Voltámos sem pretensões. Com mais criações. E opiniões. O verdadeiro blogue sem borbulhas.
17 maio 2006
THE BOOK OF NONSENSE
MARCOLINA - Dados? Nós já lhos enviámos, não te lembras?
ADOZINDA - Estás a falar daquele pacote em que iam uns dados de jogo? Uns cubinhos com pintas nas faces?
MARCOLINA - Sim. Eram inegavelmente dados dos professores. Até tivemos de interromper-lhes um jogo para lhes sacarmos esses dados, não foi?
ADOZINDA - Pois foi. Só que esta carta dá a entender que não era isso que o ministério queria.
MARCOLINA - Ai não? Então o que era?
ADOZINDA - A idade, o sexo, os filhos resultantes de tanto sexo, a data em que foi concluído o curso e as notas, a data do ingresso na carreira...
MARCOLINA - Ai isso é que são os dados?
ADOZINDA - Isso é que são os dados.
MARCOLINA - E onde temos nós isso?
ADOZINDA - Ah! Ah! Ah! Ah!
MARCOLINA - Ah! Ah! Ah! Ah!
ADOZINDA - Na altura em que começou tudo não havia computadores, pois não?
MARCOLINA - Não. Era tudo feito à mão.
ADOZINDA - Nós perdíamos essas coisas. Não registávamos nada. Era um descanso. Como não ficava nada registado, ninguém nos podia pedir contas. Sabiam lá eles quem tinha tratado do quê...
MARCOLINA - Na verdade, nunca ninguém tinha tratado de nada, não era?
ADOZINDA - Depois, apareceram os computadores.
MARCOLINA - E quando começámos a ser ultrapassadas por pessoas que sabiam de computadores, conseguimos que, mesmo assim, elas ficassem dependentes de nós.
ADOZINDA - É verdade. Nós é que lhes dizíamos o que escrever.
MARCOLINA - E como não tínhamos nada em sítio nenhum, inventávamos.
ADOZINDA - O que nós inventámos, não foi?
MARCOLINA - Divertimo-nos tanto! Dizíamos que fulana tinha nascido em 1919, coitada. Ah! Ah! Ah!
ADOZINDA - Ou que era do sexo masculino. Ah! Ah! Ah!
MARCOLINA - E ainda há quem diga que a função pública não é criativa. Meu Deus! Só mesmo para quem não quer.
LUÍSA - Bom dia, meninas.
ADOZINDA - 'Dia!
MARCOLINA - 'Dia!
ADOZINDA - Olha, já viste, Luisinha? Parece que vais ter de enviar os dados dos professores lá para o ministério.
LUÍSA - Eu!? Mas aquilo está tudo uma barafunda. Os professores estão sempre a protestar.
ADOZINDA - Desenrasca-te, filha. Tu é que és a «boa» nos computadores, não és? A responsabilidade é toda tua. Nós não temos nada que ver com isso... Nós somos as lesmas, não é? Não era assim que nos tratavas? As lesmas, hein? Agora, arranja-te.
LUÍSA - Ó meninas, pelo amor de Deus ajudem-me. Arranjem-me maneira de responsabilizar outra pessoa qualquer...
MARCOLINA- Hum...!
LUÍSA - Peço-vos. Eu conto-vos uma história que acabei de ouvir no CE. Aquilo foi cá uma discussão que nem queiram saber...
MARCOLINA - A sério? Ai, querida, conta, conta...
LUÍSA - Só se me ajudarem, só se me ajudarem.
ADOZINDA - Bem. Atiramos as culpas para cima da Maurícia?
LUÍSA - Acham!?
MARCOLINA - Olha, lá vem ela. Disfarcem, disfarcem.
MAURÍCIA- Bom dia, meninas.
MARCOLINA - 'Dia!
ADOZINDA - 'Dia!
LUÍSA - 'Dia!
MARCOLINA - Parece que vais ter problemas, não é? Ai não sabes? Precisam dos dados dos professores. Lá do ministério. Grande azar o teu, hm?
MAURÍCIA - Mas... Mas... Mas... eu... eu...
LUÍSA - Pois é. Grande bico d'obra, não é? Vai sobrar para ti.
MAURÍCIA - Ai, vinha mesmo agora a rir-me de uma história... daquele professor, o que...
LUÍSA - Esse...? O do cabelo que...? Ah! Não me digas. E sempre é verdade que ele... hein? E a professora...! hein? Diz lá, diz lá.
MAURÍCIA - Não digo.
TODAS - Diz!
MAURÍCIA - E vocês apoiam-me nesta situação dos dados?
ADOZINDA - Ó filha, mas como é que queres? (Conta lá, vá). A gente não pode fazer nada, menina. (Anda conta, conta). A não ser...
TODAS - A não ser...!?
ADOZINDA - Que responsabilizemos os professores por isto.
TODAS - Ena, pá!
ADOZINDA - Que lhes entreguemos isto como está, umas fichas absurdas, uma barafunda inconcebível, e os obriguemos a actualizar a coisa, eh! eh! eh!
TODAS - Eh! Eh! Eh!
ADOZINDA - Sob pena de não receberem o ordenado. Olha, telefona aí para o ministério a dar essa sugestão, que vais ver que agrada. É mesmo o género de ideia que eles apreciam...
MARCOLINA - Está? Está lá? É do ministério da Educação? Estou a falar com...?
