30 junho 2006

CONFERÊNCIA DE IMPRENSA: PEZINHO-LEVE FALA AOS JORNALISTAS (Na 3ª pessoa, como o Papa, Marco Paulo e Maniche)

PEZINHO-LEVE: Penso que 'tamos todos de parabéns, o grupo de trabalho 'tá de parabéns, sobretudo o Pezinho-leve 'tá de parabéns: ninguém pode apontar uma única falta ao Pezinho-leve, nem um único erro; o árbitro russo quase só não mostrou cartão ao Pezinho-leve. Na verdade, tudo isto se deve a que o Pezinho-leve ainda não tenha entrado em campo. Mas atenção: o mister só não me pôs a jogar porque sou a arma secreta da selecção. Tão secreta, que ninguém sabe da minha existência. Às vezes pergunto-me se o próprio mister saberá, ou se já se terá esquecido de mim. No fundo, tenho esperança. Uma arma secreta tem de saber esperar; se não, deixa de ser secreta. Por tudo isto, o Pezinho-leve está de parabéns. O esférico também está de parabéns. A moldura humana está de parabéns. As bandeiras comovem-me. Sinto-me um patriota, somos todos patriotas enquanto dura o mundial. A começar pelo senhor Scolari e pelo Deco, que até parece que são os únicos que conhecem uns bocadinhos da letra do hino, sobretudo aquela parte que é assim: «Contra as canelas, chutar, chutar!» Os outros jogadores não sabem o hino, mas, enquanto se está a cantar, vão abrindo e fechando a boca a compasso, como os peixes, a fazer que cantam. Isso é respeito, isso é patriotismo. Estamos todos de parabéns. O grupo de trabalho está de parabéns, não sei se já disse isso, não é só o Pezinho-leve. Julgo que o país inteiro está de parabéns. Sim, nestas alturas é que se vê que Portugal é um grande país. Estou até a pensar em visitá-lo qualquer dia, gostava muito de o conhecer. Força Portugal! Podem contar com o Pezinho-leve!

29 junho 2006

23 junho 2006

REGISTOS & OCORRÊNCIAS

“Eu gostava mesmo de saber desenhar. Por exemplo: via um comboio e desenhava um comboio. Ou um eléctrico ou assim…”
[sic] Raínha de Inglaterra

20 junho 2006

JOGO DE FILÓSOFOS




Só podiam ser os Python...

15 junho 2006

O Que A Srª Ministra Não Sabe

A Srª Ministra não sabe o mais elementar. Não sabe que:
- com vinagre não se apanham moscas;
- "... um bom lider tem que gostar das pessoas..." Jack Welch in RTP, Maio 2006 ;
- generalizar é errado porque é injusto;
- neste grupo profissional (o dos profs.) há muita diversidade, muita riqueza de géneros!
Se não, vejamos. Há:

os Pacholas,
os Graçolas
que
com humor e inteligência
vão transmitindo a ciência.

Há também
os Stressados
que vivem obcecados
com o programa a cumprir
Ignoram a rapaziada
usam a estratégia errada
porque apenas lhes interessa
chegar ao fim
depressa.

Temos também
os Fogosos
os Geitosos
que convencem
e até vencem
os rebentos agitados
pelos pais ignorados
que anseiam por carinho
e que no incauto professor
descarregam o mau humor.

E muito
muito mais
haveria a dizer
se houvesse tempo
para o fazer.

Atenção Srª Ministra
não perca os Profs de vista
Defenda-os
Goste deles
e acredite que com eles
não há insucesso que resista.

PARABÉNS, ABELHA MAIA!!!

13 junho 2006

12 junho 2006

CONSELHOS DO GRANDE GUERRA

Por esta altura do ano, algumas pessoas ficam ainda mais melgas, zumbindo de uma forma agastante sobre as mesmas queixas e lamentos que lhes fomos ouvindo o ano todo: E porque os alunos isto, e porque a colega aquilo, e não sei-quê, não sei-que-mais...!

Vai daí, eu pensei multiplicar pela escola sacos de plástico transparentes, cheios de água, dependurados das portas. Tinha-me parecido que era eficaz contra as melgas. (Já viram isso em alguns restaurantes, não viram?) Afinal, parece que é contra as moscas. Por outro lado, o chefe já me cortou as asas à ideia: «Deixa-te de cenas! Não vais nada pôr sacos de plástico cheios de água dependurados das portas, porque depois eu é que tenho de ouvir os das Artes a clamar que é horroroso...!»

Julgo que a solução, portanto, é mesmo desenvolver um conjunto de técnicas simples. Eu tenho apurado algumas. Estou ao vosso inteiro dispor. A sério. Ao dispor de todas.

a) Quando se aproxima ao longe um colega-melga, sacar do telemóvel, encostá-lo ao ouvido e começar a falar sozinho. No momento em que nos cruzamos com a dita melga, fazemos-lhe um cumprimento vago, um aceno distraído, e continuamos a andar, enquanto gritamos para o aparelho: «Ai é? Mas não podes deixar que te façam isso, pá, tens de protestar...! Ai se fosse comigo...!» (Há pessoas com quem este truque não serve, porque nos travam com as mãos e ficam aguardando pacientemente que o nosso «telefonema» acabe).
b) Dizer: «Olha, tenho de ir falar com FULANA, queres vir comigo?» - (prometi a uma alma sensível que não ia pôr nomes; terão, pois, de adivinhar: mas há várias hipóteses, começadas por C, por G e por J. Cala-te boca! Se escolherem o «fulano» ou a «fulana» certos - não se esqueçam, C, G ou J -, verão as melgas menores a dispersar).
c) Iniciem assim a conversa: «Mas tu fazes greve ou não?». É um assunto mais-que-polémico: as melgas ficam incomodadas e desaparecem.
d) Atirar esta frase: «Ainda bem que te vejo, era a ti mesmo que precisava de pedir um grande, grande, grande favooor...!» - isto é mais eficaz do que o Baygon. Não há melga que aguente.

Paralelamente, nunca se esqueçam de andar colados às paredes, semiocultos entre as colunas, rastejando ou passando de gatas por certas áreas e, como dizia a outra, usem sempre espelhos retrovisores.

Cuidem-se.

09 junho 2006

ALGUMA COISA TERÁ DE SE FAZER

«Os pais são, muitas vezes, os primeiros a identificar os problemas», acabou ontem de afirmar a ministra, justificando, assim, que eles avaliem os professores.
O problema é que, muitas vezes, os pais são o próprio problema.

Mas a ministra, apesar de tudo, esteve bem. Não teve um único argumento com pés e cabeça! Mas conseguiu estar bem, mesmo assim: julgo que foi a completa inépcia do senhor do sindicato que jogou a favor dela.

