Voltámos sem pretensões. Com mais criações. E opiniões. O verdadeiro blogue sem borbulhas.
20 outubro 2007
PARTIRAM A TROMBA AO RAMOS E RAMOS
Desta vez, prendeu-me um artigo sobre Pedro Ramos e Ramos, intitulado: «Partiram-lhe a Cara».
Pedro Ramos e Ramos é, portanto, um homem com azar. Já não bastava alguém responder pelo nome de «Ramos e Ramos», como se não tivesse a certeza de como se chama, ou de que o ouvissem à primeira - que é certamente o que deve ter acontecido quando o padrinho ditou o nome da criança ao senhor notário, sublinhando bem, não fosse o homem ser mouco: «Ramos... É Ramos, está bem?»
Pois segundo o jornal, Ramos e Ramos ia na sua «vidinha» [sic], ou melhor, não ia, estava parado diante de um semáforo, ouviu umas «bocas», respondendeu e, por fim, «foi agredido por um jovem no centro de Lisboa».
E relembra o senhor muitos Ramos: «Ele disse: "Olha, vai ali aquele parvalhão da televisão».
Depois, em off (o jornal já não regista essa parte), ainda explicou: «Não gosto que me insultem; "parvalhão da televisão" ainda vá, que é simplesmente o que eu sou, agora dizerem "Olha", e "vai ali", e "aquele", já viram bem?, "aquele", como se eu fosse um qualquer?! Há coisas que um parvalhão da televisão não pode admitir!»
O engraçado, é o que o senhor imensos Ramos relata a seguir ao jornal.
«Respondi-lhe que podia ser tudo aquilo mas que ainda o metia no lugar». Aparentemente, não. O jovem é que o meteu no lugar. «Deu-lhe um murro no nariz». «Agrediu-me de fora para dentro do carro» - julga-se que o jovem teria tentado agredir o senhor de dentro para fora do carro, mas reconhecendo a complicação da operação, acabou, preguiçoso e desistente como toda a juventude de hoje, por escolher a solução mais simples.
Ramos e Ramos chamou a polícia, mas não pede prisão para o rapaz. «Acho que é tarde para fazer pedagogia com um miúdo daquela idade». (Entre os 16 e os 19 anos). «Gostava que ele fizesse serviços à comunidade». E pela sua mente teria perpassado: «Podia começar por fazer um serviço à comunidade que sou eu próprio, sob a forma de cobranças de uns dinheiritos que me devem...»
Bem-hajas, 24 horas: salvaste o meu sábado da mais absoluta monotonia!
19 outubro 2007
17 outubro 2007
O KIT
2.É sintomático...Brrr...que palavra esta...peço desculpa aos mais que certos leitores deste texto pelo uso indecoroso de tal termo...; é portanto CURIOSO, que as atoardas que desaguam em catadupas da rasgada cavidade inferior à bestial e monumental PENCA, não tenham merecido um único comentário...
3. O dito cujo delira...dá nós no cérebro e laços no cerebelo para inventar qualquer coisa...e só sai o que lhe põem à frente dos olhos...; dirão vocês "Isso de criar é uma treta, meu...não sai nada que não tenha entrado primeiro..."; e têm Vexas muita razão!! o problema é só um: tentar perceber O QUE, QUANDO E COMO algum dia penetrou no recôndito labiríntico e oco (tá boa esta!!!) daquela pseudo mente e imaginária cabeça...deixo este trabalho para vós...
4. Cá por mim, como sou omnipresente e criativo (realmente, hein!!!) já visualizei (no espaço, como convém a alguém com outra dimensão de pensamento...he he...)o trombocídio unicelular, colocado num ramo alto duma árvore da escola, amordaçado e devidamente amarrado (de mãos atrás das costas), transpirando abundantemente, enquanto vários dos escritores que riscam neste blogue comemoram, num copioso banquete, o infeliz e coincidente dia de aniversário...em redor de uma farta mesa.
16 outubro 2007
VIRILIDADE, RUGBY E AS PALAVRAS SÁBIAS DO SARGENTO BALICHA
Uma vez, o sargento Balicha disse-me: - Um homem a sério tem de ser bruto. E, de preferência, usar bigode. Mas se a brutice mais o bigode só por si chegassem, então a minha mulher era um homem a sério...
Já viram como todos os portugueses repararam na força com que eles berravam o hino nacional? É que, se pensarmos bem, foi o que fizeram de mais viril, porque, à parte isso, aquela coisa do rugby não me convenceu. Ora vejam:
15 outubro 2007
A MALDIÇÃO
14 outubro 2007
CONVERSAS REAIS
MARIA CANELAS - Ai sim? Como é que sabes, vistes algum?