PARTICULAS DE IDEAS
«Particulas de Ideas» es un farmaco que se puede tomar
En comprimidos de color vierde.
Los comprimidos deben ser mantenidos lejos, lejos,
Muy lejos de los niños
(Sobretodo se hay pajaritos
En esos niños)
Se eres mujer puedes tomarlos
Mismo con el período
(Pero es preferíble tomarlo
Con un simples vaso de agua)
Atención a los efectos secondários:
Si lo tomas, no podrás conducir a tractores ni a nabes espaciales
Outro efecto es el sueno en classes
(Sobretodo en las classes de ciertos professores...
Pero probablemente ocorreria lo mismo
Sin el farmaco)
Para sabier como tomarlo - y para quê
Hay que consultar a tu medico.
16 maio 2006
HISTÓRIAS
Tudo começou com um tal Henriques que não se dava bem com a mãe e acabou por se vingar na pandilha de mauritanos que vivia do outro lado do Tejo.
Para piorar ainda mais as coisas, decidiu casar com uma espanhola qualquer e não teve muito tempo para lhe desfrutar do salero porque a tipa apanhou uma camada de peste negra e morreu.
Pouco tempo depois, o fulano, que por acaso era rei, bateu também as botas e foi desta para melhor.
Para a coisa não ficar completamente entregue à bicharada, apareceu um tal João que, ajudado por um amigo de longa data que era afoito e danado para a porrada, conseguiu pôr os espanhóis a enformar pão e ainda arranjou uns trocos para comprar uns barcos ao filho que era dado aos desportos náuticos. De tal maneira que decidiu pôr os barcos a render e inaugurou o primeiro cruzeiro marítimo entre Lisboa e o Japão com escalas no Funchal, Salvador, Luanda, Maputo, Ormuz, Calcutá, Malaca, Timor e Macau.
Quando a coisa deu para o torto, ficou nas lonas só com um pacote de pimenta para recordação resolveu ir afogar as mágoas, provocando a malta de Alcácer-Quibir para uma cena de estalo. Felizmente, tinha um primo, o Filipe, que não se importou de tomar conta do estaminé até chegar outro João que enriqueceu com o pilim que uma tia lhe mandava do Brasil e acabou por gastar tudo em conventos e aquedutos.
Com conventos a mais e dinheiro a menos, as coisas lá se iam aguentando até começar tudo a abanar numa manhã de Novembro. Muita coisa se partiu, mas sem gravidade porque, passado pouco tempo, já estava tudo arranjado outra vez, graças a um mânfio chamado Sebastião que tinha jeito para o bricolage e não era mau tipo apesar das perucas que usava, um bocado amaricadas.
Foi por essa altura que o Napoleão bateu à porta a perguntar se o Pedro podia vir brincar e o irmão mais novo, o Miguel, teve uma crise de ciúmes e tratou de armar confusão que só acabou quando levou um valente puxão de orelhas do mano que já ia a caminho do Brasil para tratar de uns negócios.
A malta começou a votar mas as coisas não melhoraram grande coisa e foi por isso que um Carlos anafado levou um tiro quando passeava de carroça pelo Terreiro do Paço. O pessoal assustou-se com o barulho e escondeu-se num buraco na Flandres onde continuaram a ouvir tiros mas apontados a eles e disparados por alemães. Ao intervalo, já perdiam por muitos mas o desafio não chegou ao fim porque uma senhora vestida de branco apareceu a flutuar por cima de uma azinheira e três pastores viram e acabaram por dar em beatos.
Se não fosse um velhote das Beiras, a confusão tinha continuado mas, felizmente, não continuou e Angola continuava a ser nossa mesmo que andassem para aí a espalhar boatos. Comunistas dum camandro! Tanto insistiram que o velhote se mandou do cadeirão abaixo e houve rebaldaria tamanha que foi preciso pôr um chaimite e um molho de cravos em cima do assunto.
Depois parece que houve um Mário qualquer que assinou um papel que nos pôs na Europa e ainda teve tempo para transformar uma lixeira numa exposição mundial.
E o Cavaco? Bem…
O Cavaco foi com o Pai Natal e o palhaço no comboio ao circo.
(Um Santana também queria entrar mas já não teve lugar no comboio…)
FIM
CONFIDÊNCIAS DE ZHHZ# (pronunciar: Zhhz#)
E no entanto, é a mais pura das verdades: uma noite, vi-me sugado por um raio e slurp!, como uma criança a comer uma colherada de sopa, também o raio do raio me absorveu para uma nava espacial, onde me submeteram a diversas experiências. Será isto assim tão difícil de crer, bolas!?
A que género de experiências me submetiam? Bem. De manhã, injectavam-me logo nitro-não-sei-quê nas veias; muitas vezes, obrigavam-me a assistir a um penoso cerimonial religioso, designado por «Berzegun» (que poderíamos traduzir por: Reunião de Sector, de Parcela ou de Departamento), em que me prendiam a uma cadeira, com palitos nos olhos para não os poder fechar, elásticos nos ouvidos, para que nada me escapasse, mãos e pés bem seguros, enquanto umas sacerdotizas falavam na sua linguagem fechada, que eu estava longe de dominar. Também me obrigavam a preencher bz's («fichas») onde absolutamente nada tinha sentido - palavras e números na sua língua que, quanto mais eu aprendia, mais me pareciam nada significar...
