20 outubro 2006

XÁCARA DOS DEZ PROFES DA ESLAV

Eram dez profes da Eslav,
Que andavam a ver se chove.
Deu o tranglomanglo num,
Não ficaram senão nove.

Eram nove profes da Eslav,
Foram ao Pingo Doce comprar biscoito.
Uma deslizou numa uva,
Não ficaram senão oito.

Eram oito profes da Eslav,
Jogando à bola de pochete.
Um deles tropeçou num taco,
Não ficaram senão sete.

Eram sete profes da Eslav,
Foram pró BOME arrumar pincéis.
Deu o tranglomanglo num,
Não ficaram senão seis.

Eram seis profes da Eslav,
Foram fazer anel, colar e brinco.
Um deles picou o dedo,
Não ficaram senão cinco.

Eram cinco profes da Eslav,
A prepararem o teatro.
Um foi contra o espantalho,
Não ficaram senão quatro.

Eram quatro profes da Eslav,
Mas nenhum era boa rês.
Um deles aderiu à greve,
Não ficaram senão três.

Eram três profes da Eslav
A falar de campinos e bois.
Deu o tango no mango deles,
Não ficaram senão dois.

Eram dois profes da Eslav,
Que estavam em jejum.
Comeram um pastel ao Gonçalves,
Não ficou senão um.

E eu que sou a seguir na lista das AAA! Socooorrrroooo!

«OU ENTRAM TODOS NO BARCO, OU AINDA SE AFOGAM»

Cansado de assistir a tanta insanidade e a tanta inabilidade por parte do Ministério da Educação, Deus e toda a comitiva celeste resolveram meter dois dias de greve - com uma total adesão: no Céu, é assim.

Entrementes, por motivo da supracitada greve, não havia funcionários que dirigissem a barca para o céu. Ainda houve quem perguntasse se o Sô Gonçalves não podia desempenhar também essa tarefa, mas concluiu-se que isso equivaleria a furar a greve e, portanto, nesses dois dias não houve mesmo ida de ninguém para o céu e pronto!

Entretanto, na barca para o inferno, a Ministra e o seu fiel sobrinho Vavá procuravam empurrar os professores renitentes, os sindicalistas (aquele das eternas patilhas, e tal), toda a gente.

POCHATO - Eu não vou nisso. Não senhor. Nós, aliás, eu e a minha mariconera, não embarcamos nessa coisa. Tou daqui a ver o rombo. Isso vai mas é ao fundo. Nem pensar.
VAVÁ - Entras, e é já! Estes professores!
VASCONCELLOS - Que coisa, realmente! No embarque para os Açores, aparece o Dom Duarte a tentar passar à frente de todos na fila. Agora para o inferno, nem vê-lo. Onde está agora o Dom Duarte?
RAINHA DE INGLATERRA - É porque é rei. Era o que faltava. E nós, a rainha, em filas? Nós em barcaças mal amanhadas, que esta barca até parece mais o sapato cambado da Juju que outra coisa? A mim não me apanham ali...
SINDICALISTA DE PATILHAS - Está-se mesmo a ver como é que isto acaba. Com esta história das quotas, se não houver vagas no inferno, depois ainda nos obrigam a concorrer para outro inferno...
BOAS-VINDAS - Desculpe lá, colega, mas onde é que isso está escrito? Eu não vi isso escrito em lado nenhum. Penso que só devíamos falar do que está escrito. Eu não vi escrito em lado nenhum que se não houvesse vagas tínhamos de concorrer para outro sítio. O colega viu isso? Isto é como em todo o lado. Eu penso que devíamos entrar na barca, estamos a atrasar tudo. Eu não vi nada escrito em lado nenhum, eu não vi nada escrito...!
VAVÁ - Ó tia Lurdes. Eles não querem embarcar. Que é que eu faço?
DONA LURDES - Ameaça-os, Vavá, ameaça-os. Tenho de ser eu a pensar em tudo? Para que é que tu serves, afinal? Diz qualquer coisa forte.
VAVÁ - Ou entram todos no barco, ou ainda se afogam!!! (Ó tia, ai, ai, estou a escorregar. Não posso molhar os caracóis. Dê-me a mão, tia, dê-me a mão, por favor...)
DONA LURDES - Está visto que eu é que tenho de fazer tudo. Seu incompetente. Vá, agarra a mão. Espera, não me puxes assim, Vavá, vá lá! Ai, ai! Larga, larga, larga!

SPPPPLASH!

VAVÁ - Os meus caracóis!!! Glub glub glub
DONA LURDES - Eu não sei nadar. Palerma. Idiota. Achas que algum professor nos virá salvar glubglubglubglub...?
BOAS-VINDAS - Que é que eu faço agora? Hã? Que é que eu faço agora? Eu não vi nada escrito, eu não vi nada escrito.

AFORISMOS E DESAFOROS

É óbvio que é uma grande, uma enorme estupidez dizer-se que os professores não podem ser todos generais. Mas, por favor, não respondam que isso só se aplica às profissões verticais. Que a nossa profissão é horizontal: dá a ideia de que os professores estão sempre a dormir

19 outubro 2006

A COLUNA DE D.J. CARA DANJO: O PROBLEMA DOS PROFES SEGUNDO O MEU COTA

o mêu cóta k pressébe tudo á primâira e k é tão ispérto k a minha vélha até dis k êle çó não pressébe o k não le convêin no ôutro dia espelicoume o k çe páça côs purfeçôures. atão é açin. dis o mêu cóta k o purbelêma é k os gáijos çe enganárão de purfição pq kerião tôudos tár na trópa. êles gustávão de çêr tôudos jeneráis. básta vêr sértos purfeçôures de jinástica pa çentendêr lógo k akilo ção vucassõis falhádas e k os ménes gustávão riálmente éra de tár na trópa a dár órdeins e apitadélas e iço. óra vão têr de se aconvenssêr k ali não á jeneráis. dezia o meu cóta. (imajina que ein tôudas as purfições avia jeneráis. já vistes a confuzão. os ómeins do licho kerião çêr jeneráis os ómeins dos tákssi kerião çêr jeneráis. imagina k até a tua mãi keria çêr jenerál á á á á). e êu diçe açin çein çêr por mál. (ó pái mas atão a mãi não é já uma espésse de jenerál cá da cáza). e o mêu pái calôuçe muinto têmpo. e a çegir dêume um estálo de ráiva.

16 outubro 2006

TAMBÉM TENHO DIREITO À GREVE!

