18 janeiro 2006

BOA ACÇÃO DO DIA

TORNEMOS ALGUNS FELIZES...


3 razões lógicas para se ser benfiquista:


a razão natural: a mulher dá à luz, não dá às antas nem a alvalade;


a razão bíblica (pode ler-se na Bíblia): dominarei os leões e os dragões e voarei para o céu sobre as asas de uma águia;


a razão teológica: J. Cristo encarnou. Não azulou nem esverdeou!

JOÃO PAULO COELHO, «O» MOURINHO DA ESLAV: UMA AUTOBIOGRAFIA

III CAPÍTULO
REVELAÇÃO MACABRA
(PESSOAS SENSÍVEIS E PUDICAS, NÃO LEIAM. CONSIDEREM-SE AVISADAS)

Partilho com «o» Mourinho (para responder ao cobardão anónimo), Mourinho de quem, como já disse, nem gosto, uma série de características: a mesma dureza de diamante, implacável, assassina até, e o mesmo sentimento de superioridade a que todos os inferiores chamam «arrogância». «O» Mourinho pensa, planeia meticulosamente. Também eu: sentado na sala dos professores, sem um movimento, medito - como se estivesse a dormitar (logo eu, que nunca durmo), como se não fizesse nenhum. Na verdade, medito. Premedito. Sou bom nisso. Sou mesmo mauzinho. Sou mesmo Mourinho!

Basta de conversa. Uma autobiografia só vale alguma coisa se, a páginas tantas, contiver uma revelação-surpresa, uma confissão-choque. Chegou a altura.

Eu matei o Sindroma!!!

O fulano que vai aparecendo ainda aí na escola, muito histérico, com um horário muito flexível, só com duas direcções de turma, em vez de quatro ou cinco, esse que se faz passar pelo Sindroma, era somente um sem-abrigo a quem paguei uns euros para se fazer passar pelo autêntico.
O Sindroma. Consegui matá-lo, porque me antecipei à Madame, ou ao Abel, que ele insultara desprezivelmente no blogue, e a muitos mais...! Se não fosse eu o assassino, seria outro.
Se repararem melhor no tipo que anda por aí, com um sorriso tolo colado permanentemente aos lábios, verão imediatamente que é uma falsa cópia. Este, nem sequer é ruivo. (Ah! E atenção às carteiras, quando o virem por perto. E aos cartões de fotocópias, em que ele é viciado...)

Foi assim que sucedeu tudo: ia eu com a pochete do Abel atravessada na axila - não para fazer figuras tristes, mas porque o Abel ma emprestara para trazer nela uns vinhos que alegrassem o almoço de Natal - mais um canivete suíço no bolso (que tinha o objectivo de tirar a rolha às ditas) quando, num corredor do PINGO DOCE, topo o Sindroma, de costas, debruçado sobre a prateleira das fraldas: mas das fraldas para adultos incontinentes, note-se. Hão-de lembrar-se, com certeza, da excelente descrição que fiz da sua ida a um congresso pseudo-filosófico.
Nem pensei. (Só penso quando estou sentado. Quando estou de pé, não: já é muita coisa junta). E no corredor onde não passava ninguém mais, saquei da naifa e espetei-lha nas costas. Entrava como em manteiga. Sindroma torcia-se, babando-se e urinando-se, como usualmente:
- Ah! Traidor - rouquejou - apunhalas-me pelas costas?
Não entendo isto. Lá corria, pois, juntamente com o sangue, a baba, a urina, também o fluido filosófico. A mania da problematização por tudo e por nada. «Será que a realidade existe? Será que eu sou eu?» Digam-me lá: para um não-filósofo, isto é, para um gajo normal que está sendo apunhalado, que diferença faz que seja pelas costas, pelo ventre, por aqui, por ali? Mas não. Um filósofo tem de se interrogar: «Apunhalas-me pelas costas?»
Num instante, tinha-o a meus pés. Por um momento, confesso, depois de um rápido sentimento de plenitude, fiquei sem saber o que fazer. Por fim, rebolei (é como me desloco quando quero ser rápido) para a secção dos artigos de construção civil, e trouxe um serrote.
Não havia tempo a perder. Meti mãos à obra: tinha de o desmembrar, se queria sair dali sem dar nas vistas. Aliás, era fácil. Tudo, no Sindroma, se desfazia filosoficamente, tudo era vago, inconsistente. Onde escondo as peças?, interroguei-me. Ah, sim, na pochete. Sempre me parecera, aliás, que a pochete era mais funda do que se diria vista de fora.
Eu cortava, enfiava, cortava, enfiava. (Mais tarde, em casa, teria um puzzle a três dimensões com que me entreter). Atirei uma perna para a malinha de mão. Outra perna. Um braço...
Nesse momento, aflito, dei-me conta de que um determinado órgão não cabia de forma alguma. Ai, ai, ai. O nariz. Raios!
Despejei outra vez o conteúdo da pochete, braços, pernas, olhos. Um menino aproximava-se:
- Ei, man, que fixe! Curto encaixar esses Action Man. Posso ajudar?
- Isto é o contrário de um Action Man! É um Philosophical Man! Não serve para fazer coisa nenhuma. Não serve mesmo para nada. E tu, desaparece!
Procurei enfiar só o nariz na saquinha do Abel: inútil. Não cabia. Horror! Desespero! Não cabia.
Então, tremendo, recoloquei os outros membros na pochete e pensei ocultar a nariganga do Sindroma no único local em que poderia caber. No interior das minhas gigantescas calças. Assim fiz. Saí, pois, com uma saliência suspeita logo abaixo do meu ventre, como um segundo ventre, como um promontório.
Era, tudo aquilo, desconfortável. Tinha de andar vagarosamente.
Bruscamente, percebi que me ia cruzar com uma colega muito convencida, muito vaidosa, cujo nome não irei referir de modo algum. Ai, ai, ai. Ai, ai, ai. Não podia já evitá-la, nem fingir que a não via. Aproximámo-nos.
E ouvi-lhe dizer, enquanto mirava o nariz do Sindroma escondido sob a braguilha:
- Ena, ena! Vejo que ficaste muito satisfeito por me veres...

FIM

SIMPLESMENTE BELÍSSIMA - 9º EPISÓDIO

E com mais um arriscado episódio, que nos leva de regresso à escola, o guionista lança-se resolutamente para a morte. (Só espero que haja blogues na outra vida). Ok. pessoal: câmaras, luzes, ACÇÃO!

Lucas, o bem-amado chefe, que, se bem se lembram, fora esbofeteado por uma enfermeira, retirou-se, de rabo entre as pernas, sem saber o que fazer, interrogando-se acerca de que diabo teria ela percebido.
Nesse momento, pela janela gradeada, apercebeu-se de que se aproximava, em passo ligeiro, Paulinha Varela, que o vinha visitar. Trazia um rabo-de-cavalo que lhe repuxava o cabelo violentamente para trás, como uma dessas artistas circences que se dependuram do tecto pelos cabelos presos por grossos cabos. Vestia uma espécie de toga em linho indiano e umas botas novas, todas catitas.
- Paulinha, ainda bem que vieste, ainda bem que vieste!

Mais tarde, Lucas explicava a sua ideia a Paulinha Varela, que o escutava, entre o surpreendida e o comovida.
- Percebeste, Paulinha? Tens de falar com a Octopeia. Só ela te poderá dizer o que fazer para travarmos de uma vez por todas o plano a Madame.

Foi com algum nervosismo, temerosa, que Paulinha Varela, nessa tarde, se dirigiu, já na sala dos professores, à inefável e infalível Octopeia.

Paulinha Varela - ... E eis o que sucedeu. O Lucas pensa que se não agirmos, tudo se transformará em algo... em algo...
Elisa- E tem...
Paula - ... toda a razão...
Vera- ... se não agirmos...
Assunção - ... tudo se transformará em algo.
Elisa- Aliás, mesmo se...
Paula- ... agirmos...
Vera- ... tudo se transformará...
Assunção- ... em algo. Mas adiante.
O primeiro passo, segundo a Octopeia, deveria ser executado por duas personagens que o destino viria, afinal, a juntar, e mais rapidamente do que se esperava: Dolores e Cara Danjo.
Dolores, que Paulinha procurou de imediato, e que encontrou regando rosas, percebeu o alcance da incumbência.
Cara Danjo, que estava no polivalente, só conseguia perceber, com as pernas frágeis, o coração acelerado, que o estavam requisitando para uma missão - em conjunto com a mulher que amava! As mensagens que encontrara no bolso (a de Urbanoc e uma que, a um olhar desentendido, pareceria um simples talão de uma lavandaria) bem tinham previsto. Ele não percebera logo: era, afinal, isto!
Deveria distrair, entreter Madame, enquanto Dolores, a «ileita do çeu kurassão», penetrava no palácio medieval, procurava a máquina transformadora de professores em réplicas de Madame, e a destruía.
- Atão - preocupava-se Cara Danjo - çe pur akazo a dona madame rezolver voltar pró çeu palhaço mediaval, eu fasso 1 çinal. açubiu por izemplo. não açubiar não dá. olhe kanto o lá em sima tá o tiroliroliro tá bem. já çabe. çe ôvir o lá em sima tá o tiroliroliro eskondasse logo. [Tradução para a Abelha Maia: «Se, por um funesto acaso, Madame regressar repentinamente ao seu palácio medieval, eu far-lhe-ei um sinal. Assobiarei, por exemplo. Não, assobiar não seria boa ideia. Olhe, cantarei o «Lá em cima está o tiro-liro-liro», está bem? Já sabe. Se ouvir o «Lá em cima está o tiro-liro-liro, esconda-se logo».]

