29 dezembro 2006

O MEU POST DE BOM ANO

Como não sou um dos blogueiros modernos, cheios de recursos, capazes de «postar» bonecos, resta-me, para o meu cartão de Boas-festas, pedir aos leitores que façam um esfoço de imaginação. Não há boneco, mas vamos fazer de conta que sim. Vamos imaginá-lo. Ao fundo, montanhas de neve. Em primeiro plano, uma mulher horrenda, monstruosa, com verrugas - mas, atenção, uma cabeça muito bonita, com um cabelo encantador. Conseguem imaginar? Está bem, mais um esforçozinho, já vos deixo ir descansar. Para essa mulher horrenda se dirigem filas de professores entusiasmados, felizes, sorridentes.

A legenda:

«Como a beleza exterior não tem qualquer importância, desejo a todos os professores (e, portanto, também a mim próprio), para o ano que aí vem, uma outra ministra - que até pode ser tão feia como a actual - ou mais feia do que esta - desde que tenha uma cabecinha melhor!»

BOM 2007

ESPERO COMENTÁRIOS!!!

E POR FALAR EM MILAGRES...

Já agora, gostaria de recordar que se deu outro milagre naquele abençoado almoço de Natal. Não é que o terrível presépio, não o vivo, mas o morto e bem morto, esse... desapareceu!??? Na altura pensei nisso de relance, depois esqueci-me, porque já estavam entretanto a chamar-me para fazer a habitual figura de parvo. (A ver se me consigo esquecer disso...) Mas, quanto ao presépio, o morto, vem-me agora de novo o desaparecimento à ideia. Ou terá sido um sonho?

E não é que esta ausência me provoca alguma nostalgia? Primeiro desaparece o fantasmadaopera. Depois desaparece o presépio. Mantém-te firme, Pochato, se não fico sem assunto...

DESEJOS DE DOIS QUASE ANÓNIMOS

1. Estou triste. O Pai Natal ignorou a longa carta que eu lhe tinha escrito, e não me trouxe rigorosamente nada do que eu lhe rogara, nem sequer o Action Man. Restava-me que se realizasse um grande desejo meu, a ser secretamente pedido na passagem de ano (levando eu, ao mesmo tempo, doze passas à boca): que a escola rebentasse, ou afundasse, em suma, que eu nunca mais tivesse de lá ir, porque os professores são muito chatos e os meninos são maus. Só que depois reconsiderei. Já tenho cinquenta e tantos anos, sou o Presidente do CE da escola, sobre os meus ombros recaem responsabilidades, há que assumi-las. Se não fosse eu, os professores seriam ainda mais chatos e, os meninos então, totalmente insuportáveis. Portanto, já não vou pedir que se realize esse desejo. Será que posso tornar a desejar o Action Man para o ano novo? Um que eu idealizei, muito giro, assim de barba de três ou quatro dias e um casaco de bombazina, com as mãos nos quadris? Será que alguém me oferecia um desses???

2. Quanto a mim, não me identifico nada o que vem escrito acima. Para já, eu não peço que se realizem desejos para o ano novo: mando-os realizarem-se. E ai deles se me falharem! Ora para 2007, vou exigir: colegas que não me contrariem tanto, e um carnet novo. É só!

23 dezembro 2006

21 dezembro 2006

A TODOS UM BOM NATAAAAL!

PARABÉNS, RAÍNHA de INGLATERRA!




















Isto é REALMENTE espantoso! Fazem-me editar este post para fazer uma correcção, apenas porque uma pessoa quer desejar parabéns à Raínha de Inglaterra! Bolas, um reino não lhe basta, ela deve ter poderes alargados ao entire universe! Vocês...