Parece que estão programados dois dias de greve. No meu caso, julgo que não se vai notar uma diferença por aí além, porque, consciente como sou, tenho estado mais ou menos de greve desde que sou professor. Ou seja: mais ou menos, claro; não se pode passar a vida a fazer greve. Que é isso? Sou responsável. Portanto, não tenho deixado que me marquem falta, nem que me não paguem todas as horas. A minha greve é mais de zelo. Consiste em ir e não fazer nenhum.
(Cá para mim, e isto não é estar do lado dos biltres do Ministério, há muitos colegas que vão fazer greve... e também não se vai notar grande diferença).
Mas não sou o único a fazer greve de zelo; se repararem bem, anda por aí muita gente a zelar há muito tempo. Uns, vão zelar para a casa de banho quando toca o telefone; outros, têm uns projectos que os fazem ausentar estrategicamente na hora precisa. Vendo estes exemplos, o que é que um professor responsável mas revoltado deve fazer?
Quero com isto dizer que ainda estou a meditar acerca do fazer amanhã e depois, mas digo-vos, estou muito inclinado a fazer greve. Mas greve a sério: apresento-me no local de trabalho à hora marcada mas não vou dar aula. Isto é que é defender uma ideia. Não é como alguns, que vão aproveitar o dia para ir fazer compras. Não, eu não sou desses. E ai de quem de substituir! Sim, eu estou devidamente informado, eu bem sei que posso ser substituído, desde que o colega destacado para isso não faça greve. Mas olhe, colega em AAA que não adere à greve, deixe dar-lhe um conselho: faça greve, mas de zelo. Quando o chamarem, vá devagarinho para a sala, tão devagarinho que quando lá chegar talvez já esteja na hora de saír...

A COLUNA DE D.J. CARA DANJO: CARTA ABERTA À MINISTRA DA EDUCAÇÃO

cára çenhôura dôna lurdes. ânda tudo ôutra vês numa ganda confuzão e os prófes tão mais xatiádos k nunka çó prucáuza de a çenhôura kerêr k êles trabálhein. no fundo o k a çenhôura kér é rezólvêr os purbelêmas do inçuçéço e iço tudo. óra êu gustáva de le dizêr como é k eu çe tivéçe no çêu lugár rezólvia tudo ein três têmpos. ein primêiros éra con bué de izijênssia. sein izijênssia isto não vái lá. e con izâmes a çério. sein izâmes a çério não çe conbáte o inçuçéço. e purfin êu cá até intorduzia os castigos corpuráis. çein castigos corpuráis isto não vái lá. óra bêin isto érão as medidas ein ralassão ós purfeçôures tá cláro. á k çêr izijente con os prófes. á k oberigálos a ir a izâme fazêr izâmes ein k os pais dos alunos é k dessiden çe êles pódein paçár ôu não. e çe êles xateiam mto os alunos atão dévein çêr sugeitos ós castigos corpuráis k até pudíão çêr apelicádos não digo pêlos alunos mas vá lá pêlos pais dos alunos ôu atão pêla dona lurdes. isto já rezólvia parte do purbelêma. entertanto ein ralassão ós alunos a çolução éra acabár con izâmes e téstes e nótas e tarbálhos de cáza e tudo. a jente paçáva e prontos. os purfeçôures é k nein tôudos. ás çuas órdeins e mtos comperimentos do çêu fã cára danjo.

14 outubro 2006

DECLARAÇÃO

Eu, Elastigirl, venho por este meio esclarecer algumas dúvidas que se têm levantado acerca da minha participação neste blogue.
Ultimamente tenho sido acusada de dupla identidade e tem-me sido atribuída a autoria dos textos parvos da pérfida Paula Thrombone; aquela que, tal como um outro senhor que não vem ao caso, nunca teve coragem de se identificar.
É lamentável que alguns, maquinados por ela ou, quiçá por outros, venham lançar estas dúvidas na praça pública (deve ler-se sala de professores), distribuíndo ferroadas a torto e a direito, não contribuíndo para a salutar coexistência dos membros do blogue.
Torno agora público que não conheço tal senhora, não sei onde mora nem o que faz na vida, mas aposto que será pouca coisa, descartando assim a possibilidade de eu e ela sermos a mesma pessoa.
Não me responsabilizo, portanto, por eventuais danos que a sua escrita (pouco) criativa possa causar.
Assim, tenho a declarar que eu, sobejamente conhecida pela minha elastipaciência, possuo uma única identidade e não me vergo a este este tipo de insinuações.
The one and only,
Elastigirl

CONVERSAS NO BAR (OUVIDAS POR GASPAR OLHOVIVO - OUVIDO FINO POR PARTE DA MÃE)

MARIUS - Bom dia, dona Luisa. Um abatanado, fáchavor.
LUÍSA - Oh, não, lá vêm estes com os abatanados. Estas manias pegam-se, caramba!
SÔ GONÇALVES (entrando no bar para tratar do seu próprio galão e da sua própria sande de chourição) - Grumble!
DOLORES - Bom dia, Luísa. Olá, Marius. Sô Gonçalves, passou bem?
SÔ GONÇALVES - Grumble! [Provando o seu galão]: slurp, chlep chlep, hum!
DOLORES - É um abatanado para mim, Luísa, sim?, e uma sande de paio.
JUJU (chegando) - E um abatanado para mim, se faz favor! E precisava que alguém me emprestasse um cartão de fotocópias porque não queria gastar do meu...
TERESA PRANTOS (chegando igualmente) - Boooom dia! Eu não quero abatanados, Luísa. Ando malzita...!
LUÍSA - Ora ainda bem.
TERESA PRANTOS - Que estou mal?
LUÍSA - Não, que não quer abatanados.
TERESA PRANTOS - Para mim é um cházinho de limão, estou um bocadinho desarranjada do estômago. E um pastelziho de nata, uma arrufadazinha com fiambre, um salamezinho de chocolate, uma bolinha de Berlim, mas veja lá, das mais pequeninas, se não, já sei que fico outra vez esquisita...
LUÍSA - Olhe, professora Dolores, o Sô Gonçalves arranja-lhe o que pediu...
DOLORES - Tudo???
LUÍSA - Sim, não foi um abatanado e...?
DOLORES - Sim, eu só não sei se ele sabe fazer tudo!
RAINHA DE INGLATERRA - Bom dia, povo. Um abatanado, por favor. E, ora bem, o que há-de ser...?
CHEFE LUCAS (com o seu ar de serviço, muito preocupado, de quem nunca mais dorme desde que, há mais de trezentos anos, se vem sucedendo a si próprio na presidência da escola) - Bom dia, bom dia para vocês, claro, porque eu já sei que o meu dia vai ser tramado. É um abatanado em chávena de bica para mim, Luísa, por favor.
LÚCIA - Bzzz bzzz bzzz bzzz bzzz bzzz bzzz [Baixam todos os ouvidos até aos lábios para tentar perceber o seu cumprimento, o seu pedido, os seus comentários, mas em vão]
MADAME (fumando cinco cigarros ao mesmo tempo) - Marius! Tens de entrar. Rápido! Vai lá, vai lá, estão a chamar para as AAA. É uma turma do sétimo.
MARIUS - Não posso, não posso mesmo. Vá o sindroma. Eu tenho de ir fazer o espantalho chinês para o «Ruralidades». E fiquei de pôr lá o galo. E a galinha com ovos à volta.
MADAME (nervosa, já com sete cigarros entre os dedos) - AAA! Quem é que vai!?
Desaparecem todos, com várias desculpas: projectos inexistentes, eternas coordenações, um chichi, Até já, até já!
LUÍSA - Ora bolas! Então estes abatanados todos, quem é que os vai tomar?
SÔ GONÇALVES - Grumble!