Não foi difícil desviar Madame.
Cara Danjo levou-a mesmo a revelar o seu segredo:
- o kê?[Como diz?] - surpreendeu-se. - uma mákina k trãsforma todos os prufeçores em madames? tá doida! [Uma máquina que transforma todos os professores em réplicas suas? Está mal da cabeça...]
- Não me chame doida! Não me chame doida! - empertigava-se a senhora.
- pesso deskulpa. é k axei k me tinha dito k tinha 1 mákina k trãsfurmava os prufeçores em madames! [Lamento. É que supus que me houvesse dito que possuia uma máquina que transformaria os professores em réplicas suas.]
- Izatamente, perdão, exactamente!
- tá doida. [Está mal da cabeça]
- Não me chame doida! Não me chame doida!

Mais para o fim da noite, Madame já o tratava por tu e lhe abria completamente o seu coração:
- E há muitos exageros. Falam tanto sobre mim, mas não me conhecem. Falam sobre o meu feitio, mas não sabem nada. Eu, que até sou uma mulher que gosta de obedecer. Espantas-te? Sim, sim, sim, não o negues, confessa que te espantei. Pois é como te digo. E mesmo com o Lucas, mesmo com o Lucas, sempre me senti bem a obedecer às suas ordens, até porque, no fundo, era eu quem lhe mandava dar aquelas ordens...

(CONTINUA)

17 janeiro 2006

AVES QUE PIAM

Contam que D. Lukas-O Pantufo, Rei das Oeiras, Imperador dos Carnaxides (Pequeno e Grande), do Alto e Baixo Algés e de todas as Pedreiras, ainda existentes ou já desaparecidas, tinha uma colecção de aves que piavam. Era a maior colecção de aves que piavam do mundo conhecido. E provavelmente do desconhecido também, se bem que deste se sabia pouco.
Um dia chegaram a Nova Velha, capital das Oeiras (a Velha Velha fora destruída por um paroxismo), dois viajantes, Metatarso de Castro e Palpos de Aranha. Dirigiram-se ao palácio real e pediram uma audiência.
-De que se trata? Quis saber o Aldeixus real.
-Sabemos que Sua Excrescência tem a maior colecção de aves que piam do mundo-disse Metatarso.
-É verdade- disse o Aldeixus, olhando de soslaio. -Todas as aves que piam no mundo estão na colecção do nosso rei.
-Todas não - plicou Palpos.
- Como não? - Replicou o custódio.
-Sabemos de aves raras que piam como nenhuma outra que não estão na colecção de Sua Indecência.
-E onde estão essas aves? Triplicou Aldeixus.
-Só diremos a Sua Demência em pessoa.
Os dois foram levados à presença de Pantufo, que reclinava sobre um almoxarife, abanado por seis lupanares enquanto uma lêndea seminua coçava o seu estrôncio. A sala do trono era toda decorada de alvíssaras e cenas de caça.
-Sim? disse o Rei das Oeiras, mastigando uma nêspera e cuspindo os caroços pela janela.
-Trazemos notícias de aves que piam como nenhuma outra - disse Metatarso, fazendo um salaminho.
-Aves que Vossa Mumificiência jamais ouviu falar-completou Palpos com um arrabal até ao chão.
-Impossível - disse o Rei, aspirando um habano puro.
-Eu tenho todas as aves que piam do mundo.
-Vossa Ardência conhece a xerox emplumada?
-Xerox emplumada?
-É uma ave que nós descobrimos.
-E ela pia? Trucou o Rei
-Copia. Retrucou Metatarso.
-Como é que eu não conheço essa ave? disse o Rei, olhando espantado para Alexu...xus, o caçador real. -Onde a encontraram?
-Num lugar que só nós conhecemos, Vossa Carência. Na margem oposta de um dos sete mares do vosso reino.
-Qual dos mares? O Mar A, o Mar B, o Mar C, o Mar d-Dto, o Mar D-Esq, O Boom ou o Condes Ferraz?
-Um desses- disse Palpos.
-Mmmm. Já vi tudo-disse Pantufo, coçando as bigornas.-Vocês querem alguma coisa em troca da informação. Digam, que será vosso.
-Bem, Vossa Displicência-disse Palpos -somos viajantes solitários. Muita falta nos faz a companhia feminina, principalmente em noites de torresmos e coratos...
-Ah, quereis maganas-disse o Rei-Pois escolham as que quiserem do meu gineceu.
-Preferiamos escolher entre as vossas primas, Vossa Insuficiência.
O rei esbracejou, chamando todos os nomes aos viajantes incluindo filhos de uma turbina, mas acabou por concordar. Mandou chamar as primas para que os viajantes escolhessem. Metatarso ficou com a Ampola e Palpos escolheu a Lentilha, eram as mais coradas de todas.
-Agora digam onde estão essas aves.
-Bem -disse Metatarso- vossas primas têm hábitos caros, Vossa Decadência. Como conseguiremos mante-las felizes?
-Está bem-interrompeu o Rei.-Terão uma renda vitalícia de um milhão de aéreos por mês.
-Terei de aumentar os impostos, mas o povo compreenderá.Agora, vamos às aves!
No dia seguinte, partiu a armada real, dez naus escanhoadas e uma nau-capitânea abria o cortejo.
Durante a viagem, Pantufo não parava de pedir mais informações sobre as aves que encontrariam.
-Há a "voiyeur de nuit"-disse Metatarso.
-E ela pia? torquiu o rei.
-Espia -retorquiu Metatarso.
-Há o pião azul-disse Palpos.
-E ele pia?
-Rodopia.
-E a clínica do banho.
-Ela pia?
-Terapia.
-Não podemos esquecer o marrecão larápio.
-Ele pia?
-Surrupia.
-E as AAA.
Elas piam?
-Arrepiam.
A armada real levou três anos para atravessar seis mares, com Metatarso e Palpos entregando-se todas as noites, a longas lengas e intermináveis charnecas com Ampola e Lentilha.
Finalmente chegaram à margem oposta do mar Condes Ferraz e desembarcaram. Não encontraram aves que piavam, nem sem pio.
-Onde estão as aves? Perguntou Pantufo.
-Já sei o que houve, Vossa Dissidência-disse Palpos- Esta não é a margem oposta.
-Claro-disse Metatarso-A margem oposta fica do outro lado.
E lá foi de novo a armada real.
Consta que a armada real continua em viagem, repetindo-a de tres em tres anos uma vez que a margem oposta muda, misteriosamente de lado!...
NB. Qualquer semelhança com factos reais (ou republicanos) ou nomes é pura coincidência