Eu conto. Sobretudo nas festas e sobretudo a partir do quinto copo. As pessoas riem-se de mim:
- Este tipo é realmente muito divertido, no género chalupa! Eh, pá, ó Guerra, Ó Abel, cheguem aqui. Ó Guerra, ah ah ah, há aqui um gajo que diz que vem do planeta não sei quê...
Depois, com o correr da noite, quando se apercebem de que eu não me rio, de que não esboço um sorriso sequer e mantenho a coerência do relato, há aqueles que principiam a ficar nervosos. Topo-os logo. É um dom, um poder telepático que ganhei no planeta. Alguém começa a tremer, ou diz: «Eh, caramba, estás a nervar-me...», e eu não preciso de mais nada para intuir de imediato: «Este não me engana. Está nervoso...»
Também há os que gritam.
Certa vez, uma criança saiu a correr, pedindo socorro ao pai:
- Papá, papá! O maluquinho diz que se eu continuo a atirar-lhe oreos de chocolate à cara, vai chamar o Darth Vader e a Juju Ximâun!
- Anda cá, querido. Isso é ficção científica. Achas que tais seres podiam existir mesmo?
Finalmente, quando a história começa a perturbar seriamente as pessoas e a provocar desmaios, expulsam-me.
O miúdo vem atrás, sempre a atirar-me oreos de chocolate e entoando, numa arrogante ladainha:
- A Juju não existe, a Juju não existe!
Sabem lá eles...!
Naquele planeta, onde me deram o nome de ZHHZ# (o meu nome terrestre é Serôdio), os machos são em número reduzido. Mantêm-nos em cativeiro, num espaço mínimo, sem se poderem mover, vendo as barrigas aumentando. Mas é, apesar de tudo, um doce e tranquilo cativeiro, que não mata ninguém.
Algumas fêmeas, chegando ao fim de um ciclo, desaparecem. Mas são, digamos, substituídas: a Substitutrix é sempre alguém muito agitado e estranho, sobretudo cheia de vontade de trabalhar. A vontade de trabalhar é, ali, uma doença, uma espécie de espasmo, de tique nervoso. Eu mantive-me imune - não trouxe de lá doenças desse género, não se preocupem. No que toca a trabalhar, sou são como a Maria Elisa. Evito, evito. Mas, naquele planeta, a Substitutrix vem sempre afectadíssima, ansiosa, correndo atrás dos elementos do seu Sector (ou Parcela, ou Departamento), lamentando-se, e nunca passa despercebida.
Periodicamente, o feixe de luz volta a sugar-me. Ainda não acabaram as experiências. Sequestram-me. Querem por força ver se me pegam o tal tique nervoso. Tenho sido forte. Gostaria que os humanos me ajudassem, que me protegessem. Mas não. Já percebi que me não levam a sério. Ninguém acredita numa palavra. E ainda me atiram oreos de chocolate à cara!
15 maio 2006
VAMOS AO CINEMA
Ficha Técnica
Título Original: Os Intocáveis
Gênero: (Pouca) Acção
Tempo de Duração: Em contínuo
Estúdio: ESLAV Pictures
Direção: Brian Óleo de Palma
Música: Ennio Morcone
Figurinos: Armani (em exclusividade)
Efeitos Especiais: Luccas Entertainment,Inc.
Sinopse:
A acção deste deslumbrante filme decorre numa comunidade escolar do século XXI, situada numa pacata vila perto do mar.
A comunidade tenta adaptar-se a regras e métodos inovadores, com meios e mão de obra do século passado. As leis são ditadas por um ser superior, a que eles ingenuamente se habituaram a tratar por (m)sinistra Dona Lurdes; as penalizações para quem as não cumprir começam lentamente a fazer efeito. Apesar se alguns não concordarem com elas, esforçam-se por cumpri~las com brio e polidez.
Porém, em todas as histórias há um porém, nesta versão eslavense existem alguns intocáveis renitentes, que continuam a furar as leis, a quebrar juras, de amor e das outras. Ignoram avisos e placards com proibições; não cumprem horários; não estão nunca onde deviam estar e provocam o caos naquela pacata comunidade que, lentamente, lhes tenta fazer o cerco. A pequena mas poderosa comunidade é regida por um xerife que se esforça por apaziguar os mais rebeldes e convocar todos para o trabalho comum, mas sem grande efeito; mão pesada não é o seu forte. Em troca, empadilece-se-lhe o rosto e afundam-se as suas olheiras.
A acção do filme decorre pois à volta dessas lutas e revela-nos grandes actores nos papéis de Eliot Mess, Jim Tonic Malone, AL Capone, Frank Rintintin, Jonhy Be-Always-Good, Dany Dolce-Far-Niente, entre outros.
O realizador Brian Óleo de Palma revelou em curta entrevista que o mais difícil durante as gravações foi mesmo filmar os principais actores, uma vez que estes nunca estavam onde era suposto estarem; "eles escapam-se sempre, mesmo recebendo chorudos cachets, arranjam maneira de irem fazer outras coisas. Com actores assim não se podem fazer bons filmes. Tivemos que gravar a maior parte das cenas em croma azul porque os cromos nunca apareceram para as cenas".
Apesar disso, o resultado é uma miscelânea colorida e cheia de efeitos visuais desenvolvidos sobre um argumento não muito original mas que não deixa de ser o reflexo daquilo que se passa em muitas comunidades.