13 outubro 2006

VISITA PRESIDENCIAL

Soube-se, na ESLAV (Escola Secundária de Lindo-o-velho-da-mariconera) que o senhor Silva, Presidente da República, tinha ido visitar uma escola em que era possível contar, entre os alunos, dezoito nacionalidades!

Na Eslav, o pessoal pôs-se imediatamente em guarda.
CHEFE LUCAS - Dezoito nacionalidades? Nós até cá temos mais. Nós temos dezanove!
CHEFA PÁSCOA - Dezanove?
CHEFE LUCAS - Sim, se contarmos com o espantalho chinês da quintarola do projecto «Ruralidades»... e até temos alguns professores que são mesmo de outro planeta. Portanto, está visto, o senhor Silva tem de cá vir. Eu convido: dou-lhe uma palavrinha. De presidente para presidente.

O senhor Silva e a dona Maria Silva vieram, portanto, visitar a nossa escola.
À medida que a comitiva ia passando por meninos de várias nacionalidades, pedia-se a Juju Ximãu que fosse traduzindo.

ALUNO ESPANHOL - Mira, este es el presidente, coño. Entre nosotros hay un rey. A mi me gusta mucho el rey. Biba la monárquia.
JUJU - O menino diz que se sente muito honrado de conhecer Vossa Celência. E que acha a minha saia vermelha muito «guapa»,que quer dizer «catita». Obrigada, filho, muchas graxas, muchas graxas!
ALUNO INGLÊS - Aoh, so is this the man? Jolly good! I have a nice garden. Do You have a nice garden too? My oncle has a black hat. My oncle's black hat is very nice too.
JUJU - Este menino diz que se sente muito honrado de conhecer Vossa Celência. E que acha a minha saia vermelha muito «nice», que quer dizer «catita». Obrigada, son, tanque yú.
ALUNO BRASILEIRO - Cara, esta visita tá chata pa xuxu. Vou dar no pé, vou sim.
JUJU - O menino diz que se sente muito honrado de conhecer Vossa Celência. E que acha a minha saia vermelha...
PRESIDENTE SILVA - Muito bonita, não?
JUJU - Como foi que adivinhou? Foi, foi, foi mesmo isso.
PAULETA - Tudo numa nice, man? Bazof! Bué da fixe. Grasna aí, cota. Soltas uma nota pó cavalo? Oi, blondie, comé? Tamos no ir? Eu bazo daqui, meu, não dá...
JUJU - Aaaah... hum... este não percebo, eu... esta língua não me... não me... não percebo. Diz lá, querido, a minha saia o quê...?

11 outubro 2006

Atelier de Escrita Criativa dos Professores da ESLaV

http://www.caetanoveloso.com.br/ce.html
Para os amantes de Caetano aqui vai o último CD "CÊ"

REUNIÃO DE SUPER-HERÓIS

Habituada à sua elasticidade, a mulherelástica programou um almoço impossível com alguns super-heróis que saíam da escola à 1.30 mais outros que reentravam à 1.30 na escola para uma qualquer reunião de departamento (sendo que ela própria, nesse dia, não estava disponível de todo, porque entrara na eslav às 8.30 da matina e largá-la-ia lá para as dezoito horas ou assim, com dez reles minutos no meio para almoço).

Mas mesmo assim, um super-herói é um super-herói: se não conseguisse o impossível por que raio seria chamado «super-herói»?

O breve encontro foi, em alguns casos, tão breve, que a super-timota (que tem desenvolvido exponencialmente os seus superpoderes no campo da distracção, do andar na lua e do passar-lhe tudo ao lado) e Lara Croft cruzaram-se literalmente à porta - uma já de saída, não sabendo bem para onde (super-timota), outra de entrada no restaurante, apressadíssima (Lara).

Greenlight, entretanto, caíra no erro de aceitar uma boleia da Rainha de Inglaterra.
Aquilo não prometia nada de muito bom, porque o Queen-mobile não tinha uma gota de gasolina.
RAINHA DE INGLATERRA - Ah, greenlight, não te preocupes com isso, e tal, o carro mantém a autonomia mesmo sem gasolina, não vês aqui no indicador?, ora lê lá, «AUTONOMIA: ESTÁ À VONTADE», além disso eu tenho sempre solução, e tal...
GREENLIGHT (torcendo o seu monumental nariz) - Hummmmmm...!
RAINHA DE INGLATERRA - Não, não, e tal, vens descansado...
GREENLIGHT - É que a seguir eu tenho reuinião de grupo, pá, tás a ver, e sabes como a Lurdes Orvalhada é com isto das reuniões...

O Queen-mobile seguiu. Tão lesto, que o carro da super-heroína matematrix, que saíra muito tempo depois, já lá estava à nossa espera.

Passou-se uma parte do tempo numa trapalhada de ementas. «Pedimos uma 1, uma 2 e uma 3, a 1 tem entradas, que dividimos, a 2 tem sobremesas, que dividimos, a 3 não tem nada, que dividimos...» «Não, eu também queria uma 2», «Então são duas 2 e uma 1?», «Não, eu queria antes uma 3» «Uma 3 e duas dois?» «Alguém pediu uma seven-up?» «Não, eu pedi uma água com gás»...
Terminada a fase da escolha, era altura de o Greenlight se pirar (sem ter tido tempo para comer), porque a reunião de departamento esperava ansiosamente por ele.

A rainha levava-o de volta à escola no Queen-mobile, cada vez com menos gasolina.

