31 dezembro 2005

DOCUMENTO-CHOQUE: A IDENTIDADE SECRETA DE GREENLIGHT POSTA A NU

Há quem pense que vivo tranquilamente em minha casa, com uma mulher que me adora, um filho já de dez anos e uma bebé recém-nascida. É falso. Desde que me atribuiram mais horas de trabalho, a mim que já me via em dificuldades com duas direcções de turma, a escola passou a ser a minha verdadeira casa, todo o meu mundo, o meu universo inteiro. Se continuo a falar da mulher, de um filho que não tenho tempo para saber que caminhos trilha (o seu ídolo já não sou eu: é um arrumador de um parque de estacionamento do PINGO DOCE) ou de uma filha que não verei crescer, é para manter uma fachada: são elementos de uma vaga e pretensa identidade secreta. Na verdade, eu sou, na minha escola, neste mundo em que caí, um super-herói, e o ponto é que os super-heróis precisam de identidades secretas. Sim, amigos. Greenlight - sou eu!

Quando me vêem atravessar a passadeira em direcção ao portão da escola, com uns óculos muito espesos, uma nariganga que o colega-caricaturista-de-serviço não perdoa, os pés para o lado, à pato, os sapatos desatados, uma pasta velha, a abarrotar, não se deixem enganar. É o meu disfarce. Sob a roupa desta personagem, misto de Clark Kent e de Peter Parker, esconde-se um uniforme muito justo, com collants e slip - não, não é roupa interior suspeita, bolas!, é, repito, o meu uniforme - e uma capa que tenho alguma dificuldade em amarfanhar e enfiar por dentro da camisa. É um uniforme luminosamente verde. Não por causa do meu querido Sporting. Muito menos vejam nesta cor o verde-esperança: trata-se do verde-náusea, o verde-enjoo - porque a vida do português é dura e a de professor português é de se vomitar. Os super-heróis pós-modernos já não pensam mudar o mundo, só em não o deixar cair tão fundo. A heroicidade resume-se a espernear até que alguém dê por alguma coisa. Os professores heróis dos nossos dias combatem um sofisticadíssimo sindicato do crime - vulgo, ministério - embora sabendo que há inimigos coriáceos, que regressarão sempre, mesmo com outras personalidades e sob outros nomes, e que não serão definitivamente derrotados: Lex Luthor, Doctor Octopus, Ginger Ale, Lurdes Rodrigues...

Reivindico, ao menos, para a escola, uma cabina teleónica. Quero ser um herói à maneira antiga, um clássico e, portanto, é nas cabinas telefónicas que me mudo quando oiço gritar por socorro. Fazê-lo ali no átrio, ao lado do telefone público da escola, sem cabina, à vista de todos, é pôr em risco a minha identidade secreta. Se calhar é por isso que, quando me vêem passar, as pessoas sussurram: «Lá vai o tal exibicionista da lingerie verde...!» Eles sabem lá o que é isto: pertencer a um departamento em permanente reunião + arcar com duas direcções de turma + receber encarregados de educação literalmente à noite + ler a revista do sindicato dos professores + ver os anúncios da Pró-Ordem + planificar, leccionar, corrigir...! Eles sabem lá o que é ser um super-herói!

27 dezembro 2005

A KOLUNA DO D.J. CARA DANJO: A HISTÓRIA DE PORTUGAL A «VOL D'OISEAU»

ena ena ena. já paçou o natal paçou o findano paçou tudo e já tamos no çegundo príudo. ôje logo de manhã tive istória e a profe distória tava tipo bué de xatiada com as noças notas como çe não tiveçe çido tipo ela mesma a dálas. xatiado devia era tar eu. a profe diçe k com isto de tarsse çempre a xamar a atenssão para o insussexo do portuges e da matematica até paresse k os alunos vão bein nas ôtras dichiplinas. que sêna meu. como sisto fôçe 1 concurço pra ver kem tá pior e a profe distória não gostáçe de tar a perder com as ôtras. eu axo k a profe distória tá enganada e k por akaso os jóveins portugeses até perssebem distória. eu çei porfeitamente por izemplo k a istória de portugal comessou á bué de çékulos tipo como nakelas telenovelas em k çe páça tudo mto antigamente tipo chokolate com pimenta i açim i avia 1 tal çenhor enrikes k çe zangô ca mãi e le puchou da ispada i a mãi do bacano fugiu pra ispanha e atão o tal çenhor enrikes dice isto agora é portugal. mas como portugal era mto pikenino e dum lado tava a ispanha com a mãi do enrikes mto xatiada á espera pra le bater e do ôtro lado era só mar só mar só mar ké k acontesseu vão os portugeses e meteinsse nuns barcos feitos de casca de nos e vão fazer os descubrimentos. çó k nakela epoka a terra não era arredonda era plaina e por iço primâiro ouve 1 bacano k era o çenhor magalhãis k teve de dar uma volta à terra para ela ficar mais arredonda e ôtro tipo k era o çenhor colômbio tb tava pra ir co çenhor magalhãis mas paresse k se atrazô a comer 1 ôvo ó lá o k foi. çó depois disto tudo é k os portugeses fôrão pás descubertas pq antes dos portugeses xegarein ós çítios tava tudo por descubrir tipo os ôtros nein çabião k ezistião nein os brasilâiros nein os africanos nein nada e eu até imagino os filhos brasilâiros a preguntar c o çeu sutáke ué mamãi afinal kem çou eu e as mãis a dizerles ôi guri deicha os portugas xigarem prá genti çaber viu. mas os portugeses nunca mais xegávão pq aparsseu no meiu dos mares tipo 1 aissebergue orrível xamado adamastor k les dice acim ké k vossês pensão k veien fazer a sujar a minha água. ia num deçes barcos 1 poeta k via mto mal da vista direita mas mesmo açim andava çempre tão bein desposto k até le xamávão o manuel alegre. kuando o manuel alegre ôviu 1 aissebergue a falar apanhô 1 çusto tão grande k kaíu ás águas i depois teve dir a nádo a ver s inda çalváva 1 teisto bué da grande k ele tinha eskrito xamado os luzidios i keria vender ó rei pós alunos do déssimo çegundo ano terein k o estudar. mas intertanto os ôtros barcos lá xegárão ao brasil onde avia mto ôro. ia lá taméin 1 padre k dezia deixein lá o ôro i çalvein mas é as almas. çó k as almas não valião tanto dinhâiro como o ôro e portanto os ómeins çó kerião çaber do ôro i o padre fikou a falar com uns xernes k lá avia. mas kuando os portugeses vóltarão pa portugal com o ôro todo kem mandava em portugal érão os ispanhóis k é o k inda ôje acontesse subertudo na altura da páscua k se ôve cá falar mais ispanhol k portugês. os ispanhóis mandávão nisto mén e çó persseberão k não era çítio para eles kuando uma padâira deu uma pázada num gaijo k ele até caíu da janela abaicho. o k çei é k com esta confusão toda de ispanhóis e tudo o ôro gastousse izatamente como em minha caza onde o meu pai tb dis k ó fin de kinze dias já não á nada pa ningéin. kem çalvô a çituassão foi 1 rei xamado çalazar k comessou a ajuntar mto ôro ôtra vês. çó k depois veiu o 25 dabril i o ôro foice 1 vês mais i por iço portugal teve dir trabalhar para a cee k não nos deichava nein deicha pôr brindes nem favas no bolo rei pq já cá não avia nein á rei nenhun. e prontos. agora veijão lá. com k atão eu é k não çabia istória de portugal ein.

26 dezembro 2005

UMA IDEIA A NÃO DEIXAR MORRER

Portuguesas! Portugueses!

Gostaria de propor aqui o lançamento de uma nova candidatura à Presidência da República: a candidatura da pochete do nosso colega Abel. Pochete à presidência: eis um slogan que desejo ver invadir Portugal.
Das inúmeras vantagens que ela apresenta, sobretudo se comparada com os outros tristes candidadatos, ó Meu Deus, deixem-me destacar:
A pochete não fala de mais. (Sim, existe outrro candidato que fala pouco; mas a pochete, ao contrário desse, não é um economista que só sabe de economia).
Ela não é malcriada. Não é arrogante. Não promete em vão. Pode não ser transparente: mas que outro candidato o é?
Com a pochete, não teríamos de aturar a família dela atrás - quando muito, o Abel a sorrir-nos, em algumas fotografias...
A pochete não tenta convencer-nos que está fora da política. Mas, por outro lado, não está dentro da política. Sobretudo, não a vejo comprometida com quaisquer partidos.
É flexível, segura, fiável. Guarda chaves para tudo e muitos planos.
Caramba: se os poderes do Presidente se resumem mesmo àquilo que o Dr. Mário Soares está sempre a repetir que são e que não devem exceder-se, então penso que a pochete está perfeitamente à altura. Ela será capaz de nada fazer, melhor do que qualquer outro candidato. Pensem nisto. Mas não demorem muito tempo a pensar, que o tempo urge, e precisamos de juntar sete mil e tal assinaturas.

24 dezembro 2005

MENSAGEM SEM BONECO (NÃO SEI PÔR BONECOS)

A todos os bloguistas, fazedores e leitores (suspeito que são os mesmos), um feliz Natal e uma passagem de ano que lhes permita alienarem-se da dura realidade... a que terão de regressar em breve. (Quem sabe que mais nos espera. Cala-te boca!). A sério, fiquem bem. Amo-vos - a uns mais, a outros pouco, a alguns, nada! Mas, em suma: amo-vos, colegas! (Mais natalício do que isto, não sou capaz...)

BOAS FESTAS DE VIANA DO CASTELO A LAGOS, PASSANDO PELO FUNCHAL

A internet é um fenómeno engraçado. Muitas vezes mandamos e-mails, escrevemos em fóruns, publicamos em blogues ou comentamos artigos sem fazer a mais pequena ideia do alcance que vão ter as nossas palavras.
Ora bem. Bloguistas, atenção: FFB (Fontes Fidedignas do Blogue) confirmaram que já circulam por e-mail artigos aqui publicados, nomeadamente do nosso caro e sindromático colega... E mais: já andam a ser afixados pelas escolas deste país outros quantos textos.
Imaginem:
Nos placards duma escola aparece de repente uma certa acção de formação da pré-ordem.
Noutra escola, constitui-se o clube de fãs do DJ Cara Danjo.
Augusto Guerra é já um famoso detective.
O Fantasmadaopera já faz parte dos pesadelos nacionais!
Bem, posto isto a nú, vou-me embora que já estou com frio.
Boas Festas a todos os bloguistas e a todos os nossos leitores!

BOAS FESTAS


VOTOS DE UM ÓPTIMO NATAL A TODOS OS BLOGUISTAS

FELIZ NATAL PARA TODOS!

23 dezembro 2005

DIÁRIO DE BORDO DA ESLANAVE (A NAVE ESPACIAL DA ESLAV) - ANO 2348

1. A Eslanave prossegue no seu curso intergaláctico. Todos os membros da tripulação se encontram vestidos com aquela espécie de pijamas de maluquinhos do espaço. O nosso capitão, sentado na sua poltrona de comando, na ponte, está deprimido. Começa a perguntar-se a si mesmo se o planeta que visamos existirá, sequer - ou se se trata de uma mera utopia.
2. Entram bruscamente, na ponte, Lady Mavilde e Ju-dit-Si-mon. O capitão assusta-se.
- Assustei-te? - pergunta-lhe Lady Mavilde, sorrindo-lhe enigmaticamente.
- Não - responde gentilmente o capitão. - Não foste tu que me assustaste...
3. Uma das razões da depressão do nosso capitão está no facto de ter de lidar todos os dias com os extra-terrestres da nossa tripulação. Em filmes de ficção científica, há extra-terrestres extraordinários: Mr. Spock, por exemplo, é inesquecível. Ou ET, lembram-se? Mas os nossos, são extra-terrestres mais fracos. Sindroma, do planeta Blogue, com os cordões dos sapatos sempre desatados (não é estranho que, no ano 2348 persista esse método obsoleto?) e com sapatos rotos, ou Zegar Cya, do planeta Kossa, com o seu singular ritual (que alguns ignorantes pensam ser um tique), ou Ju-dit-Si-mon, do planeta Argh (de onde fugiram os demais habitantes) são seres demasiado peculiares.
4. Mas a pior das razões para a depressão do nosso capitão é outra: perdemos, há já algum tempo, qualquer contacto coerente com a Terra. Continuam a chegar-nos medidas e contramedidas, circulares e planos, é verdade. Mas desconfiamos de todas essas mensagens. Parecem-nos falsas. Terá ocorrido alguma catástrofe no planeta? Serão as ordens enviadas por um planeta hostil que se faz passar pelo controle terráquio? Uma coisa é certa: estas ordens e contra-ordens não nos parecem provenientes de pessoas com os pés bem assentes na terra...
5. Entretanto, enviámos Fátima Franco e Ofélia Mendes numa missão de reconhecimento a um planeta de que nos estamos a aproximar. Infelizmente, esquecemo-nos de que há um problema: a Fátima tem andado a fazer uma dieta drástica, e cismou em comparar-se, a cada dia que passa, com a magríssima Ofélia. Tememos que Fátima tenha principiado mesmo a tresloucar, porque já em vários momentos procurou destruir Ofélia, dizendo depois, quando chamada à pedra, que se tinha distraído um pouco. Mesmo quando tivemos de lhe desapertar as mãos do pescoço de Ofélia. «Ah! Eu fiz isso? Ai, que distracção...», comentou mais tarde. Teria sido boa ideia enviarmo-las juntas?
6. Os nossos piores receios confirmaram-se. Fátima regressou sozinha, com um ar hipocritamente pesaroso:
- A Ofélia foi apanhada. Nunca mais a veremos, feliz... aaah, infelizmente.
- Apanhada por quem?
- Por... [olhando para o fantasmadaopera]... um ser de bigode... [olhando para Mr. Pedro]... que aparece e desaparece quando menos se espera... [olhando para Abel]... com uma espécie de malinha de mão...
- Mas que ser é esse? Nunca vi um desses.
- Nem sei dizer, capitão. [Olhando, por fim, para Teresa Santos]. É um ser devorador. Comeu a Ofélia. Deve ter ficado cheio de fome, coitado do bicho. Que não é para dizer mal, agora que ela já não está entre nós, mas a Ofélia era uma carga de ossos. Os homens preferem assim as mais cheiínhas, como eu. Mas vou ter saudades dela, magricela e tudo!