A não perder!
A arca do Noé
Sugestão para o ecossistema ficar completo:
- Mantenham as ervas altas do lado de dentro da arca (junto aos campos desportivos) porque além de alojarem os fundamentais rastejantes viscosos hermafroditas, vulgo caracol, começam agora a atolharem-se de pulgas, que desejavelmente, na busca das bolas perdidas, passam para esses alunos que carinhosamente lhes providenciam alimento.
Benvindos para a ceia do Senhor! (Mesmo que seja por convite).
A MINHA FICHA
Morada: De um modo geral, na sala 10 à espera que os computadores funcionem.
Sexo: SSSim.
Nacionalidade: PT/CLIX
Emissão:Em directo
Data de nascimento: 6/5/NA
Suplemento: Cálcio, fósforo e magnesio.
Grupo: Vários
Categoria: Imensa
Nº horas semanais: (7x5)+(7x5)+(7x2)
Data de entrada na escola: todos os dias às 8:30h
Data de ingresso na carreira: não uso transportes públicos porque não páram à minha porta.
Actividade: 192 ? Muita!
Conta bancária: abaixo do nível da água.
DECISÕES, CONSTATAÇÕES E ASSIM
-a partir do próximo ano lectivo a data a inscrever em todos os documentos produzidos na escola, passarão a ter um novo formato: dd/mm/aa, AB ou dd/mm/aa, DB, como no seguinte exemplo:
6/5/2006, DB.
AB = Antes do Blog
BD = Depois do Blog
Esta é uma das mais bombásticas decisões algum dia tomadas, uma vez que reconhece decididamente, o importante papel desempenhado pelo blog na comunidade escolar.
-ainda no presente ano lectivo, todos os professores poderão passar meia horinha por mês na secretaria, para poder localizar os documentos que permitem comprovar as habilitações e outras afirmações prestadas na actualização do cadastro.
14 maio 2006
MAIS UMA FICHA
Morada: Sala de Directores de Turma, à espera que a impressora desencrave, ou à espera de novo tinteiro.
Sexo: Sempre.
Grupo: Sport Lisboa e Benfica, sócia nº 79796.
Categoria: Resmas...
Nº horas semanais: Ora deixa cá ver, 7 dias vezes 24h/dia... é... uma questão de fazer as contas.
Vínculo: Só quando não passo a roupa a ferro.
Deficiente: Às vezes.
Data provável de subida de escalão: HAHAHAHA!!!... BUÁÁÁÁÁÁ!!!... Snif, snif...
Grau Académico: Já disse que sou do Benfica, bolas!
Pensamientos (Voces)

(Especialmente à Spanish)
VOCES
Te ayudaré a venir si vienes y a no venir si no vienes.
Quien ha visto vaciarse todo, casi sabe de qué se llena todo.
De lo que tomo, tomo de más o de menos, no tomo lo justo.
Lo justo no me sirve.
El misterio apacigua mis ojos, no los ciega.
Lo lejano, lo muy lejano, lo más lejano, sólo lo hallé en mi sangre.
La verdad, cuando es una pequeña verdad, casi es toda verdad,
y cuando es una grande verdad, casi es toda duda.
Ellos también son como yo, me digo. Y así me defiendo de ellos.
Y así me defiendo de mí.
Iria al paraíso, pero com mi inferno; solo no.
Un amigo, una flor, una estrella no son nada, si no pones en ellos
un amigo, una flor, una estrella.
Cuando todo es hielo, una copa de alcohol es todo.
Estar en compañía no es estar con alguien, sino estar en alguien.
Lo más de nosotros lo ignoramos, pero está en nosotros.
Cuando no ando en las nubes, ando como perdido.
Un hombre solo es mucho para un hombre solo.
Sí, se va igualando todo. Y es así como se acaba todo: igualándose todo.
Lo bello se halla removiendo escombros.
El mal de no creer es creer un poco.
A veces lo que deseo y lo que no deseo se hacen tantas
concesiones que llegan a parecerse.
Todos pueden matarme, pero no todos pueden herirme.
Hay sueños que necesitan reposo.
Antonio Porchia. Voces Reunidas. Valencia: Pre-Textos, 2006
13 maio 2006
ACONTECE
Eu pesso desculpa´ mas nao vouu conserguir esquerver nada de geito no blog hoje à noit.
Abriu-se Alvarinho do Solar de Serrade a 12% para cromomorar uma boa noticia ao jantar e o mais que comsigo é copiar um poema de Bai Juyi (China, Séc. IX D.C.), da antologia "O vInho e as RoSas" (Assírioe Alvim), tarduzido pelo Jorge de Sousa Barga (obiRGADO por tudo Jorege)
UM COPO DE VINHO
Basta um copo para eu despertar
dois para afastar a tristeza de vez
Após três ou quatro copos
sobrevema mais luminosa embriagueze
eu n~ºao devia ter passado do quarto...
12 maio 2006
O LEILÃO DO ZÉ ABREU
Mas a questão não é essa. A questão é que o meu tio estava num restaurante tipicamente inglês, que frequenta muito, o «Pizzaria Mamma Rosa», quando, segundo ele, reparou num fulano de cara conhecida sentado numa mesa mesmo próxima. Donde conheces tu esta cara, Joaquim, donde conheces tu esta cara, Joaquim...? - e nada, não havia maneira.