RAINHA DE INGLATERRA - Olha, vamos abreviar isto, em vez de irmos ali virar a Belém, eu meto já aqui por esta via rápida que desemboca em Miraflores e daí a Linda-a-velha é um pulinho, e... espera lá, isto não tem saída?
GREENLIGHT - Ai!
RAINHA DE INGLATERRA - É boa! Então agora temos de seguir sempre em frente? Até Monsanto, ou quê? É boa...!
GREENLIGHT - Ai, que a Orvalhada dá cabo de mim..
RAINHA DE INGLATERRA - Já vejo daqui a DECATHLON, está tudo resolvido, vamos...
GREENLIGHT - Mas por aí vais em direcção ao aeroporto...
QUEEN-MOBILE - Puf, puf, puf [o mostrador de gasolina indicava: «AUTONOMIA??? JÁ ERA!!!»]
GREENLIGHT (olhando para o seu super-relógio, desesperado, quase em lágrimas) - E agora, rainha? Disseste que tinhas sempre uma solução. O que é que vamos fazer?
RAINHA DE INGLATERRA (calma e segura de si porque, obviamente, não é ela que tem uma reunião com a Orvalhada) - Está tudo previsto, greenlight! Começa já a pedir boleia. Entretanto, felizmente, o parque de campismo não é longe. Olha se não tivesses vindo comigo. Estavas tramado!

06 outubro 2006






















Para visualizar melhor, clicar na imagem.

A MARCHA DOS IGNORANTES

Parece que ontem, dia cinco de Outubro, feriado nacional, cerca de vinte mil professores marcharam em Lisboa, descontentes com a proposta de alteração do seu Estatuto de Carreira. Parece que há uma tal de Senhora Dona Lurdes que acha que tem razão em tudo e que não gosta nada de professores, que está metida no assunto. Essa senhora e os seus amigos, como um tal de Senhor Jorge, têm um passatempo favorito: dizer mal dos professores a torto e a direito. Nas notícias da noite, o tal Senhor Jorge comenta a dimensão da manifestação e do descontentamento com qualquer coisa como esta: "Há aqui muita ignorância. As pessoas não estão devidamente informadas acerca das propostas do Ministério. Existe manipulação por parte dos sindicatos."

Ignorância. Pronto. Já só faltava chamarem-nos ignorantes.

OS FURA-FILAS

CENÁRIO: AEROPORTO DA PORTELA, ONDE UMA MULTIDÃO, EM FILA, ESPERA PARA EMBARCAR (NÃO DEVERÍAMOS DIZER «AVIONAR»?) PARA OS AÇORES

O Professor Vasconcelos e a família suspiram e gemem, no meio da fila, olhando para o relógio que teima em não dar boas notícias.
Eis senão quando, para espanto do ilustre professor, uma figura imponente, armada de um poderoso bigode, esposa, crianças e «staff», se prepara para desrespeitar a fila.
É Dom Duarte, o futuro rei de Portugal logo que o nosso país retorne aos tempos áureos da monarquia.

DOM DUARTE - Com licença, com licença! Anda lá, Zabelinha! Trazes as malas todas?
ISABEL DE HERÉDIA (Com a voz abafada ao peso das malas da família e do «staff») - Grrrumble murble vzzum
DOM DUARTE - Afonso Gabriel Daniel Miguel Manuel Catarino Fernando! Dinis Pedro João Bernardo Álvaro! Maria Franscisca Ana Adélia Lurdes Lúcia Lima! Venham, meninos, despachem-se, despachem-se!
PROFESSOR VASCONCELOS (indignado com o que o futuro rei se prepara para fazer) - Um momentinho, um momentinho. Onde é que o senhor julga que vai?
A MULTIDÃO DA FILA - (Aplaude veementemente! Vêem-se bonés atirados pelo ar!)
DOM DUARTE - Aaaaaah! Pós Açores, claro! Aaaaaah! Eu gosto muito de passar férias nos Açores. Aaaaah!
PROFESSOR VASCONCELOS - Sim, mas não vê que há aqui uma fila???
A MULTIDÃO DA FILA - (Mãos roxas de tanto aplaudir. Gargantas roucas de ovacionar. Bonés que batem no tecto. Algumas pessoas preparam-se para levar o Professor Vasconcelos em ombros).
DOM DUARTE - Uma fila? Aaaaah! Mas eu... aaaah... eu sou o rei! Aaaaah! Para mim não há filas! Aaaaaah!
PROFESSOR VASCONCELOS - Há, sim senhor. Se eu estiver nessa fila, há fila. E ninguém passa à minha frente numa fila. E diga lá àquele senhor do seu staff que escusa de estar a enfiar-se, que eu não deixo passar! Sabe que eu, se quisesse, também usava brasão? Sabe que o meu Vasconcelos é «Vasconcellos», com dois «ll», que o meu Raposo é «Rapozo», com «z»? Vasconcellos Rapozo, com dois «ll».
DOM DUARTE - Rapollo?
PROFESSOR VASCONCELOS - Vasconcellos, homem, Vasconcellos com dois «ll». E não uso isso para passar à frente de ninguém. Portanto, faça o favor, ponha-se no seu lugar. Lá atrás. Como todos!
DOM DUARTE - Aaaaaaaaaaaah!
A MULTIDÃO DA FILA - (Gritos, bonés, estalam os primeiros foguetes, Vasconcellos Rapozo é definitivamente levado em ombros, esposas choram, comovidamente [trata-se, precisamente, da esposa do Professor Vasconcelos, que vai apontando para o seu consorte e murumurando repetidamente: «É o meu marido! É este!»; alguém pergunta: «O Dom Duarte?» Mas não se ouve nada; a euforia é geral]. A tripulação junta-se à multidão para festejar. [Já ninguém percebe a ordem da fila. Há pilantras que aproveitam a euforia para passar à frente dos tansos]. Mais foguetes. Os mecânicos também se juntam à trapalhada. E aquele senhor que costuma ir para a pista, querendo jogar ping-pongue com umas raquetas enquanto ouve música de uns asucultadores gigantes sobre os ouvidos, mete-se também na festa! A consequência é que o avião já não vai poder partir. O voo é adiado para o dia seguinte. Não vai ninguém antes disso. Nem o Dom Duarte, nem o seu bigode, nem a Dona Isabel, nem o Afonso etc., nem o Dinis etc., nem a Maria Francisca etc. Fez-se justiça republicana).

Esta foi mais uma história verídica. Estou comovido!