Confesso que, uma vez por outra, a ministra até tinha razão. Mas a razão que tinha, era pouca. E a pouca que era, não valia nada!

Os professores não estão, tanto quanto tenho ouvido, contra uma avaliação que os distinga, que premeie os melhores e tenda a afastar pessoas como [...] ou [...]. Está dito.
Mas uma avaliação que abra caminho aos «yesmen», aos especialistas no sucesso artificial, aos simpáticos, aos que caem no goto aos meninos e aos papás, aos incompetentes que dão cinco a toda a gente, ou, no secundário, nunca menos do que dezassete, aos peritos no folclore? Prefiro mesmo ir arrumar carros. Ganharia certamente mais!

A ministra insiste: «Os professores não devem vitimizar-se, dando uma aparência de fragilidade. Devem, sim, responder aos desafios...»

Mesmo que estejam a ser efectivamente vítimas de uma ministra que os detesta? E os fragiliza sistematicamente?
Ela tem razão quanto ao desafio. Há aqui, de facto, um desafio prévio: tratar de pôr-lhe uns patins.

06 junho 2006

Medidas...

- Não o achas pequeno?
- Nem por isso…
- Vá lá , confessa ... é pequeno!
- Se o dizes... Mas não acho.
- Mais comprido?
- Quando muito, mais largo.
- 5 cm por seis?
- Por exemplo...
- À escala de 1/100, não está mal.
- Olha p’ra ele exigente! Para quarto é óptimo.

05 junho 2006

DISCURSO E REACÇÕES

MINISTRA (discursando) - Estão a ver todos estes senhores professores aqui reunidos? E sabem por que é que eles cá estão? Algumas pessoas simplórias responderiam: Porque foram convidados pelo ministério para participar destas jornadas sobre Educação. Errado. A resposta certa é: porque assim faltam às suas aulas. Quando eu convido os professores, faço-o por delicadeza, e para lhes dar uma oportunidade. A oportunidade de me responderem: Muito agradecidos, senhora dona ministra, gostávamos muito, mas não podemos. A senhora bem sabe que temos as nossas aulas para dar. Que se aproximam os exames. Ora estes professores vêm a correr! Esta gente é, afinal, a verdadeira e única causa do insucesso. Eu detesto insucesso. Arrepio-me toda. Quando oiço a palavra, lembro-me logo de mim própria. Os professores são uns vermes rastejantes. O meu logo é um professor a ser fuzilado numa forca. Têm de ser pisados! São uns monstros que têm mais prazer em ir fazer compras no shopping (eu nunca vou, fico sempre muito frustrada porque depois nada me fica bem) do que em dar aulas. São responsáveis por todos os males na escola e no país. Se a selecção nacional não vencer, já se sabe de quem é a culpa: dos professores! Tal como da seca, dos incêndios e nem vocês fazem uma ideia de que mais...! Por falar em seca, tenho de beber um golo de água. Ai que sede!

A isto, responde um verdadeiro tsunami de indignação. Um misto de reacções acertadíssimas e de reacções tolas. Furor. Gritos. Um CE de elevada estatura demite-se. Algures, um professor incompetente pergunta: «Será que eu também me podia demitir? Estou tão farto destes ranhosos...» Os professores competentes sentem-se enxovalhados pelas palavras de dona Lurdes. Vai daí, um sindicato ou mais não encontram melhor resposta do que uma previsível greve-ponte. (Como se quisessem dar razão à ministra). Investigadores com dois ou mais dedos de testa criticam ferozmente a senhora. Maria Filomena Mónica, por exemplo, entrevistada pelo Expresso, afirma: «Ministério de Educação é a Raiz de todo o Mal» (quase no sentido em que Sadham falava de «Mãe de todas as Guerras»), e acrescenta: «o ministério tem não sei quantos grupos de trabalho que deviam ser pura e simplesmente extintos com napalm».

MINISTRA (surpreendida) - Mas que é que eu disse!? Mas que é que eu disse!? Que foi que aconteceu? Hein? Que é que se passou, afinal? Não tinha a menor intenção de ofender. Parecem parvinhos! Mas que susceptibilidade, caramba. A única coisa que eu afirmei foi: «Tenho de beber um golo de água, estou cheia de sede!», e eles ficam neste estado???

03 junho 2006

A SEMANADA: PROGNÓSTICOS PARA A SEMANA QUE PASSOU

Greenlight caiu, não, «caiu» é ridículo, basta de quedas nesta escola, recomecemos: Greenlight picou sobre o teclado do computador. Vvvvuuum!!!
Começou a escrever para o blogue.
Via o texto crescendo diante dos seus olhos semicerrados. (A miopia não tende a melhorar, embora se diga para aí que sim).
Estava consciente da sua missão impossível, quase suicida. Sabia que esse ataque, esse «picanço» lhe seria cobrado em murros, desprezo, incompreensão.
Mas nada o detinha.

Apercebeu-se de que, lá atrás, uma sombra que pairava ameaçadoramente sobre si, principiara a soprar de impaciência.
A coleguix, para quem tudo o que não seja trabalho deve ser pecado, aproximou-se dele, na sala dos Directores de Turma, e lançou este potente ataque:
- Colega, eu precisava do computador para trabalhar. Por acaso o colega está a brincar!???

No espaço indefinido, pareceu-lhe claramente ouvir as gargalhadas mesquinhas do ministério da Educação.


O Departamento de Física apresentou a sua exposição viva e interactiva, chamemos-lhe assim: foi proveitoso observar como de materiais muito simples, de uso quotidiano em vários casos, se podem fazer experiências interessantíssimas. Os alunos estavam fascinados com os programas de ilusão óptica. 10 (em 10).

O Departamento de Artes apresentou, ao mesmo tempo, ali ao lado, uma eloquente exposição de trabalhos de alunos. É uma exposição que fala por si, que expõe tudo, que revela tudo. Trata-se também, a seu modo, de uma exposição de «ilusões de óptica». É, afinal, uma chapada de luva branca. 10 em 10. (Não para os trabalhos, obviamente).

Recebo esta mensagem: «O Conselho Executivo da Escola Inês de Castro em Coimbra demitiu-se em protesto pelas medidas e declarações da ministra. Vai ser publicada uma declaração. Façam saber!» Faço saber!

Até outra semana qualquer.

01 junho 2006

AVALIAÇÃO DE PROFESSORES - UMA ANTEVISÃO



Desenho recebido por email e com autoria desconhecida. Sim, (deixei-me adivinhar os vossos pensamentos) não foi nenhum professor de Educação Visual da nossa escola...