Até que o tal fulano se levantou, pegou num guardanapo de papel, limpou a boca, amarfanhou o dito guardanapo, atirou-o para cima de um grupo, que nem deu por isso, e foi-se embora. Aí, fez-se luz. Essa mania de atirar coisas para cima das pessoas só podia ter um nome: Mourinho. Era o Mourinho «himself», como «Sir» Joaquim gosta de dizer.
Sabendo que na «net» se fazem leilões em que têm disparado os preços dos artigos mourinhais (por exemplo, da medalha que ele atirou à multidão, ou de um sobretudo «Hugo Bossa» que ele também atirou à multidão), o meu tio correu a apanhar o guardanapo de papel em que o herói luso limpara a vitoriosa boca e a que, felizmente, os ingleses não ligavam.
Pede-me o meu tio que aproveite para anunciar, agora que também estou metido nestas coisas de blogues e isso, que o dito artigo está já posto em leilão.
Quem estiver interessado em arrematá-lo terá de se despachar.
Vá já a www.mourinhonap.com, e veja a fotografia
Vosso, Rei Zé Abreu
O XIQUE E O XOQUE
Alô Suzy, rica! Quero saudá-la neste seu regresso da praia de Peniche. Como é que eu adivinhei? É que, um dia destes, a menina vinha linda, mais do que linda, lindérrima, com as calças que fez com a lona de uma daquelas barraquinhas de listas vermelhas que há na praia. E pronto, com esta prometo que fico duas semanas inteiras sem me meter consigo. Fica contente a queriducha (que deve estar farta de que me meta consigo), fico contente eu, que não tenciono cumprir a promessa.
Eu não queria, mas vocês obrigam-me! Eu não queria falar dela, mas, querida Matilde, oh!, a menina é tão, mas tão cheia de graça! Adoro as suas saínhas rodadas, as barras bordadas, os seus cachecoeurs, os seus crochets, tão bem, tão frescos e fôfos, sem serem bimbos. Sim, reconheço, alguns por aí na escola estão a milhas de serem assim, doces como bombocas.
Prometo não me meter mais com uma outra reincidente, mas, rica Chachão, é inevitável falar da menina, embora seja a última vez (estou a fazer figas). Gostei do seu penteado, apesar de pouco arrojado. Esperava mais, vindo de si. O que ainda não descobri é onde é que faz as suas compras e também não faço questão em saber, mas se me der o seu endereço de correio electrónico (quem não o tem, não é verdade?), posso enviar-lhe uma lista de lojas super- chiques onde pode renovar o seu guarda-roupa. Haverá outras lojas que poderão aceitar os seus trapinhos para vender em segunda-mão, mas esse tipo de loja já não faz parte dos meus endereços, como calcula.
Esta sugestão atrevo-me a dá-la a todos! Façam um bom investimento com o vosso subsídio de férias! Digam lá, meu ricos, quem melhor conselhos lhes poderia dar? O BPI? O Mourinho? O Scolari? Vêm o que digo? Ninguém entre vós vos faz tanta falta!
Eu queria ficar por aqui! Mas não resisto! Já repararam na delicadeza com que vos pedem um trabalhito extra?! Aposto, queriduchos, todos vós têm mais habilitações do que aquelas que ali estão, certo? Eu sabia!
Um Xi-coração!
JOGOS, BRINCADEIRAS, PASSATEMPOS, ENFIM, MUITO DIVERTIMENTO
Aqui vai uma cópia da minha Ficha Individual:
Nome: Sindroma, etc, etc, etc.
Morada: Escola, a maior parte do tempo.
Categoria: Muito pouca.
Grupo: Mesa do canto direito na metade dos fumadores (onde tenho ido poluir o ambiente com o meu péssimo hábito de não fumar). Outras mesas por aí.
Deficiente [acreditem, é uma das informações requeridas]: Crise de identidade; uns ataques por diagnosticar.
Data de entrada na escola: 06/06/2015
Cessou funções em: 1932
Apoio Educativo: Não tem, mas aconselha-se veementemente.
Vínculo: A pouca gente.
Número de horas: 300
Horário completo: 300
Data provável de subida de escalão: Muito improvável
Material fornecido pela escola: Ah! Ah! Ah! Ah! Ah!
Sindicato: 21 332 05 06
Mãos à obra. Vamos lá brincar, está bem? Quero ver caras divertidas; esqueçam lá as angústias do Xispas.
11 maio 2006
AS PALAVRAS QUE NUNCA VOS DIRÃO, por Nicolau Xispas
Eles andam cansados de procurar. Estão exaustos de vasculhar. Procuram a resposta em dicionários, roles de compras, bilhetes da vimeca e da carris, talões de supermercado e de gasolina. Houve até quem já procurasse nos tickets da portagem de alguém que viajara para longe. Nada.
Procuram qualquer coisa, mas não sabem o quê. Tudo o que querem é uma resposta. Perseguem-na há anos. Mas ela esconde-se por debaixo das mesas, "escapa-se mesmo nas nossas barbas", diz Guto War. Investido do seu papel de restaurador da ordem pública, GW não poupa esforços para os acalmar. Délita, ainda em convalescença, disfarça mal o seu incómodo e alega ser por causa da anestesia. Criselástica enjoa-se e afoga-se em cafés. ZéTó recusa chávenas de plástico, por causa dos nitrofuranos. Ninguém acredita nele. Fafátinha está triste. Também não sabe a resposta. Os que desconfiam não querem dizer. O cenário está negro, diz o Desiludido.