20 dezembro 2006

O MEU DIÁRIO

Dia 1.
11.30h.Talvez porque o dia estava lindo ou apenas por ser a primeira, a reunião correu dentro da normalidade, escreveu-se.
16.3oh. DTLS (chamo-lhe assim porque não tenho tempo para mais e até fica bonito, não fica?) tem pressa, não gosta de perder tempo com conversas fúteis (um caso raro, bem sei). C despede-se. Tudo bem, não deixa muitas saudades. E quer esclarecer a sua posição, sim, está de partida, é uma das suas últimas reuniões, quer mostrar empenho e dedicação à causa que considera quase perdida, a educação dos pequenos; tudo porque "ensinar boas maneiras está fora de moda". E fica algum azedo no ar. Há quem tinha dificuldade em partilhar o mesmo ar; o mesmo ar, a mesma sala, as mesmas ideias, o mesmo rascunho de acta, as mesmas indicações para a ficha de avaliação. Em surdina, aquilo transformou-se num campo de batalha em que ninguém se tarevia a levantar a voz. Cruzavam-se olhares e piropos venenosos, baixinho, não fosse alguém ouvir. Para ilustrar melhor a ideia, fiz um desenho, que me escuso a legendar, pode ser que alguém adivinhe o sentido das chispas.
Ainda que não adivinhem, eu atrevo-me a continuar. RC não suporta o olhar da C e bufa cada vez que ela fala, tratando todos por você, o que a irrita solenemente. Alheia a estas questões, HS, desempenha perfeito o seu papel de secretária. MM espirra constantemente ao meu lado e repete vezes sem conta "amanhã vou ficar doente"; amarfanha pilhas de lenços de papel em cima da mesa. Eu encolho-me na minha cadeira, não quero adoecer e perder o almoço de natal. Xiça, chega pra lá.
Dia 2.
11.30h. Eu, DTSubstituta cumpri o meu papel na perfeição, isto é: a reunião foi rápida, tão rápida que deixou AB feliz da vida por poder ir assistir aos preparativos para o almoço de natal enquanto pode aquecer o estômago.
16.30h. DTPV começa por distribuir Mercis com a secreta convicção de que aquilo vai ser um instante. AB repete "vai ser rápido, vai ser rápido". O que não estava previsto era que C estava ali para se despedir; mais uma vez... Coitada da SF que só queria passar um bom bocado a contar histórias giras, como aquela do cubano que casou com a miúda gira que afinal era tesa. Mais uma vez, saltou a tampa à TJ, como lhe vinha acontecendo desde o dia anterior. Pudera! com as dificuldades que diz que temos para resolver os problemas dos alunos, dos pais dos alunos, dos substitutos de pais dos alunos...nem com a vertente 3 se consegue fazer nada. Muito menos com ritalina, palavra que me atrevo a destacar como sendo aquela que mais ouvi nestas reuniões. DTPV não se poupa em explicações acerca de como lidar com um chinês que não percebe patavina do que se lhe diz e vai dormir para as aulas e um angolano que não consegue ficar sentado na cadeira. E nós com vontade de fugir dali.
Dia 3.
8.30h, o fardo já é pesado. Mas há CT que são, digamos assim, pouco userfriendly. Valeu RdeI para trocar olhares sempre que CB começava a contar de onde conhecia este aluno ou a mãe daquele; e com quem partilha a sauna e às vezes o jacuzzi.
Para chegarmos ao fim e não termos tempo de analisar os PCT que nos vão obrigar a reunir em Janeiro.
Descansem que em Janeiro não farei diário.















Ou como do branco se faz tinto num almoço de natal...

OUSADIA E INOVAÇÃO NO TEATRO NATALÍCIO: A ESLAV, UM EXEMPLO A SEGUIR

Este ano, o almoço natalício da eslav teve, como ponto triste, a ausência de Lara Croft, e como ponto alto, um auto de Natal pós-moderno, de um arrojo invulgar, que eu passo a narrar para benefício dos que não viram (ou dos que viram mas não estavam intelectualmente preparados para tão revolucionária arte). Esqueçam o menino, S. José, a Virgem. Esqueçam o burro e a vaca. Esqueçam tudo o que já viram em matéria de teatrada natalícia...

Tudo começou com a sensacional entrada em palco de um mercador àrabe de tapetes, com a barba por fazer - o mercador é que tinha a barba por fazer, não os tapetes -, o qual se reconhecia imediatamente pelo facto de trazer à cabeça um tapete: tal personagem - o mercador, não o tapete - era brilhantemente interpretado pelo Chefe Lucas, numa representação verdadeiramente inexcedível (sobretudo na parte da barba por fazer).
O dito vendedor começou logo a tentar impingir os seus tapetes a uma senhora loira, papel executado, e bem!, pela colega Su7.
Eis senão quando surge um professor de Educação Física pela mão de um professor de Filosofia, ambos enfiados nuns trapos estranhíssimos, simbolizando, obviamente, o primeiro actor, um aluno com dificuldades diversas e comportamentos desadequados; e o outro, um professor em sérias dificuldades por causa do aluno com dificuldades sérias.
O menino, por alguma razão que o drama, enigmática e deliberadamente, mantém na obscuridade, não aprovava que o vendedor de tapetes estivesse enganando a pobre senhora loira e, por isso, mandou chamar o seu gang, constituído por dois mariolas com umas toucas de lã e cujo grito de guerra era «Meeeeh Meeeeh!»
Naturalmente, havia que se pôr ordem nesta desordem. Para o efeito, veio um dos vigilantes, o senhor Borrego, fazendo o papel de si próprio, acompanhado por um jovem professor de Matemática que, para assustar o gang (como se já não lhe bastasse ser professor de Matemática), apareceu vestido de pirata e com uma bengala na mão, destinada a correr toda aquela malta à bengalada. Foi um momento de pânico na assistência. Sentia-se o frémito e o suspense percorrendo os convivas, ainda há pouco tão alegres e, de repente, tão atónitos com o inesperado desenrolar da acção.

Toda a representação ia sendo pontuada pela voz de uma senhora que subiu para uma cadeira, como aliás tem feito todos os anos, apesar de estar reformada. (É que, como se percebe, não há maneira de a reformarem das teatradas natalícias). E a senhora lá ordenava aos actores que se distanciassem das personagens para fazer discursos que nada tinham que ver com estas. Era o toque brechtiano que faltava. Brecht puro! Reparem: O mercador, repentinamente, tornava-se Presidente do CE e, nessa qualidade, dizia umas coisas ao público que já não cabia em si de riso (porque, onde haja inovação, já se sabe, há sempre uns papalvos e uns ignorantes cujo papel é gozar!). À senhora loira pedia-se, também, que dissesse umas quantas coisas. E mesmo ao aluno mal-comportado. Até ao professor de Filosofia se ordenou que falasse grego (numa clara alusão ao facto de, para os estudantes, os professores estarem sempre «a falar grego»), o que ele cumpriu conscienciosamente, repetindo: «Rabanadas, rabanadas!»