VISITA DE ESTUDO - TRÊS

8. Já no interior do sítio arqueológico, FILETE explica..." ...e podem ver, daqui do Forum as ruínas da basílica à vossa direita e, no lado oposto, a via que conduz ao Teatro, ao Anfiteatro e ao Circo..." "Ó Stôra, o circo tem leões, alifantes e ursos?.." pergunta a GUIDA FUÍNHA "Disparate, menina...este era um circo romano...não tinha dessa bicharada..."responde MÁTIMA...logo reforça o GIMBRAS " És mesmo xoné, ó bacana...e se tivesse leões nós íamos lá todos - somos 6 milhões - e até os comíamos...SLB...SLB...SLB..."; perante a sublime palavra de ordem que ecoa pelas pedras do passado, a turba aumenta a sua agitação, clama e urra de novo, e desata numa correria louca, a invadir vários espaços do local...5 ou 6 , junto à basílica, retiram umas pedras do edifício e, sem qualquer pudor, iniciam uma saraivada de pedrada sobre os passantes..."à púrria!! à púrria!! padradas neles..." grita desalmado o FELIX TRAULITEIRO...a confusão inicia-se...ZEZE, de telemóvel na orelha comunica.."Sim, mamã...chegámos bem...claro...pois...nas ruínas...sim janto, tá descansada...Sim clar....AIIII..." grita ZEZE atingido de raspão por uma bicuda pedra retirada do que resta já da basílica...ARMÉNIO, com um hot dog na mão esquerda, estuga o passo e segue em perseguição dum grupo de 6 ou 7 marmanjos que se esgueiravam pela via ápia..."Eh malta ...que é aquilo de Lupanar..??? os gajos tamém vendiam lupas???" questiona, a propósito, o RUI LAGARTIXA, tri repetente do 7º X...um pequeno grupo de turistas idosos é trucidado pela passagem ciclónica do RUI e dos seus acólitos que entram no Lupanar...logo param e observam as sugestivas imagens pintadas a fresco sobre as divisões do interior da casa..."Cum caraças...pessoal...isto é quera regabofe...inda falam das casas de Bragança...ao pé disto são sacristias..." exclama, atónito o XOXAS BEXIGOSO...."Cum caraças...tratavam-se bem...os maganos..." pensa ARMÉNIO que, após um vigoroso sprint deglutira o cachorro e apanhara o grupo na entrada do Lupanar; FILETE e FADALENO, fugidas das pedradas e com ar inquieto, procuravam outro grupo que inflectira por uma rua estreita na direcção do Teatro...no dobrar duma esquina quase chocam com EMÍLIA BABOSO, o LUÍS e o CÃO que visitavam o local..."Meninas, que surpresa encontrá-las aqui...tudo bem??" pergunta risonha e corada EMÍLIA ..."ão ão" completa Luís mirando de lado o cão..." Oh..Emí,ia...olá...mais ou menos...tamos com pressa, sabes...fugiram-nos uns alunos e nós fugimos de outros..." "..Então boa sorte..." diz EMÍLIA mirando o cão.... "ão âo" repete Luís, mirando com olhos meigos, EMÍLIA...Chegadas ao topo duma pequena colina as duas professoras viram, com espanto, o que restava das ruínas do Teatro...ruínas de ruínas...as colunas jaziam por terra...os capitéis e os frisos eram armas de arremesso do grupo destruidor...uma estátua que encimava a zona semi circular dos actores, estava sem cabeça, sem os braços e era empurrada pelo RUI LAGARTIXA e mais dois..."Força, força...vai pla escada abaixo..."no meio do descalabro, mais um grupo de turistas com ar nórdico, fugia a sete pés do local...
ZEZE, que entretanto encontrara VALDEMAR FANHOSO , esclarece por entre uma ameaçadora núvem de poeira..."...Mas não..VALDEMAR...esses anos todos também contam prá reforma...tu vê issso bem..." "Não contam, não...aquilo foi no ultramar e, naquele tempo, no desporto o tempo não contava...acho que estás enganado..." Sobem ambos pachorrentamente uma estreita via, enquanto em sentido contrário uma brigada da GNR a cavalo, chamada pelos responsáveis do local, se dirige para um dos locais de tumulto...Pela instalação sonora do parque arqueológico soam alguns avisos..."É favor manter a calma...dirigam-se todos para a saída...o parrque vai encerrear...o parque vai encer..." Pummm, um estoiro súbito anuncia o rebentar de toda a instalação sonora, que tomba juntamente com a cabine de som, com as bilheteiras e hall de acesso...ao mesmo tempo algumas labaredas revelam um pavoroso incêndio que se inicia no anfiteatro adossado ao hall de entrada....ADALBERTO TROMBAS, velho frequentador do 10º ano e já com nome dado para a tropa, regava com gasolina e fósforos o local...com ajuda de mais 4 mãnfios é claro...
9. Após saída apressada, os professores encontram-se no exterior onde a confusão é enorme...Carros de bombeiros de Santiago do Cacém...3 ambulâncias de Mértola...um batalhão da GNR auto transportado (além da cavalaria...)...dezenas de pessoas deslocando-se sem rumo certo...representantes das embaixadas da Noruega, Dinamarca, Inglaterra e da Nova-Guiné...os 4 professores dirigem-se ao estacionamento dos pesados e olham, horrorizados, para a camioneta...Osemi-eixo da frente partido...já não havia pneus...e o interior todo queimado..."Que horror!!!" exclama perplexa FILETE "Sim que horror..." completa MÁTIMA..."Bandidos, canalhas...só á lambada na beiçola..." completa peda´gogicamente ARMÉNIO ..."Sim..mamã...vamos agora para a residencial...e.. sim amanhã voltamos...até logo..." conclui ZEZE. Da manada nem sinal....ninguém encontrava ninguém naquela confusão...
10. No dia seguinte, à hora prevista de chegada à escola, o Kaiser Lucas tenta acalmar a crescente ansiedade dos pais que se concentram na zona fronteira ao portão..."A questão é a seguinte...o grupo foi de visita...e nesta questão....é evidente que se infere que a inclusão do referido grupo é uma questão que, além das outras questões, nos faz questionar se... mas é tudo uma questão de tempo...tenhamos calma..."
11. Dois dias depois, cerca de 150 pais (e mães, amantes, concubinas e amigas e a mãe de ZEZE...), contidos por um grupo de 80 polícias de operações especiais, pressionavam junto ao portão da escola..."Queremos os nossos filhos...Que se passa afinal???...Queremos os nossos meninos e meninas...Que foi que fizeram aos nossos querubins???..."O chanceler Lukas, olheirento, com dois cigarros a fumegar entre os dedos, não escondia o seu terror amparado pelos colegas de chancelaria...."Tamos feitos,,,e não há notícias deles...o que terá acontecido???"
Subitamente, num rasgo de energia contagiante, o sr. ZE PEDRÂO, funcionário do CRE de vigia na cobertura do Polivalente, esbraceja e grita..."São eles...São eles...vejammm..." aponta para a subida de Miraflores para a escola...Todas as cabeças se voltam e faz-se, de súbito, um silêncio pesado...ouve-se, ao longe uma triste melopeia, com acentuado sotaque alentejano.."Por aquela parede acimaaa...vai um caracol abaixooooo...na te dê cuidade ó caracaliiii...ca tua carne é pra xouriçasssss..." Dengosamente, uma carroça puxada por um burro subia já da rotunda para a escola...na carroça vinham os professores, deitados e sem darem acordo de si...rebocada pela carroça do ti FELISBERTO TENTILHÃO, uma velha camioneta dos anos 40, sem motor MAS COM PNEUS (carecas é certo, mas com pneus...) albergava, numa estranha quietude, as 2 turmas de alunos que 4 dias antes tinham partido na visita...tudo calmo e quedo...não se ouvia um mosquito...apenas a voz, um pouco rouca, de ti FELISBERTO para o alazão..."Anda ESTANISLAU...anda que logo te dou um fardito de palha..."
12. Da multidão silenciosa, plantada junto ao portão da escola, emerge uma voz de timbre aclarinetado que trespassa o ar..."ZEZE....ZEZE..."

CONFERÊNCIA COM OS REPRESENTANTES DOS CANDIDATOS À PRESIDÊNCIA FOI UM SUCESSO...

Atelier de Escrita Criativa dos Professores da ESLaV
1... E a principal razão, deveu-se a que a maioria dos representantes não se dignou comparecer. Um teve um providencial (e presidencial) furo, outro ficou retido no trânsito, um deles já nem sequer nos atendia no seu telemóvel. Ao furo, ao trânsito caótico, a tudo o que os impediu de chegarem, o meu bem-haja!
2. Inicialmente, o título desta «Breve» referia-se aos representantes para a juventude dos candidatos. Acabei por desistir, porque já não sabia que mais fazer para que não pensassem que era um jogo de palavras e outra piada acerca da longevidade de quase todos. Não há representante capaz de fazer seja o que for pela juventude dos candidatos. Mas não faz mal: eles assumem a idade.

A PROPÓSITO DOS PRÓS E CONTRAS E DA FORÇA ANÍMICA NACIONAL

1. AFIRMAÇÃO: O Blogue da ESLAV, perdão, O Atelier de Escrita Criativa, é realmente muito à frente (a Clara Pinto Correia não havia de gostar desta expressão). Senão veja-se: Já o Sindroma tinha dito que algo está podre quando os senhores que fazem escutas telefónicas não comem queijadinhas de Sintra ou pãezinhos saloios. Voilá.
2. QUESTÃO 1: Foi só a mim que a Clara Pinto Correia conseguiu irritar com as suas verdades absolutas e com o seu profundo conhecimento do ensino em Portugal?
3. QUESTÃO 2: Se laranja em árabe se diz Portugal, então é por isso que o Cavaco vai ganhar as eleições?

QUADRO RESUMO DAS ACÇÕES DE FORMAÇÃO DO PESSOAL DOCENTE: ÚLTIMA VERSÃO

Atelier de Escrita Criativa dos Professores da ESLaV
1. COMO TORNAR DECENTE A PROFISSÃO DOCENTE - Não se realiza por falta de financiamento
2. QUEM MANDA AQUI SOU EU - Modalidade: Oficina de Formação. Horas/créditos: 25 horas presenciais, 25 horas autónomas, 1 a 2 créditos. Calendário Previsto: 7 de Fevereiro a 28 de Março, das 16h. 30 min. às 19 h. 30 min., 3ª feira. Público Alvo: Professores com dificuldade em compreender de onde emana o Poder. Formadores: Lurdes Regrada e Válter Remos
3. Como Desenvolver a Inteligência de Todos os Envolvidos na Educação - Não se realiza por falta de financiamento
4. Como Animar a Malta - Não se realiza por falta de financiamento
5. Curso de Prática Vocal: Como Gritar Menos Fazendo-se Ouvir Mais - Não se realiza por falta de financiamento
6. Fazer Relatórios Sobre AAA - Não se realiza por falta de financiamento
7. Como Fechar de Uma Vez por Todas uns Blogues que Eu Cá Sei (Até porque Eu Sei Tudo, Ainda Bem que Tenho Mais Uma Oportunidade Para o Mostrar) - Modalidade: Oficina de Formação. Horas/créditos: 8 de Maio a 24 de Julho, 16. 30 às 24.00, 2 créditos. Público Alvo: Os Chatos do Costume. Formador: Dr. Daniel Sem-paio

15 janeiro 2006

OS NÚMEROS NÃO FALHAM: 3 PREVISÕES PARA OS PRÓXIMOS VINTE ANOS - POR MARCO BELLINI, NUMEROLOGISTA

Muitas pessoas não têm fé na ciência dos números.
Vou surpreendê-las. Depois, não venham dizer que não vi longe.

Primeira previsão: se somar 5, que é o número de figuras que se encontram no pós-sépio (já foi um pre-sépio) que se encontra na cantina, a 352, número dos bichos que se encontram no interior daquele buraco em que outrora assentou a cabeça de S. José, obtém 357. Se a este resultado somar 1669, que é um número que não sou capaz de justificar, mas que me veio agora à cabeça, terão: 2026. Esse é o ano em que esse triste pos-sépio será, por fim, retirado da cantina. Mas não vos garanto que seja logo no primeiro período do ano lectivo 2026/27.