BEBÉU MOREIA - Ouvi miar.
MARIA CANELAS [sem qualquer ironia] - Ai é? Ai os ratos miam? É boa...
BEBÉU MOREIA - Não sei se foi miar, foi uma coisa assim: iiiih! iiiih! iiiih!
GREENLIGHT [com uma vontade de rir ainda controlável; porém, ansioso por obrigá-la a repetir...] - Como era? Como é que miavam os ratos que tu ouviste?
BEBÉU MOREIA - iiiih! iiiih! iiiih!
MARIA CANELAS [para outros professores que vêm entrando, desejosa de lhes ensinar o que acabava de aprender] - Ó meninas, vocêzes sabiam que os ratos miam? A sério. A Bebéu é que ouviu, ouvistes, não ouvistes Bebéu?
OUTROS PROFESSORES - Esta passou-se, está visto! Agora sim, agora é que posso dizer que já ouvi tudo nesta vida.
BEBÉU MOREIA - Eu não disse que era miar, atenção, nem sei se eram ratos, atenção.
GREENLIGHT - Pois não. Diz lá outra vez, diz lá, como era o som...?
BEBÉU MOREIA - iiiiih! iiiiih! iiiiih!
SENHOR ANTÓNIO [entrando] - Chiça, que já tentei tudo e não há maneira de fazer a @£#%$»§ da porta parar de chiar, cum caraças!
13 outubro 2007
INQUÉRITO: VOCÊ QUE NASCEU NO BRASIL E ACABOU DE CHEGAR À ESLAV, COMO SE SENTE?
Maria Gamboa Zuda - Me sinto como em casa! Mas quando vi a turma em que me puseram, gritei: -Céus!!!! Que é que eu faço com esses pirralhos?! Eles até são queridinhos, mas são tão pequeninos!
Temo Leque - Como? Não entendi nadica de nada do que você disse. Pode repetir? Já os professor falam desse jeito e eu não entendo direito o que eles falam...
Dabliu Cê - Está a ser um pouco difícil, porque lá a gente tinha ávores para trepar nos intervalos das aulas. Aqui nem a estas colunas nos deixam subir para ir buscar as bolas que ficam no trelhado.
Crisântemo Lengão - Vocês aqui usam uns negócios esquisitos nas aulas. Lá, desenhávamos com lápis e quase nem precisávamos de borracha, porque estava tudo certo. Aqui têm gerinçonças que só atrapalham.
Agadi Abólica - Adorei, sabe? Mas não gosto das paredes brancas, me provocam arrepios de frio. E as cadeiras são um pouco rijas, a gente passa tanto tempo sentada...
10 outubro 2007
GASPAR OLHOVIVO AVERIGUOU
Escrevo, em resposta ao seu pedido de averiguação, num estado de profunda depressão.
Já ninguém pode confiar em ninguém. Os polícias da Covilhã, que tratei de inquirir, conforme seu desejo, mostram-se tristes, cabisbaixos, olheirentos, descrentes de que tamanha injustiça se tenha abatido sobre eles.
Não, minha senhora, não houve visitas intempestivas à sede do sindicato. Não, minha senhora, não existiu qualquer tentativa de intimidação dos professores que preparavam uma repulsiva manifestação contra o nosso bem-amado Primeiro-ministro. Não, minha senhora, nenhum agente carregou consigo panfletos para fazer uma espécie de exame prévio.
Tudo se passou assim. Na Covilhã, minha senhora, as pessoas conhecem-se e privam umas com as outras. Dois agentes à paisana, o Simões e o Esteves, encontravam-se simplesmente à porta do sindicato dos professores, a fumar um cigarrito. (Na esquadra onde trabalham não é permitido fumar e, por isso, têm de se deslocar a uma paragem de autocarro que, por coincidência, fica ao lado da sede do sindicato...)
Foi até um senhor sindicalista que os viu ali ao frio (como é próprio da Covilhã) e os convidou a entrar. Que insídia! Tudo isto me lembra a história da aranha, dizendo à ingénua mosca: «Venha, venha, boa amiga, entre, ponha-se à vontade!»; os professores - sobretudo os sindicalizados - são aranhas peludas; os polícias, coitados, são pobres moscas mal pagas, que se deixam convidar, não imaginando o que os espera...