Fomos uma autêntica vanguarda na arte teatral. Nada nos detém. Chora, Croft, o que perdeste!

E, para que conste, até milagres se operaram neste almoço de Natal. Juro que me passou pelas mãos uma garrafa cujo rótulo prometia «Branco» e que tinha, lá dentro, vinho tinto! Não, não era eu que já estava com os copos. Aconteceu. Há testemunhas!

Feliz Natal!

19 dezembro 2006

DIÁLOGO NATALÍCIO

JOCA XUNGA - Olhó Pai Natal! Feliz Natal, man.
PAI NATAL - Não me digas nada, homem. Feliz Natal? Isto já não é o que era...
JOCA XUNGA - Pois não é, não. Eu, pr'ixemplo. Tou aqui todo o dia a ajudar as pessoas a arrumar os carros, pá, a dar bitaites, «troce, troce, troce, agora destroce tudo», meu, e a dar indicações, «a madame controla ali o redondo e vira na terceira...», e o pessoal depois dá-me umas moedas que são uma miséria. E pior, a bófia ainda anda em cima. No outro dia levaram-me à esquadra porque eu andava a fazer pela vida...
PAI NATAL - Ai sim?
JOCA XUNGA - Tás a ver, meu, só porque eu apontei uma seringa a uma velha que não me queria dar um aéreo, a bófia, trau, deitou-me logo a luva. É não deixar um gajo ganhar o seu.
PAI NATAL - Se calhar fizeram bem. Para que andaste a assustar a velha?
JOCA XUNGA - A assustar? A seringa tinha chá, não fazia mal a ninguém. Nem sequer era chá da dieta 10, que se fosse isso já se percebia, mas não, era um cházinho de cidreira, a velha até devia ficar-me agradecida, aquilo era pós nervos, achei que tava um bocado mal...
PAI NATAL - Mas tu não penses que a minha vida vai melhor. Isto é uma desgraça. A crise deixou o país muito deprimido. Já não há presentes. E, pior, quando me vêem, nos centros comerciais, os putos fogem logo de mim. Anda um clima que nem te digo nada. Um miudo dizia assim para outro: «Não vás ali, que está lá um velho que senta os putos no joelho e põe-se a sorrir muito para eles, e a prometer-lhes prendas e não sei quê...»
JOCA XUNGA - Eh pá. Mas olha, olha ali aquele grupo!
PAI NATAL - Ah, os excluídos. Os marginais!
JOCA XUNGA - Quando os vejo, meu, apesar de tudo o que ando a passar, penso: Aguenta-te, Joca, tu, pelo menos, ainda não chegaste ao fundo da escala social.
PAI NATAL - É verdade. Fica-se com pena deles, mas ao mesmo tempo fazem-nos sentir menos mal connosco e com a nossa vida.
JOCA XUNGA - Olha, queres ver o que lhes digo? VÃO TRABALHAR MALANDROS! A MULHER É QUE VOS VAI PÔR NA LINHA!
PAI NATAL - Coitados, não sejas cruel.
JOCA XUNGA - Professores! Pff, que nojo!
PLANETAZUL

O prémio será entregue no Almoço de Natal pela Croft no papel de "Virgem Maria".

18 dezembro 2006

17 dezembro 2006

Kraus canta Zarzuela

Especialmente para a Spanish
il divo unchained melody

A pedido de alguém muito especial...e com muito bom gosto!

A COLUNA DE D.J. CARA DANJO: O MEU COTA VAI DEIXAR DE FUMAR nos próximos quatro anos

a minha vélha táva ásservir o café e o mêu cóta cômo de custume puchôu do sigarrito. vai a minha vélha e disle acín (nein pênçes niço atão não çábes k agóra é puribido fumár ein ressintos fexádos). e vai açín o mêu vélho. (mas êu tôu ein minha cáza bólas). e respõdele a vélha. (ái díço não kéro çabêr. ôu isto é un ressinto fexádo ôu não é). o mêu cóta k não gósta de não têr a última palávera meditôu un cóxe e depôis tipo çaíusse con ésta. (xpéra lá tu tás enganáda. atão não ôvistes dezêr k os restórantes tínhão quátero ânus pâ çe adaptárein á nóva lêi. as peçôuas não pódein deichár de fumár ein ressintos fexádos dun momênto pó ôutro. tu pênçávas çe calhár k éra çó o dôno do restórante dezer fáxavôr de apagár o sigárro. mas ólha k não. éstas côizas lévão o çêu têmpo. êle tein de ganhár curájein pa aburdár o fumadôr depôis têin de fazêr un bucádo de convérça não vái lógo dezêr tipo não çe fúma aki e depôis tein de vêr çe o fás pagár a cônta não vá o fumadôr xatiarçe e çaír sein pagár purtanto é perçizo têmpo). e vái a minha mãi. (tôu a vêr. mas quátero ânus não é têmpo demáis). e vái o mêu cóta. (não. o menistero é bué daspérto. açín ivita purbelêmas nos restórantes. pq ein quátero anos os fumadôres têien têmpo pra acabár o çêu sigarrito sein têrein de les dezêr náda. ó atão mórrein d1 purbelêma nos pulmõis. tás a vêr. ólha. êu purizêmpelo côn ésta convérça já acabêi intertânto o mêu sigarrito).