22 dezembro 2005

DICAS ÚTEIS PARA ÚLTIMAS PRENDAS NATALÍCIAS

LIVROS:

AS PROFECIAS DE NOSTRADAMUS REINTERPRETADAS, Edição da Pré-Ordem, Lisboa, 2005:

Com a interpretação de uma profecia que nos faz pensar: Natal de 2035. O 23º sismo tornou a arrasar Linda-a-velha (a Saudade levara séculos a ralhar. Ninguém a levara a sério. Daquela vez, pela 23ª vez, o terceiro toque não fora a brincar... Ah! Mas onde estava agora a Saudade? Que saudades...) Não existe eslav. (A Amélia Rey Colaço, pelo contrário, sobreviveu. Falo da escola-bunker, claro, não da senhora propriamente dita). Sobre os escombros do que foi, outrora, a radiosa e feliz eslav, ergue-se a figura de um homem com a barba por fazer, experimentando casacos e procurando, ansiosamente, um certo casaco azul com capuz. Não haverá, em 2035, escola secundária de linda-a-velha, mas o conselho executivo da mesma sobreviverá. Com o mesmo presidente. Entretanto, ao longe, chega a professora Guilhermina, que vinha, como todos os anos, preparar o presépio vivo. Está quase a atingir a reforma, continua a garantir que é a última vez que se mete nisto. Há-de mostrar grande tristeza, ao descobrir que o presépio vivo está morto: aliá, há muitos anos, ela é que, de ano para ano, se torna a esquecer desse pormenor...

PARA QUANDO FALHA O PLANO «A», DEVE HAVER SEMPRE NA MANGA UM PLANO «B», por Senhora dona Maria de Lurdes Rodrigues, Editorial ContraProfessor, Lisboa, 2005 (Com patrocínio da Fábrica de Papel «Essógastar»)

9.350.222 planos alternativos para o caso de as estratégias não resultarem e de o insucesso não baixar.

E um clássico:

The Complete collection of «Elastigirl and Lara Croft Against Ministery, the Evil inside the House», reeditado pela Atelier de Escrita Criativa dos Professores da Eslav, com um prefácio de DJ Cara Danjo.

Se ainda me lembrar de outras dicas, irei anunciando. Que nem só de livros vive o professor! Um Bom Natal!

GRAMÁTICA(I)

(Depois da ODE MATEMÀTICA vamos hoje `a língua de Camões e nossa, também...)

Era a terceira vez que aquele substantivo e aquele artigo se encontravam no elevador. Um substantivo masculino, com aspecto plural e alguns anos bem vividos pelas preposições da vida. O artigo era bem defenido, feminino, singular. Era ainda novinha, mas com um maravilhoso predicado nominal. Era ingénua, ilábia, um pouco à tona, um pouco ao contrário dele, que era um sujeito oculto, com todos os vícios de linguagem, fanático por leituras e filmes ortográficos.
O substantivo até gostou daquela situação; os dois, sozinhos, naquele lugar, sem ninguém a ver nem ouvir. E sem perder a oportunidade, começou a insinuar-se, a perguntar, a conversar. O artigo feminino deixou as reticências de lado e permitiu-lhe esse pequeno índice.
De repente, o elevador pára, só com os dois ládentro. Óptimo pensou o substantivo; mais um bom motivo para provocar alguns sinónimos. Pouco tempo depois, já estavam bem entre parênteses, quando o elevador começou a movimentar-se. Só que em vez de descer, sobe e para no andar do substantivo.
Ele usou de toda a sua flexão verbal, e entrou com ela no seu apartamento. Ligou o fonema e ficaram alguns momentos em silêncio, ouvindo uma fonética clássica, suave e relaxante. Preparam uma sintaxe dupla para ele e um hiato com gelo para ela. Ficaram a conversar, sentados num vocativo, quando ele recomeçou a insinuar-se. Ela foi deixando, ele foi usando o seu forte adjunto adverbial, e rapidamente chegaram a um imperativo. Todos os vocábulos diziam que iriam terminar num transitivo directo.
(...continua...)

21 dezembro 2005

AS MEMÓRIAS DE CAESAR AUGUSTOS LUCAS (I)

I. Naquele dia, Ana Festas-Saturninas disse-me: «Temos de oferecer um banquete.»
Lembro-me de que ela andava à procura de um novo nome. Sugeri-lhe Ana Valha - a sonoridade de Ana Valha soava-me bem. Mas não era nada disso que lhe interessava. Procurava um nome com uma simbologia qualquer, vá-se lá entender uma mulher, qualquer coisa que remetesse para aquela religião emergente que tanto a fascinava, essa história do deus único (que me incomodava porque, afinal, parecia que o deus único não seria eu!) De modo que ela pensava em variantes como Ana Natal, Ana Pentecostes, Ana Dia-de-todos-os santos... Enfim, eu não percebia nada daquilo.
Bem, a idade baralha-me. Contava eu que ela me estava dizendo: «Temos de oferecer um banquete.»
E eu, sempre pronto para banquetes, bati as palminhas, e respondi: «Sim, uma orgia. Sim, oh, sim, uma orgia.»
Mas Ana olhou-me severamente e deixou cair estas palavras sobre a minha alegria: «Nada de orgias, Lucas! Nada de orgias!»

II. «A questão é que», explicou-me ela, «nós vamos comemorar o nascimento de um novo deus. E este novo deus não valoriza o prazer da carne, mas o sacrifício».
A ideia do sacrifício agradou-me. Pensei logo mandar chicotear um certo número de parvos que se andavam a meter com as minhas togas. Mas Ana advertiu-me de que se tratava do NOSSO sacrifício, não do de outros.
E devo dizer-vos, queridos amigos, que tivemos a nossa conta de sacrifícios nesse banquete. Para começar, puseram-me a representar o papel do pai terreno desse novo deus. Choca-vos? Ora oiçam o pior: eu ia com uma cabeleira verde, por Júpiter! VERDE!!!
Não contente com isto, os meus ouvidos iam sendo persistentemente martelados pela voz de uma matrona que subira a um banco, dizia longamente qualquer coisa que ninguém entendia, blá-blá-blá-blá, mas também não se calava. Eu gosto de sacrifícios, mas tudo deve ser com conta, peso e medida. O que há de mal em mandar chicotear os outros?

III. Andei deprimido durante todo o resto do dia. Mas havia uma razão mais: Carolus estreava uma toga nova, talvez mais bonita do que a minha. Durante anos, eu já me perdera e não conseguia perceber se era ele que me copiava, ou eu que o copiava a ele. Mas, naquele dia, a dele era fantástica. Muito azul. Com um fecho fenício, lindo. As pessoas bebiam, eu não tinha olhos senão para aquele pavão! Tinha um capuz e tudo. Cantava-se muito alto. Preocupei-me com o jovem Miguel, que partia dali para uma campanha, mas, entretanto, gritava, ziguezagueando pelos corredores: «Temos de... hips... de fazer... o quê? On... hips... ondé que vamos? Di... director de turma...!? Que é isso? Não é centurião???» Esqueci-me dele. A toga de Carolus não me deixava pensar em mais nada. Seria quentinha? Ao lado, Brutus atormentava uma jovem. Tive pena dela. E se lhe tirasse a toga? Não a ela, claro, aquilo não era nenhuma orgia, já tinha percebido, mas ao Carolus, ao Carolus. Onde a guardaria ele, por Júpiter?

CANTO ANÓNIMO (II)

Desta vez excedeste-te, fantasma de opereta. Ultrapassaste a última fronteira. The no-return point! Sinto-me mais ofendido do que o Abel, quando se insinuou que haveria na sua pessoa qualquer tipo de beleza. E portanto venho anunciar-te, ó fantasma, que raptei a pochete e a mantenho refém. Sim, sim, bem sei, bem sei, a pochete é do Abel, mas:
a) Raptar uma pessoa dava uma trabalheira.
b) Acontece que descobri que a pochete não te é indiferente. Que, secretamente, também tu a amas.
Se a queres recuperar com vida, vem ter comigo ao BO, hoje mesmo, à última badalada da meia-noite. Ah! MAS VEM SOZINHO. Se o meu portentoso apêndice nasal der pelo mais leve cheiro de polícia, já não encontrarás a tua amiga viva. Se não apareceres, nos próximos dias começarás a receber em tua casa partes soltas da pochete: um dia a correia, depois a fivela, depois a bolsinha exterior, e os post-its do Abel, um por um. Achas que não me atreveria? Pois não apareças, e verás. UM ANÓNIMO (E viva o Sporting!)

20 dezembro 2005

OS PESADELOS DE PAXÊKUS...


Eis uma rara imagem, extraída da obra atrás citada (Mao Zedong...) que confirma o estado terminal de PAXÊKUS, em pleno gozo dos seus pesadelos....

OS PESADELOS DE PAXEKUS

Aproveitei um pequeno intervalo, proporcionado pelo grandioso e alarve repasto natalício e por um conselho de turma, debrucei-me com fantasmagórica pacência sobre o tratado, magnífico infolio " Yes, Paxêkus was a piece of Trash", de Armstrong A. , Focas Books, 1975, portanto uma obra sequencial à anteriormente citada , apartir da qual se tentou atraír os incautos leitores a uma mistificação histórica...
Acontece que, o citado Paxêkus, antes de ser aprisionado e posto a ferros pelo imperador Caius Augustus Lucas e antes mesmo da sua passagem à vil condição de gladiador, já era famoso nas catacumbas pelas suas subterrâneas actividades...Destas, infelizmente a História não é muito pródiga em revelações; sabe-se, no entanto, que a sua prodigiosa protuberância nasal - com cheiro de longo alcance - ajudou muitos leões a escaparem da fúria castigadora dos cristãos o que, na época, se tornou um precioso auxílio naquele dédalo das catacumbas... daí a sua leonina simpatia futura que, de todo, não se compreende....
Confirma-se, ainda, que o famigerado Sanguinário Lucas não passava de um tigre de papel...( Conforme a insígne e insuspeita obra de Mao Zedong, "Esfola-os, Chiag Ching", edições Bafo de Leste - O Horizonte era Vermelho - 1986); de facto Lucas, apreciava as uvas, moscatéis, santa-maria, etc. e de tal modo que, chegou a ficar famoso, na época, um suco de uva por ele produzido...este suco, de milagrosas propriedades, transformava-se, em 24 horas, no mais fino acompanhante do azeite....o Sanguinário revelava, em várias ocasiões, um receio patológico de enfrentar senadores e outros, recusando-se, por vezes, a entrar na própria sala do senado (leia-se dos profs....); o pobre, refém do tal triunvirato, era mesmo um pobre de capa bege....ao que parece, o tenebroso ALEXIS GA GAGUS, esse sim, manipulava todo o poder, mantendo o triunvirato na palma da mão...nem a mana LUCIIA escapou...
É realmente verdade que PAXÊKUS terá enveredado pela carreira de gladiador quando, em opção, o ditador GA GAGUS lhe terá dito..."Ó tu, miserável defensor de leões, tens duas hipóteses; ou vais para gladiador ou ponho-te aqui no triunvirato a dar apoio ao Conselho, na estatística da, (mais tarde conhecida por ) Ana Páscoa...vá, escolhe malandro!!!"- Aqui PAXÊKUS não teve alternativa...
Já como gladiador os seus pesadelos atormentavam-no a toda a hora...eram os 6-3 de Alvalade em 1994, o 1-0 da Luz em 2004, a final da Taça Uefa - mais uns gloriosos 1-3, em Alvalade - e outras goleadas que coloriam várias décadas...era insuportável, para esta leonina creatura , tanta evidência da sua pequenez...Não, não podia mais...
Foi, finalmente e num piedoso gesto, largado às feras - excelentes e luzidias águias Victórias de plumagem sedosa - num anónimo coliseu de uma ignota província romana onde, após vários pedidos de clemência e promessas (vãs) de comprar o KIT NOVO SÓCIO, acabou despedaçado num acto de imerecida misericórdia...Alguns abutres convidados para o festim foram, inclusivé, transportados de urgência pelo 112, com evidentes sintomas de intoxicação alimentar...
Todas as referências a um suposto duelo com um hipotético fantasma, não passam de delirantes e aberrantes confissões do estado de profunda demência (falsas, portanto) em que PAXÊKUS se encontrava, antes de acertar contas com o divino, glorioso SLB CRIADOR...