05 outubro 2006

PEDIDO DE AUTORIZAÇÃO DE PONTE

Ex. mo Senhor Presidente do CE da ESLAV:

Eu, Chefe Luca, Presidente do CE do ESLAV, venho por este meio solicitar a Vossa Excelência, isto é, a mim próprio, que me autorize a fabricação de uma ponte entre quinta-feira e sábado, de modo a poder fazer, lá na minha terra, um fim-de-semana prolongado de vindimas, que me permitirá trazer, depois, umas quantas garrafas de vinho (para distribuir pelos ingratos dos meus amigos, que ainda por cima me disseram: «Vais trazer-nos do teu vinho!? Não basta o que a ministra anda a fazer aos professores? Não nos poupam nada...?»)
Eu sei, caro Presidente, que sou o suporte desta escola. Que, sem mim a vigiar, os miúdos vão pôr-se a partir vidros e o Pochato vai pôr-se a jogar futebol outra vez. E nem quero pensar em que mais irá a misselástica fazer da sala de professores...! Mas, que diabo, é só um dia, hein? Que acha? Já agora, e dada a nossa proximidade, senhor Presidente, veria algum inconveniente em que eu e o senhor nos tratássemos por tu???

Sem maçar mais,

Pede deferimento

O Presidente do CE da ESLAV,

Chefe Luca

03 outubro 2006

O XIQUE E O XOQUE

Alôôôô, queriduchas & companhia!!!
Já há tanto tempo que não escrevia aqui nada. Por muitas razões. Entre elas, porque me senti afrontada por um tal senhor Ferreiro Rocher - que nem sequer é capaz de dar a cara, o grande anónimo - e me quer fazer concorrência. Por exemplo, veio até referir-se às alterações na salinha da escolinha da linda. Ó menino! Isso é assunto meu. Não fica bem a um macho como o rico. Eu é que percebo de decoração e assim. Cada um no seu terreno, tá bem?
Aliás, o vermelho sensual é bem sensual. Aprovadérrimo.

Pela sala remodelada, passeiam-se as elegantes e os elegantes, sempre em competição para ver quem vem mais bonita/o, mais in. Como a Annie Páscoa, com um casaco de um azul lindérrimo. Um pouco pingão, não, querida? É mesmo feitio, ou apanhou alguma molha pelo caminho?
Entretanto, se a grande responsável pelo novo colorido da sala, a loira Cricri, está aprovada pelo bom gosto no que toca a decoração de interiores, já o visual «floribella» a que parece que aderiu, com aquela t-shirt de flores enormes, me parece menos acertada. A menina, quando quer, veste tão bem. Mas é só quando quer.
E já que menciono «Floribella», aproveito para dar os parabéns à grande actriz que é, também, uma bela flor, a queridíssima Florbela Queiróz, que eu já vi pela escola, de livro de ponto debaixo do braço. (Também repararam?) Tendo desistido dos palcos, pelos vistos também da astrologia, tornou-se agora professora? Ainda não sei de que disciplina, tenho-a visto só de quando em vez, mas estarei atenta. Eu nunca me engano: lá que é a Florbela Queiróz, isso é!
Para começar o ano em beleza, Xaxão (ó rica, a menina é uma referência!) apresentou o seu radical corte de cabelo, pena é que não tenha conseguido manter o desalinhado do primeiro dia, que lhe ficava tão bem. Posso dar-lhe um conselho? Aproveite a mudança e renove tudo, mas tudo mesmo. E eu não a aborreço mais...
Linda de morrer tem andado Céuzinha! Refiro-me a diversas combinações vermelhas (agora) sensuais! Que bem que lhe ficam essas cores, rica. E as mules só não condizem com os milhares de passos que é preciso dar até aos pavilhões. Desistiu delas, queriducha?
Cabe ainda aqui uma referência aos homens da nossa escolinha! Alguns continuam a manter-se no seu posto mais do que de vigia! Mordazes, não lhes escapa nada, mas devo felicitá-los! Os meus queridos estão mais leves, mais ligeiros no vestir. Sou até levada a crer que as minhas crónicas surtem o seu efeito! Será assim? Desmintam-me se estiver errada!

E com esta termino por hoje a minha reentreé depois da maior silly-season de que há memória! Não tenham pena, meus lindos, prometo voltar em breve!
Bye!

02 outubro 2006

O BODO AOS POBRES

A proposta do Governo, relativamente às faltas ao abrigo do artigo 102, é a de que os professores possam faltar:

a) Um dia útil por mês (e vá lá, não ser só em dias inúteis...)

b) Até um total de cinco dias

c) E (esta é a melhor) desde que as faltas sejam dadas durante tempo de interrupção lectiva (ou seja, colegas, podemos faltar no Natal, no Carnaval, na Páscoa...), ou durante tempo em que os profes não tenham serviço lectivo distribuído

O quê? Estou a brincar? Está bem. Então, informem-se...

30 setembro 2006

ANÚNCIO

Serve o presente anúncio para solicitar candidatos a três vagas de espiões/bufos/olhos-e-ouvidos da dona Lurdes entre os professores.

Os candidatos deverão ter aparência de professor (ou seja, não vestir com demasiado luxo e, no máximo dos máximos, usar uma ou outra peça da Zara mas, sobretudo, penduricalhos produzidos por professores - cada vez mais - que se dedicam a essa cena) e ter coragem para enfrentar sessões contínuas de AAA (haverá, para o efeito, treinos intensivos em jaulas de cobras e de miudagem dos 7º e 8º munidos de skate).

Terão de responder a um inquérito que visa apurar até que ponto seriam capazes de, em situação extrema, recorrer à tortura (tortura também extrema, claro, porque, como se sabe, os professores já estão habituados a vários tipos de tortura; exemplos de tortura extrema: acorrentar o indivíduo a uma cadeira, com palitos nos olhos para não os fechar, obrigando-o a assistir integralmente a um discurso da ministra; ou - nos piores casos - forçando-o a assistir a uma passagem de modelos com Juju Ximâun no papel de manequim; ou - mas seria um pouco exagerado - fazendo-o ver o Pochato em pleno jogo de futebol).

Os espiões que venhamos a seleccionar serão acompanhados e orientados pelo sr. Gaspar Olhovivo, profissional com muitos anos disto, a quem não escapa nada - nem sequer que aquele senhor que está na guarita à entrada da ESLAV, onde se dedica, afincadamente, a não cumprimentar ninguém, é simplesmente um boneco de cera, não um ser vivo!