31 maio 2006

CENAS OCULTAS, DEBATE E TAL

Filme 1: Vê-se aquilo que, assim de repente, mas mesmo de repente, poderia parecer uma sala de aula.
Dois alunos muito altos e muito fortes, com bonés enfiados até aos olhos, lutam um com o outro usando cadeiras e mesas.
Alunas grandes e fortes puxam-se os mútuos cabelos.
Um jovem, também de boné, esfaqueia outrem.
Um rapaz magro, franzino, espirra. A professora volta-se para ele, furiosa, e desata a gritar-lhe por ele interromper a aula com o seu despropositado espirro.

Filme 2: Um professor prepara-se para olhar o relógio, a fim de confirmar quanto tempo falta para terminarem os 90 minutos de suplício. Repara que já lhe levaram o relógio. Disfarça, para não lhe fazerem mal.
Entra na sala um jovem possante, de boné com pala para trás.
O professor pede-lhe simpaticamente que saia.
O aluno manda-o sair. Malcriadamente, o que parece fazer toda a diferença. O professor sai.

REPÓRTER ESTRÁBICO - Temos aqui no estúdio dois rapazes da escola [aparecem duas sombras de que não se distingue nada, nem nariz, nem olhos, nada senão as palas dos bonés], o Manel e o João, que concordámos em tratar por nomes fictícios. Que tal Lalá e Lelé?
LELÉ (o texto aparece distorcido, para não identificarmos o rapaz)- Lelé? Eu te dou o Lelé!
LALÁ - Deixa, deixa! A gente apanha o gajo lá fora!
REPÓRTER ESTRÁBICO - Então, Lalá, parece-te bem aquilo que estivemos a ver?
LALÁ - Não senhor. Não parece. Estou muito envergonhado.
REPÓRTER ESTRÁBICO - Ah!
LALÁ - Eu não estava nos meus dias. Nunca demoro mais do que três segundos a fazer fugir um professor. É o meu record. No filme, viram que precisei de quase cinco segundos. Não torna a acontecer...
REPÓRTER ESTRÁBICO - Mas vocês tratam todos os professores desta maneira?
LALÁ - Não. Com outros, ainda é pior, muito pior.
REPÓRTER ESTRÁBICO - Ó Lelé. A tua família não fala contigo sobre a escola?
LELÉ - Fala, fala.
REPÓRTER ESTRÁBICO - E tu?
LELÉ - Digo-lhes que está tudo a correr bem.
REPÓRTER ESTRÁBICO - E por que lhes mentes?
LELÉ - Não minto, não. Logo que eu chego à escola, o pessoal desata todo a correr à minha frente. E bem. Corre tudo bué da bem...
REPÓRTER ESTRÁBICO - O que é que se poderia fazer para mudar a situação? Tens alguma sugestão?
LELÉ - Não. Está tudo nos conformes.

DEBATE:

REPÓRTER ESTRÁBICO - Senhor secretário Sempêlo. O que tem a dizer sobre estas imagens?
DR. SEMPÊLO - Francamente más. Acho inadmissível que uma televisão que se preza não tenha camera-men a sério, capazes de filmar sem aqueles riscos e sem aquele grão.
REPÓRTER ESTRÁBICO - Mas, e quanto à situação das escolas...?
DR. SEMPÊLO - Atenção, aquilo é UMA escola. Não generalizemos. E aquela, que eu identifiquei imediatamente, já foi pior, hein? Já lá esteve polícia e tudo. A nossa informação é, portanto, de que a situação melhorou francamente!
REPÓRTER ESTRÁBICO - Mas não lhe parece que deveria melhorar muito mais? Assistimos a cenas verdadeiramente...
DR. EDUARDO CHÁ (PSICÓLOGO) - Ah, mas isso é porque nem sempre os professores respeitam os alunos. O problema está todo aí. Há professores que são verdadeiros casos patológicos. Embirram com tudo. Que o aluno use boné, que o aluno grite... os alunos, coitados, são presos por ter cão e presos por não ter. Se não fazem nada, os professores queixam-se. Se se mexem muito, os professores queixam-se. Afinal, em que ficamos? Os alunos têm de perceber claramente o que se quer deles. Além de que estas brincadeiras são saudáveis.
REPÓRTER ESTRÁBICO - Brincadeiras? Saudáveis???
DR. EDUARDO CHÁ - A juventude tem de se mexer, tem de ser irreverente. Enquanto os professores não entenderem isso, o país não avança.
DR. SEMPÊLO - Não se preocupe, Dr. Chá, que os professores vão entendê-lo. Daqui a pouco até vamos pôr os pais a avaliá-los. É uma ideia minha. Toda minha. Acho que me esmerei. Vai ver como eles acalmam.
REPÓRTER ESTRÁBICO - Quem!?
DR. SEMPÊLO - Os professores, quem mais?
DR. EDUARDO CHÁ - Acaba de pôr o dedo na ferida. Como pai, estou sempre pronto a avaliar os professores. Andam muito nervosos, muito agitados. Precisam de ser acalmados; temos de melhorar os problemas do ensino em Portugal. Parabéns, Dr. Sempêlo. Olhe, senhor Estrábico... Senhor Estrábico...? Senhor Estrábico...!?

Temos de interromper este debate, uma vez que o nosso repórter foi assaltado e levado, num veículo roubado, pelo Lalá e pelo Lelé. Não se tratou, porém, de um debate em vão. Congratulamo-nos por ter diagnosticado o principal problema da educação em Portugal: os professores são histéricos. Algumas medidas terão de se impor rapidamente.

MUDANÇA DE POSIÇÕES NO RANKING

Depois do debate sobre o estado da Educação a que ontem assisti na RTP1, venho só advertir - entre o muito que me apeteceria e não digo, porque não vale a pena -, para o facto de que o lugar de psicólogo mais disparatado do país, tantos anos orgulhosamente ostentado pelo Dr. Daniel Sampaio, foi ontem conquistado pelo Dr. Eduardo Sá. O que faz alguma pena. Tantos anos que o senhor Sampaio levou a apurar-se no erro e na banalidade, para chegar de repente um gajo e, numa única noite, num só programa, sem perder a compostura nem alterar a doçura da voz, lhe arrebatar o lugar. (O Pedro Strecht também dá luta, mas ao lado destes...)
Se não fossem as nossas queridas psicólogas, que admiro, começaria a interrogar-me sobre se poderemos mesmo considerar a psicologia uma ciência!

29 maio 2006

UMA QUESTÃO DE MARKETING

Com a moda das avaliações de professores a chegar, há que pensar numa eficaz campanha de marketing, a iniciar com o próximo ano lectivo junto dos Encarregados de Educação.
Deixa-se aqui uma sugestão:

O meu nome é Fraústo da Silveira. Sou graduado (0,5 na vista esquerda e 2,5 na direita). No ano passado chumbei apenas três alunos e dois dentes. Manga de Alpaca e director de turma.