A PRÉ-ORDEM SEMPRE NA VANGUARDA DA IDIOTICE (LEIA-SE: TER MUITAS IDEIAS)

Não pretendemos ser mais idiotas (isto é, ter mais ideias) do que outras organizações. Apenas sermos idiotas melhores (isto é, ter melhores ideias). Assim, a Pré-Ordem dos Professores do Ensino Básico e Secundário apresenta hoje um plano maravilhoso - é modéstia, na verdade - para o combate ao insucesso. Sabemos como o Ministério recebe de braços abertos tudo o que sejam ideias maravilhosas, sendo que esta retoma o que a tradição nos tem para oferecer de melhor, como mostram as experiências de Espinosa e de Galileu.
Não percamos mais tempo:
Sugerimos o seguinte texto, a ser apenso à Acta, assinado por todo e qualquer professor que apresente qualquer insucesso:
ANÁTEMA
Eu (nome, número do BI, morada) reconheço que o único insucesso nesta história sou eu próprio. A minha estupidez não tem limites. Nenhum professor que se preze me pode olhar de frente, nem mesmo aproximar-se de mim a uma distância menor do que a de quatro côvados (leia-se, em medidas modernas: cerca de cinco pochetes e meia...). Deverei manter-me no círculo do inferno que me é destinado durante mais dez anos (leia-se, nunca mais mudarei de escalão). Todas as manhãs, diante de uma efígie de Maria de Lurdes Rodrigues, pronunciarei esta oração: Não há alunos que não consigam, só há professores que não conseguem que os alunos consigam conseguir. Eu sou um miserável, e não consegui que todos os meus alunos conseguissem o que conseguiriam se eu me tivesse esforçado mais em vez deles

SECÇÃO DO ANÓNIMO: APROVEITE PARA DIZER O QUE PENSA SEM QUE SE SAIBA QUEM É VOCÊ

Inauguramos aqui uma secção que terá, certamente, uma grande procura. A garantia é a de que ninguém poderá aceder à identidade do utente. Aproveite.
Eis o nosso primeiro incógnito:
Os pro-pro-pro-fe-fe-s-s-s-sores de-de-des-t-t-t-ta esco-co-co-la s-s-são par-par-par-vos. To-to-to-dos me-me-me-nos um!

CAMPANHA PRÓ-BLOGUE

Contactada uma empresa da especialidade para aumentar a quota de intervenientes no Blog, propos as seguintes possíveis soluções:
1ª - Campanha TGV.
À semelhança do TGV que atravessa o país de lés a lés propõem-se os seguintes slogans:
Bloguista amigo,
Já vamos de Faro a Vigo (persupuesto que sí)
ou
Este Blog já rí
Em muitos lares de Madrid
2ª - Campanha JUNTA-TE A ELES
Neste caso é necessário arrastar para a nossa causa dois elementos que podem fazer a diferença no êxito do Blog:
Clara Anunciação é um elemento que tem de estar no lado do Blog, caso contrário cola a campanha do Blog à do tabaco e começa a espalhar que "Blogar e fumar podem matar".
O segundo elemento é o Alex porque, se não está com o Blog, deixa os computadores tão lentos (ainda mais) que tiram a paciência a qualquer um e pode levar a algumas desistências.
3ª - Campanha TRAZ UM AMIGO TAMBÉM
Seguindo a técnica do Benfica que na "Campanha Coração" conseguiu mais três sócios (dois deles cardíacos que foram ao engano) e na "Campanha 300 000 novos sócios" conseguiu mais três (Filipe Vieira confrontado com o êxito da campanha afirmou: "Vocês, também, levam tudo à letra")
Colocamos como objectivo aumentar o efectivo em pelo menos mais seis elementos de modo a variar o leque e a conseguir um maior espectro político, literário, artístico e quiçá desportivo.

ALELUIA ALELUIA, APARECEU O PAIPAI NATAU!

A escola estava toda iluminada, muita gente estava à entrada...
Era o buffet de natal e a fila não tinha fim; todos queriam almoçar e todos tinham uma prendinha para trocar.
Dlim dlim dlim dlim dlim, ouvia-se com uma nitidez crescente.
Era o Pai Natal que estava a chegar! Montado no seu potente trenó, estaciona com grande estilo e não menos aparato mesmo ao lado do potente jipe da Tininha Nunes. Apressado, olham para um lado e para o outro para atravessar a passadeira e saca dum cartão que passa no sofisticado sistema de controle de entrada.
A comunidades escolar indignou-se. Alguns diziam: "Como é que ele tem cartão e nós não?", "Deve ser amiguinho dos do lobby, a ver pela cor do fato..."
Quem abriu a boca mal teve tempo de a fechar.
Num momento, as bocas abrem-se mais ainda e todos disseram Ohhhhh!
Subitamente: os castiçais de plástico tinham-se tornado de cristal;
os pratos encheram-se de lagostas;
as paredes branco/frigorífico da escola tornaram-se coloridas;
da sala de professores desapareceram os dossiers abandonados e todo o lixo das paredes à excepção dos desenhos do JP;
os computadores da sala 10 começaram todos a funcionar sem ninguém lhes mexer
e os da sala de directores de turma transformaram-se em muitos portáteis;
o interface do programa Alunos ficou lindo de morrer
e as casas de banho encheram-se de papel higiénico;
o casaco beje do chefe Lucas deu lugar a um fato de bombazina verde para regozijo do Sindroma;
os professores que o tinham abandonaram lentamente o ar distante e superior
e passaram a dar-se com os restantes mortais;
os planos de recuperação feitos com tanto esmero desapareceram para sempre;
a porta que dá para o pátio alargou-se para deixar entrar muitas pessoas ao mesmo tempo em dois sentidos;
uns querendo e outros sem querer, todos começaram a escrever no blogue;
as mudanças eram tamanhas que o próprio chefe Lukas
passou a ser o editor mais assíduo do blogue!

19 dezembro 2005

PRÉMIOS

Eu não sei como é que se vê isso, e pode ser que me tenham enganado para se divertirem à minha custa. Porque, basicamente, sou muito ingénuo. Mas disseram-me que andam milhares de pessoas a ler o blogue; que há leitores de quase todos os continentes. Fico preocupado. Se assim é, acabarei por ter de dar razão à Ministra. Onde é que essa gente arranja tempo para ler isto? Não têm testes para corrigir? Aulas para preparar? Eu sei onde arranjo tempo para escrever: roubo-o ao sono, às refeições, à família. Mas toda essa gente? Não percebo isto.
Venho, nesse espírito, distribuir prémios pelos professores sérios que ainda existem: os que não têm tempo nem para escrever aqui nem para ler isto porque, obviamente, têm muito mais que fazer.
Em primeiro lugar, para quem disse: «O blogue não tem piada nenhuma», o honroso prémio: E OLHEM QUE SEI DO QUE FALO, LÁ EM CASA SOU CONHECIDA COMO UMA PESSOA COM MUITA GRAÇA.
Para quem disse: «Era preciso que mudassem de tom», o prémio: JÁ ANDAM A MALHAR DE MAIS NA MINHA PESSOA E COMEÇO A NÃO ACHAR BEM.
Para quem perguntou: «Bló? Qual bló? O que é isso?», o prémio: ANDA O SÓCRATES A ENCORAJAR O CHOQUE TECNOLÓGICO PARA ISTO...!
Para todos os que não têm tempo, nem paciência, os meus sinceros parabéns. Um professor é feito para professar, não para blogar. No meu caso, é um vício. Mas não perdi a esperança de ainda me vir a curar. (Talvez fosse bom a Clara começar a afixar nas paredes cartazes com fotografias chocantes dos malefícios do blogue...) Sim, hei-de curar-me: a minha família não merece isto!!!


AFINAL HÁ FOTOGRAFIA!...


Para aqueles que fizeram o favor de começar a gozar antes do tempo para gáudio do próprio Paxeco, aquí vai a fotografia que não permite qualquer tipo de dúvidas...
Na parte superior assiste-se a uma tentativa de tréguas mas Paxeco mais teimoso que uma mula (teimosa), recusa qualquer tipo de negociação.
Na parte inferior já ambos os beligerantes em plena contenda...
Apesar da Polloroid não ser a última palavra no mercado, dá perfeitamente para reconhecer os envolvidos; só é pena a máquina da época não permitir utilizar as últimas técnicas do Plano Tecnológico do Sócrates, caso isso fosse possível ouvir-se-ia o Paxeco a chorar pela ...tia Paxeca.