Uma vez lá dentro, o tal senhor sindicalista, na sua voz untuosa, ofereceu-lhes café e chocolate quente e falou-lhes da manifestação. Sem ninguém lhe ter perguntado o que quer que fosse. Por fim, até trocaram umas ideias, porque os polícias, às vezes, fazem as suas próprias manifestações, e só queriam saber como é que os professores procedem. Mas tudo amena e amistosamente: Ai é?, e tal, ai reúnem umas quantas pessoas, e tal, hum-hum, e quem é que costuma ir, e tal, ai sim, ai o Matos habitualmente participa, há quanto tempo não vejo o Matos, dê-lhe cumprimentos meus, e o Fernandes também é um «habitué»...? - deve ter sido esta conversa que se confundiu (ou se quis confundir) com «identificação de manifestantes»! Que ridículo...
Finalmente, à saída, o agente Simões reparou que o agente Esteves levava uns panfletos colados à sola do sapato. Até se riram muito. E o senhor sindicalista, mais do que todos. Agora já se percebe por que razão. «Ó Esteves», dizia o Simões, «levas o material aos nossos amigos, ahahah...» e respondia-lhe o Esteves, «Isto não se me deslarga da sola, ainda para aqui caio, como aquela professora de Linda-a-velha na uva, ou a outra na mica, ahahah...»
A polícia está muito desalentada. O agente Simões, por exemplo, tem chorado muito. O agente Esteves até meteu baixa. Acho que foi porque escorregou derivado aos malditos panfletos no sapato.
Melhores cumprimentos.
Seu criado,
Gaspar Olhovivo
AIME BEQUE
As minhas melhores tardes de finje-semanas, passei-as com a minha vezinha. Por exemplo nests sábado fui com ela fazer uns testes pirotécnicos mas ficou pavorizada com os resultados que ainda a baralharam mais quanto ao futuro que há-de escolher, coitada. Se não fosse eu para a cansolar, a miuda tinha ficado muito despressiva.
Por falar em despressões, eu també tive vontade de chorar no início deste ano lectivo, porque fiquei belindrado com a plicação do TLEBS. Tanto trabalho, para nada. Afinal, este ano, vai haver manuais com TLEBS e outros sem TLEBS. Eu achei isso abdominável porque me fartei de trabalhar no assunto e ninguém me deu importância. Sempre quero ver como é que vão descascar esta bota.
07 outubro 2007
A NARRATIVA DE GORDO ROCK
Retomo hoje funções. Dizem que me espera um cargo importante na escola; estou ansioso por ver do que se trata. Pelo sim pelo não, visto a camisa do mais lindo xadrez, estico bem as calças com os meus suspensórios predilectos; tomei um duche mais demorado do que o habitual e pus gel no cabelo; não é que isso seja importante porque para os meus caracóis não há nada melhor do que o gel natural, fornecido por meia dúzia de dias sem lavar o cabelo.
Dia 1 – Não estou nada contente com o trabalho que me deram. Eu, que já verguei a mola tanto na vida, acho que tenho direito a poder fazer o que quero. Uma das coisas que me custa é a ingratidão. Exigem de mim mais do que é justo, enervam-me. Enervar-me faz-me muito mal ao coração, provoca-me um pum-pum-pum no peito e depois tenho que ir acalmá-lo para fora da escola.
Dia 2 - Os apetrechos no meu local de trabalho resumem-se a muitas cadeiras e uma secretária com gavetas vazias. Não fora eu trazer um papel no bolso, nem estes pensamentos conseguiria anotar. Também posso trazer o jornal mas nem me lembrei. Para aqui estou, sozinho, à espera que aconteça qualquer coisa.
Dia 3 – Hoje foi demais! Entra-me pela porta dentro uma pirralha de boné virado para trás, que é uma coisa que eu detesto, com ar de santinha afectada. A funcionária disse-me que ela trazia trabalhos para fazer e que tinha sido expulsa da sala de aula porque tinha cometido um erro muitíssimo grave. Fiquei curioso, mas cada vez que eu abria a boca, a miúda franzia o nariz, vá-se lá saber porquê. A custo lá consegui sacar a confissão e conclui que aquilo não tinha sido nada grave. Lá porque ela mandou a professora àquela parte, não quer dizer que tenha que a castigar. A miúda não o disse com a intenção de ofender. O que importa é a intenção com que se dizem as coisas. Que mania as pessoas têm de exagerar. Há tanta gente que merece ouvir aquilo e muito mais.