Paira no ar quente destes dias de maio um pó fininho que teima em poisar. Alguém o levantou e começa a entranhar-se nas peles e nas unhas, as pessoas estão incomodadas. Querem respostas, mas não as encontram. A pergunta anda de boca em boca, baixinha, suavezinha, discreta. AVOLUMA-SE, torna-se GIGANTESCA a cada dia que passa.
Eu, que tenho passado a vida no meu posto de observador atento, não sei o que é pior: se passar a vida toda a procurar qualquer coisa e jamais encontrar ou encontrá-la e perder a esperança de encontrar melhor. Não lhes digo nada. Não quero desconcentrá-los. Deixo-os procurar, assim andam entretidos. Um dia escrevo um livro sobre isso; vão poder vê-los nas prateleiras de sociologia ou entre os manuais de gestão escolar. A resposta nunca chegará, digo eu, que vejo tudo.
10 maio 2006
* L O S T * CAPÍTULO DEPOIS DO ÚLTIMO (TIPO RTP 1)
No meio das coisas que regressavam, infelizmente, à normalidade, alguma coisa mudara. Havia esperança. Que bom era poder terminar isto com uma nota positiva. Sim, agora, que se recompunham das notas negativas que todos e mais alguns os recriminavam de ter dado.
Marius Souzelas remexia os bolsos à procura dum ben-u-ron perdido, lost, neste caso, mas o melhor que encontrou e que só lhe aumentava as dores de cabeça: era a folha do sucesso/insucesso. Ao vê-la reincidente, obstinada, Mada Branquinho teve uma solipampa, caíndo estarrecida não chão, duas cruzinhas nos olhos. Aquela folha não havia meio de sumir. Não bastavam os projectos feitos ao ar, a carga negativa não se dissipara. Afinal, nada tinha mudado. Os hiper-super-heróis viram-se envoltos numa sombra negra para todo o sempre. Alguns, crentes, acreditavam que era um modo de expiar os seus pecados.
A COLUNA DE D.J. CARA DANJO: AZARES - UM TEXTO PARA MAIORES DE 18 ANOS
* L O S T * . CAPÍTULO NÚMERO ÚLTIMO
Ooooooooooooh!!!
Então era isto? Que decepção. Não estavam noutro mundo? Noutra dimensão? Noutra... aaah... coisa qualquer? Era a escola? Ninguém tinha chegado a sair da escola?
Ooooooooooooh!
Mas sim, todas as evidências apontavam para isso. Lá estava o presépio do refeitório - a única obra que não havia maneira de desaparecer. Lá vinha um pai queixar-se de que o seu filho tinha batido num professor, o qual o tinha posto a seguir na rua, e saber se não se poderia actuar com pulso firme contra esse professor que impedira de modo infame o seu filho de assistir à aula. Lá vinha não sei que coordenador de Departamento marcar uma reunião que «não duraria mais do que duas horas, só para pôr umas ideias em ordem»...
Mas, algures, no meio das coisas que regressavam, infelizmente, à normalidade, alguma coisa mudara.
Havia esperança. Que bom poder terminar isto com uma nota positiva.
Esperança de quê? O que mudara exactamente?
Caramba, não queiram saber de mais! Sei lá eu!
09 maio 2006
INGENUIDADES

Romance ingénuo de duas linhas paralelas
Duas linhas paralelas
Muito paralelamente
Iam passando entre estrelas
Fazendo o que estava escrito:
Caminhando eternamente de infinito a infinito
Seguiam-se passo a passo
Exactas e sempre a par
Pois só num ponto do espaço
Que ninguém sabe onde é
Se podiam encontrar
Falar e tomar café.
Mas farta de andar sozinha
Uma delas certo dia
Voltou-se para a outra linha
Sorriu-lhe e disse-lhe assim:
"Deixa lá a geometria
E anda aqui para o pé de mim...!
Diz a outra:
"Nem pensar!
Mas que falta de respeito!
Se quisermos lá chegar
Temos de ir devagarinho
Andando sempre a direito
Cada qual no seu caminho!
"Não se dando por achada
Fica na sua a primeira
E sorrindo amalandrada
Pela calada, sem um grito
Deita a mãozinha matreira
Puxa para si o infinito.
E com ele ali à frente
As duas a murmurar
Olharam-se docemente
E sem fazerem perguntas
Puseram-se a namorar
Seguiram as duas juntas.
Assim nestas poucas linhas
Fica uma estória banal
Com linhas e entrelinhas
E uma moral convergente:
O infinito afinal
Fica aqui ao pé da gente.
José Fanha
* L O S T * CAP V
Lentamente, a escola ganhava vida, interrompida que fora por instantes; desde que o aeroplano caíra, a escola silenciara. Mas alguém, teimosamente, deambulava pelo espaço, observando o desenvolvimento dos amores-mais-que-perfeitos que desabrocham com a primavera.
- Xô xô xô! Va vá! Vamos embora daqui. Tu, ó farrusco, não apareças aqui mais, ouviste?
-Falou para mim, chefe?