O CONSELHO DE TURMA

1. A Pauta, a Folha de Presenças e a Ficha Para os Pais estugavam o passo em direcção ao pavilhão X, para a calendarizada reunião matinal de avaliação trimestral. A Pauta sussurra, inquieta, para a Ficha ..." Aquela maluca da Acta não há meio de chegar...bolas, deve estar tudo pronto para a reunião e ela sem aparecer..." "...Que xatice, é mesmo uma doidivanas...Aposto que andou na galderice toda a noite com algum Livro de Ponto...enfim, aguardemos..."- respondeu a Ficha.
2. No interior da sala X, sentados com ar seráfico de quem espera e desespera, os professores da turma XLK, preparavam toda a documentação; a D.Turma - GILA PROSA- açoreana de gema radicada na metrópole vai para 40 anos, questiona a colega secretária MÁXIMA GORDIÇO..." MÁXIMA, tá tude em ordem, têns a papelade tode pronte?...MÁXIMA abana a cabeça num gesto afirmativo e diz..." Só falta a Acta..." - enquanto a Pauta , a Folha e a Ficha entravam na sala e davam os bons dias aos presentes; FÁKIMA TRANCO - conhecida como "La petitte Gazelle"- murmura para CONTEIPÃO ARTISTA: "..Outra vez a Acta, ...tinha que ser...". FILETE PONTEIRO solicita com média voz: "Colegas, podíamos começar com a reunião senão isto atrasa-se e nós ainda temos que acabar a nossa venda de Natal...Temos ainda a Torre de Belém e o Palácio da Ajuda pra vender..." De imediato, corroburou COMDORES ALICATE, geógrafa desempregada e vendedora nas horas vagas, reforçando entre duas furtivas lágrimas "..Exactamente, mas não te esqueças, FILETE, que vêm cá os homens dos viveiros de plantas ás 2 horas e trazem o Jardim da Estrela para nós vendermos..." "Mas...vocês já venderam a Tapada de Mafra??? Se não, eu fico com ela para dar no Natal ao meu marido..." questionou BALELA SAR HAIVA, astroquímica laureada, com um susurro de trovão...."Credo, diz a Gazelle...ó BALELA, não fales tão baixo, que me faz subir a tensão..." ..."Partis-te um tacão??" responde BALELA -" ó filha, agora é que tens que subir a uma cadeira para chegar ao chão..eh! eh! eh!..." - interrompe, então, GILA PROSA, a DT: " Bêm, vames começer com este..."
3. 35 minutos depois, chegou, olheirenta, a Acta; entrou surrateiramente, cumprimentou em surdina e desculpou-se: "...Peço desculpa pelo ligeiro atraso, mas torci um pé ao levantar-me da cama, peguei fogo à cozinha quando preparava uma torrada e os bombeiros...vocês sabem...nunca chegam a horas..., ao saír do prédio caiu-me um piano em cima e, se não me desvio a tempo, a esta hora parecia uma folha de papel e, quando cheguei ao carro tinha os cinco pneus furados...espero que comprendam...bem,... estou à vossa disposição!!". A Pauta, que vinha em branco, protestou "..Gaita, que esta escola é mesmo atrasada!! Podia já vir com as notas lançadas e os profs escusavam de estar aqui a cantar, como de fossem Carusos..." " Tem toda a razão" - completou a Folha de Presenças - " A mim escravinham-me cada qual com a sua cor de tinta, uns com letra de imprensa, outros com uns gatafunhos ilegíveis e eu que me aguente... isto é mesmo arcaico!!!" MÁXIMA GORDIÇO, a secretária, levantou-se, deu a mão à Acta e disse peremptória: "Anda cá, que agora tenho que escrever-te a apreciação global e individual da turma"; e leu em voz de timbre aclarinetado: " A apreciação global é positva pois não achámos motivos para ser negativa; globalmente, os alunos são todos mais ou menos, até mesmo porque enfim....; na generalidade, estão todos desintegrados porque não se quiseram integrar e a relação professor-aluno é igual à relação aluno- professor!!"; " na apreciação individual refere-se que o aluno Segismundo TrocaTintas deve ser encaminhado para aulas de apoio, já que trocou as tintas todas ao professor MÁ RYO, quando este pintava uns cenários do seu projecto; o citado professor, enlevado com a abrangência pedagógico-didáctica do aluno, logo ergueu uma trincha e, num certeiro golpe de estratégia alternativa, tentou acariciar as fuças do aluno..." " Ó GORDIÇO, mas amim contaram-me que a coisa não foi bem assim...." interpelou, um pouco a medo, FILETE PONTEIRO; "Pois não!!" retorquiu, peremptória CONTEIPÃO ARTISTA... "Quando a trincha voou para o aluno, este baixou-se e, naquele momento vinha a passar a CURTES MEADA, a colega de grupo do PAXÊKU... e levou com aquilo, em cheio, no trombil...ficou toda a pingar de tinta vermelha...digo-vos que foi cá uma bronca..." "Na me diges..." acrescentou, atónita, a DT GILA PROSA - " Ouve, GORDICE, tu na ponhes este na Acta, Hein??"- A Acta, já carregada de apreciações pensou : "Do que eu me livrei, apre!! Esta GORDIÇA julga que eu tenho o arcaboiço dela...e ainda faltam as estratégias de superação..."- continua MÁXIMA GORDIÇO: ".... as estratégias de superação tendentes a alcandorar estes alunos aos patamares do sucesso são: 5 chicotadas no lombo, cada vez que bocejarem num intervalo; tortuta do sono - 3 noites sem dormir - sempre que espirrem no corredor, no Inverno; tortura da estátua - com gota a pingar de 5 em 5 segundos na cabeça - se tossirem, após uma falhada experiência no laboratório de Química, com libertação de vapores tóxicos e, finalmente, extracção do fígado pelo ouvido se olharem, SEM PESTANEJAR, para o colega do lado, na sala de aula!! - concordam colegas, com o teor da Acta???" - Em uníssino, ouviu-de um SIM clamoroso, que aprovou com, aclamação e 100% de abstençõesa, ACTA; Esta, com orgulho indisfarçãvel, auto arquivou-se, feliz e com o sentimento do dever cumprido.
4. Da Folha de Presenças ninguém mais soube nada...consta que se perdeu , num qualquer molho de outras folhas, na secretária da LÚ CYA, do Executivo Conselho....da Ficha Para os Pais ouve-se que, vagueia pela noite, consumida pelo remorso, já que as informações que continha provocaram enormes castigos num certo aluno; este facto, interpretado de modo diferente pelo pai e pela mãe, acabou em divórcio litigioso ainda não resolvido....Finalmente a Pauta, ainda hoje protesta, veementemente com o LU KAAS, do tal Conselho, por continuar a ir em branco para as reuniões...ao que o referido presidente contrapõe dizendo que a culpa não é dele, ele só cá veio para ver a bola, não percebe nada disso e que o GA GA GO ALEX vai tratar disso nos próximos 3 anos lectivos....
5. O pavilhão ficou vazio; frio esombrio, esperando por novos Conselhos de Turma...Os professores, já tinham debandado para o aconchego dos seus lares, questionando-se permanentemente, entre duas mordiscadelas num cuscurão....."Mas...Onde raio pára o PAI NATAL???

18 dezembro 2005

A verdadeira história dos Gladiadores está documentada e fotografada conforme imagem junta onde se ve Paxekus em sérias dificuldades uma vez que o seu adversário Fantasmadaopera com sua voz de trovão consegue dominar o bicho do ouvido de Pachekus

CANTINHO «A REPOSIÇÃO DA VERDADE HISTÓRICA». POR DR. HERMAN JOSÉ SARAIVA

Porque muita imprecisão (quando não mesmo falsidade) tem sido propalada a propósito dessa fascinante e inesgotável figura histórica, Paxêku, há que iniciar-se de uma vez por todas a reposição da verdade. E propomos uma incursão à Antiguidade greco-romana, onde, pela primeira vez, deparamos com o nome em causa. Meus senhores, queiram por favor colocar os cintos de segurança: a verdade é chocante.

Pensa-se que o primeiro Paxêku fosse um Grego de estirpe divina. Podem comprová-lo observando o seu perfil que é, contrariamente ao que se tem por aí insinuado, um indiscutível perfil grego. Alguns historiadores, de má-fé, insistem em referir o tamanho do seu apêndice nasal. Temos, a bem do rigor, de o reconhecer: trata-se de um perfil grego, sim, mas para o grandito! Foi sempre, porém, esse um dos atributos que fizeram dele um eleito entre as mulheres. Por um lado, o nariz avantajado seria o sinal visível de outras vantagens. (Pode parecer um remoque machista: mas se há que se repor a verdade, que se a reponha sem tabus). Mas, mais do que isso, a própria penca era, já de si, um órgão activo, a que chamavam o «Apêndice Prodigioso» ou a «Nariganga das Delícias».
Adiante.
Sabe-se que Paxêku, grande sábio e incansável viajante, foi feito escravo e posto ao serviço de um grupo de matronas romanas que o não deixavam descansar. Passava-se isto num dos peíodos mais desconhecidos da História romana - período esse que, em geral, se oculta e de que poucos livros falam. (Cf., contudo, o genial Was Paxeku a Man or a God?, de L. Armstrong, Penguin Books, 1973). O Poder romano era, então, exercido por um triunvirato de que também pouco se sabe: o sanguinário César Lucas, que costumava passear pelas ruas, na sua elegante toga e com uma coroa de louro à cabeça, de mãos nas ancas, para assustar os cidadãos; Ana Festas-Saturninas (a qual, depois da sua conversão tardia, adoptaria o nome cristão de Ana Páscoa) e o famigerado Carolus, dito o Guerreiro.
Tanto quanto se sabe, Paxêku terá liderado várias revoltas de escravos.
Foi, aliás, por causa disso, chamado à presença de César Lucas, que, no seu antro, o recebeu semideitado, apanhando, no ar, com a boca, bagos de uvas que lhe lançavam mãos femininas. Entre dois bagos, manteve com Paxêku um diálogo impressionante, em que lhe perguntava: «Mas és tu o Nazareno? És ou não és? O que se intitula Filho de Deus? És tu?» «Não», respondia-lhe modestamente Paxêku. «Sou só um ser humano...»
Como persistisse firmemente nas suas ideias, como não tivesse cedido nem um milímetro relativamente à sua filosofia e às estranhas profecias, onde aparecia sempre um leão trucidando uma águia, César Lucas fez um gesto para que o levassem dali, enquanto dizia «Lavo aqui as minhas mãos», porque estava, efectivamente, com as mãos muito pegajosas das uvas. (Há quem queira ler na sua frase, hoje em dia, um qualquer enigmático sentido. Mas não me parece. Ele queria mesmo lavar as mãos em virtude da pegajice das uvas...).
Paxêku foi, pois, transformado em gladiador.
No célebre circo que se designava por Stadium Lucis, lançaram-no à mais temível fera que se arranjou: um tal de fantasmadaopera, monstro selvagem, intratável, considerado imbatível, que usava como armas um lápis de ponta muito aguçada e uma folha de papel. Paxêku, coitado, não tinha para combatê-lo mais do que o seu nariz. Mas esse nariz abriu na cabeça do fantasmadaopera um rombo, de que ainda hoje padecem os monstruosos descendentes do monstro. A massa associativa gritava «À morte, à morte, à morte». Pediam assim a Paxêku que o matasse. O que, tanto quanto se sabe, sucedeu nessa tarde soalheira.

ONDE PÁRA O PAI NATAL - 4º EPISÓDIO...TALVEZ?

O Alex sem hesitar e nem sequer gaguejar:
-Bem pessoal, se o Chefe manda eu vou ter que ser durão mas o problema tem de ser resolvido. Se eu ponho todos os computadores a trabalhar aquí na escola, também hei-de descobrir o Pai Natal. (Ninguém percebeu a relação, mas também não houve coragem de dizer nada).
...Nesta altura já o pessoal começava a abandonar o bar e alguns até assobiavam para o lado.
-Zé Pedro, onde para o Pai Natal?
Zé Pedro meio encolhido balbucia:
- O Pai Natal não sei, mas parece-me ter visto duas renas a pastar no canteiro do prof. Rocha.
...Discretamente e a caminho da saída, com as mãos nos bolsos (pormenor suspeito), passava o prof. Garcia sem levantar os olhos do chão.
-As renas também nos podem interessar, quando eu puser em acção o plano B.
Abel abre a sua pochete, olha para um post-it e diz:
-Bem tenho que ir ao Pingo Doce comprar queijinhos frescos, que chegam agora às onze horas, senão, só amanhã de manhã.
Alex e Zé Pedro saiem do polivalente pela esquerda baixa, sob o olhar atento do Chefe...
...
Irão procurar no "BOM" que é o local mais abandonado da escola? ...

ONDE PÁRA O PAI NATAL - 3º EPISÓDIO... SIM!

O dia estava mesmo muito frio. Ultimamente pessoal andava todo encolhido e o chefe até pensou que isso fosse consequência das coisas que a malta do blogue anda a escrever, mas depressa abandonou a ideia e fixou-se no seu objectivo: encontrar o sr.Pedro! Quase de modo automático, os seus passos levaram-no ao polivalente. Parou, de mão na cintura..."O que é que eu vinha aqui fazer?..."
Olhou para o bar, lá estava ele! Rodeado, claro, dos amigos de sempre... Era segunda feira, o Benfica tinha ganho ao Nacional. "Pronto, agora vai ser fácil, ali estão todos os suspeitos."
-Alto aí! Olhem lá. Tirem para fora tudo o que têm nos bolsos. D.Luísa, é um café, se faz favor. Ponham tudo em cima do balcão.
Solícita, D.Luísa põe os tabuleiros dos bolos em cima do balcão, a Sónia traz os chávenas e os pires, a D.Otília traz a caixa dos trocos...
"Pronto, está satisfeito? Desconfiava de nós?" O chefe tem um acesso de tosse...
"Não estava a falar convosco... Estes malandros estão a fazer de conta que não me ouvem. Afinal, onde está o Pai Natal? Quem é que o levou?"
"Ó Alex, vê lá se resolves este enigma, tenho mais que fazer."

17 dezembro 2005

ONDE PÁRA O PAI NATAL - 2º EPISÓDIO... NÃO!?