Chamo-me Botelho da Silveira. Sou um mestre em educação:
educação visual, educação musical, educação tecnológica e educação cívica e educação sexual. Especialista em educação à antiga com anos de prática em educação à moderna. Manga de Alpaca.


O meu nome é Zé da Silveira. Sou professor com tratado. Integrei a equipa que elaborou o tratado de Bolonha e tornei-me especialista no esparguete à bolonhesa. Só quero ver os meus alunos felizes. Dez anos de experiência como manga de alpaca. Adoro preencher papéis.



O meu nome é Toninho da Silveira. Professor encartado, especializado em condução de pesados e veículos articulados com tracção às quatro rodas.
Manga de alpaca.

Chamo-me Lélé da Silveira. Especialista em resolução de conflitos, com diploma obtido na brigada vitor jara, em regime de voluntariado e estágio na Fretilin, onde ganhei prática de apanhar fretes. Manga de Alpaca.

Sou o Silveira mas entre colegas chamam-se Silveirinha. Dou línguas românicas e germânicas em regime de substituição. Dou referências. Manga de alpaca.

A COLUNA DE D.J. CARA DANJO: O MEU COTA VAI CHUMBAR OS PROFESSORES, AH AH AH

ei k sêna mén açério êu nein akerdito êu nein akerdito isto é du best. atão taméin já ôuvírão dezêr k apartir dagóra os páis vão pudêr xunbár os prófes. o mêu kóta vái fikár bué da felís isto agóra é k vái çêr baríl. êu vôu çêr o conçelheiro do kóta pq éstas sênas ção sênas de mta rsponçablidáde mêu não çe póde dezatár a xunbálos tôudos de kuálkér manêira. mas á prófes k ção bué da frios tipo a minha çetôura de istória. por izênplo no ôutro dia êu táva a olhár pa trás e tráu dêume uma coínbra no pescôusso k inda não conçigo endireitár a cára. pôis a çetôura nein ficôu con pêna nein náda e até díçe açin (désta vês não pódes negár k távas a olhár pa trás ããã. até ficáste paralizádo néça puzição. kualkér juís asseitáva éça próva). e vôu êu e dígo (ó çetôura isto fôi tipo 1 geito por êu çêr uma vitima désta gérassão k anda çempre carregáda c as muxilas). pois a çetôura dêusse ó trabálho de vir vêr a minha muxila k pur akázo táva vazía pq os mêus bukes tão guardádos nos cassífos donde nunca os tiro. çenão pra kê k çervíão os cassifos. e a çetôura arrespondêume (não fôi pur cáuza da muxila vazia filho fôi mêsmo castigo de dêus. até çinto k a fé já me voltôu e vôu a fátima agardessêr o milágre. o cára danjo kiéto). o peçuál tôudo a rirsse. ção tão estúpidos êstes kertinos. mas a çetôura de istória éça não pérde pla demóra. tá ein primêiros na minha lista de xunbos.

E SE JUNTAR GORDAS E PRÉMIOS!?

PRÉMIO «SE MUDARMOS AS MOSCAS, OS PACÓVIOS NEM TOPAM QUE A BOSTA É A MESMA»:
«A mudança do nome da Constituição Europeia, acompanhada da alteração de algumas das suas disposições, poderá ser uma das formas de salvar um texto cuja sobrevivência está em risco desde há um ano, quando a França a rejeitou, logo seguida da Holanda.»

PRÉMIO «ATÉ ESTE CONSEGUE VER O QUE HÁ QUEM NÃO VEJA»:
Da coluna de Eduardo Prado Coelho, cito (é um pouco longo, mas vão ver que merece):
«[que os professores sejam avaliados pelos pais dos alunos]: A ideia é manifestamente absurda, mas tem aquele toque de demagogia que agrada às populações. Pergunto-me: mas os pais avaliam o quê? Se os professores são bonitos ou feios? Se as professoras usam ou não as saias curtas? Se os professores são partidários da gravata? Se vão à escola regularmente? Se participam naquelas intermináveis reuniões em que tudo se discute e nada de essencial se decide? [Não sou que o digo, é ele]. Se lêem livros na matéria da sua especialidade (o que é muito pouco frequente, diga-se de passagem)? Se vão ao cinema, à ópera, ao teatro, a concertos, a exposições? [Com o ordenado de professor...?] Se praticam futebol ou se limitam a jogar matraquilhos? Primeiro [...] são raríssimos os pais que estão em condições de avaliar os professores. Segundo [...] os pais apenas se podem basear no relato dos filhos, e nada permite dizer que aquelas encantadoras crianças, que tratam as professoras de "p...", e lhes atiram preservativos à cara e as fecham na sala de aula, sem que o ministério aparentemente se rale muito, estejam em condições de avaliar as capacidades pedagógicas de uma forma isenta e ponderada.»

PRÉMIO «FREITAS DO AMARAL AINDA BRINCAVA COM ESSE BARQUINHO NO BANHO, MAS FOI GENEROSO»:
«O Ministro dos Negócios Estrangeiros, Frreitas do Amaral, respondeu positivamente ao pedido de ajuda feito por Cabo Verde, no sentido de Portugal enviar um navio que possa ajudar a controlar os fluxos de imigrantes ilegais que atravessam as suas águas territoriais.»

PRÉMIO «QUANDO A ESMOLA É GRANDE, O POBRE DESCONFIA...!»
Preço da gasolina desce.
E não é só meio cêntimo. Não. Nem um cêntimo. Não. UM CÊNTIMO E MEIO! OK, logo à noite as companhias já devem ter dado pelo engano, mas até lá...!

UMA AVALIAÇÃO

A avaliação da qualidade do professor constará de: 1. Auto-avaliação (sabem?, aquela parte em que se diz sempre muito bem de si próprio); 2. Avaliação feita pelo Coordenador de Departamento e 3. Avaliação dos Encarregados de Educação (integrada no parecer da Direcção Executiva).

Temos já, à nossa disposição, um excelente exemplo dos moldes em que deverá ser elaborado e apresentado o documento:

«Nome do docente: Martina Pénacova.

I Parte - AUTO-AVALIAÇÃO:

Sinto que a escola brilha mais no momento em que eu chego. O sol surge para me cumprimentar e, como num musical, alunos e colegas vão entoando belos cânticos à minha passagem, o senhor Gonçalves distribui gratuitamente as sandes e a felicidade irradia de todos os rostos.
Os meus alunos adoram-me. Já me chegaram a dizer (o que pode ser comprovado, trata-se do 7º T): «Stora, a stora é a nossa melhor professora». Comovida, perguntei-lhes: «Meus amores, quem são os vossos outros professores?» - «O Gagá, a Guigui, a Juju, o Abominável Homem das Neves...», responderam-me, estremecendo.
Nunca precisei de pôr um aluno na rua (até porque a maioria não vem às aulas) e, com orgulho o digo, nunca apanhei um aluno a copiar. Uma vez desconfiei de um que vinha para o teste com auscultadores e um microfone, mas ele falava tão baixinho que não posso jurar que estivesse a copiar. Também desconfiei de um outro que vinha com espelhos retrovisores fixados nos óculos, mas ele justificou-se dizendo-me que era para não chocar com ninguém quando fizesse marcha-atrás.
As aulas correm muito bem. Não tenho insucesso. Ou melhor, tenho pouco sucesso com o sexo oposto, mas os meus alunos - que penso que é o que para aqui interessa - não têm negativas.