28 setembro 2006

A VERDADE DOS FACTOS

Na passada 4ª feira, um grupo de jovens e elegantes professores da ESLAV, após aturada e dura sessão de aquecimento no pavilhão desportivo da Escola, iniciou uma dura partida de futebol, pondo frente a frente "Os Trinca Espinhas" e "Os Anoréticos da Pedreira".
Num canto do Pavilhão, sentado e enrolado numa manta de algodão, estava um ancião que parecia dormitar, apesar de se notar alguma tremura na bengala que segurava.
Guerrero, querendo ser simpático, convida:
- Sindroma anda daí dar uns toques que nós passamos a bola para tí devagarinho...
- Nem pensar, tenho horror a futebol!
Insiste Guerrero:
- Então fica aí a apanha bolas.
- Estás maluco! Ainda me acertam na bengala e parto praí a cabeça.
Bem, contra esta resistência a partida de futebol lá iniciou.
Numa rápida jogada de contra ataque, Pochato, sem virar a cara ao adversário, tentou fechar o ângulo de modo a manter as redes da sua baliza invioladas e na fúria da luta não reparou num taco mais elevado que o fez desequilibrar e estatelar contra a parede, que caprichosamente não se desviou...
Lukas, aflito ao ver o sangue de Pochato correr pela cara abaixo grita para Sindroma:
- Vai depressa buscar algodão e gelo...
Contudo já Sindroma, sorrateiramente, se escapava de fininho do Pavilhão, resmungando:
- Era o que faltava; eu que não consigo ver uma pinga de sangue desde o dia em que vi cortar uma orelha a um soldado na 1ª Grande Guerra, quando andava com uma bilha de barro de Niza (aquelas que têm pedrinhas a desenhar florinhas) a distribuir água fresquinha pelos soldados da companhia...

Esta foi a verdade dos factos!
Isto foi o que realmente se passou!
Esta foi a ajuda que Sindroma deu a um colega que tanto tem feito por ele e pelo êxito das suas crónicas.
Ingrato!...

EM LINDA-A-VELHA, UM BANDO DE LINDOS VELHOS PÕE-SE A BRINCAR AO FUTEBOL

1. Quem passasse nesta quarta-feira pelo ginasium da E.S. de Linda-a-velha, pensaria ter, por engano, entrado num Lar de terceira idade no momento em que um grupo de idosos se preparava para uma brincadeira, enfim, um pouco de movimento para desemperrar as articulações rangentes...

2. Um dos «jogadores» (aaah ah ah ah) era o senhor Pochato - eleito aqui há algum tempo, como se sabe, o velho mais lindo de Linda-a-velha (sobretudo por causa do pormenor da mariconera), havendo mesmo pressões no sentido de que se mude o nome de Escola Secundária de Linda-a-velha para E.S. de Lindo-o-velho (da mariconera).

3. Estava o senhor planetazul a preprar-se para «chutar para o golo» (segundo palavras, obviamente, do próprio), quando o amigo Pochato, sempre pronto a fazer pirraça e a ser desmancha-prazeres, se interpôs.

4. Diz quem viu que não se viu nada. Que não se percebeu nada do que acontecia. Teria sido um pontapé do planetazul? (Este nega, claro!) Ter-se-ia o Pochato enredado na mariconera, que não larga nem para jogar futebol? Mistério. O certo é que o Pochato afocinhou, comeu o pó, arrastou-se pelo chão, bateu contra a parede. Era sangue espirrando por todo o lado. Pobre parede!

5. O Guerreiro sintetizava: «O Pochato já não tem os reflexos de outros tempos...» - o que só pode ser sarcasmo. Alguma vez, em algum tempo, o senhor Pochato teve algum reflexo que não fosse o refelexo de se sentar assim que vê uma cadeira???

6. O Pochato estava hoje na escola. (A Rainha de Inglaterra bem me chamou para eu o ver: «Ó Sindroma, Ó Sindroma, anda cá ver, anda cá ver...!») De braço ao peito. O fácies distorcido. Um penso na testa. A própria pochete vinha cheia de ligaduras. Ouviam-se vozes ao fundo (o Guerra, o planetazul):
PLANETAZUL - E foi assim que as coisas aconteceram, Ah! Ah! Ah!
GUERRA - Não te rias, coitado do rapaz. Ah! Ah! Ah!
PLANETAZUL - Eu não me rio. Podia ter ido desta para pior. Ah! Ah! Ah! Por acaso eu estou a rrr...huumaaah! ah! ah! ah!... a rir?
GUERRA - É um episódio triste na história da nossa escola, hein? Ah! Ah! Ah!
PLANETAZUL - Devia haver tolerância de ponto neste dia. Huaaahahaha!

27 setembro 2006

REPORTAGEM DO REPÓRTER ESTRÁBICO: A MINISTGA E AS GAPAGUIGAS DA CAPAGUICA

REPÓRTER ESTRÁBICO - A senhora dona Lurdes, sinistra da educação, perdão, ministra da educação, que tem umas quantas ideias para ajudar as escolas problemáticas, fez uma visita-relâmpago a uma EB, conhecida pelas elevadíssimas taxas de insucesso, violência e abandono escolar. Em conversa prévia com os professores desta escola, apercebi-me do seu notório optimismo: é gente capaz de encontrar sempre o lado positivo nos piores desastres; conseguem, mesmo, ver o «abandono» dos alunos de uma forma positiva: quantos mais alunos abandonarem - dizia-me um -, menos porrada os professores apanham; enfim, é o «sucesso» possível... Trata-se de uma escola da Caparica. Aqui fica, em primeira mão, uma reportagem do discurso que a senhora dona Lurdes atirou aos alunos.

PRESIDENTE DO CE - Venha, venha, dona ministega, guionimos um guegupo de alunos paga a senhoga lhes falague. Estão à sua espega. É gapaziada aqui da Capaguica, sobguetudo gapaguigas, são até conhecidas pelas gapaguigas da Capaguica...
DONA LURDES - [Bolas! Esta mulher precisa de um tradutor! Ah, cá estão eles. Bem, vou mostrar aos professores do país o que é falar aos jovens]. Olá! Tudo numa boa!? Há para aí quem pense que estudar é uma maçada, é uma seca! [Os senhores professores estão a seguir-me? Aprenderam a lição? Estão a ver como eu utilizo palavras que eles entendam? Assim é que se fala aos jovens...]
GAPAGUIGA 1 - «Seca»!? Que é que isso quer dizer? Qual é a da cota?
GAPAGUIGA 2 - Sei lá! É mesmo palavreado de cota, o meu avô às vezes também usa, diz que eu sou uma «seca»...
DONA LURDES - Ora estudar não é nenhuma seca. Pode ser muito bom. E mesmo divertido. Digam-me lá: quem é que não gostava de ter um cinco a matemática, por exemplo? [Ponham os ouvidos em mim, vejam como é que se motiva a estudantada. Os professores têm tanto que aprender comigo...!]
GAPAZ 1 - Um «5» a matemática? Para quê? Só se for para vender.
GAPAGUIGA 3 - Esta cota é que é a ministra? O que é que ela tá p'ráli a dizer?
GAPAGUIGA 2 - Está a dizer que os professores de matemática vão ter de nos dar «5» a todos. Eu quero isso! Quero o meu «5» já.
GAPAZ 2 - Ah, a mim, o meu profe de matemática já me dá «5». Ele sabe que se não tenho «5» marcado na pauta, fica ele cos meus 5 dedos marcados na tromba!
GAPAGUIGA 1 - Mesmo assim é boa ideia. 5 pra todo o pessoal? Que fixe!
TODOS - Viva, viva, viva a ministra, viva!