-Ahm ahm ah, tás aí?! Hum, desculpa tava a enxotar esta canzoada. Não há desgraçado que não venha cá parar. E eu até sei de quem é a culpa…
-Não me meta nisso, chefe, eu eu eu… estou só a fazer o meu melhor. E além do mais tou aqui todo torcidinho. Ajude lá a tirar esta asa de cima de mim.
-Bem, vamos embora a despachar. Temos que fazer o levantamento dos estragos provocados por isto que aconteceu aqui hoje. Vou nomear uma brigada para fazer isso.
O sr Cordeiro balbuciou qualquer coisa ao chefe, mas ele continuou o seu caminho em direcção ao bunker central cuja escotilha estava bloqueada por um batalhão de funcionárias, (a ver pelas risquinhas das batas) e que repetiam “está ocupado, não vê a luz vermelha?”.
De ente elas, Sãozinha tinha sido a escolhida para accionar o botão que mantinha o sistema intacto, a cada 90 minutos; não podia abandonar o seu posto sob o risco de se perder a ligação à realidade.
-Soutôr, se calhar era melhor chamar os bombeiros. Ainda há aí umas réstias de fogo.
-Não é preciso, aí vem um.
-Oh soutôr, não vê que é o senhor da telepiza?
-Hummm… humpf…
Joãozinho Hiperactivo, Mada Branquinho, Marius Souselas, Jo Cor-de-caça, Lenita Matoso, Kiki Delgadinha, Cris Elasticada e Chachão Baptizado reaparecem entre a folhagem e conseguem reunir-se; a custo, alguns com escoriações, mas (re)unidos. Vêm todos de mãos dadas. Entre tantos mistérios que os assombram, uma descoberta importante é feita: a de que existem mais sobreviventes na escola. Lentamente vão descobrindo também que também que o perigo está em cada esquina e que não devem confiar em ninguém pois até os heróis têm segredos.
08 maio 2006
ZÉ ABREU: BEM-ME-QUER(O) NUMA VIAGEM MAIS EM CONTA
Fiel à intenção de aqui ir dando conta de uma cultura toda ela feita de gostos e interesses normais, leituras normais, músicas normais, filmes normais e viagens ao alcance de pessoas normais, venho então falar-vos do meu passeio a Vila Nova de Alhos-Brancos, que é um local em pleno Alentejo, aprazível, terra do meu tio Ernesto, que põe a casa à nossa disposição (cada vez, aliás, com menos disposição, à medida que as visitas se repetem...), o que aproveitamos, está claro, porque um passeio sempre é um passeio, e com habitação e comida à borla até sabe melhor...
Chegando a Vila Nova de Alhos-Brancos, pelo amor de Deus não deixem de se extasiar com a visível influência árabe, que se resume ao dono da padaria, o senhor Ahmed. Amigos, o senhor Ahmed tem um harém: ainda não decidi se o hei-de invejar, se apiedar-me. Uma coisa é certa: no meu caso, não servia. Não quero senão a minha querida esposa. (Mais iguais a ela davam certamente cabo de mim...)
A seguir, não deixe de ir visitar o castelo. É verdade: em Vila Nova existe um castelo. Mas o melhor é que o senhor Ahmed, que afirma que aquele castelo pertenceu aos seus antepassados, quer fazer lá um restaurante. E está a pensar substituir as portas velhíssimas, muito pesadas, de madeira carunchosa, por umas portas em vidro, dessas que abrem automaticamente e muito depressa. Quando voltar a Vila Nova talvez já tenhamos a possibilidade de almoçar no «Alhos-Brancos», que é como o restaurante se vai chamar.
Por enquanto, pode visitar o vetusto (hã? que tal?) castelo, mas tem de se pedir a chave à dona Gertrudes. A dona Gertrudes é surda. Portanto, façam favor de bater com uma colher num tacho que ela tem pendurados à porta de sua casa, a fazer de campainha. Esperam que ela vá à procura da chave. Demora um bocado e, às vezes, leva a chave errada, de modo que há que voltar atrás, o que é um óptimo passeio que devem aproveitar para respirar o ar puro.
Em Vila Nova de Alhos-Brancos não há água canalizada. Que há de mais típico do que irem ao poço ou ao chafariz? Mas não há água, atenção!, por motivos políticos: o Presidente da Junta gaba-se de ser o único político português que não tem promessas por cumprir. Ora ele nunca prometeu água ao povo. Quando lhe falam nisso, responde, sabiamente: «Água? Para quêi? Inda se fosse para se canalizar o vinho eram capazes de me agradeceri...»
Posto isto, quando lá vamos, ao fim de um tempo temos de regressar. Como é que sabemos quando é a altura? A minha tia começa a servir-nos peixe, e esse é o pretexto para a deixa do meu tio: «Ó Adozinda, pêxi outra veiz??? Nã sabes que o pêxi é como o hóspede? Ao tercêro dia aborrece...»
Aí, percebemos que estamos a mais, e só ficamos mais uma ou duas semanas.
Depois abalamos, com a mala do carro a abarrotar de azeite, batatas e um monte de repolhos que fariam a alegria e as delícias da senhora dona Lara Couve.
Não deixem de ir, que não se arrependerão.
07 maio 2006
A COLUNA DE D. J. CARA DANJO: NÃO QUERO QUE ME CORTEM AS ASAS
06 maio 2006
* L O S T * CAP IV
A estrutura parecia ter vida. Abria-se toda, sem que lhe tocassem. Mas não só. Aquelas farpas cresciam como braços e rodeavam-nas, como se as fossem abraçar e prender.