II PARTE - AVALIAÇÃO DO COORDENADOR DE DEPARTAMENTO:

A participação da colega no trabalho do departamento é nulo. Tem o péssimo hábito de passar as reuniões a comer uns ruidosos amendoins, limpando as partículas que ficam entre os dentes com uma unha que deixou crescer no dedo mindinho, especialmente para o efeito. Nunca se oferece para nada. Aliás, sempre que lhe começa a parecer que há trabalho no horizonte, afivela o seu ar adoentado, começa a queixar-se com uma certa antecedência e, depois, na altura diz que está muito doente. Em suma, aparece sempre adoentada. Algumas colegas do departamento, que não a podem ver, vão ao ponto de afirmar que a Martina não tem qualquer doença, só preguiça. Eu não vou tão longe. Penso que, com efeito, a Martina é doente: a sua doença chama-se preguiça.

III PARTE - AVALIAÇÃO DOS ENCARREGADOS DE EDUCAÇÃO/ DIRECÇÃO EXECUTIVA:

Gostamos muito do trabalho da senhora Dra. Martina Pénacova. Os nossos filhos apreciam o seu método francamente motivador, que consiste em ir para as aulas falar acerca de outros professores. São aulas abertas, em que toda a gente pode dizer abertamente mal de quem não está. A Dra. Martina aprecia todas as informações, ri-se muito de tudo o que lhe contam. Tem o poder de acalmar as crianças, não deixando que elas se enervem a ter de estudar e isso.

IV PARTE - PARECER FINAL DA COMISSÃO:
Propomos um 10 (em 10) para a Dra. Martina Pénacova. (Estudar a penalização da coordenadora de departamento).

28 maio 2006

AS GORDAS, AS INDISPENSÁVEIS GORDAS!

O ensino que, como todos sabíamos, não tinha cura, está, finalmente, nas mãos de uma médica a sério, a ministra da Educação: assim, se é certo que se encontrava à beira do precipício, hoje prepara-se, graças a Deus e à dona Lurdes, para dar um grande passo em frente!

O DN esclarece: «Pais Passam a Participar na Avaliação dos Professores».
Os professores que trabalham, não precisam de ter medo dos pais. Só aqueles que são exigentes com o trabalho dos seus alunos.
Mas tranquilizam-nos: «Não há o risco de um pai prejudicar deliberadamente o professor, porque serão vários a participar». Uf! Respiro mais calmamente: percebo que não há a menor hipótese de que «vários pais», em vez de um único, possam «prejudicar deliberadamente o professor».
Mas não sejamos redutores. Há outros elementos a ser considerados na avaliação da qualidade dos docentes. Tais como? Tais como: «o desempenho dos alunos, nomeadamente as taxas de insucesso e abandono». Isso é fácil. Nunca mais torno a dar negativas. Não volto a ter insucesso.
Para os melhores professores, haverá prémios. Para os piores, penalizações.
Será que é desta que me habilito a um portátil? Ou irei receber umas chibatadas? E se eu for masoquista, as chibatadas passarão a ser consideradas prémio...?

Claro que tudo isto traz sempre a possibilidade de algumas injustiças. Deixem-me chamar a atenção para uma: por que raio não está previsto que os alunos também possam, já agora, avaliar os professores? Nós não os avaliamos, por acaso? Não influenciamos a sua progressão? Então...!?

(E, se quisermos alargar a ideia: por que não hão-de os réus poder avaliar os senhores juízes, que julgam sem serem julgados? Hmmm?)

E só mais uma, retirada de um jornal mais leve, para desamargurar:

O «24 Horas» conta que Castelo Branco e Lady Betty Frankenstein foram apresentados à Shakira, na sexta à noite, antes do concerto no Rock in Rio. Coitada da Shakira!
Mas o jornal, sem qualquer vestígio de ironia nem de riso, deixa escapar que a conversa demorou 5 minutos. Fico mais descansado pela colombiana! 5 minutos é o tempo de se conseguir que Lady Betty compreenda quem era a rapariguita que lhe estava a dar a beijoca. «What? Who? But who? Who is she, José? You have to speak aloud, dear! What???»

Adeus. Agora vou chorar para outro lado.