O bem-amado chefe Lucas não se conformava.
É verdade que experiências terríveis tinham lugar - e têm, revelaremos mais, brevemente... - no antro do CE, mas não era isso.
É verdade que o Pai Natal se clonara nos bolsos coçados do Zégar Cia, mas também não era isso que o incomodava.
E talvez fosse também verdade que o Pai Natal tivesse ido ao circo. Mas ainda não era esse o problema. Porque o Pai Natal de que sentia saudades era único, irrepetível, inclonável: o que o Mário pusera na árvore de Natal que luzia no átrio da nossa querida escola. Era esse Pai Natal que fazia falta reencontrar - e não confundamos mais as questões para isto não se tornar como um debate presidencial.
Ao reparar num certo sorriso, enigmático e maléfico, do senhor Pedro, o bem-amado chefe suspeitou.
E disse - não para os seus botões, que deixara de usar, mas para o zipper do seu novo casacão à lobo-do mar: «Mau! Querem ver que foi o Pedro que se abarbatou com o Pai Natal?»
De modo que resolveu seguir o senhor Pedro. Mas depressa o perdeu de vista, visto que teve de, entretanto, admoestar uns jovens que fumavam o seu cigarrito. E fê-lo severamente: «Vocês não estejam aí ao frio, que o frio faz mal aos pulmões...»
Onde estava o senhor Pedro? Por onde se escapulira?
O chefe Lucas falou ao zipper: «Não há problema. Encontro-o já na Biblioteca. É a hora de ele lá estar...»
Dirigiu-se lestamente à Biblioteca. Mas o que deu foi com o nariz na porta.
E por hoje, amiguinhos, podemos dar-nos ao luxo de terminar o episódio: é curto, mas verdadeiramente hilariante. É que a ingenuidade tem sempre o dom de nos fazer rir, e reparem na ingénua crença do chefe Lucas, que tinha fé em que iria encontrar o senhor Pedro na Biblioteca (um sítio onde só muito por acaso o conseguimos encontrar).
«Já percebi», comentou o chefe com o seu zipper: só descobriria onde pára o Pai Natal se descobrisse, primeiramente, onde pára o senhor Pedro.
Cá fora, os jovens fumavam ainda.
O chefe irritou-se deveras: «Eu não vos disse que não estivessem a fumar ao frio?»
(CONTINUA)

ERRATA !

No documento distribuído recente aos professores com os procedimentos a observar nas reuniões de avaliação do 1º Período, no ponto 3 onde se lê:
"Os professores do ensino básico que pensam atribuír níveis inferiores a três devem elaborar, previamente, um registo, por aluno, das dificuldades apresentadas, estratégias e calendarização das actividades a desenvolver, com vista à eventual elaboração de um plano de recuperação e que servirá para justificar o insucesso na sua disciplina",
deve passar a ler-se:
"Os professores do ensino básico que porventura pensem atribuír níveis inferiores a três devem pensar melhor e desistir da ideia previamente, de modo a evitar elaborar um registo por aluno, porque, pensando bem, o aluno apresenta dificuldades mas de nada serve apresentar estratégias e calendarização das actividades a desenvolver, porque não vai valer de nada, nem nenhum professor tem uma varinha de condão para fazer milagres e assim evitamos o gasto excessivo de papel e fazemos a vontade à senhora ministra e acabamos com o insucesso na sua disciplina e no básico, compreendido?".
É básico, não?!

A VERDADE NA AULA

1. Em primeiro lugar cumpre-me pedir desculpas por vos ter privado da minha companhia por alguns dias...é que tive que fornecer inspiração a um vosso brilhante colegaque, por si só, se dedica à busca incessante da verdade histórica... MAS EIS-ME DE REGRESSO, Ó MÍSEROS....
2. Desta incansável busca reultou, como sabeis, a publicação de um EXTRORDINÁRIO documento histórico que remete para o baú das inverdades o mito de 1640...esse documento, está exposto por alguns dias na vossa suja e poluída sala, para forrar de algum saber os vossos espíritos prenhes de ignorância...
3. O ar basbaque com que, vós olhásteis o referido documento, os risinhos nervosos provocados pela erupção da verdade e o cochicho miúdo sobre a revelação de alguns personagens de gabarito histórico deixou-me perplexo e, ao mesmo tempo, conformado com o alto teor de ignorância que vos contamina...
4. Mas,... vejamos: após a boçal contemplação do documento alguém foi visto a emitir uma dúvida quanto à veracidade do mesmo??? alguém, criticamente o contestou???NNÃAAOOO!!!Tomaram-no como outra verdade inquestionável para ser mastigada, digerida e expelida como ensinamento aos vossos tristes e infelizes alunos...
5. Já antevejo uma próxima aula da histórica professora FILETE PONTEIRO: "Meninos...fizeram o trabalho de pesquisa que eu vou marquei na aula passada? Investigaram os personagens da Restauração de 1620???" - BRUNO MARIOLA responde sôfregamente: "..stôra procurei sobre D. Corleão Coração de Lampião mas, o que descobri foi que, além de um grande vira-casacas, há dúvidas sobre a sua origem...ou AL PYARÇA ( ao tempo burgo árabe) ou POT U SALVO (visigótico)..." Tem que aprofundar essa investigação" - retorquiu FILETE... " Stôra essa treta dandar a meter o nariz na vida dos outros na me xeira muito bem..." falou CÁTIA RANHOSA, sardenta e com o pingo a caír do nariz, numa pose semi-peixeira..."Trata-se de investigação histórica, RANHOSA, nada do que pensas..." responde pacientemente FILETE... "És mesmo bronca, RANHOSA,... devemos ir ao fundo das questões para apurar a verdade.." riposta, com ar solene CARLITOS MOCHO , de lunetas garrafais...e continua..." Eu cá pesquisei durante dias a personagem de D.PAXÊKU...ao que consta, foi abandonado, ainda bebé, numa cesta de palha na roda de uma misericórdia do Norte...aí cresceu, aprendeu as primeiras letras mas, já adolescente precoce, terá investido cegamente sobre uma roliça freira ( ao que dizia na época, que o teria iniciado no saborear dos prazeres mundanos...) de seu nome ROSA BEMTORNEADA...Monsenhor SERAPIÃO TRAMOTE não terá gostado do escândalo e, apontou a PAXÊKU a porta da rua...da freira não há notícia mas o espigadote mancebo lançou-se à aventura e bazou pá Índia, onde se tornou índio..." .."Indiano, CARLITOS, Indiano..." corrige a profa FILETE; e logo MANEL TACÃO, delegado de turma acrescenta de sua lavra: "...eu tmém estudei, stôra...descobri que o mano, xegou á Índia e conheceu um zarolho que por lá andava e que tinha a mania que fazia poemas...olhe este, stôra...Meu Amor dá-me pancada e não tenhas Compaixão; Tinga linga linga linga...Tinga linga linga lão... o zarolho era memo baril,não era?? " MANEL, não diga bacoradas, continue a sua exposição..." repreende FILETE..."..atão o mano terá feito uma sociedade com o poeta zarolho,..enquanto este escrevia o PAXÊKU molhava a pena no tinteiro...mas aquilo dava pouco e consta que, logo o marmanjo terá abixado as caixas de esmolas dum templo hindu, os monhés não gostaram da coisa e perseguiram-no de chuxos em riste e deram-lhe uma valente carga de porrada que o deixaram todo negrinho....ele aproveitou e fugiu na primeira nau para África...." "MANEL, mais cuidado com a linguagem, menino...isto não não é taberna.." repreende FILETE...RITA ESCARRAPACHEKA aproveita o andamento e continua..."stôra, eu cá descobri que o gajo , xegado a Àfrica, dedicou-se ao tráfico ilegal de marfim, contrabando de diamantes e montou uma empresa de formação profissional, com dinheiro lavado da droga onde ensinava e formava técnicos de CURRUÇÃO..." "CORRUPÇÃO, menina, CORRUPÇÃO..." logo corrige FILETE..." Ou isso,...ó stõra eu cá axo cainda descendo deste figurão...repare no meu nome, não axa??" "Não, menina..o seu nome é com CH, ESCARRAPACHECA e não com X,..." cortou cerce FILETE... continua A RITA..."...depois de ter feito umas falcatruas de pouca monta, tentou vender a Gorongoza aos Moçambicanos e duas Pirâmides aos egípcios...os gajos parece que não concordaram co negócio, diz que diz, toma que toma, leva que leva e correram com o marmanjo de África...PAXÊKU apanha uma jangada e, com uma mão à frente e outra atrás, logra, por fim alcançar o reino, xegando ao cais da matinha numa fria madrugada de Novembro... gelado e faminto, assalta um céguinho que esmolava a uma esquina e rouba uma dúzia de castanhas- quentes e boas - que um desgraçado vendia...só xeguei até aqui, stôra..." ..."Muito bem, RITINHA, vejo que se empenhou... " Empe...quê?? stôra, não diga isso alto ..se os meus pais sabem que eu me baldo pa casa do LUIS MORDENAMÃE quando não tenho aulas e passamos a tarde a papar filmes de desenhos animados...chega-me ao pêlo...mas, ainda não se nota muito, poi não stôra???" - estava preocupada a nossa RITA..."Não, Não...deixe lá isso...Mais alguém quer expor o seu trabalho??" ..." Eu stôra, eu!!" - era o JANECA FANECA, espertalhaço e namoradeiro sub delegado..."...Eu descobri que a origem da personagem era greco latina.. PAX (latim) + ÊKU (grego)...é importante, não é stôra??... ah! e mais...já na lusa pátria, começou a viver de expedientes e a frequentar, à noite, os cafés dos Restauradores...aí terá sabido que o reino estava na posse do invasor castelhano e que, nas catacumbas da clandestinidade, fervilhava o sentimento de insurreição...logo aí, o nosso figurão vislumbrou uma oportunidade...terá metido conversa com D.BELIÃO, de linhagem francesa e fidalga - descendia do Conde de POCHETTE - que mantinha contactos secretos com CORLEÃO, na altura ainda CORAÇÃO DE LEÃO...aguardavam, a todo o momento, a chegada de Lagos - via Caxias- de D: MIGUELITO com o seu exército...também COÇAS Y COÇAS se lhes juntaria na primeira oportunidade...é neste emaranhado conspirativo que a larva da ganância cesce e se desenvolve do pantanoso âmago de PAXÊKU... este alia-se à conspiração pela Restauração e, ao mesmo tempo, combina com o vice rei de castela traír e fazer abortar o movimento, a troco da concessão de 2 bombas de gasolina na fronteira do Caia e da exploração de todas as casas de alterne da zona raiana...aproximava-se o fatídico dia...CORLEÃO é proclamado, clandestinamente, D. CORLEÃO CORAÇÃO DE LAMPIÃO e este pormenor, DECISIVO, vai confundir as tropas castelhanas, que buscavam um leão e não encontravam nada...só LAMPIÃO...a revolta tem lugar no dia 8 de Dezembro de 1620 e, com a vergonha na alma, PAXÊKU vê-se obrigado a tomar o partido do vencedor, alardeando uma camaleónica capacidade de adaptação às circunstâncias,...ei-lo, gritando e agitando armas contra o invasor,....mas no íntimo, sangrando com a idéia de perder os acordos que firmara com o castelhano opressor...e assim passa para a História como D. PAXÊKU, O SANGUINÁRIO, que de apelido e alcunha, só teve um ligeiro corrimento na sua avantajada penca, que sobressaía de entre dois olhinhos de raposa, como um míssil terra-ar..." .. "Excelente apresentação, JANECA, os meus parabéns..." - comenta jubilosa FILETE PONTEIRO, enquanto, estridentemente, toca a campaínha assinalando o fim da aula...

16 dezembro 2005

A KOLUNA DE DJ CARA DANJO: A TROCA DE PRENDAS (a partir de uma ideia - brilhante como uma decoração natalícia - de Lara Croft)

é acim. lenbrãosse k vos falei noutro teisto asserka da séca k ia ser o meu natal. ora bein a minha avó xega tipo já este findessemana e o meu pai tá tipo pior k 1 urso. inda por sima veiu mto xatiado do almosso de natal lá da impreza dele pq avia troca de prendinhas mén e o meu kota escolhe semper pa ofersser tipo uns xokolates fiches mon xérri e tudo e depois a ele cálhalhe semper tipo 1 piarrô de loissa ou 1 castissal bué da fuleiro ou tipo uns berlokes dekorativos k não servein nem pra dekorar ou tipo 1 moldurinha co 1 fotogarfia do bréd pit ou acim. a minha mãi preguntale qué k keres k eu fassa a isto mas depois todos os natais aporvaitamos pra ofersser a peçoas k a gente não kurte lá mto. desta vês lá no almosso calhô ó meu kota 1 kastissal de pelástico e o meu kota dis k ouve 1 gaija lá da impreza k o viu desembruiar a prenda e inda veiu ter com el mto contente a preguntar gostou gostou fui eu k comprei eça é gira não é. até parssia k tava a guzar com el. de maneira k xegô mto xatiado a casa e dice á minha mãi atão a tua mãi semper xega ámanhã. çim. olha embrulhalhe esta m... k vai çer a prenda de natal pá velha. já vi tudo. vai mesmo çer este o pior natal da minha vida. até pq inda porssima vô ter negativa a tudo. çim. espanteinsse espanteinsse. até a portuges mén. bom natal pra todos

15 dezembro 2005

O PAI NATAL: TODA A VERDADE

De acordo com algumas fontes seguras, descobre-se agora que a nossa escola é frequentemente alvo das mais secretas investigações. Existem diversos planos secretamente congeminados que conta com diversos anos de existência e apuradas negociações ao mais elevado nível científico.
Desconfia-se agora que a luzinha vermelha à porta do C.Executivo tem um objectivo mais que claro: afastar qualquer intrometido abusador indiscreto e metediço. Afinal, o sinal vermelho significa "Perigo de radiação" e as vezes até "Perigo de Explosão" porque se fazem ali as mais secretas experiências.
De acordo com as FG (Fontes do Blog), alguns professores da área científica estão aqui colocados com o único objectivo de proteger o Pai Natal desaparecido há dias. É o caso da Sódade (enviada por indicação da Cesária Évora) , Bébétim Móteo e Pau-la-Santo, que voltou ao fim de um ano de ausência, talvez para dispersar qualquer suspeita de envolvimento no caso.
Não restam agora dúvidas que se trata dum recente produto da investigação na área da clonagem. Presumimos que o objectivo é medir o grau de discernimento dos professores da eslav e verificar quem é que é capaz de descobrir quem é o verdadeiro PaiNatal.

