

in A BOLA de 14 de Fevereiro de 2008
(artigo publicado a pedido do autor)
Voltámos sem pretensões. Com mais criações. E opiniões. O verdadeiro blogue sem borbulhas.
- Boa tarde senhor Tony, já estava à sua espera, conforme combinamos…
- Ah, pois foi, mas eu não posso ir…
- Mas tínhamos combinado…Vim de propósito para vir trabalhar consigo… para lhe dar apoio, amparar o escadote, segurar no burquim, dispensar-lhe o nível, dar-lhe o fio de prumo...
-Pois! (diz, coçando a cabeça), mas é apareceram uns assuntos urgentes, sabe como é. Em primeiro lugar é preciso pôr aqueles placares no sítio, ali no polivalente.
-Bem vejo, até lá está uma mesinha; é para ir meditando acerca da obra, não? Para ver se está tudo direitinho…
-Isto ficou um pandemónio depois de cá virem pôr este carrossel vermelho. Podemos é deixar aquilo do bufete para outro dia. Ordens superiores…
-Pois, estou mesmo a ver, deve ser para quando eu estiver a dar aula…
-Olhe, olhe!, faça-me um favorzinho, chegue-se mais para aqui, isso isso! Tape-me… Vem lá a professora Mádá Blanco… pela cara dela estou mesmo a ver que me vem pedir pela milionési…ham…pela primeira vez para lá ir afixar uns painéis na sala dela…
-Oh! Senhor Tony, era mesmo consigo que eu queria falar!
-Professora Blanco, como está?
-Bem obrigada, então quando é que lá vai fazer aquilo?
-Não viu o Alelex, não? Vou ver se o encontro por aí…preciso perguntar umas coisas…é tudo tão urgente, meu Deus, tanta coisa para fazer… E logo hoje que o meu ajudante sofreu um ataque com gás sarin, saron, pimenta, ou lá lá o que é... esta canalha que não nos deixa trabalhar...
As ocasiões festivas são, no ano, os momentos propícios à mostra de modelos que aguardam uma oportunidade de brilhar. O acessório do ano, recém-eleito por unanimidade por toda a comunidade eslavense apresentou-se hoje a público, provocando uma autêntica revolução mediática. Contra todas as previsões, conseguiu-se um esboço do modelito, que pecava pela ausência da outra peça com que estava planeado o binário, presumivelmente assinado por Agata Ruim de la Parda.
O sistema social das suricatas é complexo e inclui uma linguagem própria que parece indicar entre si, por exemplo, que um predador se aproxima. Quando isso acontece, as suricatas observam atentamente a presumível ameaça, rodando as cabeças, baixando os olhos e o volume do ruído que emitem; por vezes erguem-se nas patas traseiras, como quem diz "estava mesmo a sair" ou "vou ali, já venho".Prof. X – Tá um dia lindo.
Prof. Y – Pois tá, já tinha reparado.
Prof. X – Quem diria, depois do que choveu ontem.
Prof. Y – Pois.
Prof. X – Já é tarde.
Prof. Y – Pois é, o tempo voa. Principalmente o dos intervalos.
Prof. X – Tens uma camisola muito linda. Foste tu que fizeste?
Prof. Z – Fui, fui. É o meu passatempo favorito. Alivia o stress.
Prof. X – Todos precisamos de aliviar os nervos com alguma coisa.
Prof. Y – Sabes se vão voltar a eleger o professor do ano?
Prof. X – Só se for para o ano. Como é que eles fazem isso?
Prof. Y – Acho que um dos factores é a criatividade no desempenho de funções, a capacidade de quebrar a rotina na escola.
Prof. X – Ah. Eu sou criativa. Costumava sentar-me naquele sofá e cruzar os braços; hoje sentei-me nesta cadeira e cruzei as pernas. E pensei nisso tudo enquanto vinha para cá.
Prof. Y – A mim, criatividade também não me falta; costumo meter uma moeda de 50 cêntimos na máquina e hoje meti três de 10.
Prof. X – E eu? Todos os dias pelo à dona Coluna um bolo diferente para comer, mesmo que ela não o tenha. O que é que há de rotina nisto?
Prof. Y – Que turma vais ter agora?
Prof. X – Não sei de cor, mas uma coisa te garanto: não é a mesma de há bocado.