Segunda previsão: Somem a idade do Chefe Lucas (segredo!) à idade da filha recentemente nascida do Pâcheku (três meses, aí não é necessário fazer segredo). Obterão o número 53 e 3 meses. A este número juntem 9 meses, para completar mais um ano. Ficam com 54. A isto, acrescenta-se um desses números que eu intuo e que não tenho de explicar a ninguém, era o que faltava: 1972. Resultado: 2026. Nesse ano, o Chefe Lucas, desiludido com as punhaladas nas costas, farto das adversidades, cansado de trabalhar sem ser reconhecido, deixará o Poder.

Terceira e última previsão: Antes de 2026, só três professores desta escola se terão reformado. Os outros, ou terão quinado nas aulas de substituição, ou estarão ainda a trabalhar. Basta somar a idade de todos os professores desta escola (cujo resultado é 5.002.333.421.787) e, a esse número, subtrair um outro que eu sei, e que não vou revelar porque não me apetece estar a fazer mais contas. O resultado é 2026.

Não neguem uma ciência que não conhecem. Aproximem-se de mim.
Para marcar consultas - 965 965 65.

A VISITA DE ESTUDO - DOIS

5. A camioneta parou no sítio destinado aos pesados e vomitou num ápice, a manada e os acompanhantes; o FININHO corre para o WC , logo envolvido num coro de animalescas manifestações e de alguns impropérios..."Vai, vai agora que mais logo não podes..he.. he...".."Cuidado ó FININHO, não entupas a retrete...ho..ho..ho.." " Vê lá se te afogas, meu...não fazes cá falta nenhuma..hi..hi..hi.."; FILETE e ARMÉNIO lá conduziram os restantes para o interior do edifício, para a zona do snack..."Stôra, vou ali melgar as revistas" avisa LICAS MANHOSA..." E eu vou filar os recuerdos e postais, Stôr..." reforça o aviso o FELIX TRAULITEIRO...."Juízo, meninos...não se afastem que nós não nos demoramos!!" aconselha FILETE acompanhada por FADALENO que acrescenta, em surdina.."...Nós não nos demoramos!!!"...neste entretanto, já ARMÉNIO transportava um tabuleiro dos grandes bem fornecido de vitualhas, dirigindo-se a uma mesa enquanto mais atrás, ZEZE do seu telemóvel, dizia "Sim , mãe...tá tudo bem...não, ainda não chegámos...tá bem, eu depois ligo...".
Sentados à mesa, gozavam uns momentos de paz e descanso quando, subitamente ,o motorista irrompe pelo salão e queixa-se à mesa.."Senhores professores...venham depressa que aquilo lá fora tá uma algazarra...ninguém os aguenta...venham, por favor..." logo ARMÉNIO e FILETE tomando a dianteira, alcançam o exterior...O empregado da secção das revistas corria, tresloucado, atrás de 5 ou 6 marmanjos que tinham bifado várias revistas e jornais...umas catraias rabiavam a anafada dona do quiosque dos postais e dos recuerdos...FELIX TRAULITEIRO urinava para um dos pneus da camioneta, a 2 metros de distância, enquanto uns 4 ou 5 gandulos davam apoio gritando..."Mais alto, mais alto....vê se chegas à janela..." O GIMBRAS NAVALHINHAS pontapeava furioso, a porta do WC, gritando..."Sai daí, FININHO....foste pelo esgoto, ou quê?..mais 3 ou 4 ululavam..."Arromba, GIMBRAS, arromba!!"
A tourada foi de tal monta que, só após 20 minutos de esforçadas tentativas, ameaças, conselhos alguns empurrões e pedidos de desculpa aos lesados, foi possível acondicionar, de novo, a manada no interior do veículo e seguir viagem...
6. "Valha-me Deus...viram como eles se portaram?? e pensar que temos que aturar isto ainda mais 30 anos..." diz, desconsolado e em voz baixa, ZEZE..."...Deixa lá, ZEZE...são crianças em crescimento...têm que libertar energias...é preciso uma atitude pedagógica da nossa parte..." diz, conformada, MÁTIMA..."Pedagógica o CARAÇAS!!! se isto volta a acontecer é palmada na beiça que até ferve...isso é quera bom!!!!" ...afirma categórico ARMÉNIO; "Bem, ZEZE...dá-me aí uma folha para esboçarmos os tópicos da visita...daqui a uma horita devemos chegar.." FILETE tempera o ambiente...ZEZE busca então na sua pasta de couro preto.."Ora aqui está... o formulário de pedido de reforma de 1978, aqui o mesmo de 85 já com alterações...aqui o registo biográfico de 1990...He He... ainda assinado pela D. Rita da Secretaria...papel..papel.?? uma contagem de tempo de serviço de 98, outra de 2000...outra ainda de 2003...papel..??...Ó FILETE, desculpa lá mas não tenho o papel que precisas..." "Gaita, ZEZE...não trouxeste nada....temos que fazer um plano para a visita..." responde FILETE, um pouco impaciente..."Ó sr. JACINTO,... dá-nos uma folhinha do seu bloco???" pede FILETE, meio envergonhada, ao motorista, que pensa para si...."Que professores estes...bolas!!! hei-de avisar o meu mais novo para estas coisas..."
6. A viagem prossegue, com animação geral no habitáculo, registando-se de quando em vez, uma bota voadora que bate no vidro da frente, um frasco vazio de yogurte líquido que em voo rasante, aterra no penteado de MÁTIMA e vários preservativos cheios de líquidos variados que, fechados, circulam como balões de hidrogénio na atmosfera dum parque de diversões...ARMÉNIO, de cucuruto apoiado no encosto da cadeira, ronca de tal modo que abafa o ruído do motor do veículo...FILETE e FADALENO conferenciam tentando definir um plano para a visita...ZEZE, concentrado, com auxílio da sua máquina de calcular, realiza estranhas operações de cálculo...
50 metros à frente, uma tabuleta aponta um desvio à direita com a indicação "Ruínas".."Dra, FILETE, mais 5 minutos e tamos lá..." avisa o sr JACINTO, motorista; "Sim, Sim...chegámos na hora prevista...ainda temos a tarde toda..." responde FILETE "Não te esqueças FILETE, que agora anoitece cedo.." revela ZEZE..."Anoitece??... JÁ...mas...já é noite?? como o tempo passa...de facto devo ter dormido umas boas horas...já traçava qualquer coisa!!" diz estremunhado ARMÉNIO, esticando os braços num disfarçado espreguiçar...
A camioneta pára, enfim, no local das ruínas no parque destinado aos pesados; havia algum movimento de visitantes, sobretudo estrangeiros e algo idosos; no preciso momento em que o sr.JACINTO puxa o travão de mão, uma lata de coca-cola com cinza e um resto de líquido afaga o vidro da frente após um voo picado, espirrando o seu conteúdo na cara e camisa do motorista..."Seus vândalos... se eu sei quem atirou isto..." refila, de pé, o pobre JACINTO..."Cála-te ó bacano...dá mas é corda aos sapatitos...." "O Xofer é cá um bacano,,," "Ó Cota...põe pedrinhas de gelo nos sovacos e arranca pla fresquinha..." "Ah Ah Ah..." a turba manifesta-se, urrando e vociferando, desejosa do momento de libertação e já farta do interior da camioneta "Abre mas é as portas, ó macaco...a malta quer bazar!!!"...Lá saiem todos do veículo pelo lado direito, enquanto no lado oposto, de pé, no exterior junto à sua cabine o pobre sr.JACINTO sonha acordado..." Que raio de trabalho este...caramba..que saudades... quando eu, após a minha reforma por invalidez aos 34 anos motivada por uma unha encravada no dedo mindinho do pé direito, formei aquele célebre jazz band "JACINTO E OS SEUS GAÚCHOS"....abrilhantávamos aquelas noites no Ritz Club...com o strip da MARIANA XUNGOSA, 58 aninhos bem conservados...aquilo era caixeiros viajantes do norte a largar ali o caroço todo...mamavam wiskey de Sacavém como água...era a encantadora de serpentes, a GRACITA SALAMANDRA, com um réptil articulado de madeira...e os papalvos papavam aquilo tudo e pagavam pra ver...o pior eram os piolhos e as pulgas, caraças...isso é que eu não gostava...tava sempre a coçar-me e a minha mulher, quando chegava a casa pela madrugada, chateava-me sempre a cabeça, desconfiada com as coçadelas...havia muita doença naqueles tempos e não havia tantos antibióticos como agora..." "Ó sr JACINTO, espere por nós aqui que, após a visita, vimos cá ter todos" recomendou FILETE, enquanto MÁTIMA FADALENO tirava o bilhete de grupo para a entrada e ARMÉNIO e ZEZE se esforçavam por manter alguma calma na manada...
(CONT)

14 janeiro 2006

PRIMEIRO A GRIPE DAS AVES, AGORA AS ESCUTAS TELEFÓNICAS, QUE MAIS NOS IRÁ ACONTECER?