DRA. RUTH DÁ UMA MÃOZINHA A LARA CROFT

Minha muito querida amiga Lara Croft:

Acabo de ler a sua carta, publicada no blogue, e devo dizer que não gosto de a ver assim. Tão infeliz!
Deixe-me tentar animá-la. Sim, eu sei que os professores estão pela rua da amargura; sim, eu sei que a ministra conseguiu que o país inteiro os desprezasse. Mas, minha amiga, por acaso pensa que a senhora dona Lurdes é mais feliz do que alguns professores? Desengane-se. Ainda há, entre os docentes portugueses, pessoas que sabem vibrar com as grandes-pequenas alegrias que a profissão lhes traz. Por exemplo: um almoço de Natal concebido pela Guilhermina, com o chefe a fazer pela centésima vez de Nossa Senhora. Acha que a dona Lurdes conhecerá alguma vez uma alegria semelhante à dos professores que consigam sobreviver a esse almoço e possam, no fim, dizer: «Que alegria! Isto já acabou, deixa-me cá pirar antes que se lembrem de mais qualquer coisa»? Ou o natalício momento da troca de prendas. Acha que a ministra conhecerá a euforia de poder gozar com as prendas que calham aos outros? «Já viste? A moldura com a fotografia do Tony Carreira calhou ao senhor Gonçalves... Huaaah! Ah! Ah! Ah! Ah!...»

A dona Lurdes é uma mulher azeda e infeliz. Devemos ter pena dela. Claro que a pena é relativa. Andamos a preparar um grupo, com tudo organizado e capitaneado pela Guilhermina, que vá representar um presépio vivo à porta de sua casa, na noite de Natal. Com o chefe a fazer de Nossa Senhora, os reis gordos do costume, etc. Houve quem achasse que, como maldade contra a ministra, era um bocado pesadote, mas ela merece isso e muito mais. E só se lhe fizermos isso é que poderemos ter alguma pena da senhora...

Entretanto, Lara, como não quero vê-la tão infeliz, deixe-me dar-lhe uma mãozinha. Tinha-a comprado para a troca de prendas; andava a ver se calhava a quem me ofereceu, no ano passado, aquele cãozinho para pôr à janela trazeira do carro, com uma cabeça que abana a cada solavanco - mas olhe, ofereço-lha já. É de louça.
Está melhor? Eu sabia que ia ficar melhor. Gosto muito de ajudar.

Sua

Ruth

16 dezembro 2006

A RAVE

Acerca do «Inquérito que era uma Vergonha», mais haveria ainda a dizer. Sobretudo, nunca é de mais perguntar: como estão os seus «fabricantes» tão familiarizados com aqueles nomes e expressões? «Rasta»? «Bomba»? «Deca»? «ColdPlay»? Aposto que muitos de vocês nem sabem de que se está a falar. (Ok, com a excepção de Juju...). Não é estranho? Hum...? Não seria isso digno de uma investigação? Estará o Ministério da saúde infiltrado de drug adicts, vulgo «drógados»???

O blogue, sempre em cima do acontecimento, vai aos bastidores mais esconsos e ocultos do parto deste inquérito-que-era-uma-vergonha.
E conta, em primeira mão, ONDE, COMO e POR QUEM foi fabricado o dito inquérito-que-era-uma-vergonha. Talvez esta viagem alucinante pelas profundezas nos ajude a explicar algumas coisas.

Cenário: Uma «rave».
Personagens: Num canto, ao fundo, um grupo (em que se misturam alguns «junkies», uns quantos «rasta» e fãs de ColdPlay, todos médicos e/ou enfermeiras)discute-se que perguntas se hão-de fazer aos alunos.