DONA LURDES (comovendo-se) - Estão a ver? O que é preciso é falar a linguagem deles. Espero que os professores do país tenham, uma vez mais, aprendido alguma coisa comigo.
PRESIDENTE DA CE DA ESCOLA BÁSICA DA CAPARICA - Pagabéns, senhoga dona ministega! Guialmente, nunca vi esta gapaziada tão aléguegue!

25 setembro 2006

"SENSUALIDADES" (PARA COMEÇAR BEM O ANO...)

Meus queridos colegas, eis-me de retorno, disposto, como sempre, a pôr frontalmente os pontos nos ii.

A minha primeira queixa este ano, que ainda agora começa e já vai tão mal, diz respeito à sala de professores.
Chiça! Em primeiro lugar, do lado dos não-fumadores, evaporaram-se as mesas. Não pode ser. Eu tenho ouvido queixas a pessoas que me dizem «Então agora, se eu quiser trabalhar, tenho de ir para o lado dos fumadores?» Não é que me pareça que as pessoas que me têm dito isto sejam daquelas que gostam especialmente de trabalhar. Mas o problema mantém-se. «Se» quiserem, não é?, vamos lá pôr a hipótese, «se» por acaso, por acidente, por doença, lhes der uma absurda e doentia vontade de trabalhar, não lhes basta esse mal, ainda por cima vão ter que o sofrer apanhando com fumo nas ventas?
E porque é que os sofás estão todos colocados em frente à porta? Não pecebem que é a imagem do professor trabalhador que está em causa? Assim, quem assomar à porta deve pensar que ninguém faz nada, que os professores, que por exemplo estão em AAA passam o tempo refastelados nos sofás!
Além de tudo isso, todos já devem ter reparado que aquilo não funciona: muitas colegas já chocaram na esquina do sofá com os seus avantajados quadris e queixam-se, claro, aquilo deve doer. No entanto, parece que só um tipo com a minha sensibilidade repara nisso.

Em segundo lugar, aquela ideia de pintarem «duas» paredes de uma cor chamada vermelho sensual! Porquê duas, a tinta acabou entretanto? E porquê, NUMA ESCOLA, vermelho «sensual»? Para já, o único vermelho verdadeiramente sensual que eu conheço é o vermelho-Benfica. E mesmo que ao glorioso quisessem aludir, teriam que alterar o tom, sim, aquele não lembra nem ao diabo, que, ao que dizem, também é vermelho.
Qualquer dia ainda nos poem a ouvir o Toy "sensual, és tão sensual", naquele som roufenho da aparelhagem da sala de professores. Essa é outra coisa que eu gostava de saber: quem é que selecciona os postos? Quem é que aumenta o volume? Tenho reparado que nunca é ninguém. Não é que a mim me incomode, porque eu uso pouco as mesas de trabalho mas nunca se sabe, um dias destes também posso "adoecer".

É por estas e por outras que as pessoas não andam contentes e felizes por começar o ano lectivo.
Depois não digam que eu não avisei.

22 setembro 2006

NOTÍCIA DE ÚLTIMA HORA

A nossa boa amiga e querida colega, Lena Serrote, foi vítima de uma pérfida maquinação da dona Lurdes que, ao que tudo indica, terá deixado, com premeditação, um bago de uva no caminho da nossa querida amiga e colega, que andava às compras no Pingo Doce.

Lena Serrote terá escorregado, como já noutra ocasião sucedera a Bebé Ferreira, a grande líder do Secretariado de Exames. (Bebé Ferreira deslizou durante algum tempo sobre uma mica desleixadamente esquecida no chão. Não a acudiram logo, se bem se lembram, porque - segundo explicação de um aluno - pensavam que tinha aderido ao «skating»).

Os professores, senhora dona ministra, querem trabalhar. Mas se lhes mina assim o caminho, então torna-se tudo muito mais complicado do que já é.

A Dra. Lena Serrote, coitada, terá agora de ficar umas quantas semanas sem ir às AAA, que tanto preza.
A senhora ministra acha bem?

20 setembro 2006

O PROFESSOR BARNABÉ VAI ÀS AAA

Por alguma incompreensível razão, alguma tenebrosa cabala do Ministério ou coisa assim, o objectivo número um do grupo de tirolirolirologia - escapar mais um ano às sinistras AAA, propondo, para o efeito, um vago «projecto» - não vingou.
Quem está vingado, é o coro de professores que o ano passado não conseguia engolir o facto de o grupo de Tirolirolirologia ter passado sem AAA.

Na sua estreia, o professor Barnabé (novo professor de Tirolirolirologia nesta escola), já com AAA marcadas a sangue no seu horário, olhou atenta e receosamente para a lista dos destacados para as AAA dessa manhã. Seria chamado? Nesse caso, haveria onde se esconder? Quem estaria à sua frente na lista dos «substituintes»?

O primeiro, era o Armindo Migalhões. Bem. Era, portanto, como se não houvesse primeiro nenhum - visto que se alguém tivesse de ser substituído pelo Migalhões, o Migalhões, por sua vez, teria de ser substituído por alguém, por causa daquela doença, coitado, de precisar de fazer sempre outra coisa qualquer, noutro sítio qualquer, quando tem um horário a cumprir.

O segundo, era ele. Barnabé da Silva.

Já ouvia o telefone da sala de professores a tocar! E alguém que, precipitadamente, tratava de atender. E, do outro lado, a voz de uma Auxiliar de Educação, gritando, com uma contagiante felicidade : «Tou!? Tá aí alguém das chubestituchões?»

19 setembro 2006

PARABÉNS, SINDROMA!!!

14 setembro 2006

11 setembro 2006

CINDERELA



As férias acabaram o Verão também ...
Votos de um bom ano lectivo para todos.