Dia 4 – Hoje acordei muito chateado. Ontem fui para casa mal disposto a pensar nas bocas que um certo e determinado colega me mandou sobre o meu método de trabalho. Dizia ele que eu não faço o que devo, que nem cumpro horário e que nem jeito tenho para dar castigos. Olha quem! Pois eu acho que ninguém tem nada a ver com isso. Se não fosse porque não estávamos sozinhos, tinha-lhe ido à cara; meti as mãos nos bolsos das calças e lá me aguentei sem fazer estrilho. Não interessa dizer para onde fui a seguir, só sei que as mágoas ficaram todas afogadinhas.
Dia 5 – Para aqui estou eu enfiado nesta sala, envolto num fumo denso que me dá tosse, que me seca a boca. Quem terá estado aqui antes de mim?, que deixou esta fumarada para trás, pergunto-me. - Água! Tragam-me uma garrafinha de água, cof cof, ardente, cof cof, ardente!, que estou a ficar em brasa, isto é, com a garganta seca! Cof cof.
06 outubro 2007
A MÁQUINA DO PROFESSOR VICENTE VAN GROGUE
Até hoje, a única resposta obtida foi a de um entusiasta, o Dr. Lowell, psiquiatra num hospital inglês, que lhe propunha examinarem os dois as ideias de Vicente, numa conversa muito calma, em ambiente sereno, livre de quaisquer focos de excitação.
Mas entretanto, enquanto não houver outras respostas, o nosso jovem cientista continuará a dar cartas ao mundo.
2. Em Portugal, Vicente van Grogue assentou arraiais na ESLAV, que considera «um infindável campo de experiências».
A máquina que tem estado a aperfeiçoar consegue ler pensamentos.
Os leitores riem-se? Descrêem?
Pois aqui está a prova: o registo de uma leitura do que vai na cabeça de Pochato, primeiro a oferecer-se para esta experiência:
3. LEITURA DO QUE SE PASSA NA MENTE DE POCHATO:
«
».
Em breve, seguir-se-ão mais registos, com leituras de pensamentos de outros colegas. É aquela maquineta que, na sala dos professores, alguns ingénuos pensavam que servia para medir a tensão.
05 outubro 2007
A COLUNA DE D.J. CARA DANJO: QUEM SE METE POR MAUS CAMINHOS, LIXA-SE!
04 outubro 2007
AS REPORTAGENS DO REPÓRTER ESTRÁBICO: AS AULAS DE GINÁSTICA RECOMEÇARAM MESMO...
POCHATO - Que é que ele diz? Que raio de sotaque. Eu não entendendo nada.
FANTASMADAOPERA - Cala-te, pá. Tu nunca entendes nada, com sotaque ou sem sotaque. O treinador está a dizer para darmos calduços no colega do lado. Olha, assim. Toma!
POCHATO - Ai!
TREINADUOR ACIORIANO - Os meninuos aí fâçam o favuôr de calarem o bêico.
POCHATO - O bêico?! O que é o bêico?! Mas o que é que ele quer, senhores? Não vamos jogar futebol? Quando é que vamos jogar futebol?
FANTASMADAOPERA - Não percebeste? Diz ele para darmos um calduço no parceiro... toma!
POCHATO - Ai! Olha que eu me chateio!
TREINADUOR ACIORIANO - Que tão mecês fazândo? Vinte flexuões cada um.
POCHATO - O quê? Vinte quê???
ALELEX - De-de-de-sis-sis-sis-to. Nã per-per-per-ce-bo na-na-na-na-na-na-na-na-na-na-na-da! Is-is-is-to é chi-chi-chi-chi-nê-nê-nê...
TREINADUOR ACIORIANO - O quiâ?! Fale claro, home! Com mêl vulcuões!!!
03 outubro 2007
THE SPECIAL CACA ou ONDE CHEGA O ABSURDO
Refiro-me a um outro absurdo que terá acontecido um dia destes, que foi o facto de alguém ter pago um balúrdio por uma latinha com cócó. A latinha é o menos, acredito que seja linda, a ver pela foto.
Mas pagar caro e ainda por cima sem garantia de que lá dentro exista o referido conteúdo e se ele pertenceu um dia, por umas horas, realmente ao autor, é preciso ter muita lata.Isto de conceber latinhas com coisas dentro, também é o menos e nem sequer é caso único nem actual; agora chamar-lhe arte moderna e pagar para a ter, convenhamos, é actual e um perfeito disparate.
Mas isto também não é grave desde que o Berardo não se lembre de comprar uma para nos mostrar. Isto é, quanto a isso, tudo bem, desde que nos deixe vê-la de graça.