Há quem, ao telefone com certas pessoas ou um certo tipo de pessoas, não consiga meter uma única palavra. Quando muito, algumas exclamações. Fora disso, ali se fica à escuta, com um ar de tédio infinito, lançando, a tempos: «Hum-hum... pois... ah... pois... ai sim?...»
Poderia pensar-se que é isso a «escuta telefónica». Mas não. O conceito de «escuta telefónica» refere-se, hoje em dia, a uns tipos que intersectam conversas alheias; imagino eu que as intersectem do interior de umas carrinhas com antena: aí passam o tempo, de óculos escuros, auscultadores, comendo Donuts. Ora isso é inadmissível. Estamos em Portugal, que diabo, e os agentes portugueses deviam comer queijadinhas de Sintra ou pãezinhos saloios. Isto é o fulcro da questão. Depois, há ligeiros pormenores a considerar: ouvir-se conversas alheias parece pouco democrático.
Esta moda das escutas invadiu o país. Chegou à nossa bem-amada Eslav. Há conversas que têm sido minuciosamente ouvidas por agentes infiltrados, a fingir que são professores (porque já repararam em professores que Não podem ser professores: Não é possível...!), ou por um senhor que faz limpeza à máquina de café, ou por uns tipos que fingem que vão consertar as fotocopiadoras (o que é um péssimo disfarce, porque raramente as fotocopiadoras aparecem consertadas). Possivelmente, um dos espiões é o tal anónimo que tem intervindo no blogue, e até já teve o deslize de falar dos telefonemas móveis da Fátima Luzia, garantindo até que não havia ninguém a responder-lhe do outro lado. Ora como é que o anónimo podia sabê-lo? Hein?

Chegaram às nossas mãos algumas gravações que atestam a teoria que defendemos. Não identificámos ninguém. Mas segue uma advertência: Cuidado! AS PAREDES DA ESCOLA TÊM OUVIDOS. O presépio decadente não sai nem sairá tão cedo do refeitório, porque está cheio de microfones. Os insectos que ali se vêem são, na verdade, «bugs».

GRAVAÇÃO 1:

Trrriiim!
- Estou? Quem fala?
- [Silêncio comprometido]
- Quem é?
- Olá.
- Tu outra vez, abelhuda? Que é agora?
- Não precisas de ser tão agreste, Elasticazinha. Estou com dificuldades. Ainda não consegui entrar no blogue para escrever sem ser nos cantos dos comentários...
- Ó Abelhuda! Mas já te fiz desenhos. Já te expliquei tantas vezes...
- Tantas? É que nem foram trezentas. Talvez duzentas e noventa, mas nem isso, nem isso. Tu também não nasceste ensinada, pois não?
- Bom. Vá lá. Vamos recomeçar. Primeira lição: sentas-te.
- Onde?
- Numa cadeira.
- Ah!
- Segunda lição: ligas o computador...
- Estás a ver? Estás a ver? Da última vez não era assim. Da última vez, primeiro tinha de ligar e depois é que me sentava. Como é que queres que me entenda se és tão confusa?

GRAVAÇÃO 2

Trrriiim.
- Estou!?
- Dona Páscoa?
- Ah, é a senhora dona ministra. Como está, senhora dona ministra?
- Bem. Mas temos de falar. Temos andado aqui a conversar, o Válter e eu, e o Válter convenceu-me de que mais duas horas é muito pouco para pôr os professores a trabalhar a sério, esses madraços. Andamos a pensar em subir para seis horas.
- Seis, senhora dona ministra? Mas olhe que duas já era um disparate, com as minhas sentidas desculpas à palavra disparate. Os professores estão cansadíssimos. Trabalham como doidos (embora alguns, de facto, já antes fossem um bocadinho doidos, como a [nome suprimido] e a [nome suprimido] e o [nome suprimido] ou o departamento de [nome suprimido, mas não faltará quem enfie a carapuça]. Aqui trabalha-se, minha senhora. Aqui não se dorme em serviço.
- Chiu. Nem mais uma palavra. Estamos sob escuta.
- Sob escuta???
- Sim. Não ouve uma espécie de zumbido, um ruído estranho? São escutas!
- Ah, este barulho? É o Lucas a ressonar. Não, a tossir, a tossir, queria eu dizer. Pára de tossir, Lucas. Acorda, vá!

GRAVAÇÃO 3:

- Olá meninos. Está lá? Estão a ouvir-me bem?
- [Palavrões irreproduzíveis. Gritos.]
- Hoje vamos inaugurar uma experiência giríssima. Uma aula de substituição por telefone. Que me dizem?
- [Palavrões. Gritos. «Não quero, não quero». Alguém diz: «A professora não nos pode ver!»]
- Ai isso é que eu posso.
- Então que é que eu estou a fazer, que é que eu estou a fazer?
- A pôr dois dedos no ar, em forma de V, sob a nuca de um coleguinha croata.
- [Palavrões, exclamações de espanto. «Será bruxa?»]
- Vamos trabalhar?
- Só se for jogar... - Não, só se for bater nos colegas... - Não, vamos cantar, cantar é que é bom...
- Sim senhor. Então vá lá, todos em coro: AAA Minha Machadinha...

GRAVAÇÃO 4:

- Então, que é que estiveste a fazer esta noite? Estás com um ar cansado. A corrigir testes?
- Não. Estive a instruir-me. Um professor também tem de se manter informado, não é só passar informação. Estive a ver uns videozitos.
- O quê? Os do José Hermano Saraiva?
- Nááá! Olha, um é o «Ratinhas ao Sol». Outro, com os gemidos todos dobrados em castelhano, é o «Bragas Humedas». Mas o meu preferido ainda é o clássico «Carimbe-me Toda, Senhor Carteiro».

Atenção: há mais gravações. Não se metam muito comigo, ou desato a passá-las. Isto não é uma ameaça. É um aviso.

13 janeiro 2006

cuidado com as bruxas


E ficamos por aquí porque pode dar azar!
(lagarto, lagarto...)

A VISITA DE ESTUDO - UM

1. Após uma repousante auto turtura de sono, o chefe Lukas folheava um maço de folhas formato A4 olhando, sem ver ,a maior parte delas...separava-as conforme o aspecto...as mais bonitas, directas para o fundo da última gaveta...as assim-assim para o arquivo-lixo e as piores pela janela fora, em formato de apetecível bola para os gaiatos do 7º ano testarem as suas habilidades futebolísticas...QUANDO, REPENTINAMENTE, as suas mão param e o seu olhar fixa, demoradamente, um papel com ar de formulário, cujo cabeçalho dizia: VISITAS DE ESTUDO.
Tratava-se um pedido de Visita de Estudo a realizar conjuntamente, pelas turmas do 7º X e do 10º W; o pedido era subscrito pelas professoras FILETE PONTEIRO ( do 10º W) e MÁTIMA FADALENO (do 7º X); o local a visitar seriam umas ruínas arqueológicas no sul do país e, a dita visita, tomaria dois dias e uma noite; seguia-se uma lista de alunos e de outros professores acompanhantes...
2. "Mau, Mau...visitas de 2 dias...ruínas alentejanas...com esta gajada toda...devia levar isto ao Pedagógico...." pensou o duce Lukas com alguma lógica..."Porém, se levo isto ao Pedagógico, com a Plantier, a Lurditas, a Soledade, a Olívia Paliteira e outras quejandas, arrisco-me a ter a decisão lá ....para ...Outubro de 2007, na melhor das hipóteses..." voltou a pensar o caudilho ainda com mais lógica... "Que se lixe!! aviso os outros pelo telefone e autorizo já a visita!!" concluíu, pensando de novo, o fuhrer triunfando, claramente, sobre o dilema.
3. No dia previsto e à hora possível, FILETE e MÁTIMA estavam ao portão da escola, procedendo à reunião da manada e à sua condução para o autocarro que esperava, há já 35 minutos, pela hora da partida..."É sempre isto, caramba...nunca estão a horas..." pensava o pobre motorista da Vimeca, desesperando por nunca ter tido oportunidade de estudar em novo para ser professor...era o seu grande sonho, desde jovem, e nunca pode concretizá-lo...paciência..."...Talvez o meu mais novo, um dia, seja o que eu não pude ser...que o mais velho...aquele gandulo é só noitadas, gajas, copos e trabalhinho...tá quieto..."reflectia, triste, o motorista...
"Tá tudo?? já podemos arrancar, sr. motorista..."- avisou audívelmente FILETE, enquanto MÁTIMA, de sobrolho carregado, acrescentava em surdina..."Já podemos arrancar, sr. motorista..."No interior da escola, junto à porta principal e por entre uma irregular linha fumegante que saía dum meio SG light entre o indicador e médio da mão direita, o olhar atento do dalai lama observava, por trás das lentes escurecidas dumas cangalhas à la mode...
4. A viagem iniciou-se e prosseguiu, sem motivos para reparos...a manada, ainda adormecida, distribuía-se pelos bancos, ouvindo mp3, walkmans, mascando pastilhas e dormitando...um ou outro, de testa no vidro, observava com ar bovino, a travessia do tejo pela ponte...
No banco atrás do motorista MÁTIMA FADALENO e ARMÉNIO MERCALHÃES ocupavam os dois lugares; no banco ao lado FILETE e ZEZE GARE CYA . Queixa-se ARMÉNIO "Pois é MÁTIMA...estas visitas são uma treta...obrigam um gajo a levantar-se com as galinhas, é só passeio e aturar esta canalhada...e eu com tanto pra fazer lá na Junta..." "Ó ARMÉNIO TROLHA, não é bem assim...isto tem muito interesse pedagógico" riposta FADALENO .."TROLHA??? tás-me a confundir com o da Areosa ou quê?? olha que eu sou de Mecânica, ouviste?" ofende-se ARMÉNIO..."Ah. desculpa ó mecânico...sabes... eu tirando a História e a Pedagogia...nada mais me interessa..." desculpa-se MÁTIMA com o olhar vago..."Mecânico??? Mau mau...ó minha...ouve lá...tás marada do cacholete, tás??? de Mecânica mas ENGENHEIRO!!! percebes ?? ENGEENHHAAAIRRROOO!!!" ameaça explodir ARMÉNIO "Tá bem, tá bem...não te zangues.. desculpa..." sussura FADALENO.
No banco ao lado, ZEZE desafia a atenção de FILETE, confidenciando..."Sabes FILETE...isto da reforma aos 65 anos é uma tragédia...já há 20 anos atrás, quando eu pensava em meter os papéis na Secretaria, tive o pressentimento - tal como a minha mãe - que a coisa ia piorar...sabes que a minha mãe disse-me - ZEZE, prepara-te porque a tua reforma é só la para os 80 anos - tás a ver... isto tá mesmo mau, não achas?" "Sim...tens razão... mas sabes, ZEZE, eu por agora ainda não penso nisso...não vale a pena..." responde com pouca convicção FILETE, acrescentando para mudar de asunto.."ZEZE; trouxeste as folhas com os tópicos da visita para dar aos alunos?" - "Oh...que chatice....não queres ver que me esqueci??...foi tudo a correr esta manhã, ...levantar, pequeno almoço para a minha mãe, roupa para a minha mãe, trazer a minha mãe até à escola...sim que ela fez questão de me ver partir...que cabeça a minha..." responde penitente ZEZE..."Bom...teremos que improvisar...que cabeça a tua, ZEZE!!" repreende FILETE "Tens razão...mas sabes que também vão alterar os impressos e os prazos para requerer a reforma..???"questiona, mais aliviado, ZEZE..."STÔRA...tem que parar a caminete...o FININHO tá à rasca pa ...ah...precisa de fazer xixi...tá aflito!!" berra do fundo do habitáculo o GIMBRAS NAVALHINHAS..."Menino, então...calma...já vamos parar dentro de 5 minutos na estação de serviço e, então, podem ir à casa de banho..." acalma FILETE...."Gaita...são só mais 5 minutos...já preciso atestar de combustível...tou com uma certa fraqueza... e cá com uma sede..." pensa para si, ARMÉNIO recordando, com saudade, os penalties e as sandes de coirato das 11 horas no Alberto e na tasca do Dafundo..."Que pena esta paragem...eu cá estou desejosa de chegar às ruínas e sorver todo aquele ambiemte, aquela vivência ancestral, aquela atmosfera pré...pré..." divaga FADALENO... "Cala-te, sim....vais mas é sorver um abatanado e uma dupla de chourição e queijo...ou se preferires acompanhar-me num coiratito...e num penalti..???" interrompe, categórico e com olhar amendoado, ARMÉNIO..."Jesus Maria...livra!!!.. já comi um biscoito integral esta manhã e meio copo de sumo light de cenoura...já tou comida para todo o dia!!" defende-se MÁTIMA..."Comida para todo o dia...ai ai...." suspira, sonhadora, FILETE, enquanto um ligeiro chiar de rodas e travões anuncia a paragem na estação de serviço da auto-estrada para uma breve pausa...
(CONT)