Esta imagem, recolhida acidentalmente no meio das pastas de Zégar Cia, deixou o próprio atrapalhado quando viu a figurinha nas nossas mãos.
"-Tanta gente que há nesta sala de professores, logo havia de ir parar às tuas mãos, grande azar".
Vendo-se entre a espada e a parede (tal como foi registado pelo lápis aguçado, atento e mordaz do João Paulo), Zégar Cia confessou como tinha encontrado o desenho do Pai Natal:
"-Foi em pleno Verão. Andava na praia a passear à beira mar quando tropecei numa rocha. Ainda disse -Xiça prá Rocha, mas como não se mexeu, vi logo que não era o Rocha. Guardei este desenho até ao fim do verão no bolso dos calções. Quando começaram as aulas trouxe-o para mostrar ver se me dava sorte com o horário."
A estas palavras, algumas professoras cercam-no; Suzette-mon-Teiro, Fáfá Madaleno, não conseguiam conter a admiração. Quem consegue balbuciar qualquer coisa é Adélia -"Si, mas, mas...".
Quem vem por fim põe um ponto de ordem no assunto é Tete Pereira, que, afirma Pereira, tinha visto o "pai natal ir num comboio ao circo".
Será que o Pai Natal volta para o almoço de Natal?!
(CONTINUA)

DEBATES PRESIDENCIAIS

Os dois únicos candidatos a Presidente do próximo Executivo da Eslav apresentam-se hoje aos eleitores, num debate moderado - ou melhor, espicaçado - por Constança Cunha e Sá, com a sua proverbial má educação e aquele típico riso soprado pelo nariz, como se tudo o que os seus entrevistados dizem fosse muito, muito, muito estúpido.
Os candidatos, que são os senhores Lucas 1 e Lucas 2, procuram, com este primeiro debate, pôr fim à horrível atoarda segundo a qual estaríamos perante o mesmo e único sempiterno presidente, num regime sem debate nem alternativas, sem concorrência nem oposição. É, portanto, falso. Mas conseguirão os putativos chefes (atenção, isto não é um insulto) convencer-nos de que há diferenças entre os dois? Conseguirá Lucas, dividindo-se a si próprio para um frente-a-frente consigo mesmo, calar as bocas, os blogues, a murmurante malvadez que grassa pelos recônditos recantos desta escola?

CONSTANÇA CUNHA E SÁ - Boa noite para si os dois. O senhor primeiro, Lucas 1. Por que se candidata?
LUCAS 1 - Atenção, atenção. Aí é que está. Eu não me candidato. Nunca me candidatei. Sempre me quis ir embora desta porcaria. Quem me conhece sabe que o meu sonho é regressar à terra, às vinhas, ao ar puro. Sempre o disse. Se hoje não volto as costas ao desafio, que me pesa - são muitos anos disto -, é para evitar que este senhor que está à minha direita faça um passeio pela rua Carolina Michaelis até à minha cadeira naquele gabinete. É, portanto, um sacrifício. Que fique claro que isto é, uma vez mais, ao fim de mais de cinquenta anos, um sacrifício que faço pela comunidade.
CONSTANÇA CUNHA E SÁ - E o senhor, Lucas 2?
LUCAS 2- Boa noite. Antes de mais...
LUCAS 1 - Não admito. Não admito. Vê? Por estas e por outras é que me sinto forçado a avançar. Eu logo vi, pá, que tu vinhas com esse argumento. É mesmo típico.
CONSTANÇA CUNHA E SÁ - Quer levar um estalo? Hein? Quer? O senhor não se pode dirigir assim a si próprio, sem a minha mediação. Eu é que faço as perguntas. Se não, onde íamos parar? Deixe falar-se a si mesmo. Quer então dizer-me, senhor número dois, o que é que o distingue de si?
LUCAS 2 - O número 1 não se actualizou. Ora repare. Continua com o mesmo casaco bége que os gajos do blogue já tomaram de ponta. Enquanto que eu, olhe bem para mim: não me viu ontem com um casaco cinzento? É outra coisa. E que me diz deste casacão à lobo-do-mar, azulão, com gola forrada a pêlo? Isto sim. E depois há a coisa do sorriso. Esse sujeito é um cara de pau. Eu, pelo contrário, sou todo um sorriso. Além disso, comprometo-me a descobrir o Pai Natal desaparecido, antes do Natal!
LUCAS 1- Mas isso... lá está... as pessoas têm de saber exactamente quais são as funções de um Presidente. Não podem aceitar que se ande a prometer coisas que exorbitam as suas funções... Quanto ao Pai Natal...
CONSTANÇA CUNHA E SÁ - Ai, ai, ai! Mau, mau! Vou ter de me zangar. Aliás, já estou farta desta conversa com uma única pessoa que muda de cadeira e de casaco para se responder. Vou mas é pôr fim a isto. Vá lá. Um minuto para cada um. Uma última mensagem aos professores da Eslav.
LUCAS 1 - Caros mumble mumble mumble rgnião rgnião nh nh nh nh da integração e eu crumble crumble prometo que rumble...
CONSTANÇA CUNHA E SÁ - Não se percebe nada. Diga mas é o senhor, fáchavor.
LUCAS 2 - Mumble mumble nhac...
CONSTANÇA CUNHA E SÁ - Ora, ora. Vão passear. E os senhores espectadores não me digam nada se não ainda desato à chapada. Os professores não querem é fazer nenhum. Eu tenho mais que fazer.

14 dezembro 2005

AULA DE SUBSTITUIÇÃO(I)

Encontraram-se, ao fim da tarde, poa acaso, numa conferência do Banco de Portugal.
- Ele, barba por fazer, ombros descaídos e fato azul que já conheceu melhores dias; apenas o olhar brilhava ainda, como nos bons velhos tempos.
Seu nome próprio - Desemprego.
- Ela, cabelo ruivo, olhar atrevido, mesmo provocante, saia justa, lábios vermelhos, despreocupada como só as teen-agers sabem ser.
Seu nome - Inflação.
(Não gostava do primeiro nome-Taxa- porque se dava a brincadeiras de gosto duvidoso, "baxa", "caxa", "faxa" e outros ainda pior, lá para o fim do abcedário).

A faisca provocada quando os seus olhares se cruzaram, fez subir a conta da electricidade.
Não sentia um frenesim assim, desde o tempo em que andou com o Orçamento, esse deficitário que a trocou pelas manas Balanças (Pagamento, Comercial e a pior de todas a Balança de Transacções Correntes que era uma grande...bem, cala-te boca!).
Nessa altura só o Presidente Jorge a compreendeu quando lhe limpou as lágrimas dizendo:
- Deixa lá Raxa de Inflação (humor do Jorge), há mais vida para além do Orçamento.

O orador traçava rectas e representava funções onde o PIB e as exportações teimavam em não crescer, mas já nada conseguiam ouvir.
No final uma espera propositada, provocou o encontro e sairam dalí para o Gambrinus. Era preciso comemorar...
...
Encontrei-a no Sábado passado, junto à estátua de Camões, ao Chiado, a atirar milho aos pombos.
-Então como vais? Tudo vai bem?
-Não. Tudo vai mal para mim.
-Mas tudo vai mal, porquê?
-Foi um amor que eu perdi...
(Não sou o TOZE Brito)
Entretanto tinhamos chegado à porta da Brasileira para dois dedos de conversa.
(Continua...)

No final desta aula de substituição os alunos devem saber:

-Definir Taxa de Inflação
-Definir Desemprego
-Definir Orçamento
-Ter uma ideia das Balanças
-Apresentar um texto (máximo de 100 palavras) subordinado ao tema: O humor do Presidente Jorge

JP E O FANTASMADAOPERA

O homem que vemos no seu quintal, regando as flores, com ar bonacheirão, um bigode, algum ventre, é o mesmo colega simpático que anima, com as suas inocentes caricaturas, a sala dos professores; e que passa horas a resolver as provas de exame de EVT, de régua, compasso e transferidor, suando abundantemente, quando lhe toca ser júri; e que alegra, com a sua viola sempre bem afinada, algumas récitas escolares. Chegámos a lamentar deveras quando, precisamente numa dessas récitas, periclitantemente sentado numa cadeirinha, o senhor, que nos brindava então com a sua música, se desequilibrou e deu um imerecido tombo. Ninguém se riu do acidente (muaaah ah ah ah ah... Desculpem, isto é uma espécie de tosse nervosa que me dá sempre que me lembro do tombo, ih, ih, ih...). É um homem bom e um bom compincha, que apetece ajudar a atravessar a rua. E, no entanto, não se deixem enganar. Este senhor, o pacato JP, gentil e cordato, transforma-se, sob efeito de um xarope que o próprio terá inventado, no terrível... tremo só de lhe pronunciar o nome... as minhas veias gelam - sinto tudo aquilo que julgo que deverá sentir qualquer professor a quem acabem de ameaçar: «És o primeiro da lista para as aulas de substituição e... olha, que giro, hoje só faltou um professor...!» ... mas dizia eu, transforma-se no terrível fantasmadaopera. Ó mães, quando à noite, muito tarde na noite, ouvirdes cantar o hino do glorioso em falsete, e uma sombra barriguda se projectar na parede, trancai as vossas filhas e os vossos filhos. Trancai-vos a vós mesmas. Escondei os próprios maridos. É a hora do fantasmadaopera. É uma alma panada. Não, não me enganei, embora careça de me explicar: existem as almas penadas, sim, mas as piores, a que o mal aqueceu e esturricou de mais, são as almas panadas. É noite. Escrevi o que escrevi. Escondo-me agora sob a mesa do computador. Tremendo. E já oiço, ao longe, aproximando-se... tum! tum! tum! A todos a quem amei, adeus. Adeus!

O RABO DO GATO

SITUAÇÃO:

O novo Auxiliar de Acção Educativa para o antigo AAE:
Um professor pisou o rabo de um gato e o gato mordeu-o.

O antigo AAE para a respectivoa Encarregada:
Um novo professor bateu num pobre gato. O gato vingou-se e mordeu o professor, que agora não pode andar.

A Encarregada à Chefe dos Serviços de Administração Escolar(SAE):
Um qualquer professor palerma pisou o rabo de um gato selvagem. O gato mordeu-o e com toda a razão. O professor mereceu o sofrimento que está a passar, pois agora não pode andar. Se calhar...e porque vai faltar às aulas, tem que se pedir a sua substituição.

A Chefe dos SAE à Assessora do Conselho Executivo(CE):
Segundo a Encarregada dos AAE, temos na Escola um professor que é mais palerma que os outros. Agora sofre dos pés porque pisou o rabo de um gato selvagem que o mordeu. Segundo ela, é o gato que tem razão. Nós temos a mesma opinião porque, o facto de ser mordido não é razão suficiente para pisar o rabo a alguém. Por isso o melhor é levantar-lhe um processo disciplinar.

Assessora do CE ao Vice-Presidente do CE:
Segundo a Chefe dos SAE. a Encarregada dos AAE parece que ficou palerma porque um professor perseguiu um gato, depois deste o atacar. A Chefe dos SAE diz que a razão está do lado do gato uma vez que foi o professor que enfurecido mordeu o rabo do gato. A Chefe dos SAE recomenda que se levante um processo disciplinar ao professor. Penso que essa decisão pode desencadear um grave conflito e que isso seria um erro gravíssimo neste momento. A melhor solução é propor à Chefe dos SAE que concorra para outra Escola.

