalhar, qualquer dia o que distingue os portugueses que valem alguma coisa será, precisamente, o facto de não possuirem qualquer condecoração. Se Mourinho está, nesse campo, ao lado dos costureiros preferidos de Maria José Ritta, que, como se viu, pouco têm conseguido com a Primeira-Dama, ou de Mariza, ou de Fátima Lopes, deixá-lo lá estar.
Agora, o sexto homem mais sexy? Não me conformo. E de uma lista de onde estão misteriosamente sonegados, por exemplo, Chefe Lucas e fantasmadaopera? Que o Abel não esteja nesse grupo, tudo bem. O Abel tem o defeito da pochete, que deve ter sido encomendada a um dos costureiros de Maria José Ritta. Mas e os outros...?
Ora a resposta a tão deprimente dúvida foi, finalmente, encontrada. Esta lista é uma fraude, resultante de uma pérfida manobra conjugadamente perpetrada pelo Ministério da Educação e pelos Super-Dragões, de forma a que fossem excluídos todos os professores e, simultaneamente, todos os benfiquistas. Já tinha havido quem desconfiasse porque, numa primeira versão, Valter Lemos aparecia em primeiro lugar, antes, portanto, de Brad Pitt, e Pinto da Costa também em lugar cimeiro, antes até do senhor Aleixo. Porque isto seria de mais, «fabricou-se» uma segunda lista levemente mais credível, mas igualmente falsa, a tal que dá Mourinho como sexto.
Incansavelmente, temos pesquisado os verdadeiros resultados. Estamos em condições de repor a verdade. Eis, pois, na versão autêntica, final e fiel, os dez primeiros sex symbol:
1. Chefe Lucas: porque é chefe e o poder é afrodisíaco; porque tem a sua famosa barba de arame.
2. Fantasmadaopera: «por causa do seu sorriso de dentes sexy sob o bigode grisalho» - palavras do próprio.
3. King Kong: porque as mulheres adoram homens muito peludos
4. O Corcunda de Notre-Dame: pela sua sensibilidade
5. O Conde Drácula: por causa dos seus dentes, quase tão sexy como os do fantasmadaopera, e pela sua malvadez, quase tão terrível como a do fantasmadaopera
6. Capitão Gancho: porque é capitão; também pelo bigode que faz lembrar vagamente o do fantasmadaopera
7. O Alien: pela sua inesgotável potência
8. O Monstro do Dr. Frankenstein: pelo seu porte e candura
9. Dr. Daniel Sampaio: porque é verdadeiramente único em todos os aspectos, e só não está em primeiro lugar porque há oito antes dele
10. Augusto Guerra - não ficou em melhor posição devido à mania dos touros. Mas apreciaram-se-lhe a ousadia com as mulheres, a malandrice, o olho azul
Sempre ao serviço da verdade,
Repórter Estrábico
ESPREITANDO DE NOVO AS GORDAS
2. Tiago Qualquer-coisa, um jovem português da fórmula 1 cujo apelido não apreendi, entrevistado pela SicJornal, afirmou-se muito satisfeito com as mudanças do seu bólide:
- Este rosa-choque é o máximo - esclareceu ele.
Interrogado ainda sobre se, agora que era mais conhecido - onde e por quem é que não foi dito... - principiavam a aparecer-lhe novos patrocínios, respondeu:
- Claro. Estou até à espera do patrocínio da BebéCar
Por fim, acerca dos seus objectivos:
- Tenho de ter objectivos elevados, sem deixar de ser realista.
Tradução: Altas metas, mas consciência de que não são para levar a sério.
3. E já que estamos em matéria de televisão e de entrevistas televisivas (e mais, portanto, de «zappings» do que de «gordas»), nota alta para o actor dos «Morangos com Açúcar» que, apanhado numa passagem de modelos - onde estava, não percebi se «a passar» ou «de passagem» - , comparava assim homens e mulheres:
- Elas são capazes de se concentrar em muitas coisas ao mesmo tempo. Nós só conseguimos concentrar-nos numa coisa ao mesmo tempo...
A nota alta é atribuída por, ao mesmo tempo que a dizia, ter sido a ilustração dessa insuficiência masculina...
4. Num colégio da indiscutívelmente obra Casa do Gaiato - «indiscutivelmente», porque é indiscutivelmente uma obra -, uma senhora assistiu, chocada, a um «instrutor» que batia com violência num «gaiato», instruindo-lhe a cabeça contra uma coluna de pedra.
Posto perante o facto, o director do colégio serenou-nos a todos:
- Isso são rapaziadas. Não nos metemos entre os rapazes...
Fazem manifestamente bem. Em primeiro lugar, porque é compreensível que se não metam nisso quando há, ainda por cima, colunas de pedra perto. Em segundo lugar, é admissível que se chame «rapaz» ao instrutor. Posteriormente, viemos a confirmar que se não tratava de um trintão, como a senhora dissera, mas de um trintinha. E por fim, já sabemos como estas coisas são: se se metessem com o trintinha, ainda se arriscavam a ser acusados de pedofilia.