12 janeiro 2006

CRISTOVÃO COLOMBO / SANTANA


Um grupo de académicos concluiu, de forma irrefutável que Cristovão Colombo era Santanista:
  • partiu sem saber para onde ia
  • chegou sem saber onde estava
  • regressou sem saber de onde vinha

Tudo isto à conta do dinheiro dos outros...

ACTUALIZAÇÃO DO DICIONÁRIO DE PORTUGUÊS:

Santanice - Acto ou acção de alguém que acaba sempre por prejudicar outro e ser também ele prejudicado com esse acto ou acção, sem ter consciência disso. Forma de agir inopinada e irresponsável que prejudica toda a gente envolvida directa ou indirectamente, na acção, sem que o autor tenha uma consciência absoluta das consequências dessa acção.

O CARIZ INTERNACIONAL DO POVO PORTUGUÊS


Então vejamos:
  • Quando um português tem um grande problema pela frente costuma dizer que se vê GREGO;
  • Se uma coisa é extremamente difícil de compreender, ele afirma que isso é CHINÊS;
  • Quem trabalha de manhã à noite é um MOURO de trabalho;
  • Uma invenção moderna e mais ou menos inútil é uma AMERICANICE;
  • Quem se gaba em excesso é amigo de ESPANHOLADAS;
  • Quem vive com luxo e ostentação vive à grande e à FRANCESA;
  • Se faz algo para causar boa impressâo aos outros è só para INGLÊS ver;

Só os amigos de PENICHE...que não são grande coisa..., são PORTUGUESES.

PENSAMENTOS PROFUNDOS...

  • Se és um jovem entre os 16 e os 18 anos...então tens 17.
  • Se a montanha vem a tí...corre porque é um desmoronamento.
  • Não existem opiniões estúpidas...mas sim estúpidos que opinam.
  • Antes era indeciso...agora já não sei!
  • Já te disse 100 milhões de vezes que não sou exagerado!

Pensamento do dia:

  • Se te disserem que o teu trabalho não é o de um profissional, lembra-lhe: amadores construiram a Arca de Noé (penso que o próprio Noé também...) e profissionais o Titanic.

SIMPLESMENTE BELÍSSIMA: 6º EPISÓDIO

Como uma telenovela a sério, esta blogonovela deixa ao guionista uma série de frentes possíveis. Diante de tantas frentes, prefiro voltar atrás. É que no «Deus nos Valha», Lar para Professores Reformados em Stress, algo não cheira bem. Para além do facto de o «stress» provocar flatulência, aquela casa tem qualquer coisa de suspeito. Voltemos lá.
No momento em que aterramos, o Chefe Lucas está completamente desesperado. Meio-mouco da orelha direita, por causa da Manuela Saraiva que lhe conta a vida aos berros, e tentando livrar-se da Guilhermina, que quer por força que ele faça de Nossa Senhora no presépio vivo - o qual, no entanto, já parece tão morto como esse outro que apodrece na nossa cantina; basta dizer que no presépio do Lar, o senhor que faz de S. José, por exemplo, parece estar francamente pouco vivo, em decomposição até, e há uns bons cinco minutos que o não vemos respirar... - o Chefe Lucas, coitado, só consegue pensar na estranha visita que ontem lhes tinha feito o Cara Danjo.
Cara Danjo era o único que o poderia ajudar. Era a sua ponte para o mundo exterior: e ele tinha de escapar dali, para salvar a escola de um plano de Madame, que concebera uma máquina para transformar todos os professores em réplicas exactas de si: imagine-se, o Garcia, a Judite Simão, o Valdemar, todos entrando por um lado da máquina, e todos saindo depois, por outro lado, como plantiêzinhos: Garcia Plantier, Judite Simão-Plantier, Valdemar Plantier...!
Não. O chefe teria de se opor com todas as suas forças a essa dominação.
Quando se livrou das outras duas colegas de Lar, subiu ao seu quarto. Tinha tentado passar, ontem, uma mensagem ao Cara Danjo. Mas ter-lhe-ia passado o papel correcto? Ou, no meio do nervosismo, teria havido algum engano?
Vasculhou na sua pasta: encontrou um relambório intitulado AAA, muito maltratado pela Elastigirl; uma folha de sumário da Teresa Santos, que começava assim: «Não compareceram alunos...» mas que, como entretanto lhe tivessem aparecido alguns, ficara finalmente da seguinte forma: «Não compareceram alunos durante a maior parte do tempo, salvo nos últimos minutos, em que compareceram alguns dos alunos que não tinham comparecido». E, por fim, uma folha de agenda, em que rabiscara: «Contaca com a Octopeia. Ela dirá o que fazer para me tirarem daqui!» Raios! Aquele é que era o papel que o Cara Danjo devia ter levado. O pedido de que se recorresse à Octopeia. Agora sabia o que Cara Danjo levara por engano: o talão com a conta da limpeza a seco de seis casacos de bombazine bége.

Entretanto, na sala de professores, Octopeia, o oráculo da escola, assistia, divertida, à conversa que alguns alunos mantinham, à porta, com a Directora de Turma.
Octopeia era um ser estranho, mitológico, com oito pernas (daí o nome) e quatro cabeças. O seu nome próprio era Elisa-Paula-Vera-Assunção. A sua intuição sempre se mostrara infalível. As suas profecias eram famosas. Perguntava-se-lhe, por exemplo:
- O que devo fazer?
E a resposta construía-se, cabeça a cabeça:
Elisa- Vai...
Paula- ... passear...
Vera- ... e fecha a porta...
Assunção - ... ao sair...
Ou, então, alguém perguntava:
- Quem sou eu, quem sou realmente eu, diz-me, por favor...!
E a Octopeia:
Assunção - És...
Vera- ... o Garcia.
Paula- Paga...
Elisa- ... à saída...

O Chefe Lucas, naquele deprimente lugar, pensou: «Tenho ainda uma última solução. Vou seduzir a enfermeira. Sou bom nisso de seduzir. Peço-lhe para me deixar usar o seu computador. Envio uma mensagem para o mundo...»
Nem de propósito, lá estava a enfermeira a olhar para ele, com um olhar de carneiro mal morto.
O chefe aproximou-se.
Sentou-se doce e meigamente ao lado dela.
Colocou a mão sobre a mão da mulher. Ela fez um trejeito coquéte.
Já ansioso, pensando na sua libertação próxima, o chefe segredou-lhe:
- Deixa-me ir ao teu site.
Ao que ela respondeu, indignada: «Porcalhão, grande porco, abusam logo!» -, antes de espetar um sonoro bofetão no seu surpreendidíssimo rosto...
(CONTINUA)

ESPÍRITO NATALÍCIO

1 - Já devem ter reparado (e se não repararam andam muito distraídos) que estamos no dia 12 de Janeiro de 2006.
2 – Também já devem ter notado que o dia em que se comemorou a chegada dos nossos amigos Gaspar, Baltazar e Melchior ao pé do Menino-nas-Palhas-Deitado-nas-Palhas-Estendido já passou há 6 (seis) dias atrás.