26 maio 2006

O SIMPÓSIO DE PSICOLOGIA

DR. SAMPAIO - Meus senhores, hoje trago algo da Escola de Linda-a-velha.
UMA VOZ - Bem pensado, sim senhor. É a senhora psicóloga bonita?
DR. SAMPAIO - Não, caramba. É um assunto. É um assunto importante! É um objecto de estudo, um problema para... para...
TODOS - ooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooh!
DR. SAMPAIO - Ora bolas para os senhores, meus senhores! Parecem crianças. Piores do que crianças. Não, o que trago é um desenho. Estão a ver? É um desenho feito por um aluno em Área de Projecto. Só que as professoras daquilo, como são professoras de desenho, trau!, não vão de modas, negativa ao miúdo. Coitadas. Elas não vêem mais longe do que os traços e as linhas. Não se preocuparam com mais nada. Não tentaram analisar o desenho psicologicamente, por exemplo, para ajudar o gaiato. Ora, olhando para aqui, é evidente que o gaiato precisa de ajuda psicológica. Já viram que ele só usa azuis? Diversos tons de azul, é verdade, mas só azuis???
UMA VOZ - É verdade. Que curioso! Que estranho!
DR. SAMPAIO - Mas não é só NESTE desenho. Aí é que está! Eu trouxe... onde é que está isto? Papéis, só papéis, que barafunda... um bilhete de cinema, não, a fotocópia de uma receita, também não, uma carta da Dra. Ruth, não, não, não, ando a perder tudo, não é normal, se calhar devia ir ao psicólogo, eu... ah!, cá está. Ora cá está. Os desenhos que este rapaz tem feito ao longo deste ano lectivo. Vêem? Vêem?
TODOS - Eeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeh!
UMA VOZ - Tudo azul.
OUTRA VOZ - Tudo, mas é que tudo.
DR. SAMPAIO - E na vossa opinião, que poderá isto significar?
DR. UMA VOZ - Raiva! Eu detecto aí claramente a raiva contra o sistema de ensino em geral. Embora haja aí um tom de azul mais ténue que revela alguma esperança...
DR. OUTRA VOZ - Não me parece! Azul, raiva? O Dr. Uma Voz desculpe-me, mas isso parece-me bastanta parvo. Nunca ouvi dizer...
DR. UMA VOZ - Parvo? Parece-lhe parvo? Mas está a insultar quem, ó labrego?
DR. OUTRA VOZ - Labrego, eu? Bem, vou deixar passar, vou fingir que não ouvi.
DR. UMA VOZ - Labrego! Pochete!
DR. OUTRA VOZ - Pochete? Eu???! O colega chama-me pochete? A mim? Isso é que não lhe admito. Exijo desculpas. Imediatamente. Pochete? Eu???
DR. SAMPAIO - Colegas, colegas, estamos a afastar-nos do tema. Calma. Ai!
DR. OUTRA VOZ - Desculpe, não era para si. É que pochete, não. Insultem-me a mãe, se quiserem, mas pochete não me chamam. Nunca admiti nem admitirei a ninguém...!
DR. SAMPAIO (esfregando um olho) - Vamos passar adiante. Pelo amor de Deus. Até porque eu trouxe o rapaz! Eu trouxe comigo o rapaz, que nos vai poder ajudar na nossa pesquisa. Anda cá, pequeno. Não tenhas medo...
PAULETA - Medo? Fónix! Dá baixa dessa, man. Sai dessa. Oi, people! Como é, tudo na maior? Quero ouvir-vos gritar: Good Night, Pauleta! Vá, all together now. Não há crise. Tás down, velho?
DR. SAMPAIO - Estes azuis, rapaz, o que é que tu... o que é que tu... quais eram os teus sentimentos? Consegues lembrar-te? O que é que estavas a pensar... por exemplo, quando estavas aqui a pintar esta... o que é isto?
PAULETA - Tava a pensar: Que cena! Que me aconteceu à [palavra censurada] das tintas que só me ficaram azuis?

25 maio 2006

É VERDADE, ELASTIGIRL, MAS OLHA QUE AINDA HÁ ALUNOS EXEMPLARES

Dra. Gungunhana - Mandei chamar o seu filho para reunirmos os três, porque, como Directora de Turma, achei dever dizer-lhe que... que... olhe, lá vem ele. Venha cá, Pauleta, sente-se aqui com a sua mãe e comigo.
Pauleta - Fixe! Cool! Supercool. Bué de bazóf!
Dra. Gungunhana - Como?
Dona Sirigaita - Olhe como ele fala. Isto é tudo tão giro, não é? Cool, filho, cool!
Pauleta - Grasna aí, cota! Tudo em cima, teatcher? Já posso bazar?
Dra. Gungunhana - Não, ainda agora chegou. Sente-se aí, Pauleta. Minha senhora, já reparou nos olhos dele?
Dona Sirigaita - Já, já, já. Brilhantes, não são? Lindos, não são? Ficam com este brilhozinho sempre que vê a mamã. Não é, querido? Cool, não é? Cool!
Pauleta - Fónix! Que esquema, meu! Baril. Mega-baril. Grasna aí, cota.
Dra. Gungunhana - Mas não acha os olhos dele muito vermelhos?
Dona Sirigaita - Vermelhos? Que disparate! São verdinhos, lindos, lindos como os da mamã. Cool, menino, cool!
Dra. Gungunhana - Não, mas eu digo ali à volta... aquelas ramificações todas, que até parece um mapa do metropolitano de Londres...
Dona Sirigaita - Ah, mas isso é de ter estado a estudar até às tantas. O meu cool é muito estudioso, coitadinho.
Dra. Gungunhana - E o que é isto, Pauleta? Este cubo esverdeado que tem aí, o que é isso?
Dona Sirigaita - Ora, vê-se logo que é um caldo Knorr. Ele não gosta da comida daqui, diz-me muito mal. Assim vem prevenido com uma sopinha... junta o cubinho em água...
Dra. Gungunhana - Com este cheiro?
Dona Sirigaita - É, não cheiram lá muito bem...
Dra. Gungunhana - E este cachimbo? O que é isto?
Dona Sirigaita - Ah, é para brincar aos índios e cóbois, no fundo ainda é uma criança, não é cool? Isto é o cachimbo da paz. Anda sempre a brincar com ele. Às vezes enfia lá o caldo Knorr e queima-o. Pra fingir que é um índio, ah! ah! ah!
Dra. Gungunhana - Mas...
Dona Sirigaita - Não me diga que... Ah, já percebi onde quer chegar. Já percebi tudo.
Dra. Gungunhana - Ainda bem. Peço-lhe desculpa por ter sido assim, mas é importante que estejamos atentos e...
Dona Sirigaita - Chamou-me para me mostrar que o meu filho é uma criança super-fofa, um menino exemplar, não é verdade? Muito obrigada, doutora. Eu já sabia, mas faz-nos sempre bem ouvi-lo. É sempre bom para o ego. Sobretudo quando sabemos que há tantos que se perdem, que andam para aí no disparate.
Dra. Gungunhana - Mas...
Pauleta - Bem, vou bazar. Tá na minha hora. G'anda ganza! Tchau, blondie. Adeus, super-cota. Nada de espigas! Calmex aí! Curte. Isto é do best. Bem, que cena marada, meu.
Dra. Gungunhana - Mas...

PARTICIPAÇÃO

Ex. mo Senhor Presidente do Conselho Executivo:

No dia 25 de Maio de 2006, pelas treze horas, estava eu na aula do 7º T quando um menino desconhecido, mas julgo que aluno desta escola, veio à janela fazer gestos e tagatés para os que se encontravam no interior da sala. Furiosa, fiz-lhe, também gestualmente, advertência de que devia ir de imediato embora dali, cessando de nos incomodar, ao que, rindo muito, o aluno respondeu com outros tantos gestos, vários deles com todo o ar de serem franca e gravemente obscenos (embora eu não seja especialista em linguagem gestual). Por minha vez, fiz-lhe gestos no sentido de que não me incomodasse mais ou eu iria fazer uma queixa. Perante isto, o jovem pôs-se a imitar animais, entre os quais conseguimos identificar - eu e os meus alunos, que pareciam julgar que se tratava de um jogo -, um elefante, um cavalo, um rinoceronte e um javali.
Saí da sala com o intuito de apanhar o aluno no momento em que estava em plena imitação de uma girafa.
Iniciou-se um desagradável diálogo.
Perguntei-lhe o que julgava ele que estava a fazer, ao que me respondeu que pensava que, com o meu gesto, eu lhe tinha pedido que fizesse de animais. Disse-lhe que era absurdo, que estava a disparatar, e que os meus gestos haviam sido para o mandar embora e para avisá-lo de que, a não ser assim, iria ter problemas. Insistiu em que percebera mal; e que tinha esse problema de compreensão em relação a tudo o que os professores lhe diziam, quer por gesto, quer oralmente, quer por escrito, e que, mesmo nos testes, interpretava sempre as perguntas no enunciado como significando coisas diferentes daquelas que os professores expressavam.
Perante isto, disse-lhe:
- Vá-e lá embora, e não quero ouvir nem mais uma palavra!
Retorquiu-me, desafiador:
- Uma palavra! Uma palavra! Uma palavra!
Comecei a persegui-lo. Ele fugia-me. A turma tinha vindo à janela. Alguns estavam à porta. Aplaudiam todos. Procuravam moralizar-me, mas eu não conseguia apanhá-lo e, portanto, uns tantos já começavam a vaiar-me.
Nesse momento, cruzei-me com o colega João Catalão, a quem, desesperada, pedi, num sopro de voz:
- Apanha-o, João! Agarra-me esse...!
Ao que, por sua vez, o professor João me respondeu, com a sua característica pronúncia nortenha:
- Eu??? Era o que faltaba! Num suô de educaçõ física!
Venho, pois, por este meio, fazer uma participação do professor João Catalão (uma vez que não tornei a ver o aluno e não faço a mínima ideia de quem ele seja).
Que o Conselho seja justo e exemplar.
Que não se deixe passar esta inaceitável falta de solidariedade.

A professora,

Martina Pénacova

O ESTATUTO DO ALUNO INFERIOR DO ENSINO... INFERIOR?

Andamos há muitos anos a falar e ouvir falar dos problemas de indisciplina nas escolas. Bububuuuuu! Já chateia. Fala-se de maus comportamentos, do uso de armas brancas, dos roubos, das ameaças, das partidas mal pregadas, das agressões físicas. Longe vai o tempo da malvadeza mais incocente mas preferida do aluno vingador: os pneus furados vazios ao fim do dia de trabalho. Era chato, mas inofensivo. Um risco na pintura do carro pouco amolgava a nossa humildade.
Nos nossos dias mais que presentes, fala-se à boca calada da má educação e da falta de respeito com que somos confrontados diariamente, mas ninguém das instância superiores parece importar-se muito com isso. Sim, daí não advém nenhum mal maior. Não há cabeças partidas nem olhos negros entre professores (isto fez-me lembrar um outro episódio...), não há fuga de gás que provoque explosão. Os nossos dias sucedem-se pacatamente, leia-se, sem sobressaltos de monta.
Longe vai o tempo em que uma falta valia mais que duas palavras. Hoje a falta de presença ou mesmo disciplinar não tem o mínimo efeito, porque, para além do aluno não reprovar (o que é isso?) o encarregado de educação não se importa muito com isso.
O que a maior parte das pessoas não sabe ou não quer saber é o esforço que desenvolvemos para conseguir que os nossos alunos nos OIÇAM!!! Que não nos respondam com um "em mim ninguém manda" ou "não me apetece" enquanto boceja refastelando-se na cadeira. Remédio para combater o "dolce far niente" instalado em muitos grupos de alunos parece ninguém ter encontrado. Forças para combater a má educação parece que nos começam a faltar.
Chama-se a atenção para as aulas educação sexual, para o insucesso (em algumas disciplinas), para as aulas de substituição, para o preenchimento de papéis e mais papéis com justificação para os mais diversos actos.
Qualquer professor ou funcionário da escola pode advertir o aluno fora da sala de aula, ou seja, chamar a atenção ao aluno perante um eventual comportamento perturbador passível de ser considerado infracção disciplinar. Algo que, no fundo, já existia na prática e que até está regulamentado no papel. Mas alguém sabe dizer para que serve? Alguém sabe que efeito tem para o aluno esta advertência quando ele, em plena advertência, encolhe os ombros e nos vira costas? Alguém conhece melhor prática do que uma palmada bem assente no momento oportuno?

24 maio 2006

O XIQUE E O XOQUE

Olé, olé, queridérrimas e quericuchos da escolinha da linda.
Tinham saudades, não tinham? Mal suportaram uma semana interirinha que passou sem os meus comentários? 'Brigada, 'brigadinha. É que tenho estado, tal como toda a escola, atenta, super-atenta, atentérrima ao desenrolar de uma promessa de romance pelo qual andamos todas a torcer. É uma coisa embrulhada, porque são ambos timidérrimos! (Se calhar, é por serem assim tímidos que são os dois ainda tão-tão-tão solteirões. Pensando melhor, se calhar não é só por isso...). Mas foram feitos um para o outro. Vão é precisar, talvez, de um empurrãozito. E mais não digo! Quem tiver olhos que veja! Quem não tiver, pergunte por aí. (Agora vejam lá, não se deitem a adivinhar à parva, tá?)
E num cantinho dedicado aos homens, não posso deixar de mencionar o tio Gugu , que, no seu espaço reservado na sala dos professores, vestia um lindo polo de riscado negro e branco, qualquer coisa entre uma zebra e um presidiário. Mas bem, mas bem, com o seu charme a luzir em cada lista. Gugu, espero não estar na sua lista negra! Aprovadérrimo.
Por falar em listas, não viram as listas de tamanho variável e um laranjão vivíssimo em fundo branco que trazia a loirérrima Lay Freire? Muito bem! Sempre actual.
Também o tio Nené vinha com um estilo mais informal, o chamado «casual», sabem?, chique e desportivo ao mesmo tempo, com uns acastanhados a condizer, que muito apreciei. (Ó tio Nené, se quando andou ofendido me lançou com o Descartes, agora que lhe dou nota máxima, não aceito menos do que um filósofo desses de nomes mais arrevezados, um Kirketralará ou Shopping-center, tá? Um Shopping-center vinha a calhar...)
Passando a coisas sérias, adorei o conjunto bermuda/bolta alta/decote baixo debruado a tule/fecho éclair/verde tropa/cabelos soltos da Lailai!
Quem também deu nas vistas foi a Cricri, combinando lindamente a roupinha, mas por partes, percebem? Ou seja, da cintura para baixo combinava tudo perfeitamente, e da cintura para cima também, só que a parte de baixo (calça axadrezada tipo Burberry’s e sapatos de corda) não combinava com a parte de cima (camisola com um boneco Manga, possivelmente inspirado nos desenhos dos seus alunos). Rica, procure outras fontes de inspiração, que acha? Lembra-se dos conselhos do Cara D’Anjo? Patos Donalds, compassos, and so on...
On and on, on we go! Até para a semana! Um chuac-chic. Para todos!

23 maio 2006

Poesia
















A Poesia numa janela ou a janela com poesia...