02 outubro 2007
THE SPECIAL ONE
30 setembro 2007
MAIS UMA REPORTAGEM DA REPORTER QUE MESMO ZAROLHA NÃO DEIXA DE VER TUDO
Treinador – Uma pessoa combina vir aqui para uma entrevista e fica horas à espera…
Repórter Zarolha – Faço-te companhia enquanto vou passando estas fotos no scaner…
Com o passar do tempo, o treinador começa a dar mostras de nervosismo, mas mantém a pose, com mãos cruzadas em cima da mesa e olhar no infinito da parede em frente.
Pascoela assoma à porta: - Ah! Já aí estás… Não viram a Lúcia-Lima por aí?
Repórter Zarolha - Ela entrou agora mesmo ali ao lado…
- Hã…então volto já…
Lúcia-Lima entra pela outra porta: - Viram a Pascoela?
Treinador – Já estou a ficar tonto de ver estas duas às voltas. E eu, nada.
- 38º 44'08.39 N - 9º 13'24.58 W ! – Grita Alelex do gabinete do lado rendido às tecnologias mais audaciosas, depois de consultar o GPS. - A Pascoela está quase a chegar!
Quando finalmente elas se encontram, os três sentam-se para a dita entrevista.
Treinador – Antes de mais! Uma coisa vos garanto: a corrida da escola é no dia 5, dê lá para onde der.
De mansinho, D. Anémica chega à porta: - Storas, estão ali os alunos cujos encarregados foram convocados…
O treinador cruza os braços, desalentado. – Vão, vão eu espero… Posso é não voltar cá mais…
Lúcia-Lima - Quando te convocamos para esta entrevista avisamos de que ela podia ser interrompida a qualquer momento se aparecessem assuntos mais… importantes… lembras-te? Os alunos em primeiro lugar…
Moral da história: nos dias que correm, nem sempre o treinador é o protagonista da acção.
29 setembro 2007
UMA NOTA DO PADRE FELISBERTO DE JESUS, TREINADOR DO FFC
Tornei-me conhecido, da noite para o dia, como treinador do Fátima Futebol Clube. Sim. A santa equipa que venceu (ou empatou, eu próprio ainda não entendi muito bem o milagre) o clube da Invicta.
Sempre fui um adepto ferrenho do futebol.
Comecei a minha humilde carreira treinando beatas. Elas queriam confessar-se - que é como quem diz, aproveitar o tempo de confessionário para dizer mal das outras - e rezar novenas, mas eu reunia-as no adro e punha-as mas é a jogar futebol; e se, ao princípio, as velhinhas protestavam, devo dizer-vos que, com o tempo, faziam uma figura muito melhor, não digo do que o Cristiano Ronaldo, mas sem dúvida do que o Pochato e os demais velhinhos que se juntam nas futeboladas das quartas, na eslav. Nunca uma das minhas velhinhas, mesmo jogando com véu, escorregou em bagos de uva (é só um exemplo que me ocorre...), nunca nenhuma bateu com as trombas na parede.
Atenção. Não estou aqui a dizer mal do Pochato. Não senhor, que é um santo homem. Um homem bíblico. Faz-me lembrar o Pai de todos nós, Adão, sobretudo agora que se passeia pela escola com uma pochete presa do cinto, a tapar as partes baixas, como se fosse uma folhinha de parra. Não venho aqui dizer mal de ninguém. Venho só falar das minhas tácticas.
A nossa vitória não se deveu unicamente ao apoio de Nossa Senhora. Mais do que com o milagre, contámos com o nosso trabalho! Iniciávamos os treinos rezando um terço. Depois, fazíamos uma peregrinaçãozinha. A seguir, a rapaziada ouvia a prelecção. Por fim, dávamos dois ou três chutos na bola, gritando «Foge, Satanás! Não me tentarás!»
Todos os métodos inovadores escandalizam.
Mas já estou a contar que me chamem para a selecção.
Pelo menos, não darei socos: darei a outra face; e porei o Quaresma a jogar do princípio ao fim, porque quem tem um nome desses, bem o merece.
Mantenham-se atentos ao Fátima. (Ando a pensar em organizar um Kit Sócio do Fátima, com descontos nos restaurantes ao longo das peregrinações, e nas velas para se fazerem as promessas...)
28 setembro 2007
A QUASE-ENTREVISTA
BEBÉU MOREIA - Pois tudo aquilo começou a aquecer por causa, chamemos-lhe assim, do «assunto»!
REPÓRTER ESTRÁBICO - Mas qual assunto?