DOUTOR RASTA (já com uns copos, em maré de confidências) - O meu pai biológico era um substituto, porque o seu trabalho consistia em substituir pais que faltavam, como hoje se faz entre professores, nas AAA. Quando o marido da minha mãe chegava a casa, punha-se a fungar, e depois dizia assim: «Já cá esteve o substituto! Ainda lhe sinto o cheiro!»
ENFERMEIRA JUNKIE - E depois? E depois?
DOUTOR RASTA - Depois, batia na minha mãe. E puxava-lhe os cabelos. E dava-lhe murros. Acham que podíamos fazer esta pergunta no inquérito? Se o pai ou o substituto fazem essas coisas à mãe? Ou a mãe ao pai? Ou a mãe ao substituto? Ou o substituto ao pai? Ou o pai à substituta, ou substituto à substituta, ou a substituta ao substituto, ou...?
JUNKIE DAS PERNAS TORTAS - Põe isso, põe isso. Mas, ó Rasta, tu já estás com o charro há bué de time, meu. Tás a ser um egoista do caraças. Passa aí essa cena, meu. Só tu é que fumas, não?
DOUTOR RASTA - Estou a pensar na minha infância (puf!puf!). Sofri muito, meu. Por exemplo (puf!puf!), uma vez o meu pai encontrou uma rapariga e começou a falar com ela, queria pagar-lhe um café, e um copo, e não sei mais quê. A miuda até foi, só que entretanto apontava para mim, e perguntava-lhe, meio encabulada: «Mas ele é seu filho? O senhor é casado?» Aí, o meu pai respondeu: «Não, não, casado, eu? Ele é meu sobrinho». Fiquei preocupado com estas falhas de memória, achei que talvez fosse uma doença como a do meu avô, que esquecia tudo e trocava tudo. Por isso, comecei a dizer: «Ó pai...», mas o meu pai mudava logo de conversa. A miuda já tava a ficar desconfiadíssima. A partir daí, sempre que eu abria a boca, o meu pai dava-me carolos e mudava de conversa...
JUNKIE DAS PERNAS TORTAS - Eh, man, eu só quero é saber uma coisa. Passas o charro ou não passas o charro...???
JUNKIE DE MEIAS À FLORIBELLA - Eh, pá, tu és bué da cruel. Deixa lá o homem, não vês que ele tá triste? Acho que podíamos pôr isso no inquérito. «Sempre que tu começas a falar, o teu pai muda de conversa...»! Que tal?
POCHATO - E a bomba? Alguém me passa aí a bomba?
JUNKIE DAS PERNAS TORTAS (segredando para a enfermeira) - Este tipo da pochete não te parece um bocado deslocado? Tem um ar tão «straight».
ENFERMEIRA JUNKIE (em segredo, também) - Ui, são os piores. Se imaginasses o que este marado traz dentro da pochete...
FÃ DOS COLDPLAY - Isto está a compor-se, está. Acho que o inquérito começa a tomar forma. Agora há que pôr isto em sobrescritos ultra-secretos.
POCHATO - Arranjem-me uma bomba, se não quem explode sou eu!!!
ENFERMEIRA JUNKIE - Sobrescritos ultra-secretos? Para quê?
FÃ DOS COLDPLAY - Ora! Para não ir parar a algum blogue...!

NÃO É SOBRE REPOLHOS, MAS PREFERIA QUE FOSSE

No outro dia, ao falar com uma amiga (que não é professora) quase que ia sacando das armas durante a conversa. Acho que estou a ficar doida. D. Lurdes conseguiu mesmo denegrir a imagem dos professores perante a opinião pública. E o pior é que parece que não há nada a fazer. Havemos de ser os eternos madraços, mesmo quando eu vejo colegas ou a cair de cansaço ou a ter de meter baixa psiquiátrica. Já não vale a pena falar sobre o assunto, ou daqui a pouco quem mete baixa psiquiátrica sou eu. Parece que ninguém consegue aperceber-se do desgaste que esta profissão implica e do quão desmotivante se está a tornar.

Hoje falava com uma colega que já é professora há anos, mas que ainda não conseguiu passar da eterna contratada. Saltita de escola em escola, com horários miseráveis. Com a restruturação do estatuto da carreira docente, e ainda fora dela, está a pensar abandonar a ideia de continuar a ser professora. Não porque não goste, não é isso. É que um professor contratado trabalha tanto como os outros, mas ganha mais miseravelmente ainda. E não consegue um mínimo de estabilidade. Ora pode estar aqui, ora pode estar em Freixo de Espada à Cinta. E a família tem que se sustentar. Mais vale arranjar um emprego numa loja, dizia ela. Ao menos posso conseguir ficar perto de casa, não tenho tanta despesa e sempre estou mais perto da família. E assim se perde uma óptima professora.

É isto que vai suceder: o nosso país vai ficar sem professores. Acreditem que esta não é a única colega com quem falei que está a pensar abandonar a profissão. Já vão sendo muitos. E esta que vos escreve está muito desiludida. Continua a trabalhar o melhor que sabe, mas é pelo seu brio e pelos seus alunos. Não consigo respeitar uma tutela que me desvaloriza e me desrespeita.

Gostava mais de ter escrito sobre repolhos. Daqui em diante vou tentar cingir-me aos vegetais, talvez especializar-me em leguminosas. Tristezas não pagam dívidas. E este fim de semana até vou conseguir folgar!

15 dezembro 2006

UM INQUÉRITO QUE ERA UMA VERGONHA

Aconteceu com uma turma de sétimo ano. Era a última aula antes das férias do Natal. Pensávamos que íamos ter uma aula de avaliação, mas fomos, eu e eles, surpreendidos por um inquérito provindo do Ministério da Saúde, que se destinava a um estudo sobre a droga nas escolas. O INQUÉRITO, ele próprio uma droga, não era um inquérito qualquer, era confidencial e devia ser preenchido no mais absoluto silêncio e anonimato. Devia, mas não foi. Só quem não sabe o que anda a fazer podia ter feito um inquérito deste calibre.