O Vice-Presidente do CE ao Presidente do CE:
A Chefe dos SAE ficou furiosa quando soube que um professor aborreceu outro professor pelo facto de ter mordido cruelmente o seu gato. A nossa Assessora diz que o gato tem razão. Evidentemente que a Assessora anda um pouco perturbada. O melhor é aconselhá-la a meter baixa ao serviço, para que ela possa descansar. De qualquer modo a experiência já mostrou que os palermas nunca contribuiram para o bom funcionamento da Escola, por isso é melhor recomendar a baixa de todos os implicados nesta confusão.

O Presidente do CE à Assembleia de Escola:
Um gato selvagem está na origem de graves problemas na nossa Escola. Várias pessoas com cargos de chefia nesta Escola parecem cada vez mais palermas. Parece que mordem o rabo umas às outras e querem desacreditar a Assessora e o Vice-Presidente do CE. O Encarregado dos AAE quer afastar um professor e a Chefe dos SAE, furiosa, afirma que só os palermas é que conseguem fazer andar a nossa Escola.

ONDE PÁRA O PAI-NATAL

A escola estava muito mais bonita, até a Donano Émia andava sorridente.
A Donacon Ceição dava-nos uns bons dias melodiosos como nunca outrora tinha acontecido.Era ver os professores de pastinha na mão a entrar por aquela porta, linda como havia poucas, cantarolando “eu bou, eu vou pró trabalho eu vou.”
A alegria estampada no rosto de alguns chegava mesmo a tornar inverosímil esta história, mas não, tudo isto era real e acontecia no borbulhar dos dias dum Dezembro que tinha sido chuvoso mas que agora apresentava um sol quentinho e prazenteiro.
Ninguém sabia muito bem que é que tinha tido a ideia de fazer uma árvore de natal com garrafas de água vazias; as sessões de brainstorming desenvolvidas nas reuniões do conselho de anciãos, digo, executivo, faziam nascer as ideias mais originais mas por vezes este método impedia saber quem era o verdadeiro autor dos devaneios.
Todos concordavam que esta árvore de natal concentrava em si a força centrífuga dum furacão; qualquer um que se aproximasse podia sentir o poder dessa força que era emanada e bastavam uns minutinhos junto dela para que um aula de área projecto ou mesmo de substituição parecessem uma brincadeira de crianças. Os professores s trocaram as calorias dos bolinhos do sr.Gonçalves por uns minutinhos junto da árvore para recarregar baterias.
Fá Timaluzia dizia que luzia muito mais quando estava junto dela.
Ainda assim, alguns olhavam para a árvore com desconfiança, -“Tanto verde e vermelho juntos não são bom prenúncio... eu estou a avisar, problemas vai dar... “ pensava Dona Flô.
Quem também não ficou feliz com a ideia foi o FantasmadaÓpera que temeu tornar-se visível com a sua presença; “-Talvez assim ninguém tope quem eu sou. Deixem ficar tudo na mesma que assim é que está bem.”
Apesar disso, a árvore vingou e podemos vê-la com todo o seu esplendor Beliãozesco em pleno átrio da escola!
“-Isto está uma beleza, dizia o sr.Pedro, coçando o nariz, se fosse eu punha-lhe aqui um
PaiNatal com um saquinho cheio de prendas para a malta.”
Meu dito, meu feito. No dia seguinte, com o expediente que todos lhe reconhecem, Mário Sou-Za transporta um enorme Pai Natal com alguma dificuldade, devido ao seu tamanho. Valeu-lhe o expediente da João Corte-de-Graça que lhe segurou nos pés.
Ambos colocam com jeitinho, juntinho à árvore plastificada e patrocinada pela Águas-do-Vimeiro, eu lembrei-me disto primeiro, um Pai Natal enorme bem do agrado da massa benfiquista eslava!
“-Oh!”- pensam vocês, onde está o Pai Natal? Como pode ter desaparecido tamanha obra da criatividade Mariense?
Mais um caso que intriga os professores, funcionários e alunos, no momento em que ninguém tem tempo para vasculhar gabinetes e buracos onde alguém o teria escondido… O chefe Lucas, de mão na anca, inspecciona a escola e vai avisando: -“Ou o Pai Natal aparece ou ainda temos que escrever isto no livro de reclamações que vamos ter a partir de Janeiro. Despachem-se ou não há prendas para ninguém no sapatinho...”
(CONTINUA)

A LEI DOS OITO ESTÁDIOS, POR DRA. TÉLIA FRASCO

Na sua investigação aturada (e por nós aturada, sobretudo) acerca desses incompreendidos, esses quasi-
-marginais do sistema, que são os professores portugueses, a nossa já conhecida Dra. Télia Frasco apresenta, hoje, num exclusivo para o nosso blogue, um primeiro esboço da sua Lei dos Oito Estádios de uma Aula de Substituição. Dra., fáchavor...

ESTÁDIO OBSCURANTISTA - Que o Azar não me toque hoje outra vez. Quantos professores estarão a faltar? Cambada de faltistas. Trouxe a minha pata de coelho? O meu trevo de quatro folhas? Deixa-me cá bater em madeira...

ESTÁDIO RELIGIOSO - Ai, ai. Já tocou para a entrada. Ave Maria, cheia de Graça, o Senhor é Convosco, Bendita sois Vós entre as mulheres...

ESTÁDIO DA DENEGAÇÃO (no sentido freudiano do termo) - Eu!? NÃÃÃÃÃÃÃÃÃO!!!

ESTÁDIO EPILÉCTICO - (Esperneando e pontapeando à esquerda e à direita): Que turma? Sétimo quê? Não vou. Não vou, já disse. Quero lá saber da ordem. Larguem-me. Deixem-me. Não me empurrem que eu bato, hein, estou a avisar, não me empurrem...

ESTÁDIO DA DENÚNCIA - Ah, mas espera lá, espera lá. Ó Fátima, não era a tua vez? Quais são os departamentos que não têm esta cena? Eu quero mudar já de departamento. E que está ali aquela gaja a esconder-se atrás do armário? Até parece a caricatura do João Paulo. Eu já te vi, filha, aparece, um, dois, três, Adelaide! Não penses que eu vou em teu lugar...

ESTÁDIO CONFORMISTA - Porca de vida!!!

ESTÁDIO POLIDO/ CHICOTE (consoante o estilo do professor) - Polido: «Aaaaah... bom dia pequeninos, estão todos bem-dispostinhos? Tenho aqui uma brincadeira muito gira para hoje...». Chicote: «O primeiro a abrir o bico, nem que seja para espirrar, morre!»
MAU-ESTÁDIO - Choro e ranger de dentes. Desespero. Escrever moções. Veneno.

13 dezembro 2005

CARACTERES (II)

Atelier de Escrita Criativa dos Professores da ESLaVEste que se segue, pela sua peculiariedade, merece ser apresentado isoladamente:

O INTERVALISTA - Na sala de aulas, no momento em que toca para a saída, o profe «intervalista» ultrapassa todos os alunos em direcção à porta que lhe devolverá a liberdade perdida. Pisa, acotovela, «Com licença, com licença», bate, empurra - e, caramba, sai para o céu azul e para o chilrear da passarada. Já na sala dos professores põe-se na bicha para a máquina de café, rindo com o da frente e com o de trás, instala-se num dos grupos de colegas, conversando entre gargalhadas felizes. Este professor vive verdadeiramente para os intervalos e só tem dificuldade em compreender por que diacho a escola, que pode ser um local de tão salutar convívio, há-de ter, também... aulas!!! Quando toca para a entrada, sobressalta-se. Pergunta, inevitavelmente: «Outra vez!?» E lá vai, como para um funeral, de novo infeliz. Muito infeliz...

ABRIGO SUBTERRÂNEO

Imagina uma cidade que está sob ameaça de bombardeamentos aéreos. Pedem que tomes uma decisão imediata. Existe um abrigo subterrâneo que só pode acomodar seis pessoas. Há doze pessoas que pretendem entrar. Da seguinte lista refere os seis que na tua opinião, deveriam entrar no abrigo, justificando a escolha:
  • Um violinista com 40 anos de idade, viciado em drogas;
  • Um advogado com 25 anos;
  • A mulher do advogado, com 24 anos de idade, com fortes distúrbios psiquiátricos. Ambos preferem, ou ficar juntos no abrigo ou ficar fora dele;
  • Um padre com a idade de 75 anos;
  • Uma prostituta com 34 anos de idade;
  • Um ateu com 20 anos de idade, autor de vários assassinatos;
  • Um jovem monge tibetano que fez voto de castidade;
  • Um "resistente" com 28 anos de idade, que só aceita entrar no abrigo se puder levar consigo a sua arma;
  • Um declamador fanático com 21 anos de idade;
  • Uma menina com 12 anos e baixo quociente de inteligência;
  • Um homossexual com 47 anos de idade;
  • Um débil mental, com 32 anos, que sofre de ataques epilépticos

12 dezembro 2005

OS CARACTERES (I)

Atelier de Escrita Criativa dos Professores da ESLaVMuitos séculos após Teofrasto ter escrito «OS CARACTERES», eis que a Dra. Télia Frasco se prepara para apresentar na Universidad Completense (Madrid) a sua dissertação de mestrado, «OS CARACTERES DOS PROFESSORES PORTUGUESES», de que aqui nos orgulhamos de aprsentar uma brevíssima e incompleta síntese. Talvez o leitor se reconheça em algum destes caracteres, ou se divirta identificando conhecidos seus...

O FOFO - O Fofo é o professor que se vê a si próprio como Mãe-galinha e aos seus alunos como pintainhos. A palavra «fofo» é, precisamente, uma das suas palavras constantes quando se dirige aos alunos; outras, são: «querido», «amorzinho», «pequeno». A maneira como interpreta os actos dos alunos tende a ser excessivamente inocente. Perante um gesto obsceno feito por um deles com o dedo, responderá: «Já vi o teu dedinho no ar, Nuno. Vá lá, querido, dá então tu a resposta...». Ou, sendo professora, é perfeitamente capaz de perceber «fofa» quando lhe chamam... outra coisa qualquer. Tudo comove o Fofo: uma caixinha de bombons no seu aniversário ou um raminho de flores no momento da auto-avaliação...

O ALUNÃO - O Alunão tanto pode ser o professor que não cresceu mentalmente, como aquele que pensa: Se não consegues vencê-los, une-te a eles. Acaba, é claro, por ser mais papista do que o Papa, isto é, do que os próprios alunos. Com piercings, brinco e tatuagem, camisa acima do umbigo, calças a cair, usa, na sua ânsia de se mostrar jovem, palavras que ultrapassam em modernidade os próprios alunos. «O que é que o cota disse?», perguntam-se estes, cruelmente.

O IMPOTENTE - O Profe impotente é o que, pura e simplesmente, se demite: chega vagarosamente, com um ar de absoluta abstracção, e entra na sala alheio de todo aos alunos encapuçados, ou de boné com pala para trás, ou para a frente, às conversas, aos gritos, aos aviõezinhos de papel, aos tombos de carteiras, às cábulas, ao copianço, às lutas no interior da aula, aos simulacros de sismo e, quando sai, aos alunos com cigarro na boca, em cada canto, às bichas para o bar, às bichas para a cantina... É um professor indicado para aulas de substituição, porque não chega a dar por elas.

O SUPERCOORDENADOR - Manda e desmanda, faz e desfaz, põe, dispõe, decide, convence e vence, reúne, responde; está em todo o lado ao mesmo tempo, abraçando mil pastas, sempre com solução para tudo. Os Executivos dependem de professores com esta capacidade de multiplicação de si. Perante uma tal omnipresença, haverá quem se pergunte se não é Deus. Erro crasso: o próprio Deus precisa, às vezes, de lhe pedir conselho. Também Deus depende dele.

O ASSESSOR - É o não-professor típico. Como já não dá aulas há variadíssimos anos ou, pelo contrário, acaba de se licenciar e não faz a mais pálida ideia do que se passa numa escola, o ME percebe que se trata da pessoa ideal para «teorizar» sobre as medidas que temos depois de papar.

Futuramente, serão revelados outros. Mas a Dra. Télia Frasco agradece, desde já, todos os contributos.