BEBÉU MOREIA - Outro a fazer-se de novas! O «assunto»! Qual há-de ser o «assunto»?! Eu vou dar-lhe uma pista. Teorema de Pitágoras!
REPÓRTER ESTRÁBICO - Teorema de Pitágoras!?
BEBÉU MOREIA - Lâmpadas. Trotinetes. Azáfama. Está a perceber onde eu quero chegar?
REPÓRTER ESTRÁBICO - Aaaaaaa...!
BEBÉU MOREIA - Percebe? Dou-lhe mais uma pista. Turmas. E mais uma. Escadas. E...
REPÓRTER ESTRÁBICO - Peço desculpa, senhora professora, um momento... sim?! Ah, claro! Previnem-me agora pelo auricular que acaba de chegar à escola a professora Marilha... sim, sim, sim... Ah, cá estão as imagens da professora Marilha com as suas discípulas, as jogadoras... vamos tentar entrevistá-la... não, não é possível, muita gente, muito ruído, bolas de basquete, o nosso repórter do exterior já apanhou com uma bola na cabeça... Bem, muito bem, voltemos ao estúdio... Diga, dona Bebéu...
BEBÉU MOREIA - Eu só lhe pergunto, senhor Estrábico, o senhor acha isto bem? Onde é que a escola vai parar assim? Eu sou convidada para vir falar, com prejuízo da minha própria vida, e interrompem-me para fazerem uma entrevista a uma treinadora de basquete? Parece-lhe bem? A escola ensandeceu. Vou-me embora. A esola tem de aprender. A escola tem de aprender! Com licença...
REPÓRTER ESTRÁBICO - Eu... mas... sim... mas perdão, mas eu... não, mas eu...
REALIZOU-SE UM EVENTO IMPERDÍVEL: O REPÓRTER ESTRÁBICO, COMO SEMPRE, ESTAVA LÁ!
Não posso perder a oportunidade da minha vida: com os leitores devidamente acordados para o assunto, resta-me aproveitar a deixa e relatar pedaços do que aconteceu. Porque a verdade é que, uma vez mais, este vosso amigo ESTAVA LÁ! Bem-hajas, Paula Thrombone, pela pimenta inicial.
Fontes geralmente bem informadas, descreveram o evento como um momento histórico (ou será que me disseram: «histérico»?), quase erótico, constituído por preliminares, o acto propriamente dito, e o clímax.
Transcreverei excertos de cada uma das fases.
PRELIMINARES:
« Prof 1- Porque toda a gente sabe que o que se está aqui a dizer tem que ver com outros acontecimentos... que também ninguém ignora...
Prof 2 [para o lado] - ... mas de que é que ela está a falar, tu sabes?
Prof 3 [em surdina] - Não faço a mais pequena ideia...
Prof 1 - ... Acontecimentos esses que estão ligados a atitudes... a algumas atitudes... mas também não são novidade...
Prof 4 - Desculpa lá, tu queres referir-te a uma coisa que toda a escola conhece, mas parece que não estás lembrada que isso tem que ver com aquela outra história que também ninguém desconhece, e por causa DESSA história é que há ainda hoje pessoas que não falam a «sabemos muito bem quem», nem lhe dirigem a palavra, o que eu acho indecente...
Prof 2 [para o lado, desesperada] - Mas que assuntos e que histórias são essas? E quem é a «Sabemos muito bem quem»? Tu sabes, por acaso, quem é a «Sabemos muito bem quem»???
Prof 3 [em surdina] - Não faço ideia, raios, eu falo a toda a gente, eu cá falo a toda a gente...
Prof 5 - Até parece que a questão é essa. Não, não. A questão é outra. Aquilo que aconteceu na semana passada, e vocês sabem perfeitamente de que é que estou a falar, isso é que sim, é que desencadeou tudo, que eu bem percebi, e penso que devemos resolver esse ponto de uma vez por todas, porque...»
O ACTO:
Constituído por uma discussão longa e acalorada, com muito sangue, suor e lágrimas, insultos e ranger de dentes; observou-se a saída de pequenos grupos que prosseguiam a discussão no exterior, como se se quisessem agredir.
Esta fase ficou marcada por muito nervoso, do miudinho e do mais crescido, e pela seguinte frase:
«Prof 5 - Vamos lá a pôr os pontos nos iii e a chamar as coisas pelos nomes!»
O CLÍMAX:
«Prof 6 - Estás a dizer que eu estava escondido na casa-de-banho quando me chamaram para as AAA?
Prof 4 - Exactamente! E mais: que fazes sempre isso...