- Tão grande? Mas isto vai levar a manhã toda! Anonimato? Stôra, o que é isso?!
- Mas o que é que eles têm a ver com isso? Para que é que querem saber isto?
- A minha mãe disse que nós não devemos responder a estes inquéritos sem autorização dos pais… Mas deixe estar, eu faço na mesma.
- Eu conheço góticos mas não me dou com eles, também não os rejeito, o que é que ponho?

- ColdPlay é o quê? É rock?
- És burro, meu! É punk! Como é que se escreve R&B?
- O que é um “rasta”?
- O que é uma rave? E uma “festa trance”?

- O que é que eu ponho aqui? Quando vejo uma pessoa fumar não a rejeito, não me afasto mas não tenho desejo de a ajudar. Porque é que havia de a querer ajudar?!
- Se estou com pessoas que “fumam cannabis”?! Eu sei lá o que é que eles fumam!
- “Com que frequência consumiste esteróides anabolizantes (bombas, decas, etc)”? Eu já fiz uma bomba, sabe como é que fiz? Cortei as cabeças dum monte de fósforos, embrulhei em papel de alumínio, acendi um fósforo e aquilo fez um ganda estardalhaço!
- Eu também, eu também! Já experimentei fazer bombas no Carnaval.
- Tas parvo? Mas não as consumiste! Não se consomem bombas!
- Mas fui eu que as fiz! Não sei é onde é que ponho: “menos de 1 vez por semana”, 1 a 2 dias por semana”?


- Uma vez fui com o meu pai tomar café e ele pediu um daqueles copinhos pequeninos com uma coisa que parecia água. Eu engoli aquilo duma vez e depois vomitei. Devo por aqui que consumo bebida alcoólica “nunca” ou “menos de 1 dia semana”?
- Eu bebo um shot por semana, mas isso não dá pra beber até ficar embriagado.
- “Quando estás com pessoas embriagadas sentes repulsa, vontade de ajudar“? Destas todas? Simpatia, claro! As pessoas quando estão com os copos são tão engraçadas.

- A minha mãe tem o estrelato mas aqui só tem “licenciatura”, “mestrado” e “doutoramento”, onde é que eu ponho?
- Para que é que eles querem saber se “o meu pai está sempre a mudar de assunto quando eu tenho alguma coisa para dizer”?
- Eu não tenho que responder a isto, pois não? “Diz com que frequência o teu pai (ou substituto) insulta a tua mãe”.
- “Diz com que frequência a tua mãe (ou substituta) bate no teu pai”. Eu não vou responder a isto. A partir daqui ninguém tem nada com isso. Bora bazar! Pessoal, não façam mais nada.

-Stôra, como é que se fecha o envelope? Esta fitinha tem que se tirar ou é com cola?

POTATOES MOZART




















Mozart is a new tasty variety with a nice attractive skin.
The delicious flavour makes Mozart special, unlike traditional red potatoes that offer color only.
Eat it and you believe it!
Muntatge de Mozart

É prá coltura man

14 dezembro 2006

WRESTLING NA ESLAV

O wrestling é puro entretenimento. É o que se vai já ver.
Mas atenção, planetazul, atenção, miss mandilyon, atenção, spanish lullaby, não deixem de ler o que se segue, hein?, não regressem já ao Dostoievski que vos pisca dali o olho: porque o wrestling é, também, cultura. E, para o provar, reparem só nos nomes dos locutores, os senhores Mozart e Beethoven.

MOZART - Aqui, no magnífico Pavilhão «Tás a dar-me Música», de que o departamento de Educação Física queria deter o exclusivo - «para os dias de chuva», diziam eles, «quando não se pode utilizar o ginásio...» -, estamos hoje reunidos a fim de assistir a um grandioso espectáculo de wrestling. Estás bom, Beethoven?
BEETHOVEN - Obrigado, Mozart. Neste combate temos, antes de mais, o odioso fantasmadaopera, que se especializou no fatal golpe de não fazer népia, que é um golpe tecnicamente de muito difícil execução...
MOZART - Nunca é de mais pedir aos senhores espectadores que não tentem repetir estas coisas em casa. É muito perigoso, muito perigoso. O golpe de não fazer népia requer uma total paralização dos músculos, das veias, das artérias, o indivíduo tem de ficar sentado sem mexer uma palha durante dias inteiros...
BEETHOVEN - É um golpe que mata o adversário por exaustão. Aí está o odioso fantasmadaopera...
A multidão apupa, erguem-se cartazes de «VAI TRABALHAR, MALANDRO», ouvem-se sons de fúria e desprezo.
MOZART - Mas eis que aparece o belo Greenlight, o delírio das multidões. Está até entre a assistência a ministra da Educação, com um cartaz que eu consigo ler daqui, ora vejamos... «DEIXA-ME DAR-TE UM BEIJO NO NARIZ, Ó GREENLIGHT, E PROMETO QUE SEREI MEL PARA OS PROFESSORES»
BEETHOVEN - Atenção ao gongo, rapazes. O espectáculo começou. Que é isto? Greenlight limita-se a dar um estalo e fantasmadaopera cai redondo no chão? Nunca vi nada assim. E não se levanta? E não se mexe???
MOZART - Bem, na verdade não é nada de novo. Não é uma situação em que não tenhamos já visto o fantasmadaopera. Mas... que é que se passa? Entram outros lutadores? Não estava previsto. Atacam o Greenlight à traição? Hmamão apareceu... de onde apareceu ele? E a Xaxão Bap, com a sua arma letal, o terrível chapéu inumano, que mata literalmente de riso? E também o Pochato, atacando à pochetada? Mas que se passa? O ringue está cheio de lutadores, atirando-se todos ao gracioso Greenlight?
BEETHOVEN - E o fantasmadaopera já está de pé. Estava a fingir. Aquilo era tudo fingido!!! Vai aplicar um golpe. Será o Pick Down? Será o Flash Lizzard? O Scissors? O TLEBS? O Croissant com fiambre? Não. É o Tiroliroliro. Ah, que apuramento técnico. Fantasmadaopera principiou a dançar o tiroliroliro. Temo que o Greenlight não consiga resistir a tamanho ridículo...!