Desabafos (I)

  1. Na escola acontece uma coisa estranha. Aborrecemos-nos porque substituímos com fartura; reclamamos porque nos dão montes de papéis para preencher; enfadamos-nos porque temos pilhas de testes para corrigir mas, acima de tudo, porque temos reuniões sem fim. Não é pelas renuiões, é s apenas porque poucas são aquelas que levam a algum lado, poucas são as que dão frutos. Alguém sabe qual é o saldo? É positivo ou negativo? Vale a pena o esforço? E se não reuníssemos tanto e se não preenchessemos tanto documento, o resultado não era o mesmo?
  2. Neste momento coloca-se-me outra questão: tenho à minha frente as famosas fichas que se vão transformar em planos de recupração. (Coitado de quem vai fazer a triagem... ) Ainda não apareceram foram as frases com que vamos preencher isto, estão a ver?! Pretende-se individualizar os casos, de outro modo não faria sentido, mas... 20 casos particulares, propostas de trabalho, estratégias de recuperação, hummm, vou concluír senão não tenho tempo...
  3. Só mais uma questão (que os que comigo dão básico compreendem bem): o problema dos miúdos de hoje não passa essencialmente porque não conseguem ouvir seja o que quer que nós digamos? Porque não se conseguem concentrar em nada? Porque não conseguem ficar 45 minutos sossegados? Há poucos anos Marçal Grilo dizia que difícil era sentá-los. Não é que ele o tivesse visto na prática (lá está!), citava uma professora do ensino primário. São esses os alunos que hoje temos no básico: incapazes de se manter sentados. Antes eram os bilhetinhos trocados às escondidas. E os disparos de papelinhos nos canos das Bics. O choque tecnológico trouxe-nos os mp3 e os telemóveis, objectos indispensáveis nas aulas (!) e que disputam conosco a atenção dos alunos.
  4. Por muito que se fale, se discuta e se reuna, há sempre alguém que não sabe bem o que isto é, embora já tenha ouvido falar; porque está isolado num gabinete a escrevinhar leis que outros hão-de aplicar. Longe das salas de aula é difícil compreender como é difícil sentá-los... (Está por aí o presidente da Associação Nacional de Encarregados de Educação?!)

O TOQUE

Atelier de Escrita Criativa dos Professores da ESLaV
Nota: O professor é que é mesmo como a vela: dá luz e vai-se gastando

Entro a correr: ó toque, eu bem te ouço!
Vinte e oito alunos. Noventa minutos:
Tanto tempo para tão parcos frutos.
E depois, só meia hora de almoço

E os testes??? Toda a vida corrigindo
Sem tempo para corrigir a vida.
Que raio de profissão tão comprida.
(Mas crer, inda assim, que ensinar é lindo...)

Coordenações, reuniões e actas.
Quase não sei quem sou. Saio de gatas.
Só quero dormir e nunca mais posso.

É já manhã seguinte, já te ouço
Mais uma vez, ó toque imundo e grosso.
Não penses que me vences - que me matas!

11 dezembro 2005

POESIA MATEMÁTICA

Um quociente apaixonou-se
Um dia
Doidamente
Por uma Incógnita.
Olhou-a com seu olhar inumerável
E viu-a, do Ápice à Base...

Uma figura ímpar;
Olhos rombóides, boca trapezóide,
Corpo ortogonal, seios esferóides.

Fez da sua vida
uma paralela à dela
Até que se encontraram
no infinito

"Quem és tu?" indagou ele
Com ânsia radical.

"Sou a soma do quadrado dos catetos,
mas podes chamar-me hipotenusa."

E de falarem descobriram que eram
o que, em aritmética, corresponde
a almas irmãs
- Primos entre sí.

E assim se amaram
Ao quadrado da velocidade da luz.
Numa sexta potenciação,
traçando
ao sabor do momento
e da paixão,
Rectas, curvas, círculos e linhas senoidais.

Escandalizaram os ortodoxos
das fórmulas Euclideanas
e os exagetas do Universo Finito.

Romperam convenções Newtonianas
e Pitagóricas.
E...enfim resolveram casar-se.

Constituir um lar,
Mais que um lar,
Uma Perpendicular.

Convidaram para padrinhos
o Poliedro e a Bissectriz.

E fizeram planos, equações e
diagramas para o futuro
sonhando com uma felicidade
Integral
e Potencial.

Casaram-se e tiveram
uma secante e três cones
muito engraçadinhos

E foram felizes
Até aquele dia
em que tudo, afinal,
vira monotonia.
Foi então que surgiu
O Máximo Divisor Comum...

Frequentador de circulos concêntricos,
Viciosos.
Ofereceu-lhe, a ela,
uma grandeza absoluta,
E reduziu-a a um Denominador Comum.

Ele, Quociente, percebeu
Que com ela não formava mais um Todo.
Uma Unidade.

Era o Triângulo,
tantas vezes chamado, amoroso.
Desse problema ela era a fracção
Mais ordinária

Mas foi então que Einstein
descobriu a Relatividade.
E tudo o que era expúrio
passou a ser Moralidade
como aliás, em qualquer
Sociedade.

NOTA: Contributo para reduzir o insucesso crónico a Matemática...

Almoço de Natal internacional na ESLAV

EMENTA And Mint
Entradas Way in
Presunto Pata Negra Black paw ham
Queijinhos de Azeitão Little cheeses from Big Olive Oil Land
Ameijoas à Bulhão Pato Clams in the manner of the ever fighting duck
Cadelinhas à algarvia Little bitchrs from the Algarve
Percebes Do you understand
Grelos salteados Jumping clitoris
SOPAS Soups
Sopa de nabos saloia Soup of stupid peasants
Caldo de penca com coentros Nose broth with ass entries
Sopas do Espírito Santo Soup especiality from Espirito Santo Bank
Peixes e Mariscos Fishes and Gays
Imperador no sal Salty emperor
Caldeirada à fragateiro Boiler in the frigate's commander style
Choquinhos com tinta Little shocks in their own ink
Bacalhau assado com batatas a murro Grilled codfish with punch violent potatoes
Jaquinzinhos com açorda Little Jackies with bread pudding
Bacalhau com todos Codfish with everybody
Delícias do mar com saladinha de tomate Sea delight with a darling little tomato salad
Arroz de lampreia malandro à moda de Entre-Rios Bastard's lamprey rice done in the
mannerof between rivers
Carnes Meats
Frango à cafreal Chicken from the black people
Carne de porco à Alentejana Pork meat alentejana style
Jantar da matança em vinha d'alhos Dinner massacre with garlic wine
Mão de vaca à jardineira The cow hand in the gardener's way
Arroz de frango malandrinho à moda do Porto Harbour's small bandit chicken rice
Iscas com elas Baits with the girls
Sobremesas Over the tables
Toucinho do céu Bacon from heaven
Macedónia de frutas com gelado Fruits with ice from an old part of Yugoslávia
Bolo podre da Madeira Rotten cake made out of wood
Bolo delícia da avó My grandmother is delightful as a cake
Delícia do chefe The chef is also a nice guy
Baba de camelo The camel is going to spit on you
Rabanadas douradas Golden asses
Tarte antiga de gila Gill is an old tart!
Queijo da serra com marmelada Mountain cheese with foreplay

Com a refeição, recomendamos que prove o nosso vinho verde à pressão ou a nossa agradável e sempre fresca sangria
With the meal, we reccommend you try our green wine to the pressure or our pleasant and ever refreshing bleeding.

Boas Festas Good parties

PERDÃO PELOS DANOS COLATERAIS

Atelier de Escrita Criativa dos Professores da ESLaVJá houve danos colaterais provocados pelo blogue: o Abel, de quem sou muito amigo, ofendeu-se escusadamente porque num conto infantil não resisti a um jogo de palavras em volta do seu nome e lhe chamei A Bela. Devo pedir desculpa, porque reconheço que me excedi: de facto, o Abel não deve nada à beleza. Assunto arrumado.

10 dezembro 2005

DUELO AO NASCER DO SOL

... e um...
a pionola calou-se e o pianista entrepô-se entre os dois sorrisos disparados quase à queima roupa pelo sheriff Lucas e o seu rival de duelo...ninguém o viu nem deu pela sua presença..a cidade não era mais uma cidade fantasma (como Cactus CitY); era uma próspera urbe, fervilhando de vida, para onde convergiam garimpeiros, contrabandistas de alcol, traficantes de carne branca, castanha, amarela e preta, batoteiros de toda a espécie, ladrões de gado, etc...estavam todos na rua principal, dos dois lados da mesma, observando atentamente o anunciado duelo...o céu estava carregado e sua plúmbea tonalidade ameaçava, a todo o momento, uma descarga tremenda; ninguém arredava pé...nem no SLBENFICA - manchester united se tinha visto uma coisa assim...tudo até ao fim, até ao soar do derradeiro apito que coincidiria com a badalada, das 6 da manhã (quando nascia o Sol), da torre do relógio...GARCYA, ( EL Koças), conhecido e histórico garimpeiro local, pensava..."Fico aqui até me reformar para ver o desfecho do duelo...nem que demore mais 30 anos..."; ESCURA ANUNCIAPÃO, a mais excitante e provocante bailarina que todas as noites actuava no saloon local, aparava uma falha numa unha com a ponta e mola que, discretamente, retirara do seu cinto de ligas, sussurva para FILETE PONTEIRO, sua colega de palco: "Ó Filete, tenho as coxas doridas de tanto dar à perna no saloon mas daqui não saio...quero ve como isto acaba!" Filete disponibiliza-se: " Se quiseres apoia-te em mim que sou larga de ombros e de peitos e aguento bem contigo, hem??".
O ponteiro dos minutos do relógio da torre aproximava-se tragicamente das 6.00 horas...eram 5,59...ao longe o combóio apitara a 3ª vez...em Gun BooT Hill, era esta a cidade a atmosfera arrepiava...de repente, um garoto ardina, andrajoso e em louca correria, anunciava: "Extra!! Extra!! Os lagartos perderam com o Estrela da Amadora! Extra!!"
Os dois rivais, olhos nos olhos (como o réptil para o passarinho...) sacam velozmente dos tais sorrisos e....
...Conta-se, hoje, passados dois séculos e tal, que os dois sorrisos se encontraram a meio caminho, esbarrando um no outro e dando origem a uma ridícula e sindrómica gargalhada....

A KOLUNA DO DJ CARA DANJO: CORTA-MATO? NÃO CONTEM COMIGO

Atelier de Escrita Criativa dos Professores da ESLaVO teisto dôje tein 1 eisplicassão k é kuando eu tava xateado por não aver cumentarios e pedi 1 vága de fundo e dice ós meus kolegas k kria 1 vága de fundo respondeme do fundo da sala a deisi kárina ó cara danjo poço ser eu a tua vága de fundo e eu fui bruto prontos confeço k fui bruto mas saiume como 1 arrouto e dice acim ó deisi eu pedi 1 vága de fundo não pedi a vaca do fundo. mas a deisi desatou a xorar k as miudas ção toudas mto frájeis e keixinhas e isso já s sabe e amiassou k ia fazer keixa ao dt e eu tive k pedir desculpas e pormeti k ia voltar á koluna. mas tou contente pq aporveito pra trainar os parentes k (e uma coisa) k eu gosto mas (da ultima ves) k pus parentes num teisto (a profe de) portuges preguntou k é isto (e eu respondi) são parentes e ela (dice) ó carinha (danjo) não deixes cair (os teus parentes) na lama de maneira k acim (aporveito) pra trainar os parentes. bem. peçoal vai aver (1 cortamato) na kuartafeira e kero ja daki avizar k est ano não vô pratissipar neça sena pq o ano paçado (fikei em ultimos). o pipâl fartousse (de guzar) e eu arrangei 1 desculpa k era acim xeguei em ultimos (pq avia uns bacanos) a darme caneladas. atão preguntou logo (o zeka). caneladas pra frente ô por tras. e eu (por tras claro) atão (dis) o zeka ó men se era por tras não eras o ultimo. (e depois inda akerchentou o ) sôza. com (caneladas por tras) até devias ter korrido mais (e todo o maralhal) a rir á á á á á á. ora eu até nein gosto de educassão fisica k é como xamão agora a ginastica. bolas. (çaúde).

HÁ PLANOS E PLANOS

Como vem sendo hábito e para regozijo de todos, a Lara Croft fala por muitos de nós e é a voz, inclusivé, de todos os que queriam mas "não têm tempo" para publicar no blogue. E desta vez tirou-me as palavras do teclado. Esta magnífica e original ideia de por os professores a fazer planos de recuperação vai-se transformar em mais uma acto mecanizado, tipo copiar colar, porque não vamos ter nem tempo nem condições para fazer o que realmente é preciso. A falta de objectividade dos entes superiores que apresentam estas propostas é um enigma sem fim à vista e ao qual nos vamos habituando...
Agora repararem bem nos casos reais: vamos fazer planos de recuperação para alguns (muitos) alunos que realmente carecem de um apoio individualizado mas que estão integrados em turmas de 28 ou mais alunos? Para alunos cujo principal problema é o défice elevado de concentração? Bom, isso é assunto para outra crónica.
Estes planos servem para testar o grau criativo que possuímos. Vamos demonstrar o génio criativo que há em cada um de nós.
Atenção Conselho Executivo: o gasto de papel vai aumentar!