- Que é isto? Que é isto? SOCOOOORRROOO! - gritou Kiki.
- O quê? Fala mais perto deste ouvido - respondeu Jo Cor-de-caça tirando, de um outro estojo, um aparelhinho auricular, porque também os seus ouvidos já não eram os de outros tempos.
Nesse momento apareceu a correr, com um ar muito feliz, Cris Elasticada, que lhes gritava, como se não se apercebesse do perigo que as duas enfrentavam:
- Este sítio é estupendo, meninas. É lindo. Há cá cães!!! Há cá cães!!!
De facto, uma horda de animais famélicos, que já havia farejado a sua bondade para com todos os animais deserdados, vinha correndo atrás de si.
Só que - Cris não estava a falar com ninguém: as duas meninas que ainda há pouco se encontravam ali, tinham desaparecido. A bela estrutura também.
Pairava um estranho silêncio. Os cães não diziam nada. Como se pressentissem problemas, complicações.
Cris teve medo. Afinal, naquele lugar, as estruturas artísticas também desapareciam depressa.
- Quando um problema se aproxima, a aproximação torna-se um problema - sentenciou.
- Au! Au! - respondeu-lhe um canídeo.
- Shhh! - fizeram os outros todos, assustados, atentos.
CONTINUA
AS SAUDADES QUE EU JÁ TINHA DE PASSAR OS OLHOS PELAS GORDAS!
«SOLUÇOS ATRAPALHAM SARAMAGO»
É por estas e por outras que este maciço jornal me é imprescindível.
Para as próximas semanas, saiba tudo acerca da incómoda comichão de Lobo Antunes, a unha encravada no dedo do pé de Agustina Bessa-Luis e as aftas que incomodam Mário Cláudio.
Outro título da mesma 1ª página (por este andar nem vale a pena ler mais, tudo o que tem importância na vida dos portugueses parece estar aqui concentrado):
«FREITAS CANSADO NO MNE»
Ficamos a saber que a vida de um ministro dos Negócios Estrangeiros é estoirante. Muitas viagens de avião pelo mundo fora, cansativas «para quem tem problemas de coluna», demasiados jantares, que também irritam os estômagos mais sensíveis, festas, bailes, enfim, coisas que fatigam muito. Realmente, a vida não está fácil para todos os portugueses!
E, por fim, tenho direito ao noticiário televisivo, que me informa que, doravante, as faltas dos professores deverão ser planeadas com antecedência, para que o material a usar por quem os substitua possa ser entregue com tempo. (Sob pena de terem falta injustificada). Vou, portanto, tratar imediatamente da planificação das minhas próximas faltas. Deixem-me ver: um furo no pneu do automóvel para dia 17 de Maio, uma diarreia para dia 26, escorregar numa casca de banana no dia 3 de Junho! Pronto! Assim, nada de surpresas.
E, para concluir, uma citação:
«Há largas décadas que eu digo que mulher atrás não é comigo». Não, não significa que não queira mulheres atrás dela; leiam até ao fim, por favor: «A mulher pode estar ao lado (do marido), atrás nunca». Foi proferido por Maria Cavaco Silva, na cerimónia da campanha do «Pirilampo Mágico», enquanto se esforçava por apanhar o senhor Aníbal que, no seu passo rápido, já ia um pouco à frente.
BEM-ME-QUER(o) DE FÉRIAS
DE VOLTA À TEORIA
Provocador nato, observador perspicaz (embora não obviamente neste caso), escritor desenfreado e inspirado, o arguto sindroma, um dos nossos favoritos super-heróis, comediantes e professores (não necessariamente por esta ordem, e não necessariamente por ordem nenhuma), quer esgrimir portanto argumentos com a conhecida-por-ser-rápida-no-gatilho Lara. Ora então vamos lá:
Primeiro tiro: “cornucópia”. Aha! Esta deixou-te abalado, não foi? Palavra mais retorcida não poderia haver, verdade? Recompõe-te rapidamente, pois vem aí o
Segundo tiro: “manteiga”. Tenho a certeza que não te consegues desviar deste. Palavra dengosa, gordurosa e pastosa como o próprio material. Que dizer de um “manteigueiro”? Dengoso, gorduroso e pastoso, claro. Já recuperaste? Endireita-te agora, pois este pode ser fatal. Olha para o
Terceiro tiro: “mixórdia”. Belo nojo de palavra, não? Coisinha asquerosa. “Olha para essa mixórdia!” Alguém comeria um prato com uma mixórdia lá dentro?
Barco de três ao fundo.
A super-heroína volta agora ao seu merecido descanso.
* L O S T * CAP III
Está nesta contemplação quando é abordada por alguém "vindo sabe-se lá de onde", mas cuja cara ela reconhecia, sabia que já a tinha visto antes, mas não se lembrava de onde. A pancada estava a causar-lhe danos.
Kiki Delgadiña estava ali, parada, admirando atónita a escultura geométrica, intrigada com a delicadeza das formas e mais ainda com a autoria. Aproxima-se de Jo Cor-de-caça: "isto é muito lindo! Quem fez?"
-Não faço ideia, mas deve ser alguém do grupo, só pode ser. Como é que alguém teve tempo pra fazer isto?!
-Onde é que eles caíram? Viste algum? Hoje há reunião?