Da penúria do poeta

Diria Camões sem cheta, com pena, à sua amada:

Minha pena tenho já no extremo fio
De tão gasta, Senhora, de tanto uso lhe dar.
Como arranjarei para vos escrever nova pena?
Se nem um cêntimo, Senhora, tenho para gastar.

E nem aos cisnes poderei roubar uma pena
Para vos mandar novas de mim, Senhora, ai de mim, coitado.
No reino grassa o temor de praga estranja
A gripe das aves traz a todos em cuidados.

Nestes tempos de tormentos e magras bolsas
Fechai bem, Senhora, de vossa casa o ferrolho.
Ah a desdita e a má fortuna que nos fazem assim andar
A vós descalça, Senhora... E a mim teso e sem um olho.

Florbela transpiraria no canapé:

Ah … Quando penso em ti meu amor...
Fica tão quente este meu pobre e triste corpo abandonado.
Ah… Não fora estar tão lisa como o meu Alentejo
E compraria um canapé com ar condicionado...

Esperar-te-ia, então, de bom grado meu amor
Desde o raiar do sol até à noitinha.
Ah meu amor… Tivera eu um ar condicionado
E a espera seria bem mais fresquinha.

Ary declamaria arrebatado:

Poeta que é poeta
É um esfomeado!
Um órfão
Um deserdado!
Árido, estéril
Se sem inspiração
Sem poesia.
Poeta que é poeta
É um operário!
Um teso, um pobre
Um libertário
Que constrói de mãos nuas
O poema itinerário,
O verso em que caminha.
Ao poeta que é poeta
Pode faltar tudo!
O vinho, o pão
E o conteúdo.
Mas que não lhe falte a musa
Pois morre o poeta
Que não come poesia.

Pessoa pensaria olhando o porta-moedas:

“Não sou nada.”
Não tenho nada
Nada quero senão meditar.
Mas davam-me jeito uns trocados
Que o dono aqui da esplanada
Já me disse quinze vezes:
- Queres fiado? Nem pensar!

UMA CARTA DO MENINO DOMINGOS, DO SEMINÁRIO DE SÃO LUCAS DE FORA

Queridas pessoas todas aí da escola de Linda-a-velha:

Eh, pessoal, que saudades que tenho de vós. E pensar que às vezes praguejava contra a escola e contra os professores que me obrigavam a estudar. Em primeiro lugar, aí não era preciso dar-me sequer ao trabalho de praguejar, porque acabava sempre por não estudar na mesma. Em segundo lugar, antes ter possibilidade de praguejar sem haver necessidade, do que ter necessidade e não poder. Praguejar, aqui no seminário? Tá quieto! Ameaçam-me logo com o inferno. E obrigam-me realmente a estudar, que é uma coisa cujo conceito ainda não entendi, mas parece que é isto: tenho de ficar uma hora ou mais numa sala, sentado numa cadeira, com um livro aberto diante dos olhos. Eles querem que eu sublinhe, e eu sublinho. Devem acreditar que, sublinhando, a gente fica a saber a matéria. O que é ser padre, o que é ser um homem de fé!
Claro que aquilo que mais falta me faz é a presença feminina. Por estes lados, saias, saias, só as dos padres. Ou, quando muito, as da dona Vicência, que é uma senhora que vem aqui fazer as limpezas uma vez por mês.
Ai, o que eu me lembro das raparigas da escola. Como me marcaram. (Ainda tenho os dedos de uma bem marcados na face só por lhe ter pedido um beijo. Coitada. Ela não percebeu que eu já tinha vocação e, portanto, o que lhe pedia era um beijo casto. Não. Viu-me de língua de fora e trás!, arreou-me logo uma estalada. Ainda tentei explicar-lhe a história da vocação, mas respondeu-me: «Vocação, sim, sim, bem vejo, bem vejo...!»)
Também tenho saudades dos professores. Havia aquele que andava sempre à procura da pasta que lhe escondíamos, ou o que entrava e nos cumprimentava assim: «Viva o Benfica», ou uma senhora que tinha a dentadura constantemente a tremelicar e a bater como castanholas (e nós a fazer apostas sobre quando é que aquilo lhe caía mesmo)...
E o pessoal todo, que saudades: as senhoras contínuas, sempre tão antipáticas connosco, mas porque nos adoravam - no fundo, no fundo, no fundo, no fundo, no fundo, no fundo, no fundo, no fundo, eu sei, porque nos adoravam! E as teatradas (não, não estou a falar DESSAS teatradas, estou mesmo a falar do teatro dos professores Mário, Suzette e Dolores)! E tudo, e tudo! Que saudades. Que chatice. O papel vai agora um bocadinho molhado por causa de uma lágrima que me caiu.
Lembrai-vos de vez em quando de mim, que eu nunca vos esquecerei.
Estais sempre nas minhas orações. Todos. Até a menina que me deu a chapadona. Talvez até principalmente ela.

Até sempre

Brevemente Padre, vosso
Domingos e Dias Santos

ANGÉLICA TITA e o MONITOR

Aquele papelito andou no meio da pilha de estes para corrigir durante dias e dias. No último dia do prazo de entrega a depois da sandes engolida à pressa no bar, dirige-se à secretaria para entregá-lo e evitar ficar sem ordenado.
-Bom dia! Bom dia, sr monitor.
-
-Bom dia, já disse.
-
Lá dentro, atrás do monitor, alguém parece ter ouvido o cumprimento, denunciado pelo esgar de olhos e pelo amarfanhar de papéis, mas nada acontece.
-Venho entregar a fichinha. É que o prazo está a acabar.
-
-Olhe, pensava que estava aqui para fazer alguma coisa. Era mais simpático da sua parte se se virasse para mim, não acha?
-
-Talvez desse modo conseguíssemos comunicar, digo eu, oiça lá, o que é que está aqui a fazer? Este é um lugar de trabalho, não sei se sabe.
Algures atrás do monitor:
-Oh! Não reparei nesta linha! Já devo ter vindo de casa com isto pendurado. O quê? achas que me fica mal isto assim muito justo? Marca muito, não é? Pois, já desconfiava.
-Bom dia, importa-se de receber este papelinho?.
-Ó Linda! Parece que ouvi qualquer coisa ali atrás do monitor...
-Consegue ver alguém?! Eu daqui não vejo nada...
-Tou aqui, aqui!, Aqui! - grita AngélicaTita acenando os papéis por cima do monitor.
-Ah! Professora vou já aí. Ou então deixe ficar em cima dessa pasta.
"Pasta, qual pasta?"pensava Angélica.
-Aí, ao lado do monitor.
-Francamente, senhor monitor, é mesmo mal educado, ao menos desvie-se, não? Já que não faz aqui mais nada.