CARLOS PAIÃO: "Cinderela"

Eles são duas crianças a viver esperanças, a saber sorrir.
Ela tem cabelos louros, ele tem tesouros para repartir.
Numa outra brincadeira passam mesmo à beira sempre sem falar.
Uns olhares envergonhados e são namorados sem ninguém pensar.
Foram juntos outro dia, como por magia, no autocarro, em pé.
Ele lá lhe disse, a medo: "O meu nome é Pedro e o teu qual é?"
Ela corou um pouquinho e respondeu baixinho: "Sou a Cinderela".
Quando a noite o envolveu ele adormeceu e sonhou com ela...
Então,
Bate, bate coração
Louco, louco de ilusão
A idade assim não tem valor.
Crescer,
vai dar tempo p'ra aprender,
Vai dar jeito p'ra viver
O teu primeiro amor.
Cinderela das histórias a avivar memórias, a deixar mistério
Já o fez andar na lua, no meio da rua e a chover a sério.
Ela, quando lá o viu, encharcado e frio, quase o abraçou.
Com a cara assim molhada ninguém deu por nada, ele atéchorou...
Então,
Bate, bate coração
Louco, louco de ilusão
A idade assim não tem valor.
Crescer,
vai dar tempo p'ra aprender,
Vai dar jeito p'ra viver
O teu primeiro amor.
E agora, nos recreios, dão os seus passeios, fazem muitos planos.
E dividem a merenda, tal como uma prenda que se dá nos anos.
E, num desses momentos, houve sentimentos a falar por si.
Ele pegou na mão dela: "Sabes Cinderela, eu gosto de ti..."
Então,
Bate, bate coração
Louco, louco de ilusão
A idade assim não tem valor.
Crescer,
vai dar tempo p'ra aprender,
Vai dar jeito p'ra viver
O teu primeiro amor.

10 setembro 2006

DISCURSO DE INAUGURAÇÃO DO NOVO ANO LECTIVO (Pronunciado por Sua Excelência o Presidente do CE da ESLAV)

Senhor Professor Vasconcelos (que passa à frente do próprio Dom Duarte na fila de embarque), Minhas senhoras, meus senhores, amigos, colegas, mariconera:

É... aaah... com alguma emoção que faço hoje o meu centésimo quadragésimo quarto discurso de inauguração de um ano escolar.
A todos gostaria de saudar e a todos desejar um bom ano de trabalho, parafraseando aquelas palavras de um grande sábio: Nunca perguntes o que que podes fazer pela escola; pergunta sempre o que pode a escola fazer por ti. [Falando para o lado, de onde lhe segredam desesperadamente]: O quê? É o contrário, Ana? Está bem, está bem. Mas o contrário, como??? A pergunta nunca faz a escola por ti... Hã? Não? A escola nunca pergunta... Escola que não... Aaaaah... Bolas! Esqueçam isto, não perguntem nada a ninguém, que é melhor, vá!!! Uf! Aaaaaah...! Já agora que estou em maré de conselhos, aproveitaria para lembrar outras palavras de outros grandes sábios, entre os quais, claro, o Augustão, que tem sempre um conselho amigo para toda a gente. (Há quem diga que já nem o pode ouvir). O conselho do Augustão é: «Nunca estejas muito tempo num lugar onde não há mulheres, ou touros, ou vinho. E procura, de preferência, um lugar onde haja tudo isto!»
Para concluir, mais palavras sábias, que convém que não esqueçam. Esta pérola é da minha lavra: «O CE da Eslav é altamente democrático. Ouvimos sempre todas as opiniões: não temos remédio - não somos surdos e os opinadores gritam-nos aos ouvidos. Geralmente não ligamos nenhuma. Mas lá que ouvimos, ouvimos!»

Gostaria de chamar a atenção, também, para este ar de preocupação que tenho vindo a treinar. Espero que o apreciem, que vejam nele a expressão de um Presidente atento, mergulhado nos problemas dos professores, que vive os pequenos dramas da escola.
Na verdade, esta escola tem alguns problemas. Não os vou mencionar, porque, apesar das surpresas que o Ministério nos tem reservado, acredito que a maioria dos problemas da escola acabará por atingir a idade da reforma nos próximos anos. Temo-nos livrado de alguns problemas assim (não vou referir nomes, repito), os outros acabarão por ir também embora. Haja esperança!

Um bom ano para todos.

09 setembro 2006

DIÁLOGO REAL (MATINAL)

PRÍNCIPE CONSORTE - Estás aí? É muito cedo, volta para a cama. Estás na varanda?
RAINHA DE INGLATERRA - Estamos aqui, estamos.
PRÍNCIPE CONSORTE - «Estamos aqui»!? [A insidiosa mão do ciume apossa-se do ensonado príncipe, desperta-o por completo]. «Estamos»!? Quem está aí contigo? Estás «aí» com quem, a esta hora da madrugada???
RAINHA DE INGLATERRA - Nós, Rainha de Inglaterra, ora que essa! Quem é que havia de ser? Andaste a beber, confessa...
PRÍNCIPE CONSORTE (que, assim como assim, já está completamente desperto e decide juntar-se à real esposa, na varanda) - Mas que raio estás tu aí a fazer de binóculos? Estás outra vez a espreitar o vizinho musculado e peludo, que faz ginástica logo pela manhã?
RAINHA DE INGLATERRA (corando) - Não, que disparate! É que hoje é dia de me apresentar na escola. Estou só a ver se está lá hoje alguém interessante, alguém de sangue azul! (Ao que desce a realeza. Se a minha real mãezinha alguma vez sonhasse que a sua filha, The Queen, acabaria a dar aulas numa escola suburbana... Mas isto da realeza já não é o que era... vê lá tu o Dom Duarte, por exemplo, que já não é convidado para nada, está atrás de tudo e de todos na fila dos cumprimentos, não passa nem à frente do Vasconcelos na fila para apanhar o avião...)
PRÍNCIPE CONSORTE - Deixa lá isso! Melhores dias virão, vais ver. Vês hoje alguém de jeito a apresentar-se?
RAINHA DE INGLATERRA - Nem por isso. Passou ali um com ar de Pai Natal, a coçar as partes baixas... E vai além uma de saia vermelha... e quem será aquele, bronzeadíssimo, com uma malinha de mão debaixo do braço? Não, não vejo ninguém interessante. Acho que vou voltar para a cama. Apresento-me outro dia qualquer...
PRÍNCIPE CONSORTE - Espera lá! Mas não tinhas de te apresentar hoje?
RAINHA DE INGLATERRA - Sim, no papel, nós, Rainha de Inglaterra, tínhamos de nos apresentar hoje. Mas, caramba, sempre somos a Rainha, não? Isso ainda há-de valer alguma coisa...