13 dezembro 2006

O XIQUE E O XOQUE

Queridas! Há quanto tempo não escrevia a minha crónica!!! Aposto que notaram a minha ausência! Eu dei conta que estava a fazer falta e sabem porquê? Não adivinham? A começar pelo Sindroma, que escreveu um texto sobre a primeira dama do país, que por coincidência é a primeira dama também no mal-vestir. Rico!, para a próxima, inspire-se noutra dama, que prime pelo bom gosto, sim? Faça-nos esse favor.
Também se notou a minha falta para dar algumas sugestões: agora que o frio aperta, as minhas amiguinhas puseram os agasalhos a arejar! Mas cuidado, nota-se o cheiro a naftalina...
Uma coisa que me desagradou esta semana, é que ninguém cumpre as sugestões da direcção da escola e entristece-me quando as sugestões são boas. Por exemplo: à entrada do polivalente vêmos uma proposta afixada em cartaz - SEMANA do XADRÊS, entre 11 e 17 de Dezembro. O único xadrês que vi foi o das elegantes bermudas de quadradinhos da Soledade! Parece que ainda ninguém reparou que neste inverno o xadrês está na moda! Andam distraídas, ou não têm tempo para comprar umas roupinhas novas?! Bebé Moreia ainda aludiu a um axadrezado com o seu cachecour aos quadradinhos, provavelmente tricotado por si própria. Actualizem-se, pleeease!
Mas nem tudo é mau: Lenita Matos, estava de arrasar, com um casaquinho de veludo preto, ou seria azul escuro? Super chique, super bem! Também Lailai Freire, habitué no bom gosto, estava lindérrima com um casaco comprido mesclado.
E agora, uma dica: que tal inspirarem-se para as toilletes do próximo evento importante da escola? Não digam que as minhas queridas ainda não pensaram no que vestir no Almoço de Natal! E está à porta, é já na próxima terça-feira! Não estão a pensar naquela fatiota fora de moda que já foi vista no Natal passado, pois não? E também não estão a pensar vestir de vermelho com um barretinho de Pai Natal, pois não? Claro, isso é coisa para o distribuidor de presentes.
Aproveitem o fim de semana para fazer umas comprinhas arrojadas. E já agora, aqui entre nós que ninguém nos ouve, se for verdade o sururu que fui ouvindo hoje pela sala de professores, as minhas queridas não me vão desiludir!
Até para a semana!

12 dezembro 2006

Joan of Arc Leonard Cohen

Esta foi a primeira das muitas horas na compnhis de Cohen.
Era ele bem mais novo e eu também...
Leonard cohen - the future. Jools Holland

Give me back my broken night
my mirrored room, my secret life
it's lonely here,
there's no one left to torture
Give me absolute control
over every living soul
And lie beside me, baby,
that's an order!

Give me crack and anal sex
Take the only tree that's left
stuff it up the hole
in your culture
Give me back the Berlin wall
give me Stalin and St Paul
I've seen the future, brother:
it is murder.

Things are going to slide, slide in all directions
Won't be nothing
Nothing you can measure anymore
The blizzard, the blizzard of the world
has crossed the threshold
and it has overturned
the order of the soul
When they said REPENT REPENT
I wonder what they meant
When they said REPENT REPENT
I wonder what they meant
When they said REPENT REPENT
I wonder what they meant.

You don't know me from the wind
you never will, you never did
I was the little jew
who wrote the Bible
I've seen the nations rise and fall
I've heard their stories, heard them all
but love's the only engine of survival
Your servant here, he has been told
to say it clear, to say it cold:
It's over, it ain't going
any further
And now the wheels of heaven stop
you feel the devil's riding crop
Get ready for the future:
it is murder.

There'll be the breaking of the ancient
western code
Your private life will suddenly explode
There'll be phantoms
There'll be fires on the road
and a white man dancing
You'll see a woman
hanging upside down
her features covered by her fallen gown
and all the lousy little poets
coming round
tryin' to sound like Charlie Manson
and the white man dancin'.