Não obstante estes factos incontestáveis, a nossa escola continua (e porque não, realmente?) a ostentar uma bela árvore Natalício-Ecológica feita com garrafas de água de plástico com listas vermelhas e verdes.
Mas, meus amigos, muito melhor do que isto é o belo presépio que se pode encontrar na cantina. Nunca repararam? Convido-vos a um olhar mais atento sobre o dito. Este presépio deve encontrar-se na cantina para aí desde o tempo, sei lá, do terramoto de 1755. Aliás, só pode, porque o estado de destruição do dito nos indica que foi um dos sobreviventes daquela catástrofe. Já não me lembro bem de todas as personagens presentes na cena, mas, se não me engano, lá podemos encontrar (entre outros elementos) alguns insectos vivos, e outros já falecidos, teias de aranha, bastantes ácaros e um resto da figura que devia ser S. José, mas que se encontra actualmente decapitado. Valha-nos Deus! (Hoje estou muito religiosa, não sei se já repararam). Para quando a remoção daquela coisa para a reciclagem?

A propósito do relambório que diz respeito às Actividades de Acompanhamento dos Alunos, ditas AAA

Uma das notícias mais fresquinhas apresentadas nas últimas reuniões de departamento tratou-se deste relambório, através do qual nos foi permitido saber:
que existe um livro de ponto de AAA;
que há pessoas que cruzam os dados em vários sentidos e em sentido algum;
que existem diversas referências em código que fariam José Rodrigues dos Santos repensar a sua mais recente obra e o próprio chefe Lucas preferir escrever à máquina.
Este documento fez-nos ainda repensar algumas estratégias... e pensar sobre outras questões inerentes:
quanto tempo demorou a cruzar os dados?
quantos alunos ficaram mais felizes com ele?
No início, acreditamos que estávamos na presença de um documento extraído do dossier de actividades do departamento de matemática, mas faltava-lhe um modelo acrílico...
Ainda num primeiro momento, foram aventadas algumas hipóteses quanto às origens da designação AAA atendendo ao sucesso do blogue:
- AAA minha machadinha?
- Associação dos Amigos do Abel?
- Assembleia de 2 Adelaides +1?
- 3 pilhas de 1,5v?
- Apoiantes e Admiradores do Anonymus?
Ou muito justamente e com lógica, alguém diria,
- Apoiantes dos Alunos Aflitos?
- Ajuntamento de Abéculas Amedrontadas?
- Ah, Ah, Ah!, digo eu…

A KOLUNA DE D.J. CARA DANJO: A JUVENTUDE TEM DE SE POLITIZAR

komo todos çábein eu kurto bué a mnha profe de portuges ela é k ás vezes não paresse kurtirme mas atenssão eu diçe paresse e diçe bein pq no fundo ela çabe k eu çô o novo saramago i çó m deu um 3 para eu não m invaidesser. mas ás vezes a mulhér tein senas bué dastranhas meu. por izemplo agora dis k os jóveins devião pulitizarsse pra alargar os orizontes. ora eu não keria nada alargar os meus orizontes até pq esta sena do macdonalde i dos amburgas i das kókakolas i iço tudo já m alargárão mto i eu perssisava de istreitar 1 koxe os meus orizontes. çó k ela acrechentou bein s calhar a pulitika portugeza não vos alarga s calhar até istreita e aí eu diçe logo boa atão açim talvês çeija bom dedikarme á pulitika e continuar com os amburgas a ver s mesmo açim imagrêsso. akilo d k çe fala agora bué é as persidenssiais. iá. o meu cota vai vutar cavaco imbora diga eu çó não çei pq é k o gaijo anda çempre a repetir k é porfeçor iço é k ainda estraga tudo e le vai fazer perder votos. o meu pai axa k mesmo açim com 1 primâiromenistro como o cavaco tamos çafos pq o mén até ker k portugal çeija maior deve tar a pençar invadir espanha e é baril. a minha mãi é mais suares e curte akela idea dos cartazes k é «çempre persente nos mumentos difisseis». o meu cota fartasse de guzar e dis obrigados têve çempre a kriálos não avia de tar persente. o alegre é fiche. a mnha profe de portuges dis k ele é 1 ómein de kultura i k é çein dúvidas o milhor dos noços puetas mais frakitos mas não çei s çerá 1 bom persidente pq nos debates fika çempre 1 bocado árrasca. tb temos o jerónimo mas a eçe faltalhe a vós kuando vai a falar imbora iço não faça grande difrenssa pq agente já çabe o k o mén vai dezer. resta o lôssã. iá. êçe é çuperkurtido é baril não é lá mto jóvein deve andar plus kuarentas ô sinkuentas mas o k importa é k é çempre purrâiro ver 1 kota com ideas de puto meu. o gaijo ker tudo o k agente ker mén. com êçe a persidente inda vô eu mandar aki na iskola. digão lá çe não gustávão.

11 janeiro 2006

J.P COELHO, «O» MOURINHO, ETC.

CAPÍTULO II
OS VERMELHOS ANOS (AH!)

A minha juventude ficou marcada por três acontecimentos maiores: o meu ingresso no benfica e ter conhecido o Lucas. Dos três, os dois mais importantes foi ter entrado para o Benfica. Falemos, pois, disso.
Quando conheci o Lucas, era este um pequeno agricultor que produzia um vinho único. Fiquemo-nos por este adjectivo para não ferir susceptibilidades. Ainda hoje, aliás, conservo, como prova de estima, a garrafa que ele então me ofereceu. E como o estimo muito, tenciono continuar a conservá-la. Para todo o sempre. Religiosamente.
O Lucas e eu éramos dois verdadeiros aventureiros, dois grandes malucos. Ai como recordo, agora, aquelas viagens que fazíamos à boleia, de mochila às costas, infatigáveis, duarante dias e dias, pela sua quintarola fora. As viagens eram demoradas - não pela extensão do terreno, que era a de um T-zero, mas porque não havia quem passasse para nos dar boleia, de modo que dávamos cinco ou seis passos e depois sentávamo-nos a petiscar de um farnel, a seguir andávamos mais um pouco e logo após tínhamos de dormir a sesta. Que saudades. Foram as minhas viagens mais selvagens!
Foi numa delas que o Lucas me confessou o seu sonho: mandar. «Mandar o quê? A quem? Ou em quê? Ou em quem?», perguntei. «Mandar», insistiu ele que, obviamente, ainda não pensara nos pormenores.
Propus-lhe que reuníssemos os nossos sonhos, e foi assim que partimos ambos à conquista da escola de Linda-a-velha. Aí chegados, eu desatei a ser professor e o Lucas desatou a mandar. Basicamente, nenhum dos dois fazia nada. Estávamos realizados.

Ainda me lembro do dia em que apareceu, no gabinete do Lucas, um certo sujeito de que, infelizmente, terei ainda de vos falar em próximos capítulos. Eu estava de costas, não o vi logo. Ouvi o Lucas dizer-lhe: «Tenha paciência, bom homem, mas hoje já dei...» Voltei-me: diante de nós estava um tipo com um nariz tão descomunal que só podia ser um complexo de superioridade, e com muito mau aspecto. Estendeu-me gentilmente a mão, e eu pus-lhe uma moeda na palma.
- Perdão, não estou aqui a pedir. Venho apresentar-me. Sou o novo professor de filosofia... -, disse ele, com um ar profundamente indignado mas, em todo o caso, não me devolvendo a moeda.
Na altura, não sabia que aquele indivíduo seria o meu inimigo figadal - o Sindroma, cujo nome não consigo pronunciar sem ranger os dentes.

O tempo passava. E Lucas, entretanto, transformara - como já foi dito noutro lugar pela Mulher Elástico - o seu outrora pacífico gabinete num terrível e ousado laboratório científico. Punha aquele semáforo vermelho à entrada, dizia, cinicamente, «Estamos em reunião», os funcionários passavam por ali em bicos dos pés, não se fazia ruído, falava-se em surdina... mas todos sabíamos que, não olhando a meios, o chefe Lucas se dedicava a perigosíssimas experiências de sono, reagindo muito mal a qualquer ruído que o despertasse.
Um dia, desrespeitei o semáforo. Andava roído de curiosidade. Funcionárias tentavam travar-me, pessoas levavam a mão à cabeça, «Pelo amor de Deus, não entre...!», mas nada me deteve. E de repente, no instante em que punha um pé no interior do antro, um ressonar inumano me transfigurou. O meu rosto contorceu-se, entortou-se. Os botões da camisa e das calças soltavam-se todos, disparando em várias direcções. Fiquei branco como cera. Tentei fugir, mas, cá fora, todos fugiam de mim. «Que horror, um fantasma...!», gritava a Dona Noémia. Nascia, assim, podemos dizer que de uma trágica experiência científica... o FANTASMADAOPERA...!!!