Prof 6 - Ah! É falso! É mentira! É uma calúnia, caramba! Que infâmia! Na casa-de-banho, eu?! Com aquele cheirete? Não admito. Eu escondo-me atrás da máquina de fotocópias!!!»
27 setembro 2007
O XIQUE E O XOQUE
Apesar de alguns estarem a passar um período de provação, o que tem provocado alguma apreensão generalizada, este início de ano lectivo está colorido e bem disposto. Atrevo-me mesmo a dizer que este ano está a ser supeeer! Senão, reparem: quantas vezes tínhamos tido o (des)prazer de ver uma colega com uma saia com tanta medalha que até perece que vai a qualquer momento iniciar a dança do ventre? Em que outro ano tínhamos tido alguém que vem trabalhar de babydol? Ainda por cima de cetim azul claro, mesmo como se fosse aterrar no vale dos lençóis?! Ou que tivesse acabado de o largar?! E com que desenvoltura a querida Lailai se movimenta num apertado conjunto super fashion, preto, com uns dizeres bordados a lantejoulas. Já com menos desenvoltura mas igualmente arrojada, Laurita mantém a sua blusa em forma de trapézio, preta, transparente; querida, demasiado transparente, não acha? Bem sei que a menina não tem nada a esconder, mas não abuse. Não pensem que me passou despercebida uma túnica branca bordada, muito florida; parecia que a colega vinha do Tyrol. Quero com isto dizer que um dia destes ainda teremos uma sala de professores bem animada - uma dançar a dança do ventre, a outra canta tirolês e com tempo ainda havemos de encontrar que esteja disposto a dançar o vira, ou mesmo o corridinho, que é a dança mais adequada para concluir em beleza a próxima reunião de AAA. AAA, minha machadinha, lá está. Estão a ver como eu tenho sempre razão?! (E, entretanto, meninas, a reunião sempre teve lugar. E não há dúvida de que aquilo é que foi uma dança e peras. Para se trocarem pêros, faltou muito pouco! «AAA minha machadinha...»? Apre! Já estava com receio de ver aparecerem mesmo machadinhas... e até facas de ponta-e-mola).
26 setembro 2007
O KIT
O fantasmadaopera aproxima-se traiçoeiramente pela retaguarda.
Vem entusiasmado.
Mostra-me um panfleto cujo vermelhão me fere a vista.
KIT SÓCIO BENFICA.
Enuncia as vantagens: oferta de um dvd de ficção científica intitulado «O Benfica é o Maior», t-shirts cor-de-rosinha, descontos muito razoáveis em lares de terceira idade, com a hipótese de se vir a ficar no quarto vizinho ao do senhor Rui Costa, etc, etc, etc, em suma, um não acabar de maravilhas que me tentam muito, mesmo muito, pois tenho andado com défice de temas que me façam rir...
Desapareço dali. A netinha ainda só agora tinha começado a gatinhar, na interminável história de Dona Coluna, e eu receio bem que haja muitas mais gracinhas para contar. As crianças aprendem tão rapidamente! Só mesmo na escola é que o ritmo de aprendizagem começa a desacelerar. Bah! Já não me interessa o bolo.
Entro na secretaria. Tenho assuntos, tenho ali assuntos pendentes a tratar. Aliás, bastante pendentes, eu diria mesmo «pendurados». Não que, quando lá vou, me tratem os assuntos. Não que dêem, sequer, por que eu tenha lá entrado. Mas mesmo assim vou indo. Sempre é um passeio.
Todavia, por alguma misteriosa razão, de alguma estranha forma, o fantasmadaopera já lá está. Sacode-me o panfleto diante da minha enorme protuberância nasal. Também, continua ele, se oferecem bilhetes para o circo, com a presença do palhaço Pepito e de Karagonis. E mais...
Fujo dali. Dirijo-me ao bar. Porém, fantasmadaopera, omnipresente, surge do nada, como um vendedor de postais, referindo não sei que outras vantagens, que outras alegrias, que outros descontos...
Corro, desesperado, para a sala de professores.
Dona Coluna, que não se apercebera sequer da minha retirada e continuara falando, relata ainda como o neto/a gatinha, «nem queira saber, professor, e quando encontra um obstáculo, eheheheheh...», mas eu, que julgo ter despistado o fantasmadaopera, sinto-me, apesar de tudo, em paz.
E até pergunto, interessado e comovido:
«E o pastelinho de nata, perdão, a sua netinha dá boas natas, aaaah... dá noites boas...?»
20 setembro 2007
19 setembro 2007
PARABÉNS!