5. Em face da acusação de «estar a organizar-se uma secreta com o seu conhecimento», ministro indigna-se:
- É uma calúnia. É indigno. Só em Portugal é possível lançarem-se atoardas destas. Não há «secreta» nenhuma. Se já todos sabem, como é que podia ser uma «secreta»?
02 fevereiro 2006
ALTERAÇÃO AO CÓDIGO DO TRABALHO
2.AUSÊNCIA DEVIDO A DOENÇA - Não vamos mais aceitar uma declaração do médico como prova de doença. Se o funcionário tem condições para ir até ao consultório médico também tem para vir trabalhar.
3. CIRURGIA - As cirurgias são proibidas. Enquanto o funcionário trabalhar nesta empresa, precisará de todos os seus órgãos, portanto, não deve pensar em tirar nada. Nós contratámo-lo inteiro. Remover algo constitui quebra de contrato.
4. AUSÊNCIAS DEVIDO A MOTIVOS PESSOAIS - Cada funcionário receberá 104 dias para assuntos pessoais, em cada ano. Chamam-se Sábados e Domingos.
5. FÉRIAS - Todos os funcionários têm direito a gozar ainda mais 12 dias de férias nos seguintes dias de cada ano:1 de Janeiro,Dia de Páscoa25 de Abril,1 de Maio,10 de Junho,15 de Agosto,5 de Outubro,1 de Novembro,1 de Dezembro.8 de Dezembro.25 de Dezembro.
6. AUSÊNCIA DEVIDO AO FALECIMENTO DE ENTE QUERIDO - Esta não é uma justificação para perder um dia de trabalho. Não há nada que se possa fazer pelos amigos, parentes ou colegas de trabalho falecidos. Todo o esforço deverá ser empenhado para que os não-funcionários cuidem dos detalhes. Nos casos raros, onde o envolvimento do funcionário é necessário, o enterro deverá ser marcado para o final da tarde. Teremos prazer em permitir que o funcionário trabalhe durante o horário do almoço e, daí sair uma hora mais cedo, desde que o seu trabalho esteja em dia.
7. AUSÊNCIA DEVIDO À SUA PRÓPRIA MORTE - Em casos excepcionais isto será aceite como desculpa. Entretanto, exigimos pelo menos15 dias de aviso prévio, visto que cabe ao funcionário treinar o seu substituto.
8. O USO DOS LAVABOS - Os funcionários estão a passar tempo demais na casa de banho. No futuro, seguiremos o sistema de ordem alfabética. Por exemplo, Todos os funcionários cujos nomes começam com a letra 'A' irão entre as9:00 e 9:20, aqueles com a letra 'B' entre 9:20 e 9:40, etc. Se não puder ir na hora designada, será preciso esperar a sua vez, no dia seguinte. Em caso de emergência, os funcionários poderão trocar o seu horário com um colega. Ambos os chefes dos funcionários deverão aprovar essa troca, por escrito. Adicionalmente, agora há um limite estritamente máximo de 3minutos na sanita. Acabando esses 3 minutos, um alarme tocará, o rolo de papel higiénico será recolhido, a porta da sanita abrir-se-á e uma foto será tirada. Se for repetente, a foto será afixada no quadro de avisos e respectivo Blog com o título "Infractor Crónico".
9. A HORA DO ALMOÇO - Os magros têm 30 minutos para o almoço, porque precisam comer mais para parecerem saudáveis. As pessoas de tamanho normal têm 15 minutos para comer uma refeição balanceada que sustente o seu corpo mediano. Os gordos têm 5 minutos, porque é tudo que precisam para tomar uma salada e um moderador de apetite.
O XIQUE E O XOQUE
Aposto que estavam com saudades minhas!
Tenho andado super super atarefada! Reparem só:
Ontem tive uma vernissage na galeria Zé dos Bois, ali no Bairro Alto; mais logo terei um jantar superchique na Embaixada do Japão e ainda tenho que passar na Personna, mas não podia deixar de vir aqui dar-vos conta do mais chique acontece a ESLAV.
A semana começou com um super nevão que era coisa, minhas queridas, que eu só tinha visto em Aspen quando passei férias com os Kennedy.
O frio foi mesmo o melhor motivo para alguns tirarem do armário as suas melhores peles. Pessoalmente sou 100% contra o uso das peles mas tenho que reconhecer que está super na moda!
Amiguinhas: prefiram as boas imitações e deixem lá os bichinhos.
Quem, na segunda-feira, estava no top era a Bébé Moreia, toda de branco dos pés à cabeça, no sentido literal do termo.
Outras prefiriram uma visita aos saldos. Repararam na quantidade de vistosos casacos compridos que se passearam na escola esta semana?! Nem a Madame resistiu a um bom agasalho!
Adhelia continuou a suas descrições ilustradas do passeio a Marrocos. Oh! Como eu gostava de ter ido com ela! Adoro as cores, os cheiros! O caril! Oh sabia-me bem agora um franguinho de caril.
Mas voltemos ao mundo real.
Os Barriguitas continuaram a preferir o seu habitual recanto na sala de professores, mas foram vistos entusiasmadissímos a folhear literatura no polivalente; ler está na moda, meus queridos! Continuem!
Mas façam uma coisa: aproveitem para ler no ginásio!
Adeus meus queridos, até para a semana!