10 janeiro 2006

UM DIA (IN)DIFERENTE

Abel, no seu posto de segurança à entrada dos balneários, olhava fixamente o infinito. Olhava mas não via nada, absorto que estava à procura de respostas. Nem viu um cliente que entrou sem bilhete. Seguiu-se uma outra com ar aflito. Não deu por nada.
Não bastava andarem a dizer que a sua pochete não era a única, que afinal havia outra; agora falatava-lhe a companhia sempiterna do JP.
Indiferente, ao seu lado, Guerra, o felizardo, coçava a cabeça enquanto discutia as mais recentes aquisições do benfica com o Nelson, o carreto.
-Deixa lá isso, homem! Ele amanhã tá de volta! - Grita-lhe exuberantemente Inês PiPimentel, como lhe chamava o Alex.
Abel acorda do estado letárgico. Um penteado em repucho tinha-o arrancado do profundo meditar e torna pública a sua dúvida: -Que terá ido o JP fazer ao Porto?.
Ao certo, ninguém sabia.
Lá no fundo, ali ao lado, a outra Inês, com Alegria, pensava: pode ser que por lá fique...
Dado o alarme, e a um estalar de dedos da Madá, reune-se num piscar d'olhos como é seu hábito, o DETA* (não, não é um braço da ETA, embora não lhe faltem motivos para fazer explodir a escola) .
Talvez por solidariedade com o Abel talvez congratulando-se (ainda não se sabe bem), analisaram o sucesso e o insucesso da presença e da ausência do JP, enquanto elemento fundamental e de charneira no ensino da geometria na escola, no concelho de Oeiras, no país e no mundo.
Finda que foi a reunião, a dúvida mantê-se, tendo mesmo ficado em acta:
Onde pára o JP? Porque terá ele ido ao norte?

*Departamento de Expressão Técnica e Artística

SEJA BEM VINDA ABELHA MAIA


Votos de uma boa participação no Blog e isto´não é por estar com medo das ferroadas e outras ...adas...
Especialmente para tí (e pra o fi), cá vai esta:

Moises disse: A Lei é TUDO
Jesus disse: O Amor é TUDO
Marx disse: O Capital é TUDO
Freud disse: O Sexo é TUDO

E veio Einstein e disse: TUDO é Relativo...
E agora em que é que ficamos?
O que é que é TUDO afinal?

Até à proxima, se não for antes...

TB NÃO SEI POR BONECOS...

ISTO É UMA EXCITAÇÃO TOTAL, SÓ ME FALTA APRENDER A POR BONECOS!

alerta

resolvi, por aselhice, para os mais lentos e com maiores dificuldades na aquisição de novos conteúdos , escrever a mesma coisa duas (2) vezes pelo menos até ser feita a avaliação nos próximos CT!bem pensado, não?!!HELLO!!!

finalmente um buraco ...na rede!

daqui fala a MELOSA! FINALMENTE CONSEGUI ENCONTRAR UM BURACO NA REDE PARA ENTRAR!PASSEI UMA ETERNIDADE QUAL MOSCA VAREJEIRA às marradas no vidro a tentar entrar, mas finalmente uma alma caridosa abriu-me a janela, portanto quem me andou a dar alfinetadas prepare-se para agora levar algumas ferroadas, picadas, aguilhoadas, bicadas e outras coisas terminadas em adas.

finalmente um buraco ...na rede!

daqui fala a MELOSA! FINALMENTE CONSEGUI ENCONTRAR UM BURACO NA REDE PARA ENTRAR!PASSEI UMA ETERNIDADE QUAL MOSCA VAREJEIRA às marradas no vidro a tentar entrar, mas finalmente uma alma caridosa abriu-me a janela, portanto quem me andou a dar alfinetadas prepare-se para agora levar algumas ferroadas, picadas, aguilhoadas, bicadas e outras coisas terminadas em adas.

SIMPLESMENTE BELÍSSIMA - 5º EPISÓDIO

MiMika transpirava e suspirava de alívio enquanto abria aporta do cacifo no Pavilhão C.
–Da-se!- BaM! Faz a mochila arremessada bruscamente lá para dentro. BaDaBaM! faz a porta a fechar-se.
– Da-se! Tou farta disto! Bora ao bar.
Kikas encolhia os ombros. Encostadinhas, dirigem-se ao polivalente.
-O meu pai vai-me obrigar a vir às aulas de apoio.
–Que cena, meu! Tou mesmo tramado com isto. Que seca, meu.
Amoroso Querido, rapaz sensato, sabe que as dificuldades no inglês só podem ser ultrapassadas com aquele apoio. Mas no momento precisava do apoio das amigas.
-Se fossemos mais lá na sala, podia ser que ela nem desse por mim…
-Podes crer meu, ó Sónia é um pão com chouriço quentinho. Aquela prof dá enjoo.
MiMika não conseguia esconder os sentimentos. As amigas puseram-lhe o nome por ser uma rapariga transparente e com um formato que se adaptava a qualquer dossier.
-E se a gente falasse com a DT? Vamos ver se nos conseguem arranjar outro prof.
Situam-se estrategicamente à entrada da sala de professores, pão com chouriço na mão.
-Stora! -Toc.Toc.
-Cambada de surdos.
-Stora! Pode ver se lá tá dentro a nossa DT? A professora de Geometria?
-Quem é?
-É assim… baixinha… axo que é João…
-João Paulo? João Plantier?
Gelaram.
-João João… Corte de Graça?
-Isso! Tá aí?
-Com licença… os meninos não deviam estar aqui… estou sempre a dizer o mesmo…
-Oi, professor Garcia! Tudo bem?
-Vá lá, vá lá, deixem passar…
-Atão o que é que querem? – Aproxima-se murmurando João Corte de Graça, pãozinho de leite na mão. – Despachem-se que eu não tenho o dia todo!
-É que… Diz tu…
-Não dá pra substituir a prof de apoio? Ouvimos dizer que os professores substituem tudo e mais alguma coisa e quase já nem dão aulas… Não dá para arranjar outro? Podia até ser o professor Garcia, se ele estivesse disponível…
-Oh meninos! Vê-se mesmo que não têm nada que fazer! Vão mas é estudar, que amanhã têm teste. Sabem ao menos o que é um plano de perfil?!

(CONTINUA)

09 janeiro 2006

BREVES

SOCIEDADE: Célebre «Gang» da Eslav assenta, após violentas discussões, num nome. Atendendo ao ar de balão dos seus elementos, e em homenagem aos Sopranos, passaremos a ter, entre nós, Os Soprados. Junto à entrada para a casa de banho, na sala dos professores.

CULTURA: A Bloguedições vai publicar, da autoria do nosso querido colega Abel, um maravilhoso livro de memórias, intitulado: As Minhas Memórias em Post-its - são mais de quinhentos e tal post-its com lembranças para cada um dos seus passos...

A FECHAR: Saúda-se o regresso ao Blogue da Lara Croft, chegada de mais uma das suas aventuras. Por outro lado, pergunta-se: a Abelha Maia continua a zumbir e a esvoaçar do lado de fora da vidraça? Apre! Será assim tão difícil entrar, melosa?

SIMPLESMENTE BELÍSSIMA: 4º EPISÓDIO

Cara Danjo dirigiu-se para a escola e passou o portão. Cumprimentou o senhor que estava sentado na portaria. Nem água vai. O homem continuava a mirar o infinito com um ar enigmático. Cara Danjo distraíu-se por momentos da sua nova paixão e relembrou algo que tinha aprendido em História sobre uma estátua com quatro patas e que já não tinha nariz. Parece que tinha sido o Obélix a parti-lo. Já não se lembrava muito bem. Rapidamente a sua nova obsessão lhe voltou ao pensamento. A princesa! Onde estaria ela? Para onde teria ido? Precisava de por os seus contactos a funcionar rapidamente. Tinha que a encontrar. Entrou no polivalente e olhou em volta ansiosamente: uma fila interminável na cantina, uns miúdos pequenitos a jogar matrecos, bolas de pingue-pongue a voar pelos ares, um grupo de alunos a desenhar cartazes numa mesa... Cartazes! Era isso! Lembrou-se da frase enigmática que tinha recebido na mesagem de texto: “Representa pelos seus traços nos planos de projecção, um plano de perfil...”. Tornou-se óbvia a mensagem de repente. Aquele professor URBANOC não falhava! Correu para a papelaria: mais uma fila. Lá dentro estava uma senhora que vociferava qualquer coisa que ele não percebeu sobre um prazo de 48 horas que tinha que ser cumprido, falava de muito trabalho em pouco tempo e coisas assim. Que stress! Lá chegou a sua vez: comprou uma cartolina e uns marcadores, dirigiu-se à biblioteca, sentou-se numa mesa e escreveu: “ISTO É UM PLANO: AJUDEM O CARA DANJO A ENCONTRAR A PRINSSEZA COM O PERFIL + LINDO DA XKOLA. TEM ROPAS CULURIDAS E VAI AO JEMADOVO. OFERESSESSE RECOMPENSSAS. CULOCA NA CAIXA ANEXA INFORMASSÕES E DEICHA O TEU CONTAQUETO.” Correu para o pavilhão D direito e retirou sorreteiramente uma caixa tipo urna que lá estava com umas cenas para pôr perguntas sobre a SIDA ou lá o que era. Aquilo já não devia ser preciso. Foi colar o seu cartaz num placard do polivalente, e pôs a caixa por baixo. Nisto olhou para o relógio: bolas, já estava atrasado para a aula de Filosofia! Ia levar bronca do profe, sempre a dizer que ele não estudava nada e que tinha que aprender a escrever, primeiro do que tudo, e assim. Que cena, meu!