12 setembro 2007
CLASSIFICADOS
- Aluga-se sala de professores amovível e convertível fumadores/não fumadores. Serventia de cozinha e casa de banho. Dá-se preferência a pessoa séria, isto é, que ri pouco.
- Procuro um lugar no estacionamento da eslav que perdi enquanto fui à Sandoxa comer um bolo. Dou grojeta.
-Vendo telemóvel com mp3, fotografia, vídeo, aspirador, fax, filofax, som surround 7.1 com colunas, chapéu de sol, ecrã a cores com protecção total (factor 50 indicado para peles claras) . Também faz e recebe chamadas.
- Procuro assoalhada para trabalhar sozinha, em local sossegado. Com ventoínha ou ar condicionado e instalação sonora.
- Vendem-se máquina de sumos e tostadeira como novas, preferencialmente a professor.
-Procura-se o senhor responsável pelo vazio no bar da eslav. A última vez que foi visto transportava um tabuleiro amarelo carregadinho de bolos.
- Ofereçe-se babá para professor, com experiência em casos difíceis de adaptação. Dão-se referências.
08 setembro 2007
DIZ A DRA RUTH: «DIVIRTA-SE, PÁ!»
O pato é um animal que dorme em pé. A banana é um fruto que não tem caroço. Existem cerca de dois médicos por três mil habitantes na região de Palo-palo em Zafirola. Na verdade, nessa região há, ao todo, três mil habitantes, e os dois únicos médicos são pessoas que não vão para novas, e não deixarão continuadores. Heróis do mar, nobre povo Nação valente, e imortal. Levantai, hoje de novo, o esplendor de Portugal...! Parabéns a você, nesta data querida, muitas felicidades, muitos anos de vida, hoje é dia de festa, cantam as nossas almas...!
Adeus.
Assinado:
Anónimo que tem Imenso Tempo e Poucas Ideias, de Modo que Enche a Zona de Comentários do Blogue com Plágios Patetas
Caro Anónimo que tem Imenso Tempo e Poucas Ideias, de Modo que Enche a Zona de Comentários do Blogue com Plágios Patetas:
Não lhe posso garantir que compreenda a sua intenção. Em todo o caso, se essa actividade o consola de qualquer forma, penso que deve continuar. Ela mostra mais de si do que pensa. De resto, o coleccionismo a que se têm dedicado outras pessoas irrita mais do que o seu: por exemplo, os senhores da Caixa Geral de Aposentações coleccionam recusas de aposentação a professores muito doentes; a senhora dona Lurdes colecciona medidas que minam a Educação; o senhor ministro colecciona novos votantes arrependidos de terem votado nele. Perante isto, que mal pode fazer a sua colecção de descomentários absolutamente parvos??? Divirta-se!
Sua
Dra. Ruth
07 setembro 2007
E ASSIM VÃO AS COISAS NO REINO DA ESTUPIDEZ
Ministra, adepta, ao que parece, da TLEBS, exige rigor na expressão. Isto não é «desemprego». É um «desajustamento entre a oferta e a procura». Aaaah!
Milhares de professores, por outro lado, mantendo - até ver - o seu lugar, não acederam, no entanto, à ansiada titularidade.
Parece que só a minoria dos titulares está bem e não tem de que se queixar. Será?!
Vamos espreitar:
TITULAR 1 - O que é isto aqui no meu horário? Não percebo estas designações. LJ? Que é isto, LJ?
COORDENADOR-TITULAR - «Limpeza de Janelas».
TITULAR 1 - Limpeza de janelas? Mas eu vou limpar janelas?
COORDENADOR-TITULAR - Não te queixes, que não é todos os dias. É só às sextas às 6h. 30 min.
TITULAR 2 - E ATS? O que é ATS???
COORDENADOR-TITULAR - «Arranjo dos tacos das salas», que é que havia de ser...?
TITULAR 2 - Mas... mas... mas...
TITULAR 3 - E o que significa aqui HTVPTSLD?
TITULAR 4 - E RGNNNZTRPILA???
TITULAR 5 - E TAMOSLIXADOS???
COORDENADOR-TITULAR - Meninos, meninos, calma, calma, estão muito agitados. Vocês agora são titulares, não se esqueçam. Qual é o nosso lema, hein? Vamos lá...
CORO TITULAR - AGORA SOMOS TITULARES, JÁ NÃO PODEMOS RECUSAR CARGOS!!!
NÃO-TITULAR (Assistindo à reunião titular) - Lá estão aqueles malandros todos contentes! Para eles é que aquilo está bom!!!