Give me back the Berlin wall
Give me Stalin and St Paul
Give me Christ
or give me Hiroshima
Destroy another fetus now
We don't like children anyhow
I've seen the future, baby:
it is murder.

11 dezembro 2006

AVISO À NAVEGAÇÃO

O site da escola encontra-se desactivado devido a uma falha de comunicação. Esperamos que o problema seja resolvido a todo o momento.

Entretanto, têm que marcar o almocito na escola.

ENTREVISTA COM DONA MARIA CAVACO: «EU SOU DO CENTRO-ESQUERDA»

A grande revelação desta entrevista é que a senhora dona Maria Cavaco se situa... no Centro-Esquerda... mas não quero antecipar nem deixar-vos com água na boca. Avancemos, avancemos...

REPÓRTER ESTRÁBICO - Então, quando a senhora era uma gaiata, tratavam-na por «delgadita» por apoiar o General Humberto Delgado? Conte lá isso, conte lá.
DONA CAVACO [gargalhada] - Pois era. Dava imenso apoio, sobretudo na base da conversa. Estava sempre a dizer «Delgado», a propósito de tudo, e a censura nunca me apanhou. Dizia, por exemplo: «Ó mãe, não me dê um pedaço de bolo tão... DELGADO, por favor!»; ou então: «Ena, que ramito tão... DELGADO!». Sinto-me hoje muito orgulhosa deste apoio. Foi por causa disso que principiaram a tratar-me por delgadinha...
REPÓRTER ESTRÁBICO - A senhora era muito revolucionária, parece. Chegou a fazer greve às aulas, na universidade?
DONA CAVACO - Mas houve alguma greve? Não dei por nada. Havia uns alunos que não iam às aulas, sim, mas esses já não iam antes. E outros que faziam pouca coisa, é certo, mas nunca tinham feito muito. Eu não. Nunca teria aderido, porque, para mim, ser revolucionária é fazer coisas, não é não fazer coisas. E gostava muito de ir às aulas, sempre gostei. Se tivesse tido uma professora como eu, talvez não gostasse tanto...
REPÓRTER ESTRÁBICO - Quando a senhora e o seu marido foram viver para Inglaterra é que tropeçaram pela primeira vez numa verdadeira democracia, não foi?
DONA CAVACO - Ah, sim, e gostámos muito. Eu e o meu Cavaco até perdemos a cabeça naquele clima de liberdade, e fizemos coisas... [corando muito]... não é que me arrependa, mas hoje não as faríamos...
REPÓRTER ESTRÁBICO - Por exemplo...?
DONA CAVACO - Não, não digo. Não digo, tenho vergonha...
REPÓRTER ESTRÁBICO - Só uns quantos exemplos.
DONA CAVACO - Bem. Puxa-me pela língua. Por exemplo, o meu marido saiu do hotel, uma vez, sem ter de bater com o dedo indicador da mão direita sete vezes no fecho da porta, que é uma neurose que ele ainda hoje tem. E eu cheguei a não ir à missa um ou dois domingos...! E, perdidos por um, perdidos por cem, num gesto de total rebelião contra o sistema, até fomos uma vez jantar sem ter lavado as mãos...
REPÓRTER ESTRÁBICO - Uma pessoa com uma juventude tão revolucionária, onde se situa hoje?
DONA CAVACO - No Centro-Esquerda!
REPÓRTER ESTRÁBICO [mal crendo no que ouve] - No...? No...? E porquê...?
DONA CAVACO - Porque, na cama, nunca consigo ficar do lado direito, que é muito próximo da janela. O meu lado é o esquerdo. Mas também se fico muito à esquerda... já me aconteceu duas ou três vezes acordar no chão. Caio muito. Por isso fico do lado esquerdo, mas mais ao menos a meio. É o Centro-Esquerdo.
REPÓRTER ESTRÁBICO - Conta-se que que uma vez escreveu o discurso do seu marido, não foi?
DONA CAVACO - Ah, foi num hotel de segunda, nem tínhamos mesa, escrevíamos na cama, encontravam-se os papéis todos por ali espalhados, o tempo era pouco; ora como estávamos na cama, tudo aquilo me dava umas ideias, e eu não queria deixá-lo trabalhar, de modo que ele impingiu-me um tema qualquer para ver se me entretinha...
REPÓRTER ESTRÁBICO - E escreve-lhos ainda, às vezes?
DONA CAVACO - Não. Eu só corrijo. Vício de professora. Rapo da bic vermelha e corrijo, corrijo, corrijo. Ele escreve muito bem, sobretudo se comparo os seus discursos com os textos dos meus alunos.
REPÓRTER ESTRÁBICO - Diz-se que não queria que ele entrasse para a política.
DONA CAVACO - Detestei a ideia. Até lhe disse: «Ó Cavaco, se te pões a armar em parvo, ainda acabas em Presidente da República...»; era uma ironia, mas ele tomou-me a sério e respondeu: «Presidente, eu...? Ó filha, não insultes o povo português...»

10 dezembro 2006

Cartão parabens

Muitos parabéns Croft aí desterra na Parede (salvo seja...) Um beijo.












PARABÉNS LARA